Vamos conversar?

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sábado, 16 de março de 2019

Opiniosa



Da Ciclotour por Barcelona, ainda.


Praça (esqueci o nome!) quando resolvi ir visitar os museus, pois no primeiro domingo de cada mês, as visitas em museus são FREE 😁. #ficaadica

Tive a oportunidade de conhecer O Museu de Gaudi. Dentre outros lugares no bairro que, a céu aberto, são um museu para nossos olhos!

Meus passeios e viagens são, predominantemente, por áreas rurais, cidadezinhas pequenas, vilarejos. Naquela vibe "sou mateira", bicho do mato, evitava as grandes cidades nas minhas viagens.




Estou mudando e espero mudar muito ainda, meus conceitos. Ter opinião muitobemformada sobre oquegosto, oquequero, ondevou, oquefaço, me fez ser uma pessoa muito opiniosa. Traduzo. Ser teimosa na minha opinião. Tender a não experimentar o que está fora do que pontuei como parte do meu menu. Isso fecha portas, ao invés de abri-las. E estou num treinamento intensivo de ser maleável. De ouvir o diferente. Fazer diferente.

Barcelona é gigante. E... Amedronta. Mesmo pessoas "viajadas" que se metem em buracos, mundo afora. Porque buracos no meio do nada assustam. Mas me dão a impressão de serem menos perigosos que me perder numa cidade gigante.

Bicho do mato mesmo!

Foi um tour de leve e the flash. Apenas para completar uma viagem mix que teve de tudo um pouco, um pouco de tudo!

Mochilão.


Um trecho pequenino e de muito aprendizado no Camino de Santiago de Compostela. Peregrinação raiz.




Teve colo de amiga e irmã para eu me refazer das bolhas sangrentas e infeccionadas dos pés.




Teve Ciclotrip pela Toscana ♥️❤️🚲🍃 na Itália.



Teve a revanchesegundachance no Compostela para concluir os 13 km que faltavam - que diga-se de passagem, fiz dançando... 😀💃🎶🎼, saltitando por quase todo o caminho...




E teve passeio em cidade grande de... Bicicleta!

Mundão grande! O coração fica pequeno para acolher tantas possibilidades. A coragem para ir fazendo, vai acontecendo no caminho. Enquanto pensa vounãovou, VÁ! Algumas coisas só acontecem, acontecendo...

Muita coisa que fiz ou vivi, não imaginava, nem planejava. Muitas, tive de focar, planejar, abdicar de muitas outras coisas pra poder ir e fazer. Não cabe tudo que se deseja, nem no bolso, nem na cabeça, nem no coração. O tempo todo estamos fazendo escolhas. Abrindo mão de umas. Escolhendo outras. O medo de ir paralisa. Engraçado que o MEDO SEMPRE É DE ALGO QUE NEM ACONTECEU AINDA. Então, é engraçado entender! Parece medo de fantasma! Medo daquilo que nem existe ainda...

Textão. Fazia tempo que não escrevia. Ando introspectiva. Devem ser as mudanças...

segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

Floripa, Ilha da Magia!


Já me perguntaram o porquê deste nome. Não soube responder. Vou tentar.

Conheci Florianópolis, quando pequena, junto do meu pai. Viajeiro e fotógrafo de coração, sempre inventava viagens em família. Eu me lembro bem de fotos nossas com a ponte Hercílio Luz ao fundo. Eu bem meninota, fazendo pose!

Éramos em seis. Meus pais e nós, quatro filhas meninas. Então, sempre uma ficava de fora da viagem por não caber no carro. Naquela época, não havia exigência de cinto de segurança e, muitas vezes, fazíamos caminha no chão do carro no fundo. Uma ia dormindo no banco traseiro, outro no chão, quando íamos em quatro

Eu  me lembro que fiquei toda cheia pois, conforme meu pai dizia, tínhamos ido conhecer, numa única viagem, cinco capitais brasileiras. Florianópolis, Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro e… Niterói! Que naquela época, era capital do Estado do Rio de Janeiro. Enquanto o Rio de Janeiro era capital do Distrito Federal. Alguém se lembra disso? Só os cinquentões…

Florianópolis não sei de quando é chamada carinhosamente de Ilha da Magia. Com todas as vertentes sobre suas explicações, vou inventar a minha!


Um lugar que se reinventa e nos faz reinventá-la, nos faz nos redescobrirmos e descobrirmos novas facetas em nós mesmos, só pode ser mágico! Falo muito de redescobrir o que já somos. E isto é fantástico para quem anda se esquecendo quem é. Mas existe este lado de descobrir possibilidades a partir do que já se é e que nunca haviam sido pensadas.


Já passei pela ilha como filha criança. Como universitária com o grupo de amigos da faculdade. Como esposa em família. Como mãe de criança. Como atleta em corrida na Volta a Ilha. Como mãe de adultos. Como ex professora de aluno que correu atrás de seu sonho e contra tudo e quase todos, formou-se em medicina. Como namorada. Como viajante solo, mochileira, trilheira, embora motorizada, que gira a ilha em bicicleta. Como Cicloturista em Ciclotour, que veio ficar uns dias sem usar quatro rodas. Como viajeira flexível que torce o nariz porque não ia usar as quatro rodas, mas que para levar os meninos do AirBnB que estão na ilha pela primeira vez, possam conhecer mais dos cantinhos escondidinhos da ilha, pega o carro e vai.

Como um saco surpresa que resolve no dia o que vai fazer neste dia.


Se não houver magia, vira cardápio. Aquilo que você olha e sabe o que vai pedir. Escolhe o que vai comer. Engole sem degustar diferente, porque mesmo que tenha escolhido no menu, algo nunca apreciado, faz ideia. Imagina. Prevê.

Algo mágico é como se você vedasse os olhos e alguém te trouxesse algo para saborear, sem nem saber a forma, a cor, o sabor. Fica toda sentidos, como se dependesse, exclusivamente, de perceber. Sem adivinhar.

Compreende?


Sabe aquela Cartola do Mágico que você olha, marota de longe, sem saber se sai coelho, se sai pomba, se sai ou some o que você vê?

A Cartola. A Ilha Mágica é assim. Feito Cartola. Atraindo olhares faiscantes que procuram lá dentro, olhando de longe, o que surgirá!

Passei por lugares tantas vezes pisado, podendo pisar diferente. A bicicleta me proporcionou um passar mais vagaroso por estradinhas e entradinhas que convidavam. Também me fez passar ligeira na hora da fila cheia de motores mal humorados. Que me deixavam mais faceira, ainda, algumas vezes, sacando a câmera para filmar pra poder dizer pra todo mundo… #vaidebike #debikeemelhor #umcarroamenos #soporhojeexperimenteabike #bikeevida #cicloviaerespeitoavida

É até engraçado. Esticar os anos de vida, ter mais anos de vida, ter outras vidas pra se viver tudo que não se conseguiu viver, é sonho de muita gente. Mas, então, você descobre que dá pra reiniciá-la sem virar bebê. Iniciando num ponto de maturidade, ideal onde você já tomou seus tombos, já aprendeu no amor & na dor a dar importância ao que é importante. Como se já partisse tendo lido o manual de instrução do básico. Mas tem em mãos e nos pés, o meio para fazer diferente. O meio para experimentar diferente. Quase como fosse outra vida. E é!



Para quem pôde experimentar a cidade noutros meios, seja a pezão, busão, carona, avião e carro, passar pela ilha em bici é mágico! Isso! Mágico! Você sai sem pressa, não se estressa, toma vento no caminho que te refresca e, se quiser, prende tudo no guidão ou garupeira, abaixa a blusa na cintura e vai pelo caminho todo se bronzeando… Quer mais?

É de graça.
Não polui.
Autossuficiente.
Energia gratuita.
Academia gratuita.
Saudável.
Faz (mais e mais e mais) saudável!
Apaixonante


Bicicleta e a ilha orna. Pra quem não tem, já até tem a bicicleta por aplicativo. Pra zanzar, nos moldes já existentes em cidades européias e algumas brasileiras. Explico. Baixa o aplicativo em seu celular. Escolhe o plano desejado, de acordo com o tempo que pretende usufruir o serviço. Horas, dias, semanas, mês. Efetua o pagamento. Abre o aplicativo. Visualiza, no mapa, onde encontra a mais próxima. Vai até ela. Destrava pelo QRCode. Sobe e usa. Quando chegar ao lugar desejado, trava a bici para liberá-la para o próximo usuário, desvinculá-la de seu nome. Pronto. Rodou pela ilha em plena temporada, sem parar, uma única vez, em filas de congestionamento!

Mais.


Você descobre que é capaz de sair de sua zona de conforto. Que 10 km vira pouco rapidinho. Que pode e consegue superar pequenas distâncias. E elas vão ficando cada vez maiores em km e menores em dificuldade.

Mais?

Inspira outras pessoas. Que para usar a bici não precisa ser atleta. Se quiser, você pode até virar! Mas você pode sair sem roupinha de modinha, de shorts, saia, sandalinha, vestidinho, arrumadinha, capacete é bom e só. Que aos poucos, ela vai virando um prolongamento de seus membros. Porque aquilo que faz bem pra gente, vira um pouco a gente e a gente também. Numa osmose positiva de incorporar (preste bem atenção à palavra!) quem nos dá asas pra ir… sem fim!


A bicicleta faz a ilha se Mágica pra mim!

sábado, 12 de janeiro de 2019

Latitantes. História de amor incondicional!



Verão passado. Como amo passear com este bichinho...🐕



Tinha planejado fazer a ciclotrip 🚲🎒 com ele. Projetei um suporte na garupa onde pudesse fixar sua casinha🏠. Tinha duas opções de casa. A rígida e a flexível. Esta da foto. Bem ventilada, confortável, mas não protegeria da chuva que é uma constante no verão catarinense.





A rígida seria a ideal. Ventilada, um pouco menos, mas não entraria chuva. Porém, achei que o bichinho era menor. Comprei a P.... 😮🙄😏😜. Errei o tamanho. 🤦

Com isso, ele ficaria muito apertado.

Desisti de levá-lo comigo. Deixei juntamente do carro, na casa do meu amigo em Penha. Início da cicloviagem do Circuito Costa Verde & Mar..

E assim que acabei a etapa trip bike, dez dias depois, corri pegá-lo pra passear.

Cachorros tem um quê só deles! Um amor incondicional pela gente. Lealdade. Parceria. Cuidado. Uma espontaneidade de derreter o coração. Por mim, levaria junto comigo em tudo! Mas na Triptour BR 🇧🇷 tive de optar deixar. Pois não é permitido adentrar nos PARNAS com animais domésticos. E levar por levar e deixá-lo, não daria. Pois na maior parte do tempo, eu acamparia.

Ainda vou adaptar a bike para ele ir comigo. Quem sabe, pela América do Sul. Mas não gostaria de levar na carreta para bike atrás.

Li, outro dia, o relato do Israel, sobre receber a notícia da morte de seu dog. Ele, em viagem há três anos. O companheiro, já idoso, falecer, lá na sua terra e sua mãe lhe mandar a notícia 😢. O vazio que dá. E isto me faz pensar se vou mesmo cair na estrada sem ele. Parece bobagem?

Tenho sonhos de viagem. E defino dois bem certos. Um ano de bike pela América do Sul. E uns três anos viajando e morando na estrada num carro que me dê autonomia pra seguir.






Já fiz algumas pernas de viagem com meus filhos pela América do Sul. Contornando desde a Cordilheira dos Andes, região dos vulcões do Chile e Argentina. Região dos Lagos. Até o Ushuaia. Geleiras do El Calafate. Retornando por toda Costa litorânea Argentina com suas pinguineiras, aquelas não exploradas nos pacotes comerciais. Aqueles cantinhos escondidinhos, que só os donos de posto de gasolina no caminho nos contam e revelam.

Já fomos de carro pela Costa litorânea de todo o sul do BR + Uruguai . Parando, acampando, bicicleteando trechos no caminho, passando pelo lugar mais exótico que já estive, Cabo Polônio, até chegar à ponta, em Colônia del Sacramento.



De avião + busão, van, táxi, trem, avião dinovo, pele Bolívia, Peru e Chile, naquele triângulo que concentra as belezas mais estonteantes por metro quadrado, num giro de duas semanas onde fizemos milagre e conseguimos espiar e nos esbaldar de ver as cidades pré-incas, incas e a única cidade inca viva Ollantaytambo. Desertos de sal e montanhas com Lagos congelados. Aqueles nomes que você ouve e ficam ecoando, pedindoindoindo na cabeça, até você se decidir a ir. Tiwanaco, Lago Titicaca, Islas Flotantes em Puno, Machu Picchu (off course!), Salar de Uyuni (pfv, né!), Atacama. Ficou de fora a Estrada da Morte. Porque eu tinha costelas fraturadas em recuperação naquela viagem… 😱🤕🤦🤪😬😂







A América do Sul me fascina. E quero ir sem pressa por ela. Aliás, Plano A era este. Nestas férias. Lagos de bike. Abortei a ideia quando vi que não me recuperaria do corte no joelho, na queda correndo, em novembro. Plano B, de bike atravessar SC, também não era viável. Atrofiei muito no período pós queda e seria um tanto insensato cicloviagem solo assim. Plano C: de 4x4 pelo centro-oeste, chapadas, areiões jalapanêses, BA, terras onde nunca pisei. Caí dinovo. Vai saber que recados são estes pra mim?!

Li hoje, da Pã, sua descoberta, véspera de tufão anunciado pela ilha, via tufão interior, que os sonhos quando demoram acontecer, acontecem atrasados, fora do fogo do desejo genuíno! O que te denuncia e te pede. “Tem de ser agora. Depois, já era!” Uma baita reflexão. Não sei o quanto concordo, o quanto discordo. Mas mexe fundo. Tanto a resiliência e paciência de perseguir e realizar sonhos, no tempo onde podem acontecer. Quanto a honestidade de admitir que o tempo deles já foi. Que fazer a todo custo, é pura teimosia boba, desnecessária, que consome tempo energia e dindin, que se você tiver feeling o suficiente, desvia, e vai fazer o outro sonho, novinho em folha no tempo certo do agora. Meo…. Que honestidade gigante dela! De causar tufões na gente. Às vezes, ficamos tão obstinados em alcançar sonhos congelados no tempo, que não percebemos que nem os desejamos mais, tanto assim. Que alcança-los, vira mais obrigação, vaidade, vitrine, do que deleite.

Então, a cabecinha gira 😟, gira 🙃, gira 😲, gira 🤪, gira 🤸 do jeitinho que eu gosto, me cutucando, causando indagações…


A idade dos cachorros 🐶 provoca isso. Eles têm um tempo tão curto de vida e sei que quem não ama cachorros não vai entender nada do que estou falando. Mas pensar que o Tufo tem seis anos e tem, exagerando, dez anos de vida pela frente, me faz pensar e chegar à certeza, que não quero ficar quatro anos fora, sem levá-lo comigo, sem tê-lo comigo nestas minhas viagens. Estas minis trips, ok. Fica em casa, recebendo carinho, na sua caminha, seu lar, mesmo com saudades e não entendendo onde estou. Mas vou voltar. No máximo, mês e meio fora, volto. Mas viajar por meses, anos, deixá-lo… me faz pensar qual o sentido disso tudo! Ao mesmo tempo que soa ser tão tolo, apego, pergunto. Em que vale à pena se apegar? A gente discursa tanto, o tempo todo, desapego, minimalismo, para não criar teia de aranha, parado nos lugares, como se fosse feio, ruim, pernicioso, criar raízes. Ter vínculos. O nômade aprende isso. Senão, não segue. But…. E nesta bagagem, mini bagagem, não cabe levar amor? 👜♥️💟

Fico pensando e ruminando…

Escrevo com certa frequência. Leio muito. Desde livros que ficam pelas metades, metade lido, metade folheado, um tanto não terminado, blogs, textões no Instagram de viajeiros que sigo e amo, assisto vídeos dos canais idem, que, conforme o interior, busco um ou outro, e vou me inspirando e inspirando outros, quando paro e escrevo.

Na devida proporção, cada um com seus seguidores, leitores, amigos, quando compartilha suas passagens, paragens e viagens, participa desta mágica que é contagiar… Todo mundo teve alguém a quem ouviu e viu e fez seus olhinhos brilharem! Ouvindo pela primeira vez histórias malucas de perseguir sonhos malucos, ou não, e ir! E muito mais que realizar, compartilhar multiplica.

