Vamos conversar?

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domingo, 17 de março de 2019

O medo


Medo de fins.
Que impedem e bloqueiam inícios.
Medo de inícios que impedem viver.


Medo do caminho.
Que sequer foram percorridos.
Medo de percorrer que impedem de viver.


Medo do novo.
Que não devem ser comparados ao já vivido.
O vivido já passado que impede de viver.


Medo de ser mexido.
Medo de ser incomodado.
Medo de sair do conforto hábito de não viver.


Medo de novas decisões.
Medo de fundir a cabeça.
De não poder usar as mesmas respostas.
Os mesmos comportamentos.
Os mesmos rótulos.
Os mesmos discursos.
Que funcionaram de outra vez.


Medo de fazer palpitar o coração.
Então…
Pra que viver?


Medo de ter atitude e ação.
Será?
Não precisa mesmo, nada, nada fazer?

Medo que faz usar a mesma desculpa de sempre.
Não é hora!
Não estou pronto.
Nãosei. Nãosei. Nãosei.

Será?


Quem dera houvesse a fórmula.
O despertador que indicasse a hora.
Do “está perfeito!”
“É agora!”
Pra dar o start que te falta pra fazer.

O que você não sabe, apesar de saber,
É que o ponteiro certeiro não pára de se mexer.
E não inventaram o botão de ligar o status de “pronto”.
Não inventaram o perfeito momento de ser.

O medo que você sente
É o mesmo medo de toda gente
Só que com outro ingrediente.

É medo de viver!


Medo do fim?
Medo do início?
Quem dera…

O fim, inevitável,
Apenas demarca a exata hora do não mais poder.
O início, intimidador, única forma de passar pela dor.
Única forma de sobreviver.


Medo. Medo mesmo, tenho do tempo.
Este sim não reside num futuro incerto.
O tempo, sim, me cerca o tempo todo.
Me perguntando diariamente
“O que você tem feito comigo?”

Ah… E a esta pergunta, sim, terei de responder…
Hoje.
Porque tão rapidamente ele se vai.
Tão certo, tão cedo, desassossego.
De se ir sem percorrer…

domingo, 27 de janeiro de 2019

Como sabê-lo, se não percorrê-lo?


Embaixo é confortável.
Raso. E não me exige esforço.
Minha vista alcança adiante.
E não me parece haver tantos outros adiantes a serem vistos.
Mas se, passos atrevo subir...
Não mais me contenho.
Nunca mais serei o mesmo!
Meus olhos alcançam onde nunca sonhei existir...


Quanto mais avanço, mais alcanço.
Parece ser lógico. É fato.
Então, não entendo o não entender.
Não há sentido este surpreender.
Este espantar, este maldizer.



Pra quê ir tão longe?
Pra quê este querer?
Pra que almejar além?

Que teus olhos respondam.
Que tuas pernas te levem, um tanto quanto mais longe.
Que não haja mais preguiça que vontade.
Que haja mais e mais curiosidade.
Que haja querer!


Subir assusta.
Caminhar é um cansar de aceitar
Que a vida é somente aquilo.
Aquele olhar tão raso, que lá debaixo eu posso ver...

Mas eu sou tão feliz!


Não é uma questão de ingenuidade rasa.
É opção. Profunda de sobrevivência.
Não é alienação do mundo fora.
É percepção do mundo dentro.
Este. Imediatamente meu, do qual dependo.
Não se trata de ignorar infelicidades diárias.
E viver numa bolha.
Mas de não optar por discursos que não me pertencem.



Posso e devo falar com propriedade daquilo que vivo, realmente.
Ser feliz não é conquista.
Não é medida.
Não é, tão pouco, sorte de quem se diz feliz.
É opção. De ter, diariamente, nem mais, nem menos motivos para ser infeliz.
Mas de escolher a cada dia, uma palavra, um gesto, uma ação, um bem ao outro. Um bem pra si.
O caminho que dê paz.
Um seguir, voltando atrás.



Um reconhecer um erro.
O pedir perdão. O perdoar.
Os outros e a si mesmo.
É se livrar de pesos mortos.
É renascer todo dia.
Abraçar a vida todo dia.
Mesmo que tudo indique nãos.
Acreditar nos sins.
Porque ação nasce da decisão.
Você só faz aquilo que acredita.
É preciso acreditar em ser feliz!



quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

A saída é a ida.


Se a gente soubesse o que um primeiro passo é capaz de fazer... Todo mundo, com certeza, pararia de inventar desculpas e postergar o que cada um é capaz de fazer por si mesmo.

Pode ser que o teu primeiro passo seja dado por você mesmo, sozinho, por esforços próprios, por decisão. Pode ser que seja por um inesperado empurrão! Sim. Um susto. Um ultimato. Uma morte. Uma separação. Um quase morrer...


Já vivi, intensamente, exageradamente o mundo da corrida. Porque entre esperar a doença me tomar e parar de tudo fazer, preferi sentir a dor fazendo. Minha frase: se for pra doer sem fazer nada e doer fazendo de tudo, fico com a segunda opção!

Já acreditei estar fazendo o certo e errei. Comigo. E com os outros. Já acreditei em pessoas e errei em ter acreditado. E já acertei muito também. E já fui surpreendida por ter feito mau juízo por pura petulância minha, soberba e aquela onisciência arrogante que a gente desenvolve, muitas vezes, pra sobreviver. Ou pra se defender. Mas que a uma altura da vida, aprendemos a baixar a guarda para deixar vir o bem.


Já andei muito, já corri, já paralisei. Já travei. Já bloqueei. Já desisti e recomecei.

É um passo depois do outro. Não há outra formula, nem jeito. E o mais difícil, se feito, desenrosca o novelo.


Você se deve isso. Não é favor. É dever! Não tentar, é morrer! Não fazer, é aceitar o que vem sem você querer.

Quando você não dá o primeiro passo, não escolhe nem o caminho, nem a direção. Vira lápis na mesa. Lápis sem ponta. Abajur sem lâmpada. Vira gente sem alma, sem opção.

Muitas coisas outros fazem e fazem parecer que é por você. E, sabiamente, as principais para viver, só podem ser feitas por você. Aprendeu nas aulas de ciências? Na vida? Na andança? Respirar, um aparelho respira. But.... Sem sentir o cheiro da vida. Alimentar por soro na veia? Sem sentir o sabor da ceia? Sondas, bolsas.... Eliminam o lixo do corpo.... Sem eliminar o lixo do coração. E o bater do coração? Aparelhos fazem o batuque surdo-mudo. Nada dizem. Nada escutam. Nada sentem.
Não importa quantas paradas. Importa que seja pausa. Pausa é apenas intervalo. Que a música contém. O respirar mantém. E o pulsar do coração, sem ele, significa uma linha inerte e morta.


A saída é a ida.

quarta-feira, 11 de julho de 2018

Na fracota, na maciota!



Modo maciota: vai de leve, vai de boa, tranquilinho, devagar. Tipo, curte a janela do trem.
Trem? Que trem?
Este! Que você está…

Carros potentes correm muito! Chegam rápido demais. Só enxergam a bandeirada final. Como se fossem de um só suspiro. Não respiram o caminho…

Quero ir na maciota. Quero respirar o caminho!


Viajar em bicicleta ensina isso. Cada pedalada é como um passo, um empurra, outro vem, enquanto um puxa, o outro empurra, você sente o caminho o tempo todo. Não há como não sentir. Você precisa estar full time se levando. Não existe o irnabanguela. Porque até na descida, onde você dá uma relaxada nas pernas, a cabeça fica atenta e fica cuidando pra você passar pelos lugares certos e não levar um capote. Há quem, na descida, esteja mais presente ainda que na subida. A subida é o esforço. A descida, o gozo!


Ir na fracota me parecia ser ruim. Não é. Tenho descoberto que ir na fracota é ir na maciota. Aprendizado puro de sairdedentrodoseuego (inflado!) para ir, escancