Vamos conversar?

Vamos conversar?

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Quero mais caronas!


Tô com saudade das minhas caronas!
Sempre que me arrebento e não posso dirigir, recorro a caronas!

Vou contar esta história.

Pra quem me conhece um pouco e sabe do histórico, não é novidade. De tempos em tempos, estou me recuperando de algo. Invariavelmente, fico sem dirigir.

Nesta época de Uber, fica facin facin ir-e-vir de carro pra onde precisar. Mas as caronas… Eita, desculpinha boa pra estar perto de amigos!!!!

Ixi. Será que meus amigos vão ficar brabos com isso?

Pedir ajuda é das melhores coisas que se aprende nestas marés de não poder fazer tudo sozinho. Diria que é uma virtude, mais do que uma fraqueza. Quando se enxerga a si próprio, incapaz de fazer tantas coisas que sempre fazemos sozinhos, que há tempos não precisamos de ajuda, é uma viagem no túnel gostosa e interessante.

Aprendemos a ser muito independentes. Exageradamente, independentes. Eu mais ainda, filha da Dona Estela, tão feminista é cheia de me ensinar a me virar sozinha desde cedo! É bom isso. E não é bom.

É bom aprender fazer de tudo um pouco, ir de peito aberto e não ter medo. Isso ela me ensinou bem. Mas existe um ladinho do coração que pede aconchego, colo e carinho. Um ladinho que fica até com medo de precisar do outro. De pedir ajuda. De mostrar pro outro que ele é necessário na vida da gente. E com isso, criamos muros da independência! Muros que distanciam pessoas próximas porque ninguém mais precisa um do outro nem pra ir junto logo ali, nem pra fazer coisas corriqueiras, tomar um café, ir no mercado, ir-e-vir.

Ops. Corrijo. Café com prosa sempre é bem melhor. Sozinho dá, mas é sem graça! E quanto ao ir-e-vir… Ahhhhhhtahhhhhhhh… Redescobri!!!

O quadradinho preto nestas horas tem sua boa função! Nestes meus períodos de “convalescença” disso-e-daquilo, seguidas vezes, ressucitei este recurso. Tipo… “Como você tá de horário amanhã?” “Tenho médico amanhã, você poderia me dar uma carona?”

Meus amigos que o digam!!!
Foram várias, várias mensagens e telefonemas nestes dias! Explico. Quando não posso dirigir, loooooogico, vou andando a pé pra todo canto que preciso. Mas quando até nisso estou proibida, impedida, a carona é um santo remédio. Ops. Recurso. Ops. Remédio mesmo! Porque não é de ir-e-vir só que se trata uma carona… É muito mais!!!

Caronas carregam pessoas de-um-lugar-pra-outro. Certo? Errado!
Caronas abrigam conversas! Reatam laços. Aproximam na desculpa de ir ajudar a amiga aleijadinha, de novo, mas o que fazem de melhor é juntar pessoas, desenrolar boas prosas, ver gente que fazia tempo que não via, ver gente que gostaria de ver mais vezes, ver gente que quero ver sempre!!!

Caronas são uma desculpa boa que precisei pra uma coisa e me fizeram bem pra outra. Precisar do outro é um aprendizado rico. Pedir ajuda, algo esquecido neste mundinho tão auto-suficiente. Muita gente que não arrumaria tempo pra uma visita, arruma quando é pra ajudar! Quer coisa melhor? Saber de corações tão bons dispostos a ajudar???

Vou já avisando! A todas as minhas caronas! Irmã, aluninha que alfabetizei, colega de trabalho de quinhentos anos atrás, professora que virou amiga, colega de facul, parceiro de pedal, vizinha que virou amiga, gente que aparecia de nada… Não pretendo me quebrar ou arrebentar de novo! Mas olha que minto uma mentirinha se for pra raptar uma conversa boa de novo com vocês!!!

Se receberem uma mensagem, ou um telefonema, “quero carona” de novo, pode ser que seja um trote!!! Só pra ter de novo a companhia boa por algumas horinhas!!!!

Em tempo.
Tantos carros trafegando nas ruas com uma só pessoa dentro. Sozinha e solitária. Tempo bom era quando enchíamos o carro (até o porta-malas!) pra ir-e-vir pra facul, ou de um centro ao outro na UEL, nas andanças por aí, carro de pobre e rico de conversa e vida!

Quem nuca andou com o carro atolado de gente, gente sentado em cima de gente, no colo, apertado, tudo duro de grana, mas tudo junto por uma boa causa, uma boa festa, não perder a hora da aula lá longe???

A gente tem de derrubar os muros! Muros de aço nos carros, redescobrir quem vai perto, quem poderia ir junto, encher o carro de novo, estreitar laços com vizinhos, amigos, colegas de trabalho, de facul, passar mais tempo conversando e se aproximando…

Não adianta nada ter ganho segundos, minutos e horas, cada um tendo seu carro próprio, pra levar mais rápido num caminho que você vai sozinho.
Ainda penso e acredito que o caminho é mais gostoso quando se vai junto de alguém!

A carona me faz bem!!!

sábado, 24 de junho de 2017

Se permita!


Dias destes recebi duas visitas amigas.
Andaram lendo minhas historinhas.
Cutucou. Remexeu. A pulga pulou pra trás da orelha delas!
Adoro isso!

Quem colocou a pulga atrás da minha orelha pra fazer o que faço hoje foi Rubens Portugal. Um mestre. De olhos vidrados de brilhante. De fala apaixonada pelo que ensinava. Acreditava no que dizia. E atiçava! Me provocou. Me desafiou! E conseguiu, mesmo que tão demorado, fazer com que eu me mexesse. Porque acreditava, me fez acreditar também! E fazer o que ele dizia que eu deveria fazer… Escrever!

