Vamos conversar?

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domingo, 10 de novembro de 2019

Você também toma café frio?



Perguntinha estranha, não?
Explico.
Café, off course, é bebida quente. Ok que ando experimentando uns cafés gelados, como se fossem coquetéis saborizados, mix com frutas, ervas e sabores que acabam resultando numa bebida boa, refrescante e com o delicioso do meu inseparável café!

But.

Fazer café de manhã, significa obrigatoriamente tomar café quente. Não? Não. Por quê?

A hora que vou pra cozinha preparar o café, geralmente, já estou com a cabeça a mil. Mil futuros a dar conta e mil atrasados do passado a fazer. Mil tarefas. 



Já ouviu falar de homem-cobra x mulher-polvo? Consegue deduzir o porquê? Aquela veeeeeelhaaaa mania feminina de fazer mil coisas ao mesmo tempo. Quem nunca? Fez ou já viu sua companheira,a presença feminina da família te dando até tontura de rodar a casa feito furacão, rodopiando preparando o café da manhã, pondo o café para fazer, recolhendo o esparramado pela casa, escovando o dente, dando comida pro cachorro, se maquiando, trocando a roupa, pegando a chave, perdendo a chave, achando de novo, caçando o óculos de sol, de grau, voltando pra ver se o café está pronto, conferindo a bolsa, chamando os filhos para irem para a escola, enchendo sua caneca de café, pondo roupa na máquina pra lavar, chamando os filhos de novo, levando o dog pra fora pra dar seu passeio matinal, voltando pra dentro de casa, procurando sua bolsa, chaves e óculos, lembrando que esqueceu de carregar o celular e procurando o carregador, lembrando do café e… Café frio?

Vai assim mesmo!



Eu sou adepta desta cena. Já até acostumei. Naquela vibe de café gelado, gourmet, chique, saboroso, peculiar, diferenciado, moderno, inovador, vai assim mesmo. Quando não dou uma requentada bem da sem vergonha no microondas. Que me parece crime maior que tomá-lo frio.

Café frio?

Lógico. Falo de café, mas não falo somente de café frio. Falo de tantas outras coisas que birrentas, jogamos fora por terem esfriado. E que, na verdade, mantém seu sabor. Só um pouco modificado. E que necessitam, somente, serem repaginados com uma certa criatividade, um sabor a mais, um olhar e apreciar diferente. Que reformatem o café clássico, o de sempre, opinioso que não muda nunca. Nem de marca, nem de xícara ou caneca, que não aceitam mudança alguma. Que parecem ser autênticos clássicos do bom paladar. Mas que, com isso, deixam de vestir roupagens diferentes. Deixam de oferecer e experimentar em si mesmos, sabores diferentes.

Estou ainda falando de cafés?

Off course que não. 



Falo de pessoas. De vidas. Que tal qual o cafezinho clássico, sempredomesmojeito, leva a vida seeeeeempre do mesmo jeito, também. Porque assim está bom. Sempre deu certo. Receita que não falha. Fórmula exclusiva e excludente.

Pode ser que seu café da manhã esteja precisando sentir sabores diferentes. 
Pode ser que o café frio tenha algo a oferecer.
Pode ser que seja preciso mudar a marca, a canecapreferdadetododia, experimentar oportunidades que lhe pareçam café frio. E que sejam, exatamente, o ingrediente faltante de um cardápio que te alimente corpo, alma, sonhos e buscas.

Experimente.



segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

Feznãofez? Feznãofez?



Um dia, vou mandar uma foto lá de cima de uma estrela. Dizer que a viagem foi ótima. Um pouco assustadora. Com clarões e escurões no caminho, feito relâmpago em tempestade à noite.
Vou dizer que tive de correr e apertar a perna um bocado nas subidas, mas que também soltei a perna nas descidas. E que o vento foi generosos e me refrescou o caminho todo, em brisa.


Vou fotografar o caminho todo, escolher as fotos mais significativas e mandar. Pra vocês poderem entender um pouco do que falo sobre esta delícia de ir na estrada deslizando. Sobre esta faceirice de passar pedalando, feito criança em bicicleta, fazendo arte.

