Vamos conversar?

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quarta-feira, 14 de outubro de 2020

Abandonado ou abandono?


Folhas no chão 

Displicentemente, denunciam.

Padrões abandonados.

Não são exatamente os de zelo. Que remetem a cuidados para um sentir-se melhor. Mas de desapego ao que mostra o mínimo aceitável. O padrão estabelecido. 


Um desapego de tarefas que feitas, refeitas, feitas de novo, não acabam nunca. Somente reviram e jogam lixo de um lugar para outro. Até roubando um fim ecologicamente aceitável por outro. Estabelecido e sem fim.


A beira da praia de um final de estação, às vésperas de iniciar a temporada do calor indicam o tempo da natureza. As árvores despem-se de suas velhas roupas. Que mudadas de cor, que brincaram do verde vivo, ao verde escuro até virarem amarelo e marrom, vão desenhando seus vôos do alto ao chão. Não é um despejar-se doloroso. Cumpriram coloridamente seu papel. Adornaram as frondosas árvores, formando sombra e frescor no tempo certo.


Mas desapegadas a ocuparem tempo demais, tempo além, transformam-se noutra roupa. Roupa de chão. Chão de areia. Recobrem as beiradas. Tingem o chão. Compõem nova paisagem. Não se fingem daquilo que não são mais. Aceitam sua transformação!


Vai depender do olhar de quem as vê. Incomodados por lixo. Que não deveria estar ali. E pedem que as retirem daquele lugar que não é o delas.


Não?


Naturalmente, acumulam-se umas sobre as outras. Pouco caso. Nem se atém ao incômodo alheio. Acreditam estar onde deveriam estar. À sombra das novas folhas verdes que vêm surgindo em seu lugar. Despejadas sobre o chão, podem mirar acima delas,a beleza refrescante de quem vem para substituí-las. Não há despeito,  descaso, nem confusão. A natureza aceita. O tempo de cada uma.


Observo. Retenho meus pensamentos. Observo.


Talvez, aceitássemos melhor nossos novos papéis em nossas árvores frondosas, sem nos incomodar com as novas folhas que nascem nos nossos lugares, se compreendêssemos que, cíclica vida que é, não perdemos papéis. Ganhamos outros!


Nossas cores externas mudam. Pois teremos novas tons de adorno. A essência não se basta numa  palheta única de cor. Pede mais. 


Então, nessa infindável e rica transformação, feito folhas que alçam vôos, aprendemos a compor nova tela. 


Não é estar abandonado. Mas abandonar as velhas formas e cores que já não nos contém mais.


A palheta de cores riu-se de si mesma. Enfim, descobriu-se imensa. Enquanto perdia tempo lamentando-se da cor que deixou de ser, não era capaz de ver as nuances todas que havia ganho no seu percorrer...

segunda-feira, 27 de maio de 2019

Caderninho



Sinto vontade de escrever, novamente. Não para os outros, como tenho feito ultimamente. Textos para o blog. Textos legendando fotos para postagens em rede social. Textos que acabam sendo para os outros…

Tenho vontade, hoje, de escrever pra mim mesma. Pois ando perdida. Me perdendo de mim mesma. Sendo engolida por esse ser público, ser vista, ser e fazer e acontecer para todos saberem. Que nem é por saberem, mas por eu mesma fazer saber. Este tempo louco em que vivemos quando tudo é fotografado e contado quase que imediatamente, "online", onde estamos, o que estamos comendo, qual a nossa última superação, qual o atual desafio, qual nossa última vitória, feito, a super mulher ou super homem que nos tornamos pelos feitos que perseguimos e fazemos.

Me pergunto. Precisa isso?

Ando oscilando. Me sentindo perdida. Me sentindo peixe fora d'água. Me sentindo desconectada pelo excesso de conexão. Um misto esquisito de dois pontos extremos. Vontade de sumir, pós períodos, já longínquos e outros mínimos de exposição. Ao mesmo tempo de sentir solidão profunda e machuquenta, necessidade de estar em meio a amigos, a conhecidos, a pessoas, só para não me sentir sozinha e, ao estar, sentir-me só do mesmo jeito. Como se fosse um ser invisível que não estabelece contato algum com ninguém. Que não faz parte de círculo algum. Que se isolou dos amigos,. Muito mais do que de não tê-los. Que se entregou à solidão. Que fechou a porta. E tenho medo dos porquês.

