Vamos conversar?

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quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

Nada é por acaso


Já se pegou tentando entender o porquê de tantos senãos?
Já parou pra ver que algumas coisas acontecem enxeridamente, sem serem planejadas?
Já teve seus planos cabalmente postos abaixo, como se você não mandasse nada na sua vida?
Já foi pego de surpresa, vivendo uma situação que nunca se imaginou?

Tsc, tsc. Nada é por acaso!

Olhe só. Onde eu escolhi estar fica a quase três mil quilômetros de onde estou. Por que será?

Acasos…

A vida costuma me por freios. Me forçar paradas. Mudar meu rumo. Sem me perguntar. Costuma me dar presentes, também, sem me perguntar. Acho que na balança, está tudo bem, então!

Muitas coisas que planejei, consegui fazer. Várias outras, não. As que consegui entraram para minha vida. Me construíram. Me desafiaram. Me fortaleceram.


Veja só. A corrida apareceu de sopetão. Quem não conhece a história do tarado no lago que me fez correr, após dezenove anos sem saber se ainda conseguia? (Esta história tem um longo post contando!)

A bike fez parte. Foi rejeitada. Esquecida. Engavetada. Só foi acionada, porque eu estava proibida de correr. Tipo, não pode com as pernas, vai com rodas! E aí, o acaso virou um abraço. E um longo caso de amor…


As portas fechadas me trouxeram tanto de bom… Em trinta e quatro anos de prefeitura, trabalhei numa porção de escolas… Onze escolas! Mais os onze anos na Secretaria de Educação. Talvez, as escolas não tenham sido escolhas. Tenham sido oportunidades! Assim como passar tanto tempo atrás de uma mesa, trabalhando com números e pessoas.


Em cada um dos lugares por onde passei, criei radículas. Não raízes como meus amigos que permaneceram só numa, ou duas escolas a vida toda profissional. Eles todos criaram raízes profundas. Amizades mais profundas. Eu, por outro lado, passeei por jardins diferentes. Conheci uma diversidade de pessoas. Fui uma nômade profissional! 😱😄 E com isso, aprendi a olhar diferentes pessoas.

O mais engraçado, é que com o passar do tempo, você percebe que os frutos são os mesmos. Que amizades se perdem. Que alguns permanecem. E a afinidade fica. E quando não há, a gente aprende a aceitar a pessoa do jeito que ela é. E percebe que ter muita opinião é bobagem. Porque vira aquele chato que sempre tem, ou quer ter razão. Aquele donodaverdade que sempre tem o melhor conselho, a crítica mais inteligente, a fórmula mágica pra você parar de errar. Erros nossos, na opinião dele.



A vida foi me colocando um leque tão grande de pessoas que mesmo tendo criado radículas, os galhos deram folhas e flores. E , eventualmente, percebo que há frutos. E que, talvez, eu nem seja este tipo de pessoa que gosta de aprofundar raízes. Tenha mesmo o pé na estrada da vida, rodinhas nos pés, asas no coração.

Acaso é o antônimo de rotina. Previsível. Receita de bolo. Bula. Daquilo que sempre acontece do mesmo jeito. Que se sair um parafusinho do lugar, desmonta. Acaso é redondo. Rotina é quadrado. Redondo vai com a vida. Se adapta. Vira, desvia, muda o rumo, não para. Quadrado estaciona. Fica sempre do mesmo jeito. Não muda. Não sabe olhar pro lado. Porque, embora em forma de cubo, tenha vários lados, só olha pra um.


Acaso, pode se dizer, é o tempero surpresa da vida! O jato de tinta de cor que te pega desprevenida. A onda de mar que te derrubou. Te encheu de areia, mas te acordou. A perda do emprego, o término de namoro, a mudança inesperada de casa, de trabalho, de estado civil, de estado de saúde. São sustos que nos chacoalham porque daquele jeito estático não estava bom! Acaso é a vida te oferecendo outro caminho, você, teimoso, achando que é um não. É uma porta se abrindo porque outra se fechou.

Para acasos, é melhor ter gratidão. Parar de nadar contra. Choramingar à toa por algo que tinha prazo de validade, valeu e acabou. Porque caminhos novos, possibilidades novas, olhares novos só tem o clique “ON” se o outro desconectou.