Tive mestres que escreviam também. Outro Rubens sem o “S”. Rubem Alves Cujas histórias, eu devorava! Encantava-me a possibilidade de se contar a mesma história de formas tão diferentes! Metaforicamente! Torna cada história, uma vestimenta que cada um veste de acordo com o que enxerga na sua própria vida! E de tanto ler assim, assim fiz! Historinhas vestidas em metáforas…

Sobram luzes piscando.
Faltam olhos brilhando!
É preciso acreditar mais e discursar menos.
Sair na surdina, no segredo e ir. Só ir.
Porque indo, se faz! Muuuuuito!!!

Sonho só é bonito se fizer despertar!
Pois se continuar dormindo, o ponteiro do relógio anda. Sem parar…
Sonho que não faz acordar vira pesadelo. Aquele que se arrasta a vida inteira, como peso. Que faz você inventar desculpa o tempo todo, do porquê não saiu pra vivê-lo!

Muita gente passa a vida reclamando “não fiz isso, não fiz aquilo” jogando a culpa em alguém que trancou a porta e levou a chave embora. Só não contou que este alguém foi ele mesmo.

O tamanho da distância entre o olhar como plateia e o atuar como protagonista é só um! O da auto permissão! Inventar desculpa de “não fui fazer porque não me deixaram” é pura balela. Já parou pra pensar? É isso mesmo? Trancaram a porta? Ou foi você mesmo?

Fica fácil se justificar vida afora que a culpa não foi sua de um sonho não ter acontecido. Quero ver é explicar vida adentro!

Por fim.
Não adianta virem abrir a porta se você não quiser passar!
Não adianta inventar desculpas pra justificar o que você mesmo nunca compreenderá.

É somente quando você passa pela porta que divide o que era dúvida do que pode ser, do talvez e do será, que você pára de nhenhenhem e se permite fazer, é que realmente saberá o que é capaz!

Se permita.
É só você que fica fechando a porta, com desculpa boba para não passar!
Falta de tempo, de dinheiro, de companhia, de conhecimento…
Tempo? Fazendo ou não fazendo nada, ele se vai.
Dinheiro? Ganhando muito ou pouco, ele se vai.
Companhia? Indo ou ficando, tem-se e não tem.Se estão, se vão. Se vão, estão.
Conhecimento? Nenhum conhecimento supera aquele de estar lá construindo novos saberes. Se você ficar, ele estagna. Se você for, ele se renova.

Existe algo mutante no conhecimento que me fascina. Ninguém sabe o que não aconteceu ainda. O que dizem ser, já foi. Dizer que é, é mera especulação. O conhecimento é vivo e só acontece, de fato, na junção da pessoa no espaço e no tempo. Conhecimento é construído ao vivo! Senão você é somente leitor do conhecimento dos outros.

Ler é bom. Atiça. Mas ir escrever sua história, melhor ainda. Abra a porta. Suba no palco.

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Cinquenta, sabor de Noventa pra quem tenta!


Sempre me joguei!
Sempre fui de correr o risco.
Mesmo que soubesse que poderia doer.
E doía!
Mas a dor sempre era uma companheira amiga, que não me largava e me anestesiava.
Como música...

Perdi algumas coisas no caminho.
Compliquei algumas outras no esqueleto aventureiro!
Mas... O que de coisas que ganhei....

Não tenho dúvida!
Faria tudo de novo!
Não é cliché. É real!

Não gostaria de chegar aos meus noventa anos intacta.
Sem arranhões. Sem lesões.
Sem ter passado por dores, medos e dúvidas.

Estou com cinquenta. Que valem por cem!
Na metade do caminho com o gosto de ter percorrido muito mais.
Talvez o dobro?

Tive medos. Tive dúvidas.
Dores imensas.
Mas tenho o coração repleto de saúde.
De vida vivida.
A certeza de ter ido buscar o horizonte longe...

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Encavernar... Sem hibernar!


Necessário. Coisas pendentes.
A conversa está muito boa aqui fora. Muito boa mesmo! Gerou visitas, cafés, longas prosas com gente que não via há anos, com gente nova que conheci na rua, no lago, debaixo do pé de abacate, passeando com meu dog.

Bom que não é uma caverna triste. Recolhimento vindo de fora pra dentro. É algo que estou escolhendo fazer para dedicar o tempo para algo importante também. Desejo de dentro pra fora!

Tenho certeza absoluta. Nada é por acaso! Reativar meu Blog redespertou em mim o que sempre fui. Me redescobri uma contadora de histórias! Que definiu a minha profissão de origem. Aquela que me fazia ser alfabetizadora, cheia de historinhas pra contar pra ensinar as letras. Contava histórias fazendo caretas exageradas, fazendo suspense, causando risos, risadas e espanto. Só pra fazerem se lembrar daquilo que ensinava. Funcionava!

Da escola para a vida, continuei contando histórias de outras formas. Numa prosa. Em cartas. Escrevendo o que via e vivia. E, pé na estrada, descobri que levava comigo, muita gente que ia lendo e viajando sem sair de casa, só de acompanhar as minhas narrativas!

Então, fui pra estrada! De um jeito diferente... Sozinha, em cima de uma bike, pedalando e escrevendo dia por dia pra poder contar com o coração quentinho o que vivia. Num livro! Que está quase pronto...

Eu estava terminando de escrever esta história mais comprida, quando parei pra começar contar histórias curtinhas. Estas do Blog. E este tempo foi tão bom... Foi como se tivesse ido pra varanda de casa, aproveitando toda oportunidade de boa prosa com quem passava ali na frente. Agucei meus olhos. Refinei os meus sentidos. E estiquei dedinhos de prosa. Proseei pelas palavras...

