Vamos conversar?

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segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

Pronde está indo é pronde quer ir??? Ou Tempo de FastFood e FastFriend



Pois bem. Depois de um longo período off do blog, eu volto.
Pra exercitar e massagear o que mais gosto de fazer. Escrever!

Muitas coisas aconteceram neste período. E meu grande e maior sonho se concretizou. Minha escrita culminou com um livro! E por mais que possa parecer tão parecido com o escrever num blog, não é não!

Teve outros títulos. Mudei. Mudei. Mudei de novo. Enfim, encontrei o título que condizia com ele: Alma Cicloviajante - Uma aventura pelo Vale Europeu.

Eu vou detalhar este processo noutras histórias. O que quero escrever hoje é um pós livro, pós lançamentos, pós realização.

Sobre o tempo.

Para quem pratica um esporte, é como o término de uma corrida. Uma maratona. Ou o término de um jogo de final de campeonato. Um suspiro após tantas respirações ofegantes de "fim-acabou".

Vazio. Vazio?

É o espaço entre o ocupado e o ocupado de novo. A lacuna. O intervalo. É somente o respiro. Pra começar outro algo, em seguida.

A conclusão do livro foi totalmente ocupada com os lançamentos que fiz. Totalmente prazerosa. E extenuantemente exaustiva. Eu tenho o costume de me jogar por inteiro no que faço. Paixão vivida. E não me arrependo nem um pouco.

Viver 100% do meu tempo de férias trabalhando com meu livro me proporcionou viver fartamente o "após" permitido pelo contato direto, teteatete, olhonoolho, faceaface com meus leitores. Falar com eles na platéia das minhas apresentações. Olhar nos olhos que faiscavam denunciando sonhos despertando de sonos profundos… Tive a grata oportunidade de ouvir pessoas que nem conhecia vindo falar comigo sobre suas vidas. Sobre suas lacunas. Sobre desejos esquecidos de vida. Tive o privilégio de ver sonhos serem postos em prática. Tenho recebido diariamente ou semanalmente, feedbacks das leituras.

Sim. A faísca foi riscada. Chamas acesas. Caminhos inciados.

Não é que eu seja a responsável por isso. Ninguém acende aquilo que não existe, previamente. O que acontece são como sinapses. Conexões. Uma reação em cadeia. Entende? Eu tinha, laaaaaaá atrás, alguém que fizesse despertar em mim um movimento lá dentro de incômodo, de interrogação. Que me indagava diariamente… "Pronde está indo é pronde quer ir???"

O que fiz foi reacender minha própria chama e passá-la adiante...

Eu acredito nisto. Por isso, sou tão convincente. Ter convicção do que se fala é o primeiro passo para o convencimento. Para falar com propriedade. Para contagiar quem ouve, ou vê o que falamos e fazemos. É preciso acreditar naquilo que se faz. E fazer aquilo em quê se acredita!

Pós férias trabalhadas, me dei férias. Desconectei. Necessitei me desligar, dormir, relaxar, nãofazerabsolutamentenada. Relacionado ao livro.

Há tempo pra tudo. E estou aprendendo a me permitir ficar invisível de vez em quando até do meu próprio olhar.

É preciso não perder o fio da meada e olhar a volta mais próxima. Pra dentro da gente mesmo. A reconhecer o cansaço, a necessidade básica de sono, por exemplo. De parar de fazer outras coisas importantes, para fazer aquelas outras tão importantes que acabam ficando no final da fila da urgências… Mandar um "oi" a alguém que passou no seu caminho. Perguntar se alguém precisa de ajuda. Sair da embalagem fast food do fast friend que só envia mensagens instantâneas, mas nunca aparece ao vivo e a cores.

Desvirtualizar. E vir-a-atualizar. Ir. Estar. Agora.

A velha frase. Depois pode ser tarde. O tempo não espera. O celular traz mundos pra mão. Mas não é presença real. É virtual.

#friends #friendship #life #lifestyle #on #off #time #timeline #theway #wakeup

📷 Mochilão Portugal MixTrip

quarta-feira, 11 de julho de 2018

Na fracota, na maciota!



Modo maciota: vai de leve, vai de boa, tranquilinho, devagar. Tipo, curte a janela do trem.
Trem? Que trem?
Este! Que você está…

Carros potentes correm muito! Chegam rápido demais. Só enxergam a bandeirada final. Como se fossem de um só suspiro. Não respiram o caminho…

Quero ir na maciota. Quero respirar o caminho!


