Vamos conversar?

Vamos conversar?

sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

O medo do novo



Mesmo quem vive buscando a aventura, no seu mais simples e direto sentido de “ir pro desconhecido”, passa por estes momentos. A gente sempre tem a tendência de fazer isso. Fazer o que gosta, o que dá prazer, o que nos faz sentir vivos! E, de repente, descobre que segue sempre pelo mesmo tipo de caminho. Este caminho tão maluco para outros, para nós é quintal de casa. Quantos lugares por aí neste mundão, você pisa e sente como seu? Se sente em casa? Conhece como a palma da sua mão?


Então.

Não precisa me conhecer muito pra saber qual é o meu lar adotado. Onde me sinto em casa. Quintal, casa e jardim. Tanto, tanto, que o piloto automático, se ligado, me leva pra lá. Mas… Meu coração anda pedindo, desesperadamente, pra ir buscar novos ares. Percorrer caminhos diferentes. Ir numa direção que nunca fui! E isso tem me estremecido. Me criado um desassossego. Me feito sentir medo!

Medo?


Ouço muito, muito mesmo que sou corajosa. De sair, assim, muitas vezes, sem rumo certo, seja sobre as minhas duas rodas preferidas, ventonacara, seja de busão, avião ou nas 4 rodas 4X4, que me levam pra este mundão. Alguns destinos certos, um elástico do tamanho do mundo pra refazer, quantas vezes for necessário, o desenho do caminho. Viagens como as que faço, parecem acontecer na louca, sem qualquer planejamento. Não é bem assim. Há o elástico, sim. Mas há referências, há pesquisas para saber as opções.

Em território conhecido, zona de conforto, fica facin facin ir. E mesmo a estrada sendo estrada em qualquer lugar do planeta, o passar por ela também me assusta.


Estrada pode ser a transição. A passagem tão necessária de um estado para outro. O sair do lugar que você não gostaria de sair para conhecer outro. O se permitir abrir portas e janelas, mesmo que elas te assustem. Mesmo que a vontade seja de ficar.

Parece haver um imã que sempre me atrai a alguns lugares. E mesmo eu gostando tanto do novo, de desbravar lugares não conhecidos, me divido entre a vontade do novo e o desejo de aquietar. Em lugares que adotei como meus.

Falo brincando que conheço mais a América do Sul do que o próprio Brasil. Fato. E quando me ponho a pesquisar nos canais e assistir aos vídeos, de tanta gente bacana e viajeira que de maneiras simples, noutras, super profi, compartilham viagens por lugares inimagináveis… Meu queixo cai. Olho pequeno o meu de mão alcançar e ir buscar ver de perto, tanta beleza neste Brasilzão!


Então, relutante, coração pedindo estradas velhas e conhecidas, estou brigando comigo mesma pra ir. Em lugares que nunca estive. Se por hora, a sonhada e esperada viagem de bicicleta por estradinhas na América do Sul teve de ser adiada devido à minha última queda que resultou num corte profundo no joelho que pede mais tempo de recuperação e cuidados, desfazer o bico, a cara chateada e olhar pro lado bom é ao inteligente de sobrevivência. Porque tudo de ruim é bom, dependendo de como você olha pra vida. Há motivos infinitos para a gratidão. Ao invés da lamuriação, do auto compadecimento. Da patinação na baba reclamenta que te faz nuuuuunca sair do lugar, é preciso querer enxergar soluções. Há como ir, sim. Se não é de um jeito, é de outro. Porque o meio como você vai é apenas o meio que transporta o verdadeiro sujeito. Não adianta nada ter bicicleta, moto, carro, carrão, caminhonete, avião, trem ou busão se não houver o passageiro que queira ir e vá. De resto, só latarias velhas ou novas sem passageiro, sem tripulação.


Quem faz mover o motor que leva pelas estradas da vida, meu caro, é o coração. Nada mais faz funcionar a máquina, se não houver o desejo no coração. O resto é ação.


quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

A porta fechou. E agora?



Chegou atrasada. A porta fechou?
Senta e chora?

Perdeu o trem, o metrô, o avião, o busão.
Meia volta e ir embora?


A história acabou. A página virou. A música terminou.
Silenciar e emudecer, perder a melodia e o dia?


Se você ficar sentado no sofá, certamente, não verá a porta se fechar. Nem se fechar, nem se abrir. Nem nada além do sofá.

Quem se decide a ir, corre o risco, sim, da porta de fechar. Mas… Quanto custa o cômodo conforto de não ter a porta fechada diante do nariz?


Quem acompanha um viajante, seja por blogs, canais de YouTube, redes sociais, vê a estrada adiante dele e tem a falsa ilusão de que o caminho se abre o tempo todo, sem dificuldade alguma. Como naquele velho seriado americano, do agente 86. Alguém lembra? Eu me lembro! Ahahaha. Era um seriado, cuja abertura marcou época. Ele ia passando por corredores sem fim e todas portas iam se abrindo diante dele, antes mesmo dele demonstrar que ia passar. Sem nenhum esforço…


Então, tá. Ah se a vida fosse assim. Fácil assim.

Mas… Que graça teria?

Recentemente fiz meu plano de férias. Desenhei o que faria. De que forma, pra onde, por quais caminhos, percursos baixados em aplicativo. Uma Ciclotrip, off course! Venho aguardando tanto pra fazer… Seria coisa de um mês. Um pouco mais. Uns 1000 km. Paisagens escolhidas a dedo e coração. Então. Tudo certo? Certo.


O destino prega peças. Na hora, a gente não entende. Depois, ok. Eu tropecei. Cai. Machuquei. Vésperas de ir. Tô remoendo a paciência. Tentando entender. Vai ver, penso eu, é uma porta fechando. Vai ver tem uma outra que eu não presto atenção, querendo me mostrar um caminho novo e eu, teimosa, fico indo, ainda, sempre pro mesmo lugar! Fácil. Zona de conforto. Mesmo pra quem pega estrada, há estradas, há caminhos, há meios que pairam na nossa zona de conforto. É quase uma viagem em piloto automático!


Porta fechada. Não parece que irá abrir. Com isso, destranquei cadeados postos em outras janelas já cansadas de me esperar abri-las. Uma a uma, visitei, vislumbrei. Sim. Assanhei. Deu vontade e deu medo. Se dou conta. Eu nunca me sinto sozinha no caminho. Às vezes, há o silêncio. Mas tão bem vindo… Este caminhar de passos solo é tão ensinador… Dá o frio na espinha. E desenha o riso maroto de quem dá de cara com o novo. Este novo da porta nova que você não enxergava de tanto olhar só é sempre pela mesma porta velha de todas horas.


A porta fechou? Vira um pouquinho pro lado. Ou pro outro. Dê um giro de 180 graus, se necessário. Só não fique parado olhando pra porta fechada. Quem senta e chora, recheia os olhos de lágrimas e perde de ver e viver a imensidão que todo dia nos rodeia e convida a ir.

Tô nem aí!



Tenho descoberto esta frase na minha boca ou nos meus pensamentos, mais frequente ultimamente. Tanto que, há pouco, li algo, falei isso pra mim mesma e corri aqui, escrever!

Explico.

Não. Não é deboche nem displicência mal educada com os outros. É autenticidade. Simplificação de certos mimimis que vão se acumulando pelo caminho. Tantos dedos para o que é óbvio. Pisar em ovos o tempo todo. O cuidado exagerado em quebrar cristal que é vidro. De calar o que, escancaradamente, grita.

