Vamos conversar?

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sábado, 16 de março de 2019

Opiniosa



Da Ciclotour por Barcelona, ainda.


Praça (esqueci o nome!) quando resolvi ir visitar os museus, pois no primeiro domingo de cada mês, as visitas em museus são FREE 😁. #ficaadica

Tive a oportunidade de conhecer O Museu de Gaudi. Dentre outros lugares no bairro que, a céu aberto, são um museu para nossos olhos!

Meus passeios e viagens são, predominantemente, por áreas rurais, cidadezinhas pequenas, vilarejos. Naquela vibe "sou mateira", bicho do mato, evitava as grandes cidades nas minhas viagens.




Estou mudando e espero mudar muito ainda, meus conceitos. Ter opinião muitobemformada sobre oquegosto, oquequero, ondevou, oquefaço, me fez ser uma pessoa muito opiniosa. Traduzo. Ser teimosa na minha opinião. Tender a não experimentar o que está fora do que pontuei como parte do meu menu. Isso fecha portas, ao invés de abri-las. E estou num treinamento intensivo de ser maleável. De ouvir o diferente. Fazer diferente.

Barcelona é gigante. E... Amedronta. Mesmo pessoas "viajadas" que se metem em buracos, mundo afora. Porque buracos no meio do nada assustam. Mas me dão a impressão de serem menos perigosos que me perder numa cidade gigante.

Bicho do mato mesmo!

Foi um tour de leve e the flash. Apenas para completar uma viagem mix que teve de tudo um pouco, um pouco de tudo!

Mochilão.


Um trecho pequenino e de muito aprendizado no Camino de Santiago de Compostela. Peregrinação raiz.




Teve colo de amiga e irmã para eu me refazer das bolhas sangrentas e infeccionadas dos pés.




Teve Ciclotrip pela Toscana ♥️❤️🚲🍃 na Itália.



Teve a revanchesegundachance no Compostela para concluir os 13 km que faltavam - que diga-se de passagem, fiz dançando... 😀💃🎶🎼, saltitando por quase todo o caminho...




E teve passeio em cidade grande de... Bicicleta!

Mundão grande! O coração fica pequeno para acolher tantas possibilidades. A coragem para ir fazendo, vai acontecendo no caminho. Enquanto pensa vounãovou, VÁ! Algumas coisas só acontecem, acontecendo...

Muita coisa que fiz ou vivi, não imaginava, nem planejava. Muitas, tive de focar, planejar, abdicar de muitas outras coisas pra poder ir e fazer. Não cabe tudo que se deseja, nem no bolso, nem na cabeça, nem no coração. O tempo todo estamos fazendo escolhas. Abrindo mão de umas. Escolhendo outras. O medo de ir paralisa. Engraçado que o MEDO SEMPRE É DE ALGO QUE NEM ACONTECEU AINDA. Então, é engraçado entender! Parece medo de fantasma! Medo daquilo que nem existe ainda...

Textão. Fazia tempo que não escrevia. Ando introspectiva. Devem ser as mudanças...

quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

As coisas mais importantes não são coisas!




Essa alegria, ninguém me tira!


Muita coisa é roubada.
Justamente. Coisas são roubadas.
As coisas mais importantes na vida não são coisas...

É um mistério esta máquina de andar e mexer da gente! Faz, faz. Necessita uns ajustes. Fica com peça gasta. A gente conserta. Às vezes, substitui. Cria ferrugem e até bolor!


Envelhece.

Máquina boa pra ser tratada com todo amor. E cuidado. Cuidar da dor. Máquina preciosa que nos carrega pela vida inteira. Que redundância! Quem não sabe disso? Hummmmm....

Aquela velha e conhecida historinha...
Ser jovem, ter saúde, ter tempo, não ter dinheiro.
Ser adulto, ter saúde,, ter dinheiro, não ter tempo.
Ser velho (ou mais idade! 😁😎😄) ter dinheiro, ter tempo e não ter saúde.
É fato. Mentira. Ter vontade muda tuuuuuudo!

Nesse mundãodeMeuDeus, perambulando por aí, vejo gente de toda idade. O que os faz ir? A despeito de toda dificuldade?

Vontade.