As coisas mais importantes não são coisas!




Essa alegria, ninguém me tira!


Muita coisa é roubada.
Justamente. Coisas são roubadas.
As coisas mais importantes na vida não são coisas...

É um mistério esta máquina de andar e mexer da gente! Faz, faz. Necessita uns ajustes. Fica com peça gasta. A gente conserta. Às vezes, substitui. Cria ferrugem e até bolor!


Envelhece.

Máquina boa pra ser tratada com todo amor. E cuidado. Cuidar da dor. Máquina preciosa que nos carrega pela vida inteira. Que redundância! Quem não sabe disso? Hummmmm....

Aquela velha e conhecida historinha...
Ser jovem, ter saúde, ter tempo, não ter dinheiro.
Ser adulto, ter saúde,, ter dinheiro, não ter tempo.
Ser velho (ou mais idade! 😁😎😄) ter dinheiro, ter tempo e não ter saúde.
É fato. Mentira. Ter vontade muda tuuuuuudo!

Nesse mundãodeMeuDeus, perambulando por aí, vejo gente de toda idade. O que os faz ir? A despeito de toda dificuldade?

Vontade.


Ontem foi com uma Suiça que conversei. Em portunhol e inglês. Tem grana? Não. Tem vontade. Se precisar, arruma carona, arruma quarto por vinteecinco pilas em Floripa, aplica shiatsu na praia mesmo, com a gente deitada na canga, (lógico que fiz e até cochilei) e uma sessão já paga a diária do camping de hoje!

Tem vontade. Tem dificuldade. Vai. Enfrenta o que vier. E faz!


Já vi, na Europa, muitos casais de cabeça branca com suas mochilinhas, tênis no pé e... Vontade no coração! Passos mais lentos, costas mais arqueadas, mas pra que andar com passos apressados, mesmo?

Já vi gente que não troca férias por dinheiro nenhum no mundo. Trinta dias é sagrado por ano. E fazem milagres... Milagres em viver cada respiro dos trinta dias. Milagres que os trinta dias de desapego a dinheiro extra faz na vida da pessoa. Dinheiro a gente ganha, gente gasta. Todo mundo já ouviu isso. Ganha x, gasta X. Ganha y, gasta y. Lei da matemática. Lei da matemática, nada! Lei da maquinada! Que te transforma em máquina de fazer dinheiro pra alguém. Que não sei quem. Já que você não gasta com você!


Não estou falando de viagens caras.
Não estou falando de ir tão longe assim.
Não estou falando de maluquices. (Se bem que algumas, fazem muito bem! Quem não?)

Estou falando de cultivar o que não são coisas! Desapego ao que se vê. Se compra. Se rouba. Apego ao que faz bem!


Viro criança. Literalmente, viro criança! Me dá uma bicicleta e um à frente pra ir, que vou. Fico faceira de sentir o vento no rosto e sentir o suor dizendo que o corpo está trabalhando. De sentir que estou fazendo ele, o tempo, valer à pena. De degustar a liberdade que ninguém me deu e não comprei. Apenas abracei. Porque liberdade não é produto de mercado. Nasce com a gente. E quem a tranca, somos nós mesmos. Sempre dizendo a ela... "Agora, não! Nao tenho tempo. Estou ocupado. Tenho muitas coisas importantes pra fazer primeiro!" E prefere ser escravo. De si mesmo. De suas escolhas e ambição. De sua cegueira e sua traição. A traição aos seus anseios vitais. Dentre os quais, os SONHOS. Estes que nos mantém vivos. Estes que nos dão motivos para não desistir.

Não tenho mais liberdade que ninguém. A vida de cada um é diferente do outro. Alguns tem filhos pequenos. Alguns, pais idosos para serem cuidados. Alguns, pouca grana. Alguns, estes todos e mais alguns, MEDO. Quando a gente opta por fazer aquilo que gostamos, invariavelmente, pensam que a vida da gente é mais fácil. Atrelam liberdade a isso. E justificam sua falta de ação nisso. "Oooo vida dura, eu tenho!" Não leva a lugar algum pensar assim. Muito menos se iludir que a vida do outro que faz é mais fácil. De ninguém é mais fácil. É diferente! O que muda, é o olhar...