Cada um interprete em sua própria história…

Ui. Que medo dá, não?
Quantas histórias escondemos em nós mesmos… Quantos medos… Quantos desejos secretos… Sonhos malucos que só nós sabemos… Aí, pensando, pensando e o tempo passando…

Então, percebemos o óbvio mais óbvio dos óbvios! O tempo passa sim. Nem vem com esta de que ele passa rápido demais. Nem que demora. O problema é o botãozinho atrás. Sim. Este mesmo. Você. Nós. Ele, o tempo, passa diboa. No tempo dele. O desajuste não é dele. É nosso…

Parei e vim escrever por quê? Fazia tempo que não fazia isso. A coisa mais comum pra mim era uma palavra, uma frase, uma imagem, uma conversa me suscitar a escrever. E, ultimamente, andava freando isso. Não deixando acontecer. Mas esta frase de hoje…

“A maior guerra sempre será entre você e seus pensamentos!”

Vi. Li. E pensei este “Tô nem aí”. Já tive alguns medos. Medos cíclicos, entende? De perdas. Até eu descobrir que certas perdas não acontecem nuuuuunca. Ou porque nunca te pertenceram. Ou porque nunca deixaram de ser tuas. Hummmm…. Tá metáfora ao quadrado hoje. Ao cubo! “N” possibilidades de interpretação. E que assim, seja. A cada um. A mim, bem sei…

Mas, vamos exemplificar pra ficar claro, mastigado pra entender.

Aquilo que você é, em essência, pode até passar acobertado por um tempo. Abafado. Mas, escute. Preste bem atenção. Volta. Essência fica. Não morre. Se você é do tipo que nasceu com um espírito inconformado e tem passado a vida abafando pra se encaixar nas arestas da sociedade, se conformando, sinto muito te dizer. Não vai rolar. Dá certo, não. Uma hora, o ar falta. O chute acontece. Vai tudo pelos ares. Quem nasceu inconformado, no melhor sentido da palavra, de ser mutante, gostar de aprender e viver o novo, não se conforma nunca. Até tenta. Mas uma hora, a “forma” imposta não o contém. Pronto.


Há, há outros modelos. Sonhos… Já vi outros histórias assim. Aquele sonho deixado de lado. Que fomentou, fomentou e (graças a Deus) incomodou até ser buscado. Sonhos de vestibular frustrado. A viagem de moto da juventude. De bicicleta pelo mundo, dum jovenzinho já não tão jovem assim, assim como tantos estão por aí. . De motor home. De um home pelo mundo. De dedão. Viagens…


Aquele burburinho que insiste lá dentro, ignorado por tempo, que sempre escutava a resposta “Agora não. Um dia…” E que uma hora, ah…. Uma hora vem com força total, como se gritasse “Uma hora é tarde demais, seu trouxa!”. Te dando um chacoalhão. Te fazendo acordar. O tempo passa…

Tô nem aí. Esta frase que revela a gente mais fiel ao que se é. Não é maleducação, não. É falta de medo. Não o medo cuidador. Mas falta de medo da dor. Que a vida ensina, com o tempo, uma ironia atrevida. Talvez, esta equação inevitável de se perder o espaço de tempo à frente, a ser vivido, nos faça ousar o desconhecido, desafiando até perdas evitadas pelo medo. Medomedomedo… Este medo que paralisa atitudes, passos, mudanças de direção, mudanças de posição. Do estável pro duvidoso. Aqueeeeeeele duvidoso há tanto desejado e posto de lado. Como se fosse um absurdo. Absurdo te digo o que é : é ver a areinha escorrer no funil do relógio do tempo e você não fazer nada! É ver o tempo esvaindo e você oscilar se é certo ou errado, não ouvir o seu lá dentro, este que você sabe tão bem e insiste em não ouvir. Porque permitiu entrar numa forma que te prendeu, cortando tanto que havia a crescer. E, agora, sente as dores de asas quebradas por ficarem aprisionadas.


Tô nem aí é um dar de ombros ao peso todo que carregou sobre eles e que te curvaram. Pra derrubar este peso que não é seu. Tô nem aí é não ter medo de perder o que não é seu. É saber que não perde jamais o que é seu. E é preciso acordar, antes que seja tarde, enquanto há tempo e saúde pra se viver aquilo que não deixa nunca de existir.


Você pode ter escolhido uma máscara bem encaixada na sua cara. Ter escolhido, cuidadosamente, a fantasia mais apropriada a vestir por todos estes anos. Ninguém perceber. Tudo parecer correr bem. E , matematicamente, tudo parecer perfeito. Não se trata disso. Nada disso. É lá dentro que habitam as maiores tempestades. A maior guerra travada não é cá fora. É lá dentro que acontece uma briga ferrenha que ganha, agora, o juiz do tempo. Aqueeeeeeele que bate o martelo e diz, dono de si e inabalável : acabou.

Tô nem aí é, de certa forma, a certeza de ter sido fiel a mim mesma. Autêntica, ainda que ridícula (aos outros). Autêntica ainda que faça, ou acredite em invisíveis que ninguém vê. Em buscar impossíveis. Em ser feliz por verdades vividas de todo o coração! De nunca desacreditar naquilo que há dentro de mim. De nadar contra a maré, de perseverar por acreditar e não me deixar afundar, mesmo que isso fosse o mais fácil a fazer.


Tô nem aí, talvez seja a forma mais sincera de, tal como a própria frase diz, dizer. É aqui que estou. Não estou aí. Aqui, eu sou. Dentro de mim. Jamais fora de mim. Dentro de mim, estou, estarei até o fim…

domingo, 9 de dezembro de 2018

Sobre Dores & Amores



Algumas dores são frutos de amores.
Alguns amores sobrevivem às dores.
Alguns, algumas andam juntos. Interdependem-se. Complementam-se. Alternam-se. Coexistem.


Eu, definitivamente, sou um mosaico de cicatrizes. Feridas abertas se fechando. Sempre em processo de cicatrização. Ferida que cicatriza deixa marca, sim. Cria crosta. Pode até parecer mais delicada onde se machucou. E significar dores… Mas contém histórias. Que pele bonita nenhuma, sem marcas, tem pra contar.


Um dedo, de resto, com uma unha nascendo, crescendo, quase chegando ao tamanho da anterior, que pode contar a história da peregrinação. O tal enigmático, instigador e tão particular, Caminho de Santiago de Compostela.
Dele, conto pouco agora. A história dele é longa. Mui looooonga… Por hoje, contar que independe do tamanho em dias, quem parte neste caminho, desde que vá despretensioso, coração aberto, com seus pesos imprescindíveis de vida para levar, aprende, no caminho, a desapegar ainda mais, o desnecessário que levou. A manter consigo o que representa sua essência, seus porquês. E a digerir vagarosamente, o que o caminho oferece.


A bem da verdade, as lições foram muitas. E não é que não escrevi nada. Capaz que eu, que me desmancho em letras e palavras, não o faria numa viagem tão marcante e ensinadora como esta. Mas são histórias que merecem um contar atencioso. E foi feito. Gigantemente. E vai virar livro, também. Vou contando alguns detalhezinhos…


Meu pé se encheu de bolhas. O corpo gritou. Eu escutei e, por algum tempo ainda, tive de prosseguir andando. Posso dizer, com toda certeza, nunca senti tanta dor na minha vida! Nunca! De andar chorando, com dores que não cessavam e aumentavam. E que pra eu rumar a um lugar seguro, tinha de lidar com estas dores, suportá-las, ainda que doessem.


As bolhas sararam. A lição ficou. Na superfície da pele, quase não se vê sinal algum. Lá dentro de mim, tudo ficou gravado. De fora, apenas esta unha querendo crescer.

Enquanto isso, vou ganhando outras dores. Um joelho cortado bem fundo. Um corte profundo, difícil de cicatrizar. Mas que pouco a pouco vai se fechando. Dia após dia, de fora pra dentro, parece estar se fechando. E lá dentro, a ferida ainda está aberta e me impede fazer coisas que estaria fazendo. É lento. Mas vai ser fechar.