Ando sofrendo. E fazendo de conta que não. Ao mesmo tempo que sinto vontade de pedir ajuda, de procurar gente, gente estranha mesmo, só pra jogar conversa despretensiosa fora, sinto falta da intimidade que se tem apenas com amigos verdadeiros. De família. De companheiro. Estes que já foram sem nunca terem sido. Ou que foram só por um tempo. Ou que eu não fui e o tempo levou. Ou sei lá! Que apenas passaram por um tempo determinado de serem e irem. E eu, idem. Tempo pré-determinado de passagem e existência. E, às vezes, me questiono. Se era para acabarem, ou se fui eu que não me dediquei o suficiente. Se fui eu que me afastei precocemente. Se fui eu que exigi demais. Se fui eu que matei existências, por falta de paciência. Por ansiedade demais.

Gera culpa. É péssimo sentir culpa. Não constrói. Desconstrói. Faz murchar. Desidratar. Desacreditar.

Eu sei que é só uma fase. Que logo passa, como tantas parecidas já passaram. Mas me pego desistindo fácil das coisas. Coisas simples. De ir, logo ali, a três quadras de casa pra mexer o esqueleto. De pegar a minha Magrela parceira, aqui a três passos do meu pé, ali na sacada e ir girar neste sol lindo e quentinho, neste céu azul brilhante e sorridente. Porque parece que tem algo que me amarra as pernas, me paralisa e me faz ter pena de mim. Que me faz me enrolar em mim mesma, quase em caracol, me proibindo, me algemando, me fazendo criar dias e dias sucessivos de frustração de não fazer coisas simples que gosto tanto. Me dando o pesado fardo do fracasso diário. Do não feito. Do que gosto e do que necessito. Enrolando o tempo e sendo engolida por ele. Fazendo, exatamente, o contrário do que sempre faço tanto questão de falar aos quatro ventos. De viver! De ir viver. De sair pra viver. A cada dia. Todo dia.

Antigamente, eu tinha caderninhos. Onde eu escrevia. Pra mim mesma. Tipo diário. Tipo conversando com meu melhor amigo. Tipo desabafo. Confidências. Confessando desejos, tristezas e alegrias imensas. Mas escrito para jamais ser lido por mais ninguém!

Com o tempo, com este prazer imenso que virou escrever para mim, passei a contar historinhas. A escrever por metáfora. Desde poesia a crônica da vida diária. Relatos engraçados de viagens ou narrativas mirabolantes de algumas aventuras. Virou escrita para os outros. E embora, totalmente vindos do fundo da minha alma, embora totalmente sinceros e verdadeiros, vividos em casa uma das cenas, o por pra fora virou "para os outros". Me esqueci de mim. Não é que escrever para os outros esteja errado. De forma alguma. Mas deixei de falar, secretamente, comigo mesma… Exatamente nos moldes do que vivemos hoje. Quando, voluntariamente, nos pusemos dentro de um "Big Brother". Mostrando em tempo real, quase sempre, pois afinal, já ou daqui a pouco, ou hoje mesmo, dá no mesmo, quase tudo o que fazemos! A câmera do celular é acionada num número infinito de vezes por dia. E conversar com amigos, quase sempre, não é olhonoolho. Ligação telefônica exclusiva, de tempo parado exclusivo para se falar com uma única pessoa, é coisa do século passado. Você escreve uma mensagem, ou grava um áudio, enquanto come, enquanto trabalha, enquanto dirige (!!!), enquanto está no banheiro, enquanto anda na rua, a pé, ou faz sua caminhada, enquanto cozinha, faz seu serviço de casa, enquanto… Não pára!

E o tempo, soberano, engole a gente. Implacável, passa. E a gente, pensando que está driblando ele, faz mil coisas ao mesmo tempo. E pensa que está ganhando tempo. Mas está, na verdade, somente descaracterizando necessidades. Com o tempo, a gente acaba descobrindo que fazer mil coisas ao mesmo tempo não é ganhar tempo. É fragmentá-lo. É perder a sensibilidade do tempo.

E uma hora, a gente acorda.

Eu sei que estes sentimentos não são exclusivos de mim. Que muita gente, em algum momento, passa por isso. São indagações. Um sentimento de solidão em meio a multidão. Um duvidar se o que tenho feito realmente é o certo. Um buscar valores reais. Riquezas do coração. Uma necessidade cruel e verdadeira de desapegar-me de modismos. De movimentos que venham em avalanche. Engolindo quem está no caminho, nem que seja por acaso, ou por acidente. E não por vontade. De olhar, sinceramente, para o que todos somos, no final das contas e do caminho e ver se faz sentido, tanta correria no tempo, tanta impaciência com o que demora, tanta reclamação no trânsito, tanta ânsia de superar ou vencer. Vencer o quê?

