Vamos conversar?

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quarta-feira, 14 de outubro de 2020

Imensidão




Conhece imensidão?


Imensidão a gente conhece quando se reconhece minúsculo.

Quando está diante de algo espetacularmente gigante. Grandioso. Inigualável em grandeza, realeza e infinitude.


Quando a gente se encontra na natureza e se vê diante de espetáculos, assim graciosos,  por serem realmente graça pura, sem ingresso a ser pago, percebo minha pequenez, minha finitude, a minúscula parte que tenho na autoria deste projeto.


Tenho buscado fonte de inspiração e tenho conseguido isso na não autoria de presentes recebidos. A briga interna travada da gente com a gente mesmo, da gente com toda gente na disputa de definir valores sempre volta à estaca zero.


Valor?


Valor mesmo valioso é poder buscar simplicidade e este olhar. Não importa se não se tem a imensidão do mar a sua frente, esbanjando esse infinito que me indaga o que tenho feito com meu tempo finito.

Que me instiga como se me provocasse. 



Tempo?


O que tem feito com seu finito tempo?





Seja nas ondas do mar que se agita e se joga sobre as pedras. Seja no vento que está o tempo todo aí e não o vemos e, talvez por isso mesmo, se encha de força e passa bravamente deixando marcas por onde passa pra gente lembrar que ele pode ser brisa e pode ser fúria. De fazeres extremos e opostos.


Quando saio pra andar num lugar desse e penso que por uma fração de segundo não fico lá onde estava e venho, penso. Que esta imensidão, este mar, o vento e o tempo nunca deixaram de estar. Somos nós os ausentes desta história. Que não abrimos a porta pra passar.


Parece familiar?


Estar entre paredes de concreto, nas mesmas paredes de sempre, diante de uma tela retangular que te hipnotiza é, pra azar nosso, livre arbítrio. O dono do estrago não é outro, senão nós mesmos.


Foram alguns minutos de caminhada lenta. Mas que me trazem a um lugar magnífico. Onde me deleito.


Rio feito criança. Me sinto mais viva que nunca. Parece redundante. Se toda vez que faço isso, digo isso.


Farei mais vezes! Direi mais vezes!


Dou uma última espiadela. Deixo o vento me envolver. Fecho os olhos e plano. Vôo. 


Descubro uma vez mais o que levo comigo. Levo esta brisa, este som incessante de quem não desiste de ir e vir. Do gelado toque deste vento que me desperta e me assanha. A ir.


A imensidão é apenas o convite.




A vida acontece quando você se entrega ao bom caminho que há à frente.



segunda-feira, 11 de maio de 2020

Pequeno Príncipe



Gosto das palavras simples, das histórias simples, das histórias que parecem ter sido escritas para crianças. Só parecem. Pois escondem - e revelam - mensagens profundas pra ressuscitar a alma.

Gosto de palavras que vêm dizer a alma pra recusarem o convite de se tornarem aceitáveis, adultáveis, se isso significar perder a essência, a decência, a leveza, a certeza de ser o retrato fiel de seu coração.

Não é proibido virar adulto.
É abominável é esquecer de ser criança.
De ter a sapequez.
De ter gargalhadas sempre prontas a ecoar.
De rolar de rir. De si mesmo. De chorar se dói o coração de saudade. Até de saudade de quem ainda está com a gente. Só porque queria que fosse pra sempre.

Não é proibido virar adulto, se se prometer nunca esquecer daquilo que faz bem. De rolar no trigal com o amigo inesperado. De ter uma rosa especial que ganhou teu coração. De se deixar cativar. E cativar também, sem os medos daquilo que nem aconteceu.

Ler o livro, ou assistir a esta singela película aquece o coração. Neste tempo estranho de isolamento. Mas em qualquer tempo. Porque isolamento é algo muito mais antigo e acontecível do que pensam todos.
Isolamento é viver desesperadamente o amanhã, programando tudo e seguindo a risca o plano do dia que você não alcança nunca, por mais que corra.
Isolamento é viver o ontem. Que abriga o passado das histórias dos outros. Dos pais, da família, dos amigos. E daquele bicho estranho que você já foi e não é mais.
Isolamento acontece com a gente a todo tempo quando a gente não se reconhece, não se escreve a lápis, se permitindo apagar, porque depois que aprende a escrever tem de usar caneta... Porque virou gente grande.
Grandes mentiras que adoecem. Que aprisionam em estereótipos que não são os seus.
A vida tem de ser leve. Pra alçar vôo em rabo de foguete, de pipa, de avião de piloto que conheceu o Pequeno Príncipe.
Alçar vôo no vento do seu pensamento. No profundo do seu sentimento. No aconchego do seu momento.

E só.

#littleprince #life #lifequotes #time #today  #aboutlife #yesterday #tomorrow #free #freedom



segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

Pronde está indo é pronde quer ir??? Ou Tempo de FastFood e FastFriend



Pois bem. Depois de um longo período off do blog, eu volto.
Pra exercitar e massagear o que mais gosto de fazer. Escrever!

Muitas coisas aconteceram neste período. E meu grande e maior sonho se concretizou. Minha escrita culminou com um livro! E por mais que possa parecer tão parecido com o escrever num blog, não é não!

Teve outros títulos. Mudei. Mudei. Mudei de novo. Enfim, encontrei o título que condizia com ele: Alma Cicloviajante - Uma aventura pelo Vale Europeu.