Ontem foi com uma Suiça que conversei. Em portunhol e inglês. Tem grana? Não. Tem vontade. Se precisar, arruma carona, arruma quarto por vinteecinco pilas em Floripa, aplica shiatsu na praia mesmo, com a gente deitada na canga, (lógico que fiz e até cochilei) e uma sessão já paga a diária do camping de hoje!

Tem vontade. Tem dificuldade. Vai. Enfrenta o que vier. E faz!


Já vi, na Europa, muitos casais de cabeça branca com suas mochilinhas, tênis no pé e... Vontade no coração! Passos mais lentos, costas mais arqueadas, mas pra que andar com passos apressados, mesmo?

Já vi gente que não troca férias por dinheiro nenhum no mundo. Trinta dias é sagrado por ano. E fazem milagres... Milagres em viver cada respiro dos trinta dias. Milagres que os trinta dias de desapego a dinheiro extra faz na vida da pessoa. Dinheiro a gente ganha, gente gasta. Todo mundo já ouviu isso. Ganha x, gasta X. Ganha y, gasta y. Lei da matemática. Lei da matemática, nada! Lei da maquinada! Que te transforma em máquina de fazer dinheiro pra alguém. Que não sei quem. Já que você não gasta com você!


Não estou falando de viagens caras.
Não estou falando de ir tão longe assim.
Não estou falando de maluquices. (Se bem que algumas, fazem muito bem! Quem não?)

Estou falando de cultivar o que não são coisas! Desapego ao que se vê. Se compra. Se rouba. Apego ao que faz bem!


Viro criança. Literalmente, viro criança! Me dá uma bicicleta e um à frente pra ir, que vou. Fico faceira de sentir o vento no rosto e sentir o suor dizendo que o corpo está trabalhando. De sentir que estou fazendo ele, o tempo, valer à pena. De degustar a liberdade que ninguém me deu e não comprei. Apenas abracei. Porque liberdade não é produto de mercado. Nasce com a gente. E quem a tranca, somos nós mesmos. Sempre dizendo a ela... "Agora, não! Nao tenho tempo. Estou ocupado. Tenho muitas coisas importantes pra fazer primeiro!" E prefere ser escravo. De si mesmo. De suas escolhas e ambição. De sua cegueira e sua traição. A traição aos seus anseios vitais. Dentre os quais, os SONHOS. Estes que nos mantém vivos. Estes que nos dão motivos para não desistir.

Não tenho mais liberdade que ninguém. A vida de cada um é diferente do outro. Alguns tem filhos pequenos. Alguns, pais idosos para serem cuidados. Alguns, pouca grana. Alguns, estes todos e mais alguns, MEDO. Quando a gente opta por fazer aquilo que gostamos, invariavelmente, pensam que a vida da gente é mais fácil. Atrelam liberdade a isso. E justificam sua falta de ação nisso. "Oooo vida dura, eu tenho!" Não leva a lugar algum pensar assim. Muito menos se iludir que a vida do outro que faz é mais fácil. De ninguém é mais fácil. É diferente! O que muda, é o olhar...


Ahhhhhhhh.... O olhar... Casado com a vontade, transpõe montanhas... Atravessa oceanos... Não leva dinheiro, Nem roupas de marca na mochila. Mas ganha experiências vividas, simplesmente por optar. Este tal de livre arbítrio que tanta gente deixa pro outro fazer por ele.

Não tenho dinheiro.
Não tenho tempo.
Não tenho saúde.
Não tenho coragem.
Não sei fazer.


Dinheiro. Taí tanto jovem fazendo, trabalhando no caminho pra fazer dinheiro. Esta suiça. Um amigo cicloturista que faz artesanato pra vender. Que pega trampo esporadicamente pra fazer renda. Outros amigos que vão e não tem preguiça de arrumar trampo não! Seja no que for.
Dinheiro. 2 Já pesquisou sistemas e aplicativos que te oferecem viagens mais baratas, acomodações mais em conta e nem por isso, menos confortáveis ou charmosas? Cinquenta pilas pro meu bolso num lugar aconchegante como estou. Onde pra tudo, vou de bike... Sem gastar um tostão de combustível. Faço amizades. Não me sinto só, se não quiser. Essa mocinha suiça tem pago entre vinteecincoetrinta pilas por dia. Oferece seu serviço, passando de guarda-sol em guarda-sol, também faz traduções de espanhol para francês e bem poderia fazer ainda para o alemão, inglês, italiano, se quiser. Pois domina todas estes idiomas... 😲🤓


Tempo. Já vendeu férias? Já se programou pra não precisar mais vender? Já usou bem seus finais de semana? Já levantou do sofá, já largou o celular e todas as redes sociais desligadas por alguns dias pra sair de dentro da caixinha e ir viver? Tem gente que na lápide terá de por o celular pregado em cima e constar... "Aqui jaz..."