É como se fosse a entrada numa bolha, onde você se vê sozinho, isolado, o mundo acontecer lá fora, sem você pode fazer nada. E ver que, oras bolas, veja só, absurdamente, ele continua girando e acontecendo, sem você! E que a vida não é ingrata com você quando isto acontecer. Ela apenas segue seu curso. Assim como você deve seguir o seu. Seguir o seu curso no seu tempo. Pois ele tem uma placa de "FIM" em algum lugar que você não sabe onde é.
sentido à vida.

A vida é um sopro.

domingo, 17 de março de 2019

O medo


Medo de fins.
Que impedem e bloqueiam inícios.
Medo de inícios que impedem viver.


Medo do caminho.
Que sequer foram percorridos.
Medo de percorrer que impedem de viver.


Medo do novo.
Que não devem ser comparados ao já vivido.
O vivido já passado que impede de viver.


Medo de ser mexido.
Medo de ser incomodado.
Medo de sair do conforto hábito de não viver.


Medo de novas decisões.
Medo de fundir a cabeça.
De não poder usar as mesmas respostas.
Os mesmos comportamentos.
Os mesmos rótulos.
Os mesmos discursos.
Que funcionaram de outra vez.


Medo de fazer palpitar o coração.
Então…
Pra que viver?


Medo de ter atitude e ação.
Será?
Não precisa mesmo, nada, nada fazer?

Medo que faz usar a mesma desculpa de sempre.
Não é hora!
Não estou pronto.
Nãosei. Nãosei. Nãosei.

Será?


Quem dera houvesse a fórmula.
O despertador que indicasse a hora.
Do “está perfeito!”
“É agora!”
Pra dar o start que te falta pra fazer.

O que você não sabe, apesar de saber,
É que o ponteiro certeiro não pára de se mexer.
E não inventaram o botão de ligar o status de “pronto”.
Não inventaram o perfeito momento de ser.

O medo que você sente
É o mesmo medo de toda gente
Só que com outro ingrediente.

É medo de viver!


Medo do fim?
Medo do início?
Quem dera…

O fim, inevitável,
Apenas demarca a exata hora do não mais poder.
O início, intimidador, única forma de passar pela dor.
Única forma de sobreviver.


Medo. Medo mesmo, tenho do tempo.
Este sim não reside num futuro incerto.
O tempo, sim, me cerca o tempo todo.
Me perguntando diariamente
“O que você tem feito comigo?”

Ah… E a esta pergunta, sim, terei de responder…
Hoje.
Porque tão rapidamente ele se vai.
Tão certo, tão cedo, desassossego.
De se ir sem percorrer…

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

Feznãofez? Feznãofez?



Um dia, vou mandar uma foto lá de cima de uma estrela. Dizer que a viagem foi ótima. Um pouco assustadora. Com clarões e escurões no caminho, feito relâmpago em tempestade à noite.
Vou dizer que tive de correr e apertar a perna um bocado nas subidas, mas que também soltei a perna nas descidas. E que o vento foi generosos e me refrescou o caminho todo, em brisa.


Vou fotografar o caminho todo, escolher as fotos mais significativas e mandar. Pra vocês poderem entender um pouco do que falo sobre esta delícia de ir na estrada deslizando. Sobre esta faceirice de passar pedalando, feito criança em bicicleta, fazendo arte.

Talvez, eu nem saiba escolher direito qual foto mandar. Porque cada uma tem uma história. E todas, todas uma história de amor comigo.

Mas eu vou estar de cima de uma estrela, e não terei a vasta opção de escolher tantas fotos assim. Na verdade, será como se fosse um último envio. Aquele momento de escolher as que marcaram mais. E ai de mim, escolher deixando de fora, tantos momentos importantes congelados na memória!


Então, matutando um bocado, um bocado mais, fico remoendo a vontade de incluir tantos CLICS no tempo. E, vejo, é rico isso! Não é motivo de desespero não saber escolher. É gozo puro! É possuir um leque gigantesco de um tempo bem vivido. É ter multiplicado o tempo, não por ter corrido demais nele. Pelo contrário. Por ter parado nele, para apreciar.