O que são estas dores?

São os riscos riscados na pele e no meu corpo, os amores que vivi. Esta minha sede por viver, por ir pelo caminho, não desistir de prosseguir. Esta minha vontade de recomeçar, mesmo há tanto parada e quase vencida, de tentar de novo e ir correr. Ir um pouco além. Ir por um caminho que me agrade, me faça feliz. Caminho lá fora, cheio de verde, vento e cheiro de vida. E cheio de pedras. Estas que me fizeram tropeçar e cair. Esta que me cortou. Ah… Eu e as pedras no caminho….


Eu sei que há esteiras seguras para se correr. Mas que não me fazem sair do lugar. E cair só acontece com quem está em pé, a caminho, indo. Tenho dores. Mas vivo os amores. Este sentimento que faz crer. Recomeçar. Não desistir.

Muita gente nomeia de paixão por viver. Não penso assim. A paixão acende o fogo. Com certeza. Mas quem mantém a chama acesa, quando ninguém mais a vê, é o amor.

É o amor que faz ver onde não há chance. Que me fez levantar, embora destruída fisicamente. Chorando compulsivamente, sem poder parar e, mesmo assim, acreditar que chegaria.



É o amor que me faz esperar esta ferida se fechar lá dentro, embora tenha tanta vontade de estar, hoje mesmo, lá fora, de cara pro vento, rasgando as bochechas de sorrir, fazendo o que me faz feliz. De esperar. Esperar este tempo necessário pra não me ferir mais. De acreditar que foi só um tombo, de novo. Já passa. E, logo, no tempo certo, vou estar ali.


Dores e amores coexistem. Insistem. Resistem. E me fazem por fora e por dentro, os desenhos em mim.



domingo, 2 de dezembro de 2018

O Pré Caminho


O Pré Caminho

5/8/18

Hoje começo, de fato, a parte mochilão! Desmamei do aconchego e conforto da casa da Cris, devido ao calor extremo destes dias, onde o mais sensato foi ficar recolhida à sombra do que já iniciar a longa caminhada que me espera!

Foi uma convivência gostosa! Passar estes dias com minha amiguinha de infância, conhecendo os encantos desta região, relembrando nossos tempos de meninas, e tantas belezas naturais e as construídas há tantos anos atrás. Castelos. Cidades. E observar ruínas ou casas e igrejas mantidas através dos tempos.


As temperaturas giraram em torno dos 45 graus à sombra. E a ideia de chegar em solo europeu e iniciar o Caminho já na sexta feira teve de ser abortada, o que não me chateou. Fazê-lo será muito bem-vindo, se acontecer. Mas antes do caminho, há muitos caminhos a desfrutar…


Quinta-feira foi dia de passeio pela região. Parques municipais, castelos medievais e a inusitada experiência de comer um prato típico português… Caracóis!


Quando o dia parecia já ter terminado, Guilherme, esposo de minha amiga nos levou às cidades vizinhas onde havia o Castelo de Torres Novas que é aberto durante o dia com entrada gratuita. Uma construção imponente, conservada, que nos remete a uma viagem no tempo ao passeamos ao seu redor por estreitas passagens pela muralha que o rodeia. Adentrar, infelizmente, não foi possível neste momento, devido ao horário. Mas a rápida passagem por ele já valeu muito à pena.
O Rio….. ladeado por praças, que corta a cidade, convida moradores e curiosos a permanecerem por perto nos restaurantes e bares próximos. A sensação de estar perto da água, somente pelo barulho que se ouve da cascata já proporciona um desejado frescor nesta noites tão calientes. E terminamos o dia em casa, já passado da meia noite.