Poder ler, assistir, acompanhar as experiências destes viajantes que sigo é inspirador e, ao mesmo tempo, instigante. Falo isso porque as falas se repetem em bocas diferentes. A busca, logo se percebe, é interior. Óbvio. A passagem exterior por lugares exdrúxulos, estimula ainda mais. Parece aguçar sem piedade todas as terminações sensitivas da gente. Ficamos inteiros sensíveis, chorosos, alegres, tristes, depressivos, excitados, exageradamente vivos! E parece que aceleramos nossa capacidade de perceber a vida. De querê-la na íntegra. De não se conformar numa forma em que não cabemos.





Comecei a escrever falando do meu cachorrinho. Olha só onde fui parar… Em devagações filosóficas sobre a vida. Talvez, porque, ao mesmo tempo em que viagens, acentuam nossas percepções de vida, o tempo de vida tão curto destes serezinhos nos acenda a luz vermelha, ligue o apito que nos acorda para sermos, desnudamente, sinceros pra nos perguntar e responder.

Você vive o tempo presente? Ou vive o sonho antigo, já obsoleto. Ou vive em função de alcançar condições futuras de fazer o que quer hoje. Que pode ser que não seja o seu desejo de amanhã, quando conseguir ter todo o aparato em mãos para realizá-lo...


Tenho um animalzinho fofo, inteligente, parceiraço de trilhas, bike, mar e cachoeira hoje, por tempo determinado. Que já correu muuuuito comigo, quando eu treinava, já foi por trilhas de bike por horas, que anda meio gordinho por falta de exercício por tanto que me machuco e sou obrigada a parar, sem andar, sem correr, sem ir pro vento. Será mesmo que vou cair na estrada sem ele?



Cair na cachoeira na Chapada dos Veadeiros desenhou um baita ponto de interrogação na minha vida. Em nenhum momento me rebelei, no estilo “Por que agora, por que comigo?” Aceitei. Só. Estas paradas abruptas acontecem com tanta frequência na minha vida que este recado, eu já entendi. Stop. Eu sabia que tinha algo a fazer em casa, neste período. Aceitei, voltei. O pensamento mais certo na minha cabeça na hora do meiavoltavoltaemeiadar foi de que tenho tempo pra ir passar com a devida calma, pelo roteiro que desenhei. Sem pressa. Sem atropelo. Sim. Certos lugares não se conhece com um cachorrinho a tiracolo. Parques nacionais, os PARNAS, nenhum. E morar na estrada não permite você deixar teu pet em casa, pra você ir dar uma voltinha. Porque, muitas vezes, a casa é a barraca. O carro. A casa de alguém. A cama dentro de um quarto cheio de beliches. Então, não dá.

Como nada é definitivo, nada é estagnado, ainda há opções. Mesclar. Nem só ao mar. Nem só à terra. Por enquanto, vou alternando.

Mas ter um serzinho como ele que posso, ou não, levá-lo, diferente de um filho, um neném, ter a opção e, de repente, optar por seguir sem ele, é um abraçar um caminho onde você não vai poder voltar os ponteiros do relógio. Ironia da vida, fato que é aplicável a tudo na vida. Mas de uma maneira suave. Nem por isso,  menos cruel, quando você segue sem e tem de encarar que pode não vê-lo, de novo.


De tudo isso, cachorros não são bibelôs. Decidir tê-los é um compromisso de carinho recíproco. Deles, natural, espontâneo. Sem exagero, acredito hoje, a forma mais sincera e incondicional de amor de um ser vivo ao outro. Porque ser humano é egoísta. Manipulável. Influenciável. Eles, não.

Este serzinho foi meu antidepressivo risonho, saltitante, que me tirou do sofá, de dentro de casa, me obrigou a ver a luz do sol, quando eu não tinha vontade nenhuma de fazer qualquer algo pra mim. Me faz cruzar com pessoas no caminho com seus respectivos serezinhos latitantes e fazer amizades. Aprender nomes de cachorros e pessoas. Praticar sorrisos. Palavras de bom dia. De atenção. De me movimentar. De sair da inércia física, intelectual e emocional.

Uma história de amor onde a gente mais recebe do que doa.



Chega por hoje. Vou lá praticar a minha parte levando o Tufo pra passear!