Ai que ando mexelona na alma… Observando despedidas. Observando o que o tempo vai fazendo com a gente. Vendo um espírito jovem (toda vida!) ganhar cara de senhora! Vendo um fio delimitar idades, pondo pra lá, ou pra cá, gerações. E ver que eu pertenço a de lá! Não. Não é lamuriar idade. De forma alguma. Este espírito atrevido e jovem, permanece jovem. Mas o tempo passa para todos. E vai ficando escasso, pedindo espaço para certas coisas…


Urge. Urgem vontades. Urgem anseios. Urgem segredos que vão perdendo a vergonha de existirem. Porque sabem que ele, o tempo, não parou nunca de passar. E fica como luz piscando, perguntando: “Feznãofez? Feznãofez?” como se brincasse maroto, me provocando a coragem. Coragem.

Meus medos foram outros. Diferentes dos seus. Diferentes dos outros. Minha falta de coragem é outra. Diferente da sua. E de todos os outros. Minha coragem também foi de atrevimentos diferentes dos seus. Pura lei da sobrevivência. Cada um na sua ação de sobrevivência. Meu afogamento foi outro. Meu asfixiamento foi outro. Cada um sabe o seu. O meu grito por liberdade nasceu de medos meus. O meu grito por querer viver, sei eu, o que o provocou. Nada, nada parecido com os seus. Me sobra coragem para os seus medos. Me sobra medo para a sua coragem.

Eu preciso conversar comigo mesma. Eu preciso reachar o botão ON que eu perdi em mim. Acho que sobrecarreguei a bateria. Vou formatar o tudo.


Lá de cima de uma estrela, vou olhar o caminho que percorri. Será a hora certeira de ver que valeu à pena. Que muita coisa escolhi. Muita coisa foi escolhida pra mim. E que permanecer no caminho, ou não, cabe a mim.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

Floripa, Ilha da Magia!


Já me perguntaram o porquê deste nome. Não soube responder. Vou tentar.

Conheci Florianópolis, quando pequena, junto do meu pai. Viajeiro e fotógrafo de coração, sempre inventava viagens em família. Eu me lembro bem de fotos nossas com a ponte Hercílio Luz ao fundo. Eu bem meninota, fazendo pose!

Éramos em seis. Meus pais e nós, quatro filhas meninas. Então, sempre uma ficava de fora da viagem por não caber no carro. Naquela época, não havia exigência de cinto de segurança e, muitas vezes, fazíamos caminha no chão do carro no fundo. Uma ia dormindo no banco traseiro, outro no chão, quando íamos em quatro

Eu  me lembro que fiquei toda cheia pois, conforme meu pai dizia, tínhamos ido conhecer, numa única viagem, cinco capitais brasileiras. Florianópolis, Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro e… Niterói! Que naquela época, era capital do Estado do Rio de Janeiro. Enquanto o Rio de Janeiro era capital do Distrito Federal. Alguém se lembra disso? Só os cinquentões…

Florianópolis não sei de quando é chamada carinhosamente de Ilha da Magia. Com todas as vertentes sobre suas explicações, vou inventar a minha!


Um lugar que se reinventa e nos faz reinventá-la, nos faz nos redescobrirmos e descobrirmos novas facetas em nós mesmos, só pode ser mágico! Falo muito de redescobrir o que já somos. E isto é fantástico para quem anda se esquecendo quem é. Mas existe este lado de descobrir possibilidades a partir do que já se é e que nunca haviam sido pensadas.


Já passei pela ilha como filha criança. Como universitária com o grupo de amigos da faculdade. Como esposa em família. Como mãe de criança. Como atleta em corrida na Volta a Ilha. Como mãe de adultos. Como ex professora de aluno que correu atrás de seu sonho e contra tudo e quase todos, formou-se em medicina. Como namorada. Como viajante solo, mochileira, trilheira, embora motorizada, que gira a ilha em bicicleta. Como Cicloturista em Ciclotour, que veio ficar uns dias sem usar quatro rodas. Como viajeira flexível que torce o nariz porque não ia usar as quatro rodas, mas que para levar os meninos do AirBnB que estão na ilha pela primeira vez, possam conhecer mais dos cantinhos escondidinhos da ilha, pega o carro e vai.

Como um saco surpresa que resolve no dia o que vai fazer neste dia.