Ao dia seguinte, estava reservado um passeio que logo ao descer do avião, minha amiga me convidou, perguntando como eu estava de agenda nesta viagem. Livre, eu respondi! Estou com um abecedário inteiro de planos e opções de caminhos. Com ideias, mas sem correntes. Ela tinha em mente, irmos à piscina de Castelo Branco. Distante cerca de 100 km de sua cidade. Não poderia ter havido passeio melhor! Saímos no final da manhã e pude relembrar meus tempos de picnic com meus filhos. Passamos num mercado, compramos frango assado, frutas, pães, água, chá e munidos, chegamos à piscina. Como nos preenchem ricamente momentos que parecem ser tão simples! Alternar pulos na água, refrescar-se nela, na ducha e à sombra das árvores lá hora do lanche. Comer com as mãos, sem o menor constrangimento. Deliciosamente! Observar as pessoas, as famílias. Enquanto fugíamos o valor extremo de 45 graus…
O final da tarde ainda me presenteou com um passeio pela região de Vila Velha do Roncão. Uma formação rochosa às margens do Rio…. que, conforme tem descrito numa placa informática à sua frente, na margem de cá do rio, tem uma aproximação da partes que a compõem, estreitando a fresta entre elas!
O dia terminou preguiçoso, eu cochilando dentro do carro.

O sábado foi dia de pesquisas. Comecei a pensar em planos A, B para fugir do calor extremo e do risco de incêndio. O Caminho ainda estava em suspenso. Caminhar por dias sob um sol estarrecedor não seria nada sensato. Arriscar-me a passar por áreas com riscos de incêndio, sabendo o quão graves são em Portugal, também não fazia parte dos meus planos. Comecei a pesquisar o litoral.
Pelo Google mesmo, percebi um local chamado Peniche. Carol, filha de minha amiga já havia visitado e também feito a travessia à Ilha, a Reserva de Berlenga. Hummmmmmm… Parecia ser interessante a ideia! Fiz uma pré reserva pelo Booking. Anotei as possibilidades. Enrosquei no acesso por ônibus. Teria de fazer toda a volta por o Lisboa. Gastaria horas, agora de ser distante apenas 100 km. Deixei de lado.

Saquei plano B. Serra da Estrela. Altitude combina com frescor. Clima ameno. Me pareceu uma ótima ideia. Pesquisei locais. Li comentários sobre o que ver na serra. Gostei. Pesquisei hospedagens e, bem no estilo casas de montanha, vi uma vasta oferta de lugares super charmosos, aconchegantes para ficar. No entanto, a grande maioria já reservados. Quando, finalmente, encontrei, num valor legal, fiz o contato com o proprietário para saber se eu poderia ir sem efetivar a reserva, pois este seria com taxa de cancelamento, caso eu não conseguisse chegar. Para o meu imenso espanto e um certo desapontamento, ele me respondeu que não era nada aconselhável ir lá, pois havia alto risco de incêndio!

Estaca zero.

O dia foi se arrastando preguiçoso, um calor insuportável lá fora. Passamos o dia inteiro dentro de casa para fugir daquele bafo quente que pairava no ar e parecia subir ainda mais quente do asfalto. Lá pelas tantas, Cris teve uma ideia genial. Havia um auto carro, nossos ônibus, particular aos domingos que levava num preço bem acessível e direto, sem paradas, portanto, em torno de uma hora apenas, até Nazaré. A famosa praia das ondas gigantes! Bingo! Decidido o que fazer. Retirei do mochilão poucas coisas para passar o dia e retornar no mesmo. Saquei a mochila de ataque e feliz da vida, tinha em mãos o que faria. Pesquisando as possibilidades de passeios e transportes, vimos que haveria tapete fácil até Porto. Isso poderia casar à ideia inicial de prosseguir do litoral, em direção ao norte para a região de Porto e, quem sabe, ao início do Caminho. Caso fosse interessante o litoral, levando meu mochilão, eu teria a opção de ir até Peniche, que era a ideia inicial e conhecer um pouco da redondeza. Fiz a pesquisa. Sim! Consegui manter a reserva inicial de pernoite em Peniche. Agendei a travessia de barco para a Reserva de Berlenga. E comecei a desenhar o caminho. O pré caminho.