Eu vou detalhar este processo noutras histórias. O que quero escrever hoje é um pós livro, pós lançamentos, pós realização.

Sobre o tempo.

Para quem pratica um esporte, é como o término de uma corrida. Uma maratona. Ou o término de um jogo de final de campeonato. Um suspiro após tantas respirações ofegantes de "fim-acabou".

Vazio. Vazio?

É o espaço entre o ocupado e o ocupado de novo. A lacuna. O intervalo. É somente o respiro. Pra começar outro algo, em seguida.

A conclusão do livro foi totalmente ocupada com os lançamentos que fiz. Totalmente prazerosa. E extenuantemente exaustiva. Eu tenho o costume de me jogar por inteiro no que faço. Paixão vivida. E não me arrependo nem um pouco.

Viver 100% do meu tempo de férias trabalhando com meu livro me proporcionou viver fartamente o "após" permitido pelo contato direto, teteatete, olhonoolho, faceaface com meus leitores. Falar com eles na platéia das minhas apresentações. Olhar nos olhos que faiscavam denunciando sonhos despertando de sonos profundos… Tive a grata oportunidade de ouvir pessoas que nem conhecia vindo falar comigo sobre suas vidas. Sobre suas lacunas. Sobre desejos esquecidos de vida. Tive o privilégio de ver sonhos serem postos em prática. Tenho recebido diariamente ou semanalmente, feedbacks das leituras.

Sim. A faísca foi riscada. Chamas acesas. Caminhos inciados.

Não é que eu seja a responsável por isso. Ninguém acende aquilo que não existe, previamente. O que acontece são como sinapses. Conexões. Uma reação em cadeia. Entende? Eu tinha, laaaaaaá atrás, alguém que fizesse despertar em mim um movimento lá dentro de incômodo, de interrogação. Que me indagava diariamente… "Pronde está indo é pronde quer ir???"

O que fiz foi reacender minha própria chama e passá-la adiante...

Eu acredito nisto. Por isso, sou tão convincente. Ter convicção do que se fala é o primeiro passo para o convencimento. Para falar com propriedade. Para contagiar quem ouve, ou vê o que falamos e fazemos. É preciso acreditar naquilo que se faz. E fazer aquilo em quê se acredita!

Pós férias trabalhadas, me dei férias. Desconectei. Necessitei me desligar, dormir, relaxar, nãofazerabsolutamentenada. Relacionado ao livro.

Há tempo pra tudo. E estou aprendendo a me permitir ficar invisível de vez em quando até do meu próprio olhar.

É preciso não perder o fio da meada e olhar a volta mais próxima. Pra dentro da gente mesmo. A reconhecer o cansaço, a necessidade básica de sono, por exemplo. De parar de fazer outras coisas importantes, para fazer aquelas outras tão importantes que acabam ficando no final da fila da urgências… Mandar um "oi" a alguém que passou no seu caminho. Perguntar se alguém precisa de ajuda. Sair da embalagem fast food do fast friend que só envia mensagens instantâneas, mas nunca aparece ao vivo e a cores.

Desvirtualizar. E vir-a-atualizar. Ir. Estar. Agora.

A velha frase. Depois pode ser tarde. O tempo não espera. O celular traz mundos pra mão. Mas não é presença real. É virtual.

#friends #friendship #life #lifestyle #on #off #time #timeline #theway #wakeup

📷 Mochilão Portugal MixTrip

terça-feira, 9 de julho de 2019

O tempo



O tempo não obedece lógicas.
Não possui regras absolutas.
Não cabe na rasa previsão dos porquês.
Por isso, acredito em surpreendentes histórias que ele inventa.
Não saberia criar enredos que ele cria.
Não escolheria personagens com sua perspicácia.
Não saberia inventar continuidades, nem interrogações. Que sugerem, mas não revelam, totalmente, seus fins.
Não teria a destreza de manter a vida como uma caixinha de surpresas.
Não saberia imaginar todas as surpresas que a vida me apresentou. E não saberia me preservar esperanças que me alimentou.



A vida vai passando da metade e uma avalanche de sentimentos escorrem as paredes por onde passo.
Várias verdades vão pulando pra frente de mim!
Vários momentos de "Eu mereço!" e de ser justo e sincero comigo mesma.
Tempos de abandonar verdades alheias e abraçar as minhas, tão somente minhas.
Tempo de renunciar certezas absolutas e me entregar para a dúvida e a incerteza de tentar o que não tentei, de me permitir erros, me permitir tentar aquele caminho que queria e que em outro tempo, não optei, fugi, abandonei, como se fosse dar certo ir por outro que não escolhi. Apenas fui. E segui.
Tempo de me permitir erros. De poder pisar em solo movediço! Destes que não me dá segurança nenhuma, estabilidade alguma, não me dá certezas de poder sair dali. Mas que me permite justamente aquilo que ele tem de sobra… Mover. Tudo aquilo que ficou adormecido em mim.



Este tempo depois da metade da vida é ousado e, ao mesmo tempo, de uma absoluta lucidez! Porque é quando deixamos cair nossas máscaras, nos despimos dos personagens tantos que pensamos ser quem somos. E, assim, nus e de cara lavada, damos de cara com o que verdadeiramente somos. E, na corrida desapressada que iniciamos, leves, de riso solto e passos certeiros, vamos.

O tempo não nos assusta mais. Nem nos dá mais a nostálgica sensação do não feito. Tudo foi feito. E tudo pode ser feito ainda. A possibilidade é a maior certeza do tempo.