Se não houver magia, vira cardápio. Aquilo que você olha e sabe o que vai pedir. Escolhe o que vai comer. Engole sem degustar diferente, porque mesmo que tenha escolhido no menu, algo nunca apreciado, faz ideia. Imagina. Prevê.

Algo mágico é como se você vedasse os olhos e alguém te trouxesse algo para saborear, sem nem saber a forma, a cor, o sabor. Fica toda sentidos, como se dependesse, exclusivamente, de perceber. Sem adivinhar.

Compreende?


Sabe aquela Cartola do Mágico que você olha, marota de longe, sem saber se sai coelho, se sai pomba, se sai ou some o que você vê?

A Cartola. A Ilha Mágica é assim. Feito Cartola. Atraindo olhares faiscantes que procuram lá dentro, olhando de longe, o que surgirá!

Passei por lugares tantas vezes pisado, podendo pisar diferente. A bicicleta me proporcionou um passar mais vagaroso por estradinhas e entradinhas que convidavam. Também me fez passar ligeira na hora da fila cheia de motores mal humorados. Que me deixavam mais faceira, ainda, algumas vezes, sacando a câmera para filmar pra poder dizer pra todo mundo… #vaidebike #debikeemelhor #umcarroamenos #soporhojeexperimenteabike #bikeevida #cicloviaerespeitoavida

É até engraçado. Esticar os anos de vida, ter mais anos de vida, ter outras vidas pra se viver tudo que não se conseguiu viver, é sonho de muita gente. Mas, então, você descobre que dá pra reiniciá-la sem virar bebê. Iniciando num ponto de maturidade, ideal onde você já tomou seus tombos, já aprendeu no amor & na dor a dar importância ao que é importante. Como se já partisse tendo lido o manual de instrução do básico. Mas tem em mãos e nos pés, o meio para fazer diferente. O meio para experimentar diferente. Quase como fosse outra vida. E é!



Para quem pôde experimentar a cidade noutros meios, seja a pezão, busão, carona, avião e carro, passar pela ilha em bici é mágico! Isso! Mágico! Você sai sem pressa, não se estressa, toma vento no caminho que te refresca e, se quiser, prende tudo no guidão ou garupeira, abaixa a blusa na cintura e vai pelo caminho todo se bronzeando… Quer mais?

É de graça.
Não polui.
Autossuficiente.
Energia gratuita.
Academia gratuita.
Saudável.
Faz (mais e mais e mais) saudável!
Apaixonante


Bicicleta e a ilha orna. Pra quem não tem, já até tem a bicicleta por aplicativo. Pra zanzar, nos moldes já existentes em cidades européias e algumas brasileiras. Explico. Baixa o aplicativo em seu celular. Escolhe o plano desejado, de acordo com o tempo que pretende usufruir o serviço. Horas, dias, semanas, mês. Efetua o pagamento. Abre o aplicativo. Visualiza, no mapa, onde encontra a mais próxima. Vai até ela. Destrava pelo QRCode. Sobe e usa. Quando chegar ao lugar desejado, trava a bici para liberá-la para o próximo usuário, desvinculá-la de seu nome. Pronto. Rodou pela ilha em plena temporada, sem parar, uma única vez, em filas de congestionamento!

Mais.


Você descobre que é capaz de sair de sua zona de conforto. Que 10 km vira pouco rapidinho. Que pode e consegue superar pequenas distâncias. E elas vão ficando cada vez maiores em km e menores em dificuldade.

Mais?

Inspira outras pessoas. Que para usar a bici não precisa ser atleta. Se quiser, você pode até virar! Mas você pode sair sem roupinha de modinha, de shorts, saia, sandalinha, vestidinho, arrumadinha, capacete é bom e só. Que aos poucos, ela vai virando um prolongamento de seus membros. Porque aquilo que faz bem pra gente, vira um pouco a gente e a gente também. Numa osmose positiva de incorporar (preste bem atenção à palavra!) quem nos dá asas pra ir… sem fim!


A bicicleta faz a ilha se Mágica pra mim!

domingo, 27 de janeiro de 2019

Mas eu sou tão feliz!


Não é uma questão de ingenuidade rasa.
É opção. Profunda de sobrevivência.
Não é alienação do mundo fora.
É percepção do mundo dentro.
Este. Imediatamente meu, do qual dependo.
Não se trata de ignorar infelicidades diárias.
E viver numa bolha.
Mas de não optar por discursos que não me pertencem.