Saúde. Vai com o que tem. Pode ter certeza. Vai piorar... Não é pessimismo barato. É fato. A curva da vida é ascendente. Topo. Descendente. Inevitável. Pra quem pretende viver até os cem anos ou mais. Off course. Dá pra melhorar cada fase. Ter qualidade de vida. E o principal: parar de se lamuriar pelo que não tem e usar bem aquilo que ainda tem. Porque logo, não tem mais! 🤪🤭😬🙄😜😂 Ao invés de se esconder na dor, vai com dor. Faz o que dá. Garanto que sair da inércia, botar a endorfina pra funcionar, vai trazer mais bem estar do que mais dor. Que vivenciar coisas novas, dará mais prazer que desprazer. E que você vai encher a sua linha do tempo de VIDA. Ao invés de DESvida. Na descida. Pode crer!


Coragem. Ahhhh... O medo... Que ata as pernas. Que paralisa. Que inventa monstros onde não tem. Coragem só se ganha no caminho.
O medo é um castelinho criado no mundo do fazdeconta, botando medo na gente, daquilo que nunca existiu. Não adianta se basear no "E se...." SE é condicional. Algo que pode ser e pode NÃO ser. Basear suas escolhas e sua vida em algo que não é real é, no mínimo, esquisito, não?
Coragem é como tsunami. Um cisco o inicia. Imperceptível quando nasce. Um monstro quando acontece. Derruba tudo no caminho!  Não é que coragem tenha de ser destrutivo, destruidor. Mas a coragem cresce porque fez o primeiro movimento. É o primeiro movimento que todos precisam fazer!


Por fim. Não sei fazer. Quem o sabe? ! Só se aprende a fazer, fazendo.  A vida só tem graça por ser uma caixinha de surpresas. Observar a natureza do nascermorrer, nos mostra que aprendemos para sobreviver! Chorar. Pedir. Fome. Sede. Dor. Ganhar independência ao se mexer para ir alcançar. Um brinquedo, a mão da mãe. O engatinhar. O andar. Então... Onde foi que você se perdeu? Onde foi que desaprendeu a andar?

De todas as desculpas esfarrapadas, escolha todas pra jogar fora. Escolha ir.

As coisas mais importantes não são coisas!


segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

O Pré Caminho


O Pré Caminho



5/8/18

Hoje começo, de fato, a parte mochilão! Desmamei do aconchego e conforto da casa da Cris, devido ao calor extremo destes dias, onde o mais sensato foi ficar recolhida à sombra do que já iniciar a longa caminhada que me espera!


Foi uma convivência gostosa! Passar estes dias com minha amiguinha de infância, conhecendo os encantos desta região, relembrando nossos tempos de meninas, e tantas belezas naturais e as construídas há tantos anos atrás. Castelos. Cidades. E observar ruínas ou casas e igrejas mantidas através dos tempos.



As temperaturas giraram em torno dos 45 graus à sombra. E a ideia de chegar em solo europeu e iniciar o Caminho já na sexta feira teve de ser abortada, o que não me chateou. Fazê-lo será muito bem-vindo, se acontecer. Mas antes do caminho, há muitos caminhos a desfrutar…


Quinta-feira foi dia de passeio pela região. Parques municipais, castelos medievais e a inusitada experiência de comer um prato típico português… Caracóis!