Refiz a mochila. Juntei tudo de novo. Fechei de lado a malinha laranja que vai guardar os excessos de bagagem e as roupas de frio com as quais vim do Brasil.

Cá estou. A caminho do litoral do lado de cá do Atlântico. Por dez euros ida-e-volta, se quiser, rodando cerca de 50 km para iniciar o desmame tão gostoso do aconchego do lar da Cris. Sozinha. Sozinha, não! Eu e minha mochila

sexta-feira, 23 de novembro de 2018

Pra lá? Ou... Pra cá?

Pra lá? Ou... Pra cá?


Se a decisão levar a um caminho novo, que venha cheio de aprendizados.

Antigo? De boas lembranças que tenham valido à pena.

Inimaginável? Melhor ainda. Se surpreenda! Pensar que a vida nos reserva o inimaginável é fazer dela uma aventura. De descobertas. De realizações inéditas. De nascer a cada dia. De ter os brilhos nos olhos como se fosse a 1ª primeira vez, a cada vez que se inicia o passo da jornada diária.

Não importa quantos anos já viveu. E quantos há porvir, é surpresa! O que temos em mãos para viver é pequeno curto e imediato. Cabe dentro do nosso abraço do nosso passo e quando não cabe, ensina-nos a construir pontes...

O caminho da vida é tão caridoso com a gente que sempre oferece mais do que seríamos capazes de planejar. Ou querer. Ou ousar. Mas o fazer é parte nossa. Porque senão, o filme da vida fica lá do lado de fora da janela. E vai embora!

Algumas vezes, sentar no sofá, espichar as pernas, nos relaxa e reabastece. Mas, passar a porta, necessário para ser o protagonista!

terça-feira, 20 de novembro de 2018

Mesmo que doa, vá!



Mesmo que doa, vá!
Mesmo que caia, levante.
Mesmo que machuque, cure...
Mesmo que dê medo, tente.
Mesmo que haja paradas, continue.

Uma hora, o fim chega e chegar nele olhando pra trás, lastimando não ver suas pegadas em seu próprio caminho, não te fará retornar a ele como se o relógio andasse pra trás.

O medo, a queda, a ferida e a dor assustam e podem te paralisar se você não se mexer.
Infinitas vezes tento e caio.
Recomeço e paro.
E numa marota brincadeira de ping-pong, o jogo está empatado.

Quando caio, pode até parecer que paro!
Engano tolo.
É apenas quando me recomponho, feito onda, que a cada recuo retorna, uma vez mais, infinitas vezes, sem parar...

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Estou na estrada.


Literalmente, de corpo, alma e mente,
Estou na estrada!
Tem a história que compara a vida ao trem.
Aquela onde pessoas sobem e descem
Algumas permanecendo tempo de viagem
Outras, não. Outras, sempre.
Serve, também.
Mas minha estrada é um pouco mais atrevida e assanhada.

Serve trem, serve busão, serve pé na estrada e dedão.
Serve carro, uno, 1pontozero, 4x4, sem4com4,
Serve barco, jangada, serve ela...
Ahhhh, ela...


A mágica magrela que já me levou tanto e ainda me leva... E me levará muito ainda...
Bicicreta, bicicleta, bici, bike, nova, velha,
Movida na perna ou elétrica,
Minha, cedida, emprestada, alugada
Desde que leve por estrada
Que se já for passada,
Que me inspire a ter olhos sem vista cansada
Que me canse a pernada, o fôlego, até a caminhada,
Mas que me assanhe muuuuuuito mesmo
A mirar laaaaaá na frente e querer…


E que me leve também
Naqueles horizontes todos que desconheço
E… Mereço!!!! Sim, mereço conhecer!
A meia década chegou e passou.
A boa ideia veio e ficou.
Agora vem este 5 com 2.
52
O coração ♥