Viajar em bicicleta ensina isso. Cada pedalada é como um passo, um empurra, outro vem, enquanto um puxa, o outro empurra, você sente o caminho o tempo todo. Não há como não sentir. Você precisa estar full time se levando. Não existe o irnabanguela. Porque até na descida, onde você dá uma relaxada nas pernas, a cabeça fica atenta e fica cuidando pra você passar pelos lugares certos e não levar um capote. Há quem, na descida, esteja mais presente ainda que na subida. A subida é o esforço. A descida, o gozo!


Ir na fracota me parecia ser ruim. Não é. Tenho descoberto que ir na fracota é ir na maciota. Aprendizado puro de sairdedentrodoseuego (inflado!) para ir, escancaradamente, livre. Livre de passar o caminho na performance. Cheia de orgulho. Repito. Redundantemente. Sairdedentro. Pra estar lá fora. Viver o caminho. Olhar através da janela e enxergar. Ao invés de ensimesmar…

Esta tal da performance vira vício. Silêncio absoluto no ar. Ranço. Narizes entortados. Vão dizer que estou falando isso só porque estou na fase nafracota. Puro despeito meu. Inveja negra de quem está no auge da performance.


Posso falar?

É. A performance é, realmente, um auge. Topo a ser alcançado que gera esforço, disciplina, empenho, foco, muito foco e faz da vida um ciclo interminável de esforçoaugemaisesforçoaugemaisesforço. Este é o ponto. Não tem fim. Na há saciedade, nunca. A cada sucesso, um fracasso. A cada vez que você atinge a meta, nova meta é estabelecida. E malemá você saboreia a delícia do auge. Porque, imediatamente, está insatisfeito em busca de outro. Uma roda viva, cíclica que, se você não mantiver o discernimento, faz a insatisfação se ambivaler à satisfação. E correr tanto atrás do auge perde o sentido. Você passa anestesiado no caminho. Cego na chegada. Porque mal obtém, não tem. Pois já quer outro. Insatisfação sem fim. Compreende?

Não estou atirando pedra na vidraça alheia. A vidraça sou eu mesma!


Estas paradas obrigatórias nos fazem sair de dentro de nós mesmos e nos observar com um olhar de águia. Que enxerga detalhes que, in loco, não enxergaria. Viro, sim, vidraça de mim mesma. Qualquer pessoa que esteja vivendo algo parecido com over, overtraining, overdose, não tem consciência disso. Só saindo pra enxergar.

Na fracota é uma expressão que tenho usado muito para definir o estado que estou. E, ontem, conversando com um amigo, falamos ao mesmo tempo a sua definição: na maciota!


Ser ruds, ser rude, ser duro. Parecem significar a mesma coisa. E o oposto não precisa ser mole. Mas se permitir, um pouco, o ir na maciota. Quando você vai assim, se desatrela de obrigações que te apressam o caminhar. Pode até parar no meio do caminho. Pra descansar, pra fotografar. Quer melhor que isso? Captar imagens que o coração já captou, antes? Dá até pra se alimentar, reabastecer corpo e alma pra, depois, prosseguir. Dá pra olhar em volta, giro de 360 graus, porque quem só anda sem parar, tem um ângulo de visão limitante de 90º, um pouco mais. É um pacote de benefícios tão saudáveis que fico, cá, pensando comigo… Se eu, toda atletinha, passasse neste mesmo caminho, saberia isso tudo? Me permitiria parar? Ou estaria enxergando apenas o chegar?


Falo de cadeira. Por mais que meus olhos passassem atentos no caminho, sorriso no rosto, cabelo no vento, lá dentro o anseio era chegar. Na fracota, apenas vou. Não pus um alfinete 📍 no mapa definindo até onde devo ir e parar. Alfinetes são todos os lugares que eu desejar parar. Não há um portal de chegada, único que seja maior, mais importante que todas as portas no caminho que eu abrir, passar e fechar. Na fracota me permite uma liberdade autêntica, não é liberdade de bandeira 🚩 que se carrega pra todos verem e acaba pesando no carregar, feito porta-bandeira em desfile de escola de samba. É liberdade pra gente, não pros outros. Que cumpre o seu papel primeiro de…
Li-ber-taaaaaaar!!!


Vou na maciota. Sem pressa. O relógio não anda pra trás, mas também não precisa correr pra frente. Vou usufruir cada TIC. TAC. Porque entre um e outro se você prestar atenção, há um respiro. Isso. TIC. TAC. TIC. TAC. Até o final!