Vamos conversar?

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domingo, 3 de janeiro de 2021

Você tem medo de viver? Ziguezagueando o caminho

 



Chacoalhar o esqueleto.


Você tem medo de viver?


Não planejo muito as coisas que faço. Algumas, planejo. Mas a maioria e, justamente, a maior parte do que considero presentes que recebi na vida, foram desplanejados acasos que me chegaram. Para quem acredita em acasos.


Para quem não acredita, como eu… presentes!


Bem.


Vou contar mais um pouquinho desta história. Que venho pincelando, vez em quando.


Hoje saí sem bicicleta. É preciso se vigiar para que não se torne o vício nosso de cada dia, aquilo que é feito prazerosamente.


Depois que comecei a saga de achar uma forma confortável e segura de levar o Tufo junto comigo na bicicleta - e encontrei! - tem sido fácil e prático sair com ele. No estilo catarinense de fazer tudo de bicicleta. Algo como se ela fosse um prolongamento das próprias pernas.


  • Vamos passear Tufo?


E dá-lhe por na mala, ou na cesta e sair pra dar uma voltinha… Que, invariavelmente, virava voltona!


Eu sei que ele gosta de ir na bicicleta. Justamente porque paro. Solto. Deixo correr livre. Então, também sei que ele gosta de correr livre sem bicicleta. Naqueles meus rolês no aterro, na praia, em trilhas, no mato, sem fim. Dele se cansar e eu pegar no colo para ele descansar.


Sai sem planejar nada. Queria só pegar um pouco de sol nas costas, nos ombros. Pra tirar aquela marquinha clássica de quem pedala ou corre no sol. E usa mochila! Vesti uma frente única, um shorts curto e fui. Antes, me armei de uma canga para esticar no chão, água, livro, um guia do lugar onde pretendo ir dar um rolê de bicicleta, tudo numa mochila e sai. Sim. De mochila! 🤷🏻‍♀️🤦🏻‍♀️


Já no aterro, mochila na mão, me deu vontade de correr! É uma sensação de liberdade, ver um verde imenso à frente, vento chamando e ir…


Procurei uma sombra debaixo de uma árvore, estiquei a canga, pendurei e prendi a mochila no alto da árvore e fui.


Ia dar uma voltinha na campo de futebol. O Tufo vinha atrás andando, me seguindo. E se perdendo de mim, xereta como é, parando em todo ponto de cheirinho pra cheirar. Ele não ia conseguir me acompanhar. De imediato, comecei a correr em ZigZag no campo. Para ele poder me ver e vir. Indo de uma beirada a outra. De pronto me veio a lembrança: quando eu treinava planilhas de treinos de corrida, os intervalados eu fazia no aterro. E trazia ele. Foi quando marquei seu recorde de corrida: 6 km! Sim. Sem parar. Ele corria atrás de mim. Parava, se distraia, se perdia, eu assobiava, ele dava um carreirão e me alcançava. No final, vendo ele cansado de correr atrás de mim, comecei a fazer os Zigzags. 


Meio louco isso. Mas quem faz o mesmo vai me entender. Quando saio pra correr ou pedalar, me esvazio. Não levo problemas junto. Me desligo. Não gosto de andar e ficar conversando de problemas. Nem andar com celular pendurado na orelha. Parecendo um celular de pernas andando. Gosto mesmo é de desligar do resto. E, com isso, muitas vezes me vêm cenas hilárias na cabeça. E vou escrevendo histórias mentalmente. Que se não paro logo após, imediatamente, as perco. Já até escrevi parte do livro assim. Correndo e falando e gravando no celular. Para transcrever depois aquele momento único de inspiração. Um colocar lá fora algo muito autêntico, Verdadeiro. E que por vir lá de dentro, sei, tem a capacidade de mexer muito com quem lê.


Para quem já correu grandes distâncias em provas e treinos, correr um pouquinho só até parece perda de tempo! Impensável ir correr sem o kit corrida. O aparato que o identica - ou o distingue dos relés mortais. Como falei, saí mais cara de prainha. De crocs no pé…


Comecei andando, me coçando de vontade de correr. Então corri!


Descalça, quase arrancando a blusinha pra tomar o meu solzinho só de top. E chamando o Tufo, assobiando.


Fui pensando…


O aplicativo de GPS ligado para ter ideia do quanto correria, simples curiosidade, ia formar um desenho engraçado… Um ZigZag no campo! E rindo, sozinha, pensei.


  • Quem seria a louca que faria isso? 


Nunca gostei de correr como hamster. Em círculos. Que volteiam, volteiam e não chegam a lugar algum.


O que era aquele ZigZag, então?


Vou explicar!


Ao contrário das voltas que passam, repetidamente, no mesmo ponto de partida, o ZigZag faceiro, displicentemente, faz que vai e não vai. Quase chega e desvia

 Vai de novo e dá volta. Adia, adia, adia. Escritora que sou então, viajo. 


É uma forma toda sua (ou minha) de adiar a chegada rápida de uma linha reta e sem graça. Se o que vale é o caminho e não a chegada, lema de quem já descobriu a mágica de ir no "Ando devagar porque já tive pressa…' andar em ZigZag é dar olés no ponto final. Achar curvas e desvios que, traçando este caminho torto oferecem infinitos novos caminhos. Como se ensinassem gentilmente que a linha reta está mais para figura geométrica do que linha pra escrever história.


Ziguezaguear é a forma de passar por um caminho como se cada pedacinho fosse importante. Que é o que é.

quarta-feira, 9 de setembro de 2020

E... Se?

 



E...se...

Eu cair?

Como saber, se não ir.


E se o tempo fechar?

E se ele estiver apenas fechando a cortina pra você ir lá desvendar?


E se for difícil?

E alguém aprende com o que vem fácil?


E se eu me perder?

Dá pra aprender até mesmo onde você nunca esteve.

Na verdade, foi me perdendo que me encontrei...


E se acharem que sou louco?

Ué? A recíproca não é verdadeira?


E se eu caminhar sem parar e não chegar a lugar algum?

O caminho inteiro eram lugares. E você encontrou todos.


E se chegar ao fim?

É bom você chegar a ele carregado de certezas feitas, ao invés das traidoras dúvidas que te prendem os pés na incerteza que te acusa de incapaz.


E se chegar ao fim cheios de "ses" sempre terá estado a espreita do precipício. Na curiosidade angustiante do não saber o que há lá. Na eterna dúvida de se...


Saberia levantar.

Se haveria sol ou chuva.

Se o deleite seria com um ou outro.

Se desataria nós de aprendizado.

Se encontraria tesouros dentro de si mesmo.

Se gargalharia da loucura alheia.

Se se apaixonaria por cada lugar, por cada sorriso recebido. Por cada respirar permitido por ter ido.

Se o fim era mesmo a plaquinha lá no final. Ou se era a inicial. Aquela que você colocava a cada vez que parava diante da placa do "se".


A vida é um sopro.


#lifequotes #writers #writerstagram #womenwriters #womentravelers #traveler #travelphotography #almacicloviajante #if #go 

quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

As coisas mais importantes não são coisas!




Essa alegria, ninguém me tira!


Muita coisa é roubada.
Justamente. Coisas são roubadas.
As coisas mais importantes na vida não são coisas...

É um mistério esta máquina de andar e mexer da gente! Faz, faz. Necessita uns ajustes. Fica com peça gasta. A gente conserta. Às vezes, substitui. Cria ferrugem e até bolor!


Envelhece.

Máquina boa pra ser tratada com todo amor. E cuidado. Cuidar da dor. Máquina preciosa que nos carrega pela vida inteira. Que redundância! Quem não sabe disso? Hummmmm....

Aquela velha e conhecida historinha...
Ser jovem, ter saúde, ter tempo, não ter dinheiro.
Ser adulto, ter saúde,, ter dinheiro, não ter tempo.
Ser velho (ou mais idade! 😁😎😄) ter dinheiro, ter tempo e não ter saúde.
É fato. Mentira. Ter vontade muda tuuuuuudo!

Nesse mundãodeMeuDeus, perambulando por aí, vejo gente de toda idade. O que os faz ir? A despeito de toda dificuldade?

Vontade.


Ontem foi com uma Suiça que conversei. Em portunhol e inglês. Tem grana? Não. Tem vontade. Se precisar, arruma carona, arruma quarto por vinteecinco pilas em Floripa, aplica shiatsu na praia mesmo, com a gente deitada na canga, (lógico que fiz e até cochilei) e uma sessão já paga a diária do camping de hoje!

Tem vontade. Tem dificuldade. Vai. Enfrenta o que vier. E faz!


Já vi, na Europa, muitos casais de cabeça branca com suas mochilinhas, tênis no pé e... Vontade no coração! Passos mais lentos, costas mais arqueadas, mas pra que andar com passos apressados, mesmo?

Já vi gente que não troca férias por dinheiro nenhum no mundo. Trinta dias é sagrado por ano. E fazem milagres... Milagres em viver cada respiro dos trinta dias. Milagres que os trinta dias de desapego a dinheiro extra faz na vida da pessoa. Dinheiro a gente ganha, gente gasta. Todo mundo já ouviu isso. Ganha x, gasta X. Ganha y, gasta y. Lei da matemática. Lei da matemática, nada! Lei da maquinada! Que te transforma em máquina de fazer dinheiro pra alguém. Que não sei quem. Já que você não gasta com você!


Não estou falando de viagens caras.
Não estou falando de ir tão longe assim.
Não estou falando de maluquices. (Se bem que algumas, fazem muito bem! Quem não?)

Estou falando de cultivar o que não são coisas! Desapego ao que se vê. Se compra. Se rouba. Apego ao que faz bem!