Quando o dia parecia já ter terminado, Guilherme, esposo de minha amiga nos levou às cidades vizinhas onde havia o Castelo de Torres Novas que é aberto durante o dia com entrada gratuita. Uma construção imponente, conservada, que nos remete a uma viagem no tempo ao passeamos ao seu redor por estreitas passagens pela muralha que o rodeia. Adentrar, infelizmente, não foi possível neste momento, devido ao horário. Mas a rápida passagem por ele já valeu muito à pena.
O Rio….. ladeado por praças, que corta a cidade, convida moradores e curiosos a permanecerem por perto nos restaurantes e bares próximos. A sensação de estar perto da água, somente pelo barulho que se ouve da cascata já proporciona um desejado frescor nesta noites tão calientes. E terminamos o dia em casa, já passado da meia noite.


Ao dia seguinte, estava reservado um passeio que logo ao descer do avião, minha amiga me convidou, perguntando como eu estava de agenda nesta viagem. Livre, eu respondi! Estou com um abecedário inteiro de planos e opções de caminhos. Com ideias, mas sem correntes. Ela tinha em mente, irmos à piscina de Castelo Branco. Distante cerca de 100 km de sua cidade. Não poderia ter havido passeio melhor! Saímos no final da manhã e pude relembrar meus tempos de picnic com meus filhos. Passamos num mercado, compramos frango assado, frutas, pães, água, chá e munidos, chegamos à piscina. Como nos preenchem ricamente momentos que parecem ser tão simples! Alternar pulos na água, refrescar-se nela, na ducha e à sombra das árvores lá hora do lanche. Comer com as mãos, sem o menor constrangimento. Deliciosamente! Observar as pessoas, as famílias. Enquanto fugíamos o valor extremo de 45 graus…


O final da tarde ainda me presenteou com um passeio pela região de Vila Velha do Roncão. Uma formação rochosa às margens do Rio…. que, conforme tem descrito numa placa informática à sua frente, na margem de cá do rio, tem uma aproximação da partes que a compõem, estreitando a fresta entre elas!
O dia terminou preguiçoso, eu cochilando dentro do carro.

O sábado foi dia de pesquisas. Comecei a pensar em planos A, B para fugir do calor extremo e do risco de incêndio. O Caminho ainda estava em suspenso. Caminhar por dias sob um sol estarrecedor não seria nada sensato. Arriscar-me a passar por áreas com riscos de incêndio, sabendo o quão graves são em Portugal, também não fazia parte dos meus planos. Comecei a pesquisar o litoral.
Pelo Google mesmo, percebi um local chamado Peniche. Carol, filha de minha amiga já havia visitado e também feito a travessia à Ilha, a Reserva de Berlenga. Hummmmmmm… Parecia ser interessante a ideia! Fiz uma pré reserva pelo Booking. Anotei as possibilidades. Enrosquei no acesso por ônibus. Teria de fazer toda a volta por o Lisboa. Gastaria horas, agora de ser distante apenas 100 km. Deixei de lado.

Saquei plano B. Serra da Estrela. Altitude combina com frescor. Clima ameno. Me pareceu uma ótima ideia. Pesquisei locais. Li comentários sobre o que ver na serra. Gostei. Pesquisei hospedagens e, bem no estilo casas de montanha, vi uma vasta oferta de lugares super charmosos, aconchegantes para ficar. No entanto, a grande maioria já reservados. Quando, finalmente, encontrei, num valor legal, fiz o contato com o proprietário para saber se eu poderia ir sem efetivar a reserva, pois este seria com taxa de cancelamento, caso eu não conseguisse chegar. Para o meu imenso espanto e um certo desapontamento, ele me respondeu que não era nada aconselhável ir lá, pois havia alto risco de incêndio!

Estaca zero.

O dia foi se arrastando preguiçoso, um calor insuportável lá fora. Passamos o dia inteiro dentro de casa para fugir daquele bafo quente que pairava no ar e parecia subir ainda mais quente do asfalto. Lá pelas tantas, Cris teve uma ideia genial. Havia um auto carro, nossos ônibus, particular aos domingos que levava num preço bem acessível e direto, sem paradas, portanto, em torno de uma hora apenas, até Nazaré. A famosa praia das ondas gigantes! Bingo! Decidido o que fazer. Retirei do mochilão poucas coisas para passar o dia e retornar no mesmo. Saquei a mochila de ataque e feliz da vida, tinha em mãos o que faria. Pesquisando as possibilidades de passeios e transportes, vimos que haveria tapete fácil até Porto. Isso poderia casar à ideia inicial de prosseguir do litoral, em direção ao norte para a região de Porto e, quem sabe, ao início do Caminho. Caso fosse interessante o litoral, levando meu mochilão, eu teria a opção de ir até Peniche, que era a ideia inicial e conhecer um pouco da redondeza. Fiz a pesquisa. Sim! Consegui manter a reserva inicial de pernoite em Peniche. Agendei a travessia de barco para a Reserva de Berlenga. E comecei a desenhar o caminho. O pré caminho.