Talvez, eu nem saiba escolher direito qual foto mandar. Porque cada uma tem uma história. E todas, todas uma história de amor comigo.

Mas eu vou estar de cima de uma estrela, e não terei a vasta opção de escolher tantas fotos assim. Na verdade, será como se fosse um último envio. Aquele momento de escolher as que marcaram mais. E ai de mim, escolher deixando de fora, tantos momentos importantes congelados na memória!


Então, matutando um bocado, um bocado mais, fico remoendo a vontade de incluir tantos CLICS no tempo. E, vejo, é rico isso! Não é motivo de desespero não saber escolher. É gozo puro! É possuir um leque gigantesco de um tempo bem vivido. É ter multiplicado o tempo, não por ter corrido demais nele. Pelo contrário. Por ter parado nele, para apreciar.

Ai que ando mexelona na alma… Observando despedidas. Observando o que o tempo vai fazendo com a gente. Vendo um espírito jovem (toda vida!) ganhar cara de senhora! Vendo um fio delimitar idades, pondo pra lá, ou pra cá, gerações. E ver que eu pertenço a de lá! Não. Não é lamuriar idade. De forma alguma. Este espírito atrevido e jovem, permanece jovem. Mas o tempo passa para todos. E vai ficando escasso, pedindo espaço para certas coisas…


Urge. Urgem vontades. Urgem anseios. Urgem segredos que vão perdendo a vergonha de existirem. Porque sabem que ele, o tempo, não parou nunca de passar. E fica como luz piscando, perguntando: “Feznãofez? Feznãofez?” como se brincasse maroto, me provocando a coragem. Coragem.

Meus medos foram outros. Diferentes dos seus. Diferentes dos outros. Minha falta de coragem é outra. Diferente da sua. E de todos os outros. Minha coragem também foi de atrevimentos diferentes dos seus. Pura lei da sobrevivência. Cada um na sua ação de sobrevivência. Meu afogamento foi outro. Meu asfixiamento foi outro. Cada um sabe o seu. O meu grito por liberdade nasceu de medos meus. O meu grito por querer viver, sei eu, o que o provocou. Nada, nada parecido com os seus. Me sobra coragem para os seus medos. Me sobra medo para a sua coragem.

Eu preciso conversar comigo mesma. Eu preciso reachar o botão ON que eu perdi em mim. Acho que sobrecarreguei a bateria. Vou formatar o tudo.


Lá de cima de uma estrela, vou olhar o caminho que percorri. Será a hora certeira de ver que valeu à pena. Que muita coisa escolhi. Muita coisa foi escolhida pra mim. E que permanecer no caminho, ou não, cabe a mim.

domingo, 27 de janeiro de 2019

Mas eu sou tão feliz!


Não é uma questão de ingenuidade rasa.
É opção. Profunda de sobrevivência.
Não é alienação do mundo fora.
É percepção do mundo dentro.
Este. Imediatamente meu, do qual dependo.
Não se trata de ignorar infelicidades diárias.
E viver numa bolha.
Mas de não optar por discursos que não me pertencem.



Posso e devo falar com propriedade daquilo que vivo, realmente.
Ser feliz não é conquista.
Não é medida.
Não é, tão pouco, sorte de quem se diz feliz.
É opção. De ter, diariamente, nem mais, nem menos motivos para ser infeliz.
Mas de escolher a cada dia, uma palavra, um gesto, uma ação, um bem ao outro. Um bem pra si.
O caminho que dê paz.
Um seguir, voltando atrás.



Um reconhecer um erro.
O pedir perdão. O perdoar.
Os outros e a si mesmo.
É se livrar de pesos mortos.
É renascer todo dia.
Abraçar a vida todo dia.
Mesmo que tudo indique nãos.
Acreditar nos sins.
Porque ação nasce da decisão.
Você só faz aquilo que acredita.
É preciso acreditar em ser feliz!