Pra me relembrar
Que meu caminho, este que aponta o 5ponto2
Tem de ser legítimo ao que eu sou!
Um sou que incomodou e incomoda ainda
Um sou que não se encaixa muito (nunca se encaixou!)
Um sou que desapareceu muitas vezes e retornou.
Um sou que é meio casca de ferida
Se fere, se machuca e machuca
Um sou que tem histórias de choros
Mas tem muito mais histórias de risadas
Um sou que muitas vezes desistiu.
Mas resistiu.
E insistiu.


Que ainda entorta o nariz,
A toda dificuldade que me impeça de ser feliz,
Porque infeliz todo mundo é.
Se ficar na umbiguês…

Paciência. Muita paciência com esta velha jovem senhora.
Estou resistente ao Facebook.
Eu, euzinha que ganhei tantos amigos aqui.
(Desamigos, definitivamente, não constam na minha estatística!)
Optei sair por muito tempo daqui
E não voltei, realmente.

Passeei por aqui, dia destes
E, mal educada, 😱😇 não respondi ninguém!


Hoje é meu niver! Dia de comemorar a vida!
Mas, pra falar a verdade, de verdade mesmo,
Não espero chegar este dia pra comemorar.
Porque a vida está aí nos 365 dias pra ser brindada e vivida, intensamente, agradecidamente, sorridentemente!


Então, que cada desejo no teu coração multiplique-se e reverta a você!
Que sejamos espelhos daquilo que permitimos estar à nossa volta. Bem desejado, bem espelhado!

Acho que, tosca como ando estando, serei deselegante e bicho do mato, possivelmente vou ler e não responder a tudo que vem chegando de parabéns…
Devo ter configurado pra não permitir publicação no meu mural 😮😱😇 e já nem lembro mais como se mexe nisso…

Estou lendo. Estou lendo cada uma das mensagens… Mas….

Tô virando ogra. Véia do rio. Carinho recebido, carinho correspondido. Podem ter certeza!


quinta-feira, 30 de agosto de 2018

Sapequês - O mundo é redondo!


Passei a noite por ali. Pessoas esticadas no chão, num sossego invejável e convidativo. Lugar peculiar. Único. Voltei de dia e o instinto sapequês veio com tudo! Dei voltinhas mil ali de bici...



Não é o lugar que me alegra. É estar solta e feliz, livre, passando em lugares nunca vistos, tendo alguns perrengues, sim! Mas tendo muito mais de bom do que de ruim!

Passei uns bons dias me recuperando de uma cagadinha. E, de novo, nada é por acaso. Tive a oportunidade de sossegar, escrever, relaxar e sarar. Troquei meus planos A, B, C, D, o alfabeto inteiro pra ter opções melhores. Me adaptei ao que  veio. Desfrutei os bons frutos do caminho. Colhi amizades que passaram e convergiram de volta. Outras, passaram e se foram com o vento.


Quando falo de liberdade não é não ter obrigação alguma. Nem o não prestar conta a ninguém. Quando se decide viajar, mesmo tendo flexibilidade e trocando destinos, há o compromisso principal de mim comigo mesma. De não me ferir. Me respeitar. Porque o fruto vem. E se vier e for um limão, fazer a limonada.

A vida é muito breve pra viver só num plano do quadrado. É preciso enxergar e viver no mundo redondo que não tem fim! A vida é generosa. Todo dia. E a cada dia.

A frase que a vida é simples e é a gente que complica é fato. Mas é muito mal usada. É mudar os olhos. Aceitar os presentes de cada dia. E se perder o trem, pegar o outro. Uma carona. Mudar a direção. O horizonte tá ali, seja pra que lado você estiver olhando. Mas ele não vem até você. É você quem tem de mexer o pezinho e ir de encontro a ele. Porque quando você chegar lá, na horinha já vai enxergar outro....