Vamos conversar?

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quarta-feira, 14 de outubro de 2020

Eu gosto da minha companhia


Estranho se mandar pra um lugar pra passar seu aniversário solo?


Imagina...


É preciso estar muito bem consigo mesmo para isso. E de tantos momentos vividos, felicitude é uma definição para feliz plenitude.


Não vendo perfeição. Não!

Nem tampouco, alegria perene. Abobada. Faz de conta.

A vida, esta verdadeira cá fora, pede serenidade e equilíbrio. Porque para quem opta viver verdadeiramente, é preciso passar por oscilações. E só é possível entender e sentir o que vem, quando se fica sem.


Há barulho. 

Há silêncio.

Há amigos.

Há solitude.

Ha escuros.

Há clarões tão óbvios.

Há vazios.

E preenchimentos.





Eu gosto da minha companhia!

Sou chata. Mas chatices fazem parte de mim. Assim como empolgamentos contagiantes que arrastam pessoas a acreditarem e irem fazer aquilo que eu acredito e faço questão de dizer que vale à pena crer.


Já tive muitos medos.

Aprendi a lidar com eles. Não que desapareçam, por completo, exatamente.

Mas eles fazem um trato comigo e eu com eles. No final, a gente se entende. A convivência com o que nos assusta, nos tira o chão, nos faz enxergar coisas, viver e sentir aquilo que quem é refém do medo não vive. Viver apenas de certezas não é exatamente viver. Mas um "deixar ir". E, definitivamente, prefiro ter surpresas no caminho. Perder a respiração de susto, de paixão, de perder o chão, mas de ganhar o vôo. Porque é nesta hora doida de não sentir o chão abaixo dos pés que se descobre que se sabe voar. É sofrendo extremas emoções que também se vive o bem e o mal.  O sim e o não.


Eu brindo a vida! O tempo é este hoje faceiro que me convida, incansavelmente, a estar nele e com mais ninguém. Sabido ele. O que foi já foi. O que não aconteceu, não é. E esta vida, louca vida que me convida me convence.

Quero é viver cada segundo por vez.





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quinta-feira, 8 de outubro de 2020

A hora do espelho



Eu te seguro e você me segura.

Ok?


Minha força vem de algo muito além de mim.


No interior reside minha força. A que nunca me abandona.


Não fosse assim, ai de mim!


Fé. 

Gentileza.

E tantas palavrinhas que viram modinha mas precisam ser vividas verdadeiramente, muito mais no coração e ação do que em publicação.


Existem momentos singulares. Únicos. Onde tudo some à volta e fica ali você e você. Nada mais. Sem poder fugir, o diálogo se inicia. 


Momento duro este, não?


O diálogo mais revelador é este. A sós, se ouve a si mesmo. Este serzinho que você sempre deixa pra depois. Pra quando sobrar tempo. E se deixa engolir por ele, o tempo e pela "falta" dele.


Ironicamente, nestes momentos, é como se você se deparasse com no espelho. E pah! Desse de cara com um estranho. Senhor, senhora, senhorita, rapaz. 


Rapaaaaaazzz! Quem é esse aí??? Estranha o estranho. A estranha. E ele parece chatamente, repetir todos os movimentos que você faz. Te tirando... Demora pra você perceber a brincadeira. Não é brincadeira. É você!


Refeito do choque, inconformado, você, ainda contrariado, esboça um "oi, você aí".


Senha dada. A conversa acontece. Tímida. Mas sedenta de acontecer. 


  • Por onde você esteve?

  • Quem? Eu?

  • Ué. Quem mais?

  • Oras… Andei ocupado. 

  • Ocupado… Com importâncias? Ou desimportâncias?

  • Óbvio. Importâncias. Quer dizer…

  • Quer dizer?

  • Calma. Me deixe pensar!

  • Sim?

  • Acho que andei correndo pro lado errado da vida…


Conversa que vai e promete.

Bom quando isso acontece a tempo de inverter a corrida. Melhor. De desacelerar esta corrida. E brisar um pouco. Refrescar-se e perceber o tempo de olhos fechados, somente.


Neste estar a sós, revelações acontecem. Os teus próprios segredos, escondidos e abafados abaixo de sete palmos de pesadas pedras. Porque certos segredos vão gerar um desconforto gigante em você. Te provocando decisões. Mudanças. E, afinal. Quem é que quer ter o trabalho de mudar alguma coisa, se o cômodo caminho do "de sempre", vai no piloto automático. Não requer nem pensamento, nem emoção. Quem é louco de querer pensar e sentir…


Eu.




quinta-feira, 10 de setembro de 2020

O copo. Meio vazio? Ou meio cheio?




Sabe a história do copo?

Meio cheio?

Ou

Meio vazio?

Faz toda a diferença como você vê o espaço.

Que falta?

Ou

Já preenchido?


Este tempo...

De parada?

Ou

De pausa?

Parou?

Ou

Está apenas respirando, retomando o fôlego pra prosseguir melhor ainda?