Agora, o coração me chama de volta. Pra acabar de contar uma história que mudou minha vida! Me fez viva. Me fez renascer das cinzas quando eu já não mais acreditava ser viva ainda.

A vida ensina. E sempre nos coloca no caminho que temos de passar. Para acabar de escrever o livro, tive de reler tudo o que eu havia escrito durante a viagem. E aquela personagem que eu descrevia me trouxe de volta à vida!

Era eu mesma!

Eu andava tão esquecida como era ser daquele jeito, que ao reler o que escrevia, me reenxerguei.

Vou voltar pra aquela história. Porque conto ela pra mais pessoas ouvirem. Como filho, decidi ter. Fui viajar pra escrever. Ou vice-e-versa. Sozinha na estrada, tive pessoas que conheci no caminho, que não me deram somente abrigo, alimento e carinho. Foram personagens numa história que fui escrever de corpo presente. Desbravando lugares nunca passados, sem ter a menor ideia do que encontraria no dia seguinte. Nem lugares, nem pessoas. Onde dormi em varanda de casa vazia em noite de tempestade, ganhei almoço de quem nunca vi e nunca mais vi. Que me fez cantarolar e conversar por quilômetros e quilômetros. Comigo mesma. E com Alguém que cuidou tanto de mim.

Vou terminar um livro! Não é um objeto de vaidade de troféu, agora vejo. Transcrever palavras é uma deliciosa aventura. Uma forma mágica de dividir viagens com quem não pôde ir ainda. Só ainda. Porque quando contamos nossas histórias, já atiçamos os olhos atentos que nos ouvem e sabemos estar plantando a semente do desejo, da vontade, do sonho que vira projeto. Mas ao colocarmos as palavras escritas, elas ganham a mágica de atravessar o tempo, o espaço. Mesmo que não possamos estar contando ao vivo as histórias, elas alçam vôo e vão! Ganham pessoas que ganham mundos…

Escrevendo me encontrei! É isso que quero fazer. Abrir janelas. Mostrar o “lá longe”. Que pode virar perto, se quem ler atravessar a porta.

Vou pra caverna. Mas não vou sumir de vez! Vou fazer reposts eventualmente. Talvez, postar umas espiadelas rápidas nesta viagem que fiz e que me ensinou como sou mais forte do que pensava. Capaz de ir sozinha sem estar solitária. De subir morros intermináveis sem parar, nem desistir. De descobrir cachoeiras na prosa boa do café à toa e ir a lugares mesmo que não esteja no script. E de poder fazer, mais que a viagem exterior encantadora, a viagem interior reveladora… E estar eu e Deus numa conversa sem fim!

O balcão de desinformações


Uma cena (de novo!) me chocou nesta semana. Fui a um laboratório fazer exames. Havia um primeiro balcão para informações. Balcão alto, uma mocinha nova lá dentro, sentada, uma tela de computador a sua frente para fazer o primeiro atendimento de quem chega, gerar uma senha e entregá-la.
Um robô. Nem sorriso. Nem bom dia. Uma urgência em falar algo rápido a quem atendia e grudar os olhos de volta a sua ferramenta de trabalho. Ops. De destrabalho!

Sua função não é lá, complicada, desmerecida, nem um pouco. Quem faz bem qualquer função que lhe seja atribuída, tem mais chance de fazer bem tudo que lhe for proposto. Com grandes chances de crescer em tudo que lhe for confiado.

Mas aquela mocinha…

De posse da senha que ela me deu, sentei-me numa cadeira muito próxima ao balcão. Foi inevitável. Estiquei o pescoço. Era só pra confirmar o que já sabia.

Sua ferramenta de trabalho, aquela tela pra onde ela voltava, apressadamente, após balbuciar qualquer coisa e entregar a senha tinha um “f’ no canto.

Na hora, pensei cá com meus botões. Com aquele início de frase igual a uma velha...
-"Antigamente", neste tipo de trabalho onde se fica uns intervalos com tempo ocioso, as pessoas liam livros. Outras senhoras atrás de balcão, faziam crochê. Mas aquela expressão hipnotizada daquela mocinha que malemá atendia, malemá interagia com quem atendia foi de doer.

O tal balcãozinho de informação é o primeiro contato daquela empresa com seu cliente. E a mocinha estava mais preocupada em bigbrothear a vida alheia na rede social do que em trabalhar 100% do seu tempo presente no seu serviço.

O que está acontecendo com este planeta?

Ela só se desligaria daquilo se estivesse sendo vigiada? Ou proibida? Ou se tivesse acesso bloqueado às redes? Trabalhava? Ou destrabalhava? Enganava. A quem?

Não pode ter um tempinho de bobeira, uma ida a um cafezinho, ao elevador, de uma sala a outra, que o que se vê por todo lado é uma urgência em pegar a caixinha preta e olhar, olhar, olhar e olhar… lá dentro! Nada, cá fora!

Não é a primeira vez. Não é só a mocinha do balcão. Tem muita gente viciada na caixinha preta. Que não desgruda nem pra ir ao banheiro. Nem é capaz de desgrudar os olhos da tela para atravessar ruas. Andar na calçada. Sentar à mesa pra comer em família.

Vive conectado com o mundo do lado de lá.
Não tem nem ideia alguma do que acontece do lado de cá…

Quantas serão as mocinhas do balcão de informação...  Mergulhadas numa hipnose de pura desinformação???

Talvez tenha de se mudar a plaquinha. E grafar:
"Desinformações"

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Desliga. E se liga!