Ahhhhhhhh.... O olhar... Casado com a vontade, transpõe montanhas... Atravessa oceanos... Não leva dinheiro, Nem roupas de marca na mochila. Mas ganha experiências vividas, simplesmente por optar. Este tal de livre arbítrio que tanta gente deixa pro outro fazer por ele.

Não tenho dinheiro.
Não tenho tempo.
Não tenho saúde.
Não tenho coragem.
Não sei fazer.


Dinheiro. Taí tanto jovem fazendo, trabalhando no caminho pra fazer dinheiro. Esta suiça. Um amigo cicloturista que faz artesanato pra vender. Que pega trampo esporadicamente pra fazer renda. Outros amigos que vão e não tem preguiça de arrumar trampo não! Seja no que for.
Dinheiro. 2 Já pesquisou sistemas e aplicativos que te oferecem viagens mais baratas, acomodações mais em conta e nem por isso, menos confortáveis ou charmosas? Cinquenta pilas pro meu bolso num lugar aconchegante como estou. Onde pra tudo, vou de bike... Sem gastar um tostão de combustível. Faço amizades. Não me sinto só, se não quiser. Essa mocinha suiça tem pago entre vinteecincoetrinta pilas por dia. Oferece seu serviço, passando de guarda-sol em guarda-sol, também faz traduções de espanhol para francês e bem poderia fazer ainda para o alemão, inglês, italiano, se quiser. Pois domina todas estes idiomas... 😲🤓


Tempo. Já vendeu férias? Já se programou pra não precisar mais vender? Já usou bem seus finais de semana? Já levantou do sofá, já largou o celular e todas as redes sociais desligadas por alguns dias pra sair de dentro da caixinha e ir viver? Tem gente que na lápide terá de por o celular pregado em cima e constar... "Aqui jaz..."


Saúde. Vai com o que tem. Pode ter certeza. Vai piorar... Não é pessimismo barato. É fato. A curva da vida é ascendente. Topo. Descendente. Inevitável. Pra quem pretende viver até os cem anos ou mais. Off course. Dá pra melhorar cada fase. Ter qualidade de vida. E o principal: parar de se lamuriar pelo que não tem e usar bem aquilo que ainda tem. Porque logo, não tem mais! 🤪🤭😬🙄😜😂 Ao invés de se esconder na dor, vai com dor. Faz o que dá. Garanto que sair da inércia, botar a endorfina pra funcionar, vai trazer mais bem estar do que mais dor. Que vivenciar coisas novas, dará mais prazer que desprazer. E que você vai encher a sua linha do tempo de VIDA. Ao invés de DESvida. Na descida. Pode crer!


Coragem. Ahhhh... O medo... Que ata as pernas. Que paralisa. Que inventa monstros onde não tem. Coragem só se ganha no caminho.
O medo é um castelinho criado no mundo do fazdeconta, botando medo na gente, daquilo que nunca existiu. Não adianta se basear no "E se...." SE é condicional. Algo que pode ser e pode NÃO ser. Basear suas escolhas e sua vida em algo que não é real é, no mínimo, esquisito, não?
Coragem é como tsunami. Um cisco o inicia. Imperceptível quando nasce. Um monstro quando acontece. Derruba tudo no caminho!  Não é que coragem tenha de ser destrutivo, destruidor. Mas a coragem cresce porque fez o primeiro movimento. É o primeiro movimento que todos precisam fazer!


Por fim. Não sei fazer. Quem o sabe? ! Só se aprende a fazer, fazendo.  A vida só tem graça por ser uma caixinha de surpresas. Observar a natureza do nascermorrer, nos mostra que aprendemos para sobreviver! Chorar. Pedir. Fome. Sede. Dor. Ganhar independência ao se mexer para ir alcançar. Um brinquedo, a mão da mãe. O engatinhar. O andar. Então... Onde foi que você se perdeu? Onde foi que desaprendeu a andar?

De todas as desculpas esfarrapadas, escolha todas pra jogar fora. Escolha ir.

As coisas mais importantes não são coisas!