Posso e devo falar com propriedade daquilo que vivo, realmente.
Ser feliz não é conquista.
Não é medida.
Não é, tão pouco, sorte de quem se diz feliz.
É opção. De ter, diariamente, nem mais, nem menos motivos para ser infeliz.
Mas de escolher a cada dia, uma palavra, um gesto, uma ação, um bem ao outro. Um bem pra si.
O caminho que dê paz.
Um seguir, voltando atrás.



Um reconhecer um erro.
O pedir perdão. O perdoar.
Os outros e a si mesmo.
É se livrar de pesos mortos.
É renascer todo dia.
Abraçar a vida todo dia.
Mesmo que tudo indique nãos.
Acreditar nos sins.
Porque ação nasce da decisão.
Você só faz aquilo que acredita.
É preciso acreditar em ser feliz!



quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

Nada é por acaso


Já se pegou tentando entender o porquê de tantos senãos?
Já parou pra ver que algumas coisas acontecem enxeridamente, sem serem planejadas?
Já teve seus planos cabalmente postos abaixo, como se você não mandasse nada na sua vida?
Já foi pego de surpresa, vivendo uma situação que nunca se imaginou?

Tsc, tsc. Nada é por acaso!

Olhe só. Onde eu escolhi estar fica a quase três mil quilômetros de onde estou. Por que será?

Acasos…

A vida costuma me por freios. Me forçar paradas. Mudar meu rumo. Sem me perguntar. Costuma me dar presentes, também, sem me perguntar. Acho que na balança, está tudo bem, então!

Muitas coisas que planejei, consegui fazer. Várias outras, não. As que consegui entraram para minha vida. Me construíram. Me desafiaram. Me fortaleceram.


Veja só. A corrida apareceu de sopetão. Quem não conhece a história do tarado no lago que me fez correr, após dezenove anos sem saber se ainda conseguia? (Esta história tem um longo post contando!)

A bike fez parte. Foi rejeitada. Esquecida. Engavetada. Só foi acionada, porque eu estava proibida de correr. Tipo, não pode com as pernas, vai com rodas! E aí, o acaso virou um abraço. E um longo caso de amor…


As portas fechadas me trouxeram tanto de bom… Em trinta e quatro anos de prefeitura, trabalhei numa porção de escolas… Onze escolas! Mais os onze anos na Secretaria de Educação. Talvez, as escolas não tenham sido escolhas. Tenham sido oportunidades! Assim como passar tanto tempo atrás de uma mesa, trabalhando com números e pessoas.


Em cada um dos lugares por onde passei, criei radículas. Não raízes como meus amigos que permaneceram só numa, ou duas escolas a vida toda profissional. Eles todos criaram raízes profundas. Amizades mais profundas. Eu, por outro lado, passeei por jardins diferentes. Conheci uma diversidade de pessoas. Fui uma nômade profissional! 😱😄 E com isso, aprendi a olhar diferentes pessoas.

O mais engraçado, é que com o passar do tempo, você percebe que os frutos são os mesmos. Que amizades se perdem. Que alguns permanecem. E a afinidade fica. E quando não há, a gente aprende a aceitar a pessoa do jeito que ela é. E percebe que ter muita opinião é bobagem. Porque vira aquele chato que sempre tem, ou quer ter razão. Aquele donodaverdade que sempre tem o melhor conselho, a crítica mais inteligente, a fórmula mágica pra você parar de errar. Erros nossos, na opinião dele.



A vida foi me colocando um leque tão grande de pessoas que mesmo tendo criado radículas, os galhos deram folhas e flores. E , eventualmente, percebo que há frutos. E que, talvez, eu nem seja este tipo de pessoa que gosta de aprofundar raízes. Tenha mesmo o pé na estrada da vida, rodinhas nos pés, asas no coração.

Acaso é o antônimo de rotina. Previsível. Receita de bolo. Bula. Daquilo que sempre acontece do mesmo jeito. Que se sair um parafusinho do lugar, desmonta. Acaso é redondo. Rotina é quadrado. Redondo vai com a vida. Se adapta. Vira, desvia, muda o rumo, não para. Quadrado estaciona. Fica sempre do mesmo jeito. Não muda. Não sabe olhar pro lado. Porque, embora em forma de cubo, tenha vários lados, só olha pra um.