Não sou das cavernas. Mas necessito encavernar nalguns momentos. É quando silencio e enxergo certas coisas que acontecem por aí...

Gosto e uso tecnologia. Mas também gosto de sair de mão abanando, sem segurar caixinha preta alguma, livre de sonzinhos apitando, me avisando de tudo que pede pra ser agora o que pode esperar um pouco.

Adoro estar conectada com pessoas que reencontramos e falamos por meio da tecnologia, quando estaríamos perdidas e longe. Mas prefiro estar conectada a elas ou com pessoas com quem cruzo na rua, no lago, no parque, no aterro, ao vivo! E não online.

O mundo lá fora me chama! E já fui e irei muito mais ainda adiante. Mas o lugar melhor do mundo ainda é onde estou no exato agora. E isto não me impede de sempre ir além, além e além. Estar lá longe, me rouba de estar aqui. E aí, não estou nem lá, nem cá - Incoerente isto, não acha? - Estar em qualquer lugar do planeta, distante, e estar ausente de onde estou?

Não é não???

Posso falar e ver pessoas no outro lado do planeta. Mas aquele ao meu lado é ainda mais importante do que pessoas lá longe que nem conheço tanto assim.

É uma matemática estranha. Que, sinceramente, não entendo.
Tem-se o mundo nas mãos, na ponta dos dedos. Conecta-se a tudo, lá longe.
Mas vive-se presente ausente.

Sede gigante de ser visto e se ver um mundo freneticamente fotografado, filmado e contado online. E vejo um desligamento total, doentio, offline permanente ao que está na ponta do nariz.

Urgente! Urgente!
Desligar. E se ligar.
Aqui. E não ali!

domingo, 18 de junho de 2017

Cadê eu que se escondeu de mim?


Já aconteceu com você? Ou acontece?
Parar e pensar “onde estou”, “cadê eu”???

A vida vai engolindo as pessoas. As pessoas vão indo, indo. E, de repente, se flagram não se reconhecendo. Num sentimento de serem estranhas a si mesmas. Como se estivessem num corpo que só faz coisas que não faria, se pudesse escolher, que vive uma vida esquisita que não é a sua. E o pior de tudo, não podem culpar ninguém. Por mais que outras pessoas tenham estado junto neste caminho estranho, caminharam com seus próprios pés…

Algumas vezes, foi um erro de percurso. Como se tivessem permitido um “piloto automático” em suas vidas que seguiu regras e comandos estipulados para uma vida “padrão”, mas que não se parece com a que teria se tivesse dirigido o tempo todo acordada.

Noutras, uma fuga! Sabia-se bem que o caminho tomado não era o seu. Mas era o mais fácil. O esperado por todos. Menos por si mesmo. Um caminho sem grandes obstáculos. Nem desafios, nem a sensação de superar nada. Morno. Cinza.

Em outras situações, uma caverna necessária. Percebe-se não estar no caminho. Percebe-se estar distante do que gostaria de estar fazendo. Mas consegue se perceber num momento de recolhimento. Um encavernar pra logo sair. Para o caminho certo.

De toda forma, melhor se flagrar escondida de si mesmo para se iniciar a descoberta deste eu que esteve dormindo. Uma espécie de anestesia que uma hora, acaba e aí dói! Pois estar na vida a base de anestésicos que te mantém sob controle, bem quando lá dentro tudo está errado, machucando, é forçar e forjar uma farsa.

“Cadê eu” num primeiro momento pode ser um susto. Uma frustração gigante. Um medo aterrorizante de se descobrir fora do seu trilho. Mas, certamente, é o primeiro passo pra retomar o prumo e o direito de se encontrar no mundo…

P.S. Algumas pessoas que têm lido as histórias que venho escrevendo têm me dado retorno por mensagens. Batemos um papo a partir disso! A conversa que sempre gostei e intencionei haver com o Blog tem acontecido, assim. E esta particularidade mágica das palavras tem mexido com as pessoas. Mais ou menos neste tipo de indagação: “Cadê eu?”. Por isso, hoje acordei com esta frase na cabeça. Uma prosa com estas pessoas...

sábado, 17 de junho de 2017

Doar não é trocar!


Já reparou?
Tem gente que diz que dá, mas amarra a cordinha. E quando quem recebeu o presente dado vai sair, o presente está amarrado. Preso. Porque não foi pago!

Mas não era dado?

Exagerismos a parte, ouço com muita frequência que amor dos peludos é amor incondicional. Leal. Daquele que te lambe, faz festa quando você chega, não te cobra nada, nem te cobra a cara feia de uns minutos atrás, e está sempre te sorrindo.

Familiar?

Não é exagero. Os bichinhos amam de um jeito incompreensível. Doam e não trocam por cobranças da mesma doação de volta. É isso que a gente falha. Doa, mas amarra a cordinha pra cobrar depois que fez isso, aquilo, é aquilo outro…

Já ouvi de tudo e todo tipo de história.

Vai ajudar um amigo que está precisando? Doa. Não empresta. Faz, sem fazer propaganda. Ajuda e desaparece. Se fez pelo outro, não é pra marcar na conta, na caderneta pra passar cobrando depois. Fez, tá feito. Esquece.

O que é feito pelo outro, ninguém precisa ficar sabendo.
Ou você é do tipo que faz olhando pros lados pra ver se alguém está olhando?
Ou, pior, doa cestas​ básicas e faz tua selfie pra por nas redes sociais depois?
Ou fica contando pra todo mundo que bonzinho você é e fica fazendo auto-propaganda das suas “doações”?
Ou dá e depois joga na cara, xinga de mal agradecido quem recebeu?

Doar é ato de caridade e não de vaidade!