Viro criança. Literalmente, viro criança! Me dá uma bicicleta e um à frente pra ir, que vou. Fico faceira de sentir o vento no rosto e sentir o suor dizendo que o corpo está trabalhando. De sentir que estou fazendo ele, o tempo, valer à pena. De degustar a liberdade que ninguém me deu e não comprei. Apenas abracei. Porque liberdade não é produto de mercado. Nasce com a gente. E quem a tranca, somos nós mesmos. Sempre dizendo a ela... "Agora, não! Nao tenho tempo. Estou ocupado. Tenho muitas coisas importantes pra fazer primeiro!" E prefere ser escravo. De si mesmo. De suas escolhas e ambição. De sua cegueira e sua traição. A traição aos seus anseios vitais. Dentre os quais, os SONHOS. Estes que nos mantém vivos. Estes que nos dão motivos para não desistir.

Não tenho mais liberdade que ninguém. A vida de cada um é diferente do outro. Alguns tem filhos pequenos. Alguns, pais idosos para serem cuidados. Alguns, pouca grana. Alguns, estes todos e mais alguns, MEDO. Quando a gente opta por fazer aquilo que gostamos, invariavelmente, pensam que a vida da gente é mais fácil. Atrelam liberdade a isso. E justificam sua falta de ação nisso. "Oooo vida dura, eu tenho!" Não leva a lugar algum pensar assim. Muito menos se iludir que a vida do outro que faz é mais fácil. De ninguém é mais fácil. É diferente! O que muda, é o olhar...


Ahhhhhhhh.... O olhar... Casado com a vontade, transpõe montanhas... Atravessa oceanos... Não leva dinheiro, Nem roupas de marca na mochila. Mas ganha experiências vividas, simplesmente por optar. Este tal de livre arbítrio que tanta gente deixa pro outro fazer por ele.

Não tenho dinheiro.
Não tenho tempo.
Não tenho saúde.
Não tenho coragem.
Não sei fazer.


Dinheiro. Taí tanto jovem fazendo, trabalhando no caminho pra fazer dinheiro. Esta suiça. Um amigo cicloturista que faz artesanato pra vender. Que pega trampo esporadicamente pra fazer renda. Outros amigos que vão e não tem preguiça de arrumar trampo não! Seja no que for.
Dinheiro. 2 Já pesquisou sistemas e aplicativos que te oferecem viagens mais baratas, acomodações mais em conta e nem por isso, menos confortáveis ou charmosas? Cinquenta pilas pro meu bolso num lugar aconchegante como estou. Onde pra tudo, vou de bike... Sem gastar um tostão de combustível. Faço amizades. Não me sinto só, se não quiser. Essa mocinha suiça tem pago entre vinteecincoetrinta pilas por dia. Oferece seu serviço, passando de guarda-sol em guarda-sol, também faz traduções de espanhol para francês e bem poderia fazer ainda para o alemão, inglês, italiano, se quiser. Pois domina todas estes idiomas... 😲🤓


Tempo. Já vendeu férias? Já se programou pra não precisar mais vender? Já usou bem seus finais de semana? Já levantou do sofá, já largou o celular e todas as redes sociais desligadas por alguns dias pra sair de dentro da caixinha e ir viver? Tem gente que na lápide terá de por o celular pregado em cima e constar... "Aqui jaz..."


Saúde. Vai com o que tem. Pode ter certeza. Vai piorar... Não é pessimismo barato. É fato. A curva da vida é ascendente. Topo. Descendente. Inevitável. Pra quem pretende viver até os cem anos ou mais. Off course. Dá pra melhorar cada fase. Ter qualidade de vida. E o principal: parar de se lamuriar pelo que não tem e usar bem aquilo que ainda tem. Porque logo, não tem mais! 🤪🤭😬🙄😜😂 Ao invés de se esconder na dor, vai com dor. Faz o que dá. Garanto que sair da inércia, botar a endorfina pra funcionar, vai trazer mais bem estar do que mais dor. Que vivenciar coisas novas, dará mais prazer que desprazer. E que você vai encher a sua linha do tempo de VIDA. Ao invés de DESvida. Na descida. Pode crer!


Coragem. Ahhhh... O medo... Que ata as pernas. Que paralisa. Que inventa monstros onde não tem. Coragem só se ganha no caminho.
O medo é um castelinho criado no mundo do fazdeconta, botando medo na gente, daquilo que nunca existiu. Não adianta se basear no "E se...." SE é condicional. Algo que pode ser e pode NÃO ser. Basear suas escolhas e sua vida em algo que não é real é, no mínimo, esquisito, não?
Coragem é como tsunami. Um cisco o inicia. Imperceptível quando nasce. Um monstro quando acontece. Derruba tudo no caminho!  Não é que coragem tenha de ser destrutivo, destruidor. Mas a coragem cresce porque fez o primeiro movimento. É o primeiro movimento que todos precisam fazer!


Por fim. Não sei fazer. Quem o sabe? ! Só se aprende a fazer, fazendo.  A vida só tem graça por ser uma caixinha de surpresas. Observar a natureza do nascermorrer, nos mostra que aprendemos para sobreviver! Chorar. Pedir. Fome. Sede. Dor. Ganhar independência ao se mexer para ir alcançar. Um brinquedo, a mão da mãe. O engatinhar. O andar. Então... Onde foi que você se perdeu? Onde foi que desaprendeu a andar?

De todas as desculpas esfarrapadas, escolha todas pra jogar fora. Escolha ir.

As coisas mais importantes não são coisas!