Refiz a mochila. Juntei tudo de novo. Fechei de lado a malinha laranja que vai guardar os excessos de bagagem e as roupas de frio com as quais vim do Brasil.

Cá estou. A caminho do litoral do lado de cá do Atlântico. Por dez euros ida-e-volta, se quiser, rodando cerca de 50 km para iniciar o desmame tão gostoso do aconchego do lar da Cris. Sozinha. Sozinha, não! Eu e minha mochila.

sábado, 12 de janeiro de 2019

Latitantes. História de amor incondicional!



Verão passado. Como amo passear com este bichinho...🐕



Tinha planejado fazer a ciclotrip 🚲🎒 com ele. Projetei um suporte na garupa onde pudesse fixar sua casinha🏠. Tinha duas opções de casa. A rígida e a flexível. Esta da foto. Bem ventilada, confortável, mas não protegeria da chuva que é uma constante no verão catarinense.





A rígida seria a ideal. Ventilada, um pouco menos, mas não entraria chuva. Porém, achei que o bichinho era menor. Comprei a P.... 😮🙄😏😜. Errei o tamanho. 🤦

Com isso, ele ficaria muito apertado.

Desisti de levá-lo comigo. Deixei juntamente do carro, na casa do meu amigo em Penha. Início da cicloviagem do Circuito Costa Verde & Mar..

E assim que acabei a etapa trip bike, dez dias depois, corri pegá-lo pra passear.

Cachorros tem um quê só deles! Um amor incondicional pela gente. Lealdade. Parceria. Cuidado. Uma espontaneidade de derreter o coração. Por mim, levaria junto comigo em tudo! Mas na Triptour BR 🇧🇷 tive de optar deixar. Pois não é permitido adentrar nos PARNAS com animais domésticos. E levar por levar e deixá-lo, não daria. Pois na maior parte do tempo, eu acamparia.

Ainda vou adaptar a bike para ele ir comigo. Quem sabe, pela América do Sul. Mas não gostaria de levar na carreta para bike atrás.

Li, outro dia, o relato do Israel, sobre receber a notícia da morte de seu dog. Ele, em viagem há três anos. O companheiro, já idoso, falecer, lá na sua terra e sua mãe lhe mandar a notícia 😢. O vazio que dá. E isto me faz pensar se vou mesmo cair na estrada sem ele. Parece bobagem?

Tenho sonhos de viagem. E defino dois bem certos. Um ano de bike pela América do Sul. E uns três anos viajando e morando na estrada num carro que me dê autonomia pra seguir.






Já fiz algumas pernas de viagem com meus filhos pela América do Sul. Contornando desde a Cordilheira dos Andes, região dos vulcões do Chile e Argentina. Região dos Lagos. Até o Ushuaia. Geleiras do El Calafate. Retornando por toda Costa litorânea Argentina com suas pinguineiras, aquelas não exploradas nos pacotes comerciais. Aqueles cantinhos escondidinhos, que só os donos de posto de gasolina no caminho nos contam e revelam.

Já fomos de carro pela Costa litorânea de todo o sul do BR + Uruguai . Parando, acampando, bicicleteando trechos no caminho, passando pelo lugar mais exótico que já estive, Cabo Polônio, até chegar à ponta, em Colônia del Sacramento.