Doar é caminho de mão única. Por isto, não é troca. Pode ser que de volta, venha gratidão. Pode ser que não. Mas aí não é problema seu. É problema do outro que não aprendeu ainda, nem a receber, nem a agradecer. Talvez, ele apenas não esteja acostumado com isso. Receber de quem dá sem pretensão nenhuma de receber algo em troca. A gratidão se aprende na prática constante de se receber.

Doação de verdade não espera retorno. Quem doa é anônimo, silencioso, discreto. É a verdadeira expressão do amor incondicional! Que faz pelo outro. E só.

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Desimpossibilidades - ou desfazendo impossíveis!

Parque do Aconcágua...


Então, o que é impossível?
Tudo aquilo antes de virar possível!

Impossível é o abstrato que não virou concreto!
É o sonhado e não realizado!
É o pontinho lá longe que você nunca se mexe pra correr atrás!
É nuvem que se desfaz! Só porque você esperou demais!!!
É música que você cantarolou mudamente, mas não cantou aos quatro ventos!
É penumbra que não resistiu à luz!
É sensação que não se sente!
É passado que não virou presente!
É presente dormente! Que se acovarda e não vai em frente!
É o fósforo que não riscou a chama!
É o olho que cobiça e não arrisca!
É tudo que você queria, mas não acredita!!!!

Impossível, impossível mesmo, é se esconder da própria vida...
Como se anestesiar desejos, pudesse resolver a chama que pulsa e chama.

Impossível é ter a certeza absoluta e única de que o tempo escoa dentre os dedos e nada fazer dentro dele.

Possível é a roupa teimosa que se usa ao não se contentar que a vida seja, assim, tão cheia de impossíveis e duvidar até o fim!!!

quinta-feira, 15 de junho de 2017

Põe na balança!


Lembro daqueles tempos em que eu criança, ia na feira com a minha mãe. Tinha a feira sábado e a de quarta-feira perto de casa. Saíamos carregadas de sacolas dentro de sacolas e conforme íamos parando nas banquinhas escolhendo de tudo, desde feijão, tomate, batata, verdura, tofu, queijo, banana, ovos, mandioca na casca, as sacolas iam sendo postas pra fora uma das outras e iam sendo enchidas.

Não tínhamos carrinho de feira. Isto foi um luxo herdado da minha avó, muito tempo depois, quando ela faleceu. Não sei se era tão caro assim pra termos. Vai ver, era! Mas carregar as sacolas de alimentos parecia fazer parte de um ritual. Levar nos braços o que comeríamos durante a semana toda!

A feira é um cenário fantástico onde as pessoas parecem ser mais felizes! Um meio onde você vê mais sorrisos, as pessoas se chamam pelo nome, sempre conversam um cadinho mais, andam sem tanta pressa, proseam, param a todo instante quando encontram algum conhecido e dá-lhe mais uma conversinha à toa.


Eu via muitas crianças que madrugavam em seus sítios pra estarem de pé bem cedo e antes das 6h da manhã já estavam a postos com suas famílias ali na rua trabalhando! E nenhuma delas morria disso. Ao contrário. Cresciam responsáveis e com orgulho do trabalho em família.

A roda que se formava em torno da banca de pastel era o must do passeio. Nem sempre parávamos ali. Era um luxo aguardado que algumas vezes eu tinha com ela. Mas o fato de não ser uma rotina, de ter sempre que ia, fazia daquilo algo mais especial ainda do que se fosse uma tradição. Como se fosse um presente surpresa sem ser na data de aniversário. Entende? Surpresa…

As idas à feira com minha mãe geraram aprendizados diversos. Uma riqueza infinita num universo à parte que me remetem a lembranças simples e despretensiosas. Nada é complicado ali. Falta troco? Rola um desconto, um troco em frutas, passa e paga depois, tudo em meio a um sorriso, dois ou três. Sempre o primeiro do feirante, o segundo de quem compra e um terceiro de quem assiste. Você seleciona o que compra em várias patamares de preço. Sempre tem um batatinha mais baratinha, mais miudinha, ou as mais vistosas e caras. Não existe só uma opção do mesmo produto. E cada um leva daquilo que pode!

Não são só ensinamentos sobre alimentos que se come. Mas aqueles que alimentam a alma! As cortesias, as gentileza, os tratamentos bomdia, porfavor, obrigada, voceestabem, naotevisemanapassada, sentisuafalta​, e frases que mostram que você realmente é visto, lembrado pelo nome, sua ausência é percebida e sentida.

Um mundo à parte, como se protegido numa redoma de vidro, onde o tempo pára.


Aquelas balanças dependuradas​ onde os feirantes despejavam batatinhas, mandioca, cebola para pesar, deslizando o peso de um lado ao outro daquela barra que ficava sobre o prato cheio, me encantavam! Ele fitava o olhar nos pequenos números encravados e dizia quando pesava.


Quanto pesa? Quanto pesa… quanto pesa… quanto pesa...

Quanto pesa cada coisa? Que você​ carrega nas sacolas enquanto anda? Você pegou só o que precisa mesmo? Tem peso desnecessário de algo que nem vai te alimentar? Você está levando só o que precisa pra esta semana? Nem demais, nem de menos?

Então, está bom! Pode pesar aí que eu levo!

Põe na balança! Na vida é preciso saber quanto pesa o que carrega nos braços pra se alimentar… E se equilibrar!!! Num braço, no outro, dividir o peso, se equilibrar no passo é no peso que for levar!

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Tão certinho demais!