Acaso, pode se dizer, é o tempero surpresa da vida! O jato de tinta de cor que te pega desprevenida. A onda de mar que te derrubou. Te encheu de areia, mas te acordou. A perda do emprego, o término de namoro, a mudança inesperada de casa, de trabalho, de estado civil, de estado de saúde. São sustos que nos chacoalham porque daquele jeito estático não estava bom! Acaso é a vida te oferecendo outro caminho, você, teimoso, achando que é um não. É uma porta se abrindo porque outra se fechou.

Para acasos, é melhor ter gratidão. Parar de nadar contra. Choramingar à toa por algo que tinha prazo de validade, valeu e acabou. Porque caminhos novos, possibilidades novas, olhares novos só tem o clique “ON” se o outro desconectou.


As coisas mais importantes não são coisas!




Essa alegria, ninguém me tira!


Muita coisa é roubada.
Justamente. Coisas são roubadas.
As coisas mais importantes na vida não são coisas...

É um mistério esta máquina de andar e mexer da gente! Faz, faz. Necessita uns ajustes. Fica com peça gasta. A gente conserta. Às vezes, substitui. Cria ferrugem e até bolor!


Envelhece.

Máquina boa pra ser tratada com todo amor. E cuidado. Cuidar da dor. Máquina preciosa que nos carrega pela vida inteira. Que redundância! Quem não sabe disso? Hummmmm....

Aquela velha e conhecida historinha...
Ser jovem, ter saúde, ter tempo, não ter dinheiro.
Ser adulto, ter saúde,, ter dinheiro, não ter tempo.
Ser velho (ou mais idade! 😁😎😄) ter dinheiro, ter tempo e não ter saúde.
É fato. Mentira. Ter vontade muda tuuuuuudo!

Nesse mundãodeMeuDeus, perambulando por aí, vejo gente de toda idade. O que os faz ir? A despeito de toda dificuldade?

Vontade.


Ontem foi com uma Suiça que conversei. Em portunhol e inglês. Tem grana? Não. Tem vontade. Se precisar, arruma carona, arruma quarto por vinteecinco pilas em Floripa, aplica shiatsu na praia mesmo, com a gente deitada na canga, (lógico que fiz e até cochilei) e uma sessão já paga a diária do camping de hoje!

Tem vontade. Tem dificuldade. Vai. Enfrenta o que vier. E faz!


Já vi, na Europa, muitos casais de cabeça branca com suas mochilinhas, tênis no pé e... Vontade no coração! Passos mais lentos, costas mais arqueadas, mas pra que andar com passos apressados, mesmo?

Já vi gente que não troca férias por dinheiro nenhum no mundo. Trinta dias é sagrado por ano. E fazem milagres... Milagres em viver cada respiro dos trinta dias. Milagres que os trinta dias de desapego a dinheiro extra faz na vida da pessoa. Dinheiro a gente ganha, gente gasta. Todo mundo já ouviu isso. Ganha x, gasta X. Ganha y, gasta y. Lei da matemática. Lei da matemática, nada! Lei da maquinada! Que te transforma em máquina de fazer dinheiro pra alguém. Que não sei quem. Já que você não gasta com você!


Não estou falando de viagens caras.
Não estou falando de ir tão longe assim.
Não estou falando de maluquices. (Se bem que algumas, fazem muito bem! Quem não?)

Estou falando de cultivar o que não são coisas! Desapego ao que se vê. Se compra. Se rouba. Apego ao que faz bem!


Viro criança. Literalmente, viro criança! Me dá uma bicicleta e um à frente pra ir, que vou. Fico faceira de sentir o vento no rosto e sentir o suor dizendo que o corpo está trabalhando. De sentir que estou fazendo ele, o tempo, valer à pena. De degustar a liberdade que ninguém me deu e não comprei. Apenas abracei. Porque liberdade não é produto de mercado. Nasce com a gente. E quem a tranca, somos nós mesmos. Sempre dizendo a ela... "Agora, não! Nao tenho tempo. Estou ocupado. Tenho muitas coisas importantes pra fazer primeiro!" E prefere ser escravo. De si mesmo. De suas escolhas e ambição. De sua cegueira e sua traição. A traição aos seus anseios vitais. Dentre os quais, os SONHOS. Estes que nos mantém vivos. Estes que nos dão motivos para não desistir.