De avião + busão, van, táxi, trem, avião dinovo, pele Bolívia, Peru e Chile, naquele triângulo que concentra as belezas mais estonteantes por metro quadrado, num giro de duas semanas onde fizemos milagre e conseguimos espiar e nos esbaldar de ver as cidades pré-incas, incas e a única cidade inca viva Ollantaytambo. Desertos de sal e montanhas com Lagos congelados. Aqueles nomes que você ouve e ficam ecoando, pedindoindoindo na cabeça, até você se decidir a ir. Tiwanaco, Lago Titicaca, Islas Flotantes em Puno, Machu Picchu (off course!), Salar de Uyuni (pfv, né!), Atacama. Ficou de fora a Estrada da Morte. Porque eu tinha costelas fraturadas em recuperação naquela viagem… 😱🤕🤦🤪😬😂







A América do Sul me fascina. E quero ir sem pressa por ela. Aliás, Plano A era este. Nestas férias. Lagos de bike. Abortei a ideia quando vi que não me recuperaria do corte no joelho, na queda correndo, em novembro. Plano B, de bike atravessar SC, também não era viável. Atrofiei muito no período pós queda e seria um tanto insensato cicloviagem solo assim. Plano C: de 4x4 pelo centro-oeste, chapadas, areiões jalapanêses, BA, terras onde nunca pisei. Caí dinovo. Vai saber que recados são estes pra mim?!

Li hoje, da Pã, sua descoberta, véspera de tufão anunciado pela ilha, via tufão interior, que os sonhos quando demoram acontecer, acontecem atrasados, fora do fogo do desejo genuíno! O que te denuncia e te pede. “Tem de ser agora. Depois, já era!” Uma baita reflexão. Não sei o quanto concordo, o quanto discordo. Mas mexe fundo. Tanto a resiliência e paciência de perseguir e realizar sonhos, no tempo onde podem acontecer. Quanto a honestidade de admitir que o tempo deles já foi. Que fazer a todo custo, é pura teimosia boba, desnecessária, que consome tempo energia e dindin, que se você tiver feeling o suficiente, desvia, e vai fazer o outro sonho, novinho em folha no tempo certo do agora. Meo…. Que honestidade gigante dela! De causar tufões na gente. Às vezes, ficamos tão obstinados em alcançar sonhos congelados no tempo, que não percebemos que nem os desejamos mais, tanto assim. Que alcança-los, vira mais obrigação, vaidade, vitrine, do que deleite.

Então, a cabecinha gira 😟, gira 🙃, gira 😲, gira 🤪, gira 🤸 do jeitinho que eu gosto, me cutucando, causando indagações…


A idade dos cachorros 🐶 provoca isso. Eles têm um tempo tão curto de vida e sei que quem não ama cachorros não vai entender nada do que estou falando. Mas pensar que o Tufo tem seis anos e tem, exagerando, dez anos de vida pela frente, me faz pensar e chegar à certeza, que não quero ficar quatro anos fora, sem levá-lo comigo, sem tê-lo comigo nestas minhas viagens. Estas minis trips, ok. Fica em casa, recebendo carinho, na sua caminha, seu lar, mesmo com saudades e não entendendo onde estou. Mas vou voltar. No máximo, mês e meio fora, volto. Mas viajar por meses, anos, deixá-lo… me faz pensar qual o sentido disso tudo! Ao mesmo tempo que soa ser tão tolo, apego, pergunto. Em que vale à pena se apegar? A gente discursa tanto, o tempo todo, desapego, minimalismo, para não criar teia de aranha, parado nos lugares, como se fosse feio, ruim, pernicioso, criar raízes. Ter vínculos. O nômade aprende isso. Senão, não segue. But…. E nesta bagagem, mini bagagem, não cabe levar amor? 👜♥️💟

Fico pensando e ruminando…

Escrevo com certa frequência. Leio muito. Desde livros que ficam pelas metades, metade lido, metade folheado, um tanto não terminado, blogs, textões no Instagram de viajeiros que sigo e amo, assisto vídeos dos canais idem, que, conforme o interior, busco um ou outro, e vou me inspirando e inspirando outros, quando paro e escrevo.

Na devida proporção, cada um com seus seguidores, leitores, amigos, quando compartilha suas passagens, paragens e viagens, participa desta mágica que é contagiar… Todo mundo teve alguém a quem ouviu e viu e fez seus olhinhos brilharem! Ouvindo pela primeira vez histórias malucas de perseguir sonhos malucos, ou não, e ir! E muito mais que realizar, compartilhar multiplica.