Esta mania de ser educadinho demais, ter de sempre ligar pra avisar da visita, nunca “baixar” na casa do amigo sem avisar, nunca chamar, nem receber gente em casa só porque a casa está com cara de casa com gente viva, que leva e larga manta no sofá, caneca na mesa, sapato na sala, papéis de conta na mesa de jantar, roupas secando no varal da área que se mistura à cozinha nestes apartamentos minúsculos, que não são casa com cara de casa de revista de decoração, me perdoem! É postergar pra amanhã o que é o presente de hoje!

A gente não tem de viver num “Mundinho de Truman”, tudo perfeito, dentro do script. Quarto de criança não tem de ser vitrine de loja de brinquedo, bonecas e carinhos alinhados impecáveis, lindos, limpos, inteiros sem cara de uso.
Sala que não tem almofada desalinhada, manta jogada no sofá neste frio, é casa congelada sem calor humano.
E a cozinha? Se não tiver uma migalha de pão, ou farelo de bolo, um prato sujo perdido, ou caneca ou copo usado fora do armário, impensável ter um ser vivo que come se alimenta e respira ali dentro.

Casa é pra ser respirada, revirada e vivida. Vida é pra ser um pouco regrada, um pouco bagunçada, um pouco programada, um pouco inventada a cada dia.
Não é possível seguir numa linha inteiramente prevista. A gente sempre cruza de repente com alguém que não vê há tempos e tem vontade de mudar drasticamente o rumo do programado daquele dia. Senão da vida!
Fazer da vida um relógio onde se saiba o nome de cada número por onde o ponteiro vai passar a cada segundo é no mínimo, absurdo.

Gosto mesmo é de casa com cheiro e jeito de ninho. De tudo, tenha um pouco. Aconchego, bagunça e carinho.

Só se for agora!


Tem a hora de ser sem pressa.
Tem a hora de ser agora!
Quer ver?

Existem momentos que pedem passar como slow motion. Com replay. Replay. Replay. Até enjoar. São aqueles caminhos pra se passar sem pressa. Quem já experimentou a cicloviagem sabe bem disso. Ela ensina isso. Pede isso. É assim. Como tudo que pede uma degustação vagarosa…

Mas existem decisões que não podem esperar. E têm de acontecer na hora!

Lembra do nosso cafezinho? Aquele que combinamos pra qualquer dia destes? Não quero mais. Só se for agora! Amanhã sempre tem o quê fazer...

Aquela visitinha que você sempre me prometeu? Então… Não vai dar mais. Só se for agora! Você esquece. Eu esqueço. Ela nunca acontece.

Ahhhhh… Vou passar na tua casa te visitar! Não? Sinto muito. Só se for agora! Não vou lá fazer fiscalização de sofá arrumado, casa limpa, quitutes pra visita. Levo pão com mortadela. Eu só vou pra ver você!

Prometeu ir soltar pipa com o filho (já faz​ anos…) mas tem um porre se serviço pra fazer? Então. Só se for agora. Porque o guri vai crescer e esquecer de querer você.

A faxina no guarda-roupa pra separar as sacolas de roupa para doação? Muito cansada pra fazer? Pois é. Só se for agora elas vão fazer a diferença pra quem não tem o que vestir ou se aquecer

Ler o livro de historinhas que você leu mil e quinhentas vezes pra sua cria? Não sabe pra que ler? Só se for agora você vai viver a cena que vai reviver estas mil e quinhentas vezes quando ela crescer.

Visitar a tia que não vê há séculos...
Levar a mãe ao cinema! O pai ao estádio, pra ver aquele time que você nem torce. Visitar a vizinha doente. A pessoa-anja que cuidou de seus filhos pra você trabalhar e nunca mais você viu! Um amigo precioso que não anda legal. A amiga que está grávida. Um outro que está doente. Tanta coisa que você promete, promete fazer qualquer dia. Logo que se desenrolar. Logo que terminar teu serviço inadiável. Descansar um pouco do dia cheio. Só mais pouquinho e você jura que vai fazer…

Então. Só se for agora!
Porque pais adoecem. E são mortais. Não duram pra sempre. Nem a gente. Um de nós vai primeiro. Aí, cinema, jogo no estádio, esquece. Já era!
Doenças, problemas, gravidez duram um tempo e passam. Se você não for agora dar uma mão, um apoio, um carinho, aquele momento passa. O que tinha a dizer fica velho, não tem mais serventia. Passou.

Cansar, todo mundo cansa. Não importa o tamanho do trabalho. Mas o tempo tem uma medida fixa. Não corre pra trás. Nem pára pra te esperar vir correndo atrasado pra pegar o bonde que já passou.

Dar presentes é só no presente. Prometer presença no futuro é uma bolha de sabão que você enche hoje, diz que é bonita prometendo que amanhã vai estar ali.
POF! E não está mais...
É bonita só se for agora!

terça-feira, 13 de junho de 2017

Num baú sem fundo, um mundo...


São pinturas!
São fotografias captadas,
Imagens congeladas
Que tentam conter
Um pouco do tudo contido
Naquele momento.
Que louco, não ligo!
Eu sei, eu sei...
Não podem.
Não conseguem!
É um grito.
Um eco no infinito
Que ecoa, ecoa, ecoa, ecoa...
Dará um milhão de voltas neste mundo
Um milhão de voltas num segundo...
Ecoando, ecoando, ecoando...
São risos!
Os ecos dos risos soltos no vento
Que o tempo não pode apagar!
Faz mal não,
Se foto é um congelado do passado.
Não vejo assim,
Visão besta de gente pessimista.
Vejo como aquele baú sem fundo
Que abriga um mundo
De lembranças do vivido.
E não esperanças tolas
Só sonhadas,
Não realizadas,
Que não saem nunca do pensamento.
Qualquer momento fotografado
Por mais minúsculo que seja
É maior do que um pensamento que
Teimoso, melindroso
Invade o caminho do tempo
Sem acontecer...
Um segundo é o suficiente.
Num segundo, um mundo presente.
E só!
Porque o tempo este relógio maluco
Que mede a vida em tiques e taques
Solavancados,
Vive espasmos.
Esconde o que ele não é capaz de contar.
Faz mal não!
Ali adiante, não é um muro.
Nem tampouco uma muralha
Que não se transponha.
Vai ver é uma escadaria disfarçada!
Cheia de degraus que me levam ao alto
Pra ver laaaaaaá longe...
Eu salto!
Eu vôo ao invés de cair.
Eu preciso ir.

domingo, 11 de junho de 2017

Bom dia!!!! Bom dia por quê???