Não tenho mais liberdade que ninguém. A vida de cada um é diferente do outro. Alguns tem filhos pequenos. Alguns, pais idosos para serem cuidados. Alguns, pouca grana. Alguns, estes todos e mais alguns, MEDO. Quando a gente opta por fazer aquilo que gostamos, invariavelmente, pensam que a vida da gente é mais fácil. Atrelam liberdade a isso. E justificam sua falta de ação nisso. "Oooo vida dura, eu tenho!" Não leva a lugar algum pensar assim. Muito menos se iludir que a vida do outro que faz é mais fácil. De ninguém é mais fácil. É diferente! O que muda, é o olhar...


Ahhhhhhhh.... O olhar... Casado com a vontade, transpõe montanhas... Atravessa oceanos... Não leva dinheiro, Nem roupas de marca na mochila. Mas ganha experiências vividas, simplesmente por optar. Este tal de livre arbítrio que tanta gente deixa pro outro fazer por ele.

Não tenho dinheiro.
Não tenho tempo.
Não tenho saúde.
Não tenho coragem.
Não sei fazer.


Dinheiro. Taí tanto jovem fazendo, trabalhando no caminho pra fazer dinheiro. Esta suiça. Um amigo cicloturista que faz artesanato pra vender. Que pega trampo esporadicamente pra fazer renda. Outros amigos que vão e não tem preguiça de arrumar trampo não! Seja no que for.
Dinheiro. 2 Já pesquisou sistemas e aplicativos que te oferecem viagens mais baratas, acomodações mais em conta e nem por isso, menos confortáveis ou charmosas? Cinquenta pilas pro meu bolso num lugar aconchegante como estou. Onde pra tudo, vou de bike... Sem gastar um tostão de combustível. Faço amizades. Não me sinto só, se não quiser. Essa mocinha suiça tem pago entre vinteecincoetrinta pilas por dia. Oferece seu serviço, passando de guarda-sol em guarda-sol, também faz traduções de espanhol para francês e bem poderia fazer ainda para o alemão, inglês, italiano, se quiser. Pois domina todas estes idiomas... 😲🤓


Tempo. Já vendeu férias? Já se programou pra não precisar mais vender? Já usou bem seus finais de semana? Já levantou do sofá, já largou o celular e todas as redes sociais desligadas por alguns dias pra sair de dentro da caixinha e ir viver? Tem gente que na lápide terá de por o celular pregado em cima e constar... "Aqui jaz..."


Saúde. Vai com o que tem. Pode ter certeza. Vai piorar... Não é pessimismo barato. É fato. A curva da vida é ascendente. Topo. Descendente. Inevitável. Pra quem pretende viver até os cem anos ou mais. Off course. Dá pra melhorar cada fase. Ter qualidade de vida. E o principal: parar de se lamuriar pelo que não tem e usar bem aquilo que ainda tem. Porque logo, não tem mais! 🤪🤭😬🙄😜😂 Ao invés de se esconder na dor, vai com dor. Faz o que dá. Garanto que sair da inércia, botar a endorfina pra funcionar, vai trazer mais bem estar do que mais dor. Que vivenciar coisas novas, dará mais prazer que desprazer. E que você vai encher a sua linha do tempo de VIDA. Ao invés de DESvida. Na descida. Pode crer!


Coragem. Ahhhh... O medo... Que ata as pernas. Que paralisa. Que inventa monstros onde não tem. Coragem só se ganha no caminho.
O medo é um castelinho criado no mundo do fazdeconta, botando medo na gente, daquilo que nunca existiu. Não adianta se basear no "E se...." SE é condicional. Algo que pode ser e pode NÃO ser. Basear suas escolhas e sua vida em algo que não é real é, no mínimo, esquisito, não?
Coragem é como tsunami. Um cisco o inicia. Imperceptível quando nasce. Um monstro quando acontece. Derruba tudo no caminho!  Não é que coragem tenha de ser destrutivo, destruidor. Mas a coragem cresce porque fez o primeiro movimento. É o primeiro movimento que todos precisam fazer!


Por fim. Não sei fazer. Quem o sabe? ! Só se aprende a fazer, fazendo.  A vida só tem graça por ser uma caixinha de surpresas. Observar a natureza do nascermorrer, nos mostra que aprendemos para sobreviver! Chorar. Pedir. Fome. Sede. Dor. Ganhar independência ao se mexer para ir alcançar. Um brinquedo, a mão da mãe. O engatinhar. O andar. Então... Onde foi que você se perdeu? Onde foi que desaprendeu a andar?

De todas as desculpas esfarrapadas, escolha todas pra jogar fora. Escolha ir.

As coisas mais importantes não são coisas!