Poder ler, assistir, acompanhar as experiências destes viajantes que sigo é inspirador e, ao mesmo tempo, instigante. Falo isso porque as falas se repetem em bocas diferentes. A busca, logo se percebe, é interior. Óbvio. A passagem exterior por lugares exdrúxulos, estimula ainda mais. Parece aguçar sem piedade todas as terminações sensitivas da gente. Ficamos inteiros sensíveis, chorosos, alegres, tristes, depressivos, excitados, exageradamente vivos! E parece que aceleramos nossa capacidade de perceber a vida. De querê-la na íntegra. De não se conformar numa forma em que não cabemos.





Comecei a escrever falando do meu cachorrinho. Olha só onde fui parar… Em devagações filosóficas sobre a vida. Talvez, porque, ao mesmo tempo em que viagens, acentuam nossas percepções de vida, o tempo de vida tão curto destes serezinhos nos acenda a luz vermelha, ligue o apito que nos acorda para sermos, desnudamente, sinceros pra nos perguntar e responder.

Você vive o tempo presente? Ou vive o sonho antigo, já obsoleto. Ou vive em função de alcançar condições futuras de fazer o que quer hoje. Que pode ser que não seja o seu desejo de amanhã, quando conseguir ter todo o aparato em mãos para realizá-lo...


Tenho um animalzinho fofo, inteligente, parceiraço de trilhas, bike, mar e cachoeira hoje, por tempo determinado. Que já correu muuuuito comigo, quando eu treinava, já foi por trilhas de bike por horas, que anda meio gordinho por falta de exercício por tanto que me machuco e sou obrigada a parar, sem andar, sem correr, sem ir pro vento. Será mesmo que vou cair na estrada sem ele?



Cair na cachoeira na Chapada dos Veadeiros desenhou um baita ponto de interrogação na minha vida. Em nenhum momento me rebelei, no estilo “Por que agora, por que comigo?” Aceitei. Só. Estas paradas abruptas acontecem com tanta frequência na minha vida que este recado, eu já entendi. Stop. Eu sabia que tinha algo a fazer em casa, neste período. Aceitei, voltei. O pensamento mais certo na minha cabeça na hora do meiavoltavoltaemeiadar foi de que tenho tempo pra ir passar com a devida calma, pelo roteiro que desenhei. Sem pressa. Sem atropelo. Sim. Certos lugares não se conhece com um cachorrinho a tiracolo. Parques nacionais, os PARNAS, nenhum. E morar na estrada não permite você deixar teu pet em casa, pra você ir dar uma voltinha. Porque, muitas vezes, a casa é a barraca. O carro. A casa de alguém. A cama dentro de um quarto cheio de beliches. Então, não dá.

Como nada é definitivo, nada é estagnado, ainda há opções. Mesclar. Nem só ao mar. Nem só à terra. Por enquanto, vou alternando.

Mas ter um serzinho como ele que posso, ou não, levá-lo, diferente de um filho, um neném, ter a opção e, de repente, optar por seguir sem ele, é um abraçar um caminho onde você não vai poder voltar os ponteiros do relógio. Ironia da vida, fato que é aplicável a tudo na vida. Mas de uma maneira suave. Nem por isso,  menos cruel, quando você segue sem e tem de encarar que pode não vê-lo, de novo.


De tudo isso, cachorros não são bibelôs. Decidir tê-los é um compromisso de carinho recíproco. Deles, natural, espontâneo. Sem exagero, acredito hoje, a forma mais sincera e incondicional de amor de um ser vivo ao outro. Porque ser humano é egoísta. Manipulável. Influenciável. Eles, não.

Este serzinho foi meu antidepressivo risonho, saltitante, que me tirou do sofá, de dentro de casa, me obrigou a ver a luz do sol, quando eu não tinha vontade nenhuma de fazer qualquer algo pra mim. Me faz cruzar com pessoas no caminho com seus respectivos serezinhos latitantes e fazer amizades. Aprender nomes de cachorros e pessoas. Praticar sorrisos. Palavras de bom dia. De atenção. De me movimentar. De sair da inércia física, intelectual e emocional.

Uma história de amor onde a gente mais recebe do que doa.



Chega por hoje. Vou lá praticar a minha parte levando o Tufo pra passear!