-Bom dia!!!
Aqueeeeeele silêncio com cara de:
-Bom dia por quê???

Conhece alguém assim?

As pessoas pararam de olhar à sua volta. Têm um mundo inteiro na palma da mão. E… mergulham de cabeça pra dentro dela. Da sua própria mão! Na caixinha preta. Ou prata. Ou colorida. Seja lá a cor que for.

Já repararam? Salas de espera. Pontos de ônibus. Fila de supermercado. Filas de banco. O que antes eram típicos converseiros, agora… Silêncio… Quebrado por aqueles vídeos barulhentos que vêm de dentro da caixinha preta. A pessoa assiste hipnotizada, racha de rir e continua dentro da caixinha vendo outro vídeo, outra imagem. Tudo lá dentro! Nada aqui fora.

Tenho recebido inúmeros retornos dos textos que tenho escrito e tem sido prazeroso por em prática o objetivo inicial do blog, quando eu o criei: CONVERSAR com quem lê! Conversando sobre as histórias aqui contadas, vi que a provocação do sorriso, do bom dia tem surtido efeito!

A história dos “bons dias” do “Sorria, você não está sendo filmado”,
contou-me uma amiga de longe, provocou uma mudança num dia que nasceu cinza. Ao invés de sair com a cara marrenta, botou um sorriso largo na cara e saiu. Espalhando bons dias! Uma onda de sorrisos largos, acompanhados de sonoros bons dias correspondidos encheu o seu dia de volta. Gentileza gera gentileza. Ela provocou um tsunami do bem!

A história do “Dedinho de prosa” 
http://clicandoeconversando.blogspot.com.br/2017/06/conversa-de-abacate.html?m=1
debaixo do pé de abacate, trouxe à lembrança de outra leitora amiga, o tempo em que saia na redondeza de sua casa sem conhecer ninguém. E que ao mudar-se para um prédio no centro velho, cujos moradores são de uma faixa etária mais avançada, percebeu um aconchego e um acolhimento impressionante! Contou-me que quando a região ficou sem energia elétrica por horas, bateram à sua porta e ela foi surpreendida por uma vizinha que veio lhe trazer uma vela! Pois sabia que elas ficariam no escuro por não estarem acostumadas a estas quedas de energia… Uma delicadeza. Um pequeno gesto de cuidado com o outro. De atenção despretensiosa. Coisas esquecidas no tempo e que são mantidas por aqueles vizinhos. Talvez por serem eles, do bom tempo onde se saía à rua falando bom dia pra todo mundo…

Tem uma última história que não havia escrito ainda. Conto agora: O moço da cara feia.

Sou teimosa. Insisti uma porção de vezes. Muitas. Frustrada, desisti. O moço da cara feia não amoleceu.Não consegui arrancar dele, nem bom dia, nem boa tarde, nem boa noite. Nadinha de nada!

Oras bolas! Se é chato, deixa ser chato em paz, pensei. Desisto!

Uma unanimidade, ele. Outros me disseram ter tentado arrancar do moço da cara feia um bom dia. Sem sucesso. Ok. O problema era ele. Até que… Caraca! Estou lá eu conversando com um dos funcionários do prédio onde moro e conversa vai, conversa vem, ele me conta. Assim como todos nós, diariamente ele lhe dizia:

-Bom dia! Como vai? Você está bem?
Silêncio… Típico de quem parece grunhir um…
-Bom dia por quê????

Assim, ele fez. Repetidas vezes. Muitas. Muitas mesmo! Quase desistiu. Mas insistiu. Até que… O moço desfez a cara feia e lhe respondeu bom dia!!!! Inacreditável!

Tive de engolir esta. Algumas pessoas precisam de mais tempo para amolecerem a cara feia. Eu não havia insistido o suficiente! Pode ser que eu estivesse chegando perto, mas desisti antes. Quantas coisas deixam de acontecer por desistirmos com o pezinho quase lá?

Falar bom dia pra gente de cara sorridente, cara boa é fácil. Quero ver não desistir de falar bom dia para moços de cara feia assim!

-Bom dia!
Aquele silêncio de “Bom dia por quê?”
E perseverar:
-Bom dia!!!!!

Quem sabe, na teimosia a gente o convença, ele acredite e deseje ter um bom dia?

Café com Malagueta!


Malagueta é nome da pirralhinha peluda que passeava no lago outro dia. Com ela, uma simpática senhora que fácil, fácil, puxou prosa comigo. Justo comigo! Que nem gosto de um dedinho de prosa!!!

Dona Simei foi logo me contando a história de seu nome. Se puser um “h” no meio, vira “Shimei” que significa “missão”. Nunca mais me esqueci!
Contou-me que mora logo ali, do ladinho do lago. E que aquelas plantas aquáticas no córrego, quem as “plantou” foi seu marido.

Outro dia, de novo no lago, de longe avistei Malagueta e ela. Rapidinho estávamos lado a lado, de prosa de novo! Algumas pessoas parecem nos puxar pra perto delas, tão carismáticas que são!