E esta falta de vento e estrada. Pra quem é de vento e é de estrada? Como faz?

Tem ausência, sim.

Mas tem lembrança. Muuuuuita lembrança.

Que não é saudosismo melancólico. Que lamenta, lamuria que não está fazendo nada. 

Mas que aproveita aquecer o coração com tantas lembranças de tantas andanças, pedalanças, mochilanças afora.


O espaço pode ser um vazio. Uma ausência.

Ou.

Pode ser a possibilidade de preenchê-lo ainda mais?

Percebe?

Fins podem ser apenas inícios disfarçados. Que anunciam boas novas a acontecer.


Se fosse em rolinho de filme de 36 poses, eu teria muitos negativos guardados revelando cenas vividas de verdade.

Foi-se a época da fotografia analógica. Vem a digital.

E o mergulho por imagens são sempre envoltos de histórias.

A vivida naquele momento.

A lida por quem se depara com a imagem.

E vice versa.

Porque mesmo a mesma cena provoca um personagem diferente daquele instante que já se foi.

É por isso que escrever é infinito. Como a história do rio e do barco. A história nunca se repete. Nem um, nem outro se encontram novamente. Pois ambos retornam num novo encontro, como passantes diferentes.


Copo meio cheio?

Ou.

Meio vazio?


A vida assim é.

Depende do olhar.


Saudade?

Ou

Lembrança?

quarta-feira, 9 de setembro de 2020

E... Se?

 



E...se...

Eu cair?

Como saber, se não ir.


E se o tempo fechar?

E se ele estiver apenas fechando a cortina pra você ir lá desvendar?


E se for difícil?

E alguém aprende com o que vem fácil?


E se eu me perder?

Dá pra aprender até mesmo onde você nunca esteve.

Na verdade, foi me perdendo que me encontrei...


E se acharem que sou louco?

Ué? A recíproca não é verdadeira?


E se eu caminhar sem parar e não chegar a lugar algum?

O caminho inteiro eram lugares. E você encontrou todos.


E se chegar ao fim?

É bom você chegar a ele carregado de certezas feitas, ao invés das traidoras dúvidas que te prendem os pés na incerteza que te acusa de incapaz.


E se chegar ao fim cheios de "ses" sempre terá estado a espreita do precipício. Na curiosidade angustiante do não saber o que há lá. Na eterna dúvida de se...


Saberia levantar.

Se haveria sol ou chuva.

Se o deleite seria com um ou outro.

Se desataria nós de aprendizado.

Se encontraria tesouros dentro de si mesmo.

Se gargalharia da loucura alheia.

Se se apaixonaria por cada lugar, por cada sorriso recebido. Por cada respirar permitido por ter ido.

Se o fim era mesmo a plaquinha lá no final. Ou se era a inicial. Aquela que você colocava a cada vez que parava diante da placa do "se".


A vida é um sopro.


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segunda-feira, 11 de maio de 2020

Pequeno Príncipe



Gosto das palavras simples, das histórias simples, das histórias que parecem ter sido escritas para crianças. Só parecem. Pois escondem - e revelam - mensagens profundas pra ressuscitar a alma.

Gosto de palavras que vêm dizer a alma pra recusarem o convite de se tornarem aceitáveis, adultáveis, se isso significar perder a essência, a decência, a leveza, a certeza de ser o retrato fiel de seu coração.

Não é proibido virar adulto.
É abominável é esquecer de ser criança.
De ter a sapequez.
De ter gargalhadas sempre prontas a ecoar.
De rolar de rir. De si mesmo. De chorar se dói o coração de saudade. Até de saudade de quem ainda está com a gente. Só porque queria que fosse pra sempre.

Não é proibido virar adulto, se se prometer nunca esquecer daquilo que faz bem. De rolar no trigal com o amigo inesperado. De ter uma rosa especial que ganhou teu coração. De se deixar cativar. E cativar também, sem os medos daquilo que nem aconteceu.

Ler o livro, ou assistir a esta singela película aquece o coração. Neste tempo estranho de isolamento. Mas em qualquer tempo. Porque isolamento é algo muito mais antigo e acontecível do que pensam todos.
Isolamento é viver desesperadamente o amanhã, programando tudo e seguindo a risca o plano do dia que você não alcança nunca, por mais que corra.
Isolamento é viver o ontem. Que abriga o passado das histórias dos outros. Dos pais, da família, dos amigos. E daquele bicho estranho que você já foi e não é mais.
Isolamento acontece com a gente a todo tempo quando a gente não se reconhece, não se escreve a lápis, se permitindo apagar, porque depois que aprende a escrever tem de usar caneta... Porque virou gente grande.
Grandes mentiras que adoecem. Que aprisionam em estereótipos que não são os seus.
A vida tem de ser leve. Pra alçar vôo em rabo de foguete, de pipa, de avião de piloto que conheceu o Pequeno Príncipe.
Alçar vôo no vento do seu pensamento. No profundo do seu sentimento. No aconchego do seu momento.

E só.

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