Desta vez, ganhei novas histórias e até uma cantoria dela, uma seresta que que me deu a honra de ouvir. Acompanhada, de quebra, de uma canja em japonês! Uma melodia japonesa…. Pode? Que riqueza!!!

O sol estava exibido! Quentinho no inverno, convidando a ficar mais! Uma combinação que fazia não querer ir embora! Boa companhia, boa prosa, histórias ricas… Ahhhhh!!!
E aí, ao nos despedirmos, um convite sincero que cansamos de ouvir, sem nunca aceitarmos…
-Moro ali - e me apontou sua casa - passe lá tomar um cafezinho!
Mais que depressa, aceitei e prometi:
-Vou sim!!! Vou mesmo! Apareço qualquer dia!!!
Saí feliz e com mais um cafezinho combinado pra “qualquer dia” destes…

Li outro dia algo que um grande amigo escreveu. Que fotografar tem despertado nele uma visão mais aguçada, sensível, percebendo detalhes e a beleza que passava despercebida ao lado. Exato! Tenho a mesma sensação. Para fotografar e para escrever! Não apenas passo, agora. Parece que os canaizinhos todos estão ligados na sensibilidade máxima para captarem, captarem, captarem…

Me pego então, pensando… E estes cafezinhos todos que vivo combinando pra “qualquer dia”??? E já escrevi sobre isso!!!
http://clicandoeconversando.blogspot.com.br/2017/06/qualquer-dia.html?m=1

Então, passeando de novo no lago, termino onde??? No portão de Dona Simei! Bem na cara dura! Esta que antigamente tínhamos e fazia nos aproximarmos mais sem tanto mimimi, visitando as pessoas, apenas! Sem avisar. Sem ligar antes, perguntando se podia passar! Indo e só! O máximo que podia acontecer era não achar a pessoa em casa. Coisa rara! Não havia constrangimento de receber as pessoas na casa do jeito que estava!

E olhe só! Café e bolo! Uma mão inteira de prosa e não só o dedinho de prosa que gosto tanto!!!


Ela é seu marido contaram-me histórias e causos. Mostraram-me fotos da família e suas viagens! Campistas a vida inteira, conhecem o Brasil inteiro!!! Ele mostrou-me a oficina onde produz cajados esculpidos em galhos brutos que traz da fazenda. Com formas variadas de bichos!



E aquele cafezinho do qualquer dia aconteceu!!! Me trazendo uma tarde tão inusitadamente gostosa que pede bis!

Então, mais certeza tenho. Nos “quaisquer dias” que empurramos pra frente, escondem-se surpresas deliciosas que estão prontinhas pra acontecer. É só fazer virar “hoje é o dia”!!!

sábado, 10 de junho de 2017

No botão tem OFF e ON


Nunca posso dizer o que tem lá naquela curva à frente sem ir até ela.
O caminho pode estar embaçado, nublado, difícil de enxergar. Mas de qualquer jeito, debaixo do pé, você só enxerga quando pisa no exato lugar.

Caminhos de longas retas, já passei. A Patagônia é assim. Você vai, vai e vai e parece não ter fim. E nunca chegar. E você só continua porque sabe onde quer chegar.
A reta pra mim é monótona. Mas se souber onde vou, sigo.

Gosto mesmo é de estradas cheias de curvas que se insinuam numa brincadeira faceira de esconde-esconde. Nunca revelam demais. Nunca escondem tudo. Insinuam o caminho.
Você segue, segue, segue de curioso que fica, ligado o tempo todo, querendo saber o que tem ali. Logo ali após aquela próxima curva.
Será que acaba a estrada? Será que o caminho segue longe?

Não sei.  Tenho de ir pra saber!

Já subi a mesma estrada andando. Já subi correndo. Já subi me arrastando, mas feliz. Já subi de tudo que é jeito. Na canela, sobre a minha magrela, em Fiat Uno sem tração, e em 4X4. Esta aí da foto. E mesmo tendo a estrada na palma da minha mão, nunca sei o que vou encontrar ali na frente.

As curvas já decorei. As subidas, as descidas já sei. Todinhas!!! Mas aí, sobre mim é que não sei!
Como a história do rio, sabe? Que um mesmo rio é uma mesma pessoa nunca se encontram do mesmo jeito?
O rio muda. A pessoa também.

Estou na estrada há meio século. E algumas estradinhas especiais por onde passo parecem me conhecer bem.
E mesmo assim, nunca sei, elas nunca sabem, como será no próximo encontro...

Este trecho da estradinha de acesso a Tainha, em Bombinhas, faz parte da minha prova dos sonhos. INDOMIT. Já fiz três vezes em dupla. E sonho fazer solo, um dia.

Estar de fora observando não significa que tenha desistido. Pausa faz parte da melodia. OFF é outro ladinho do botão do ON. Na normalidade do andar da carruagem, estaria nos preparativos desta prova que acontece sempre em agosto.

Sou tão apaixonada por este lugar, são tantas é tão significativas as histórias que tenho daqui que já escrevi muitas histórias sobre isto. Me declaro ser de Bombinhas. Pois somos do lugar que o coração escolhe.

Vou pensar assim. Estou na estrada. Isto importa. À frente, ainda há uma cerração baixa que me atrapalha um pouco seguir como gostaria. Mas não é um impedimento definitivo. Pois mesmo quando ouvi isto uma vez, um "nunca mais", laaaaaaá dentro de mim, a vontade não morreu.

Acho que ela não morrerá nunca. Irá junto comigo pra onde quer que eu vá!!!
Acho bom irmos juntas neste solo um dia!
Vou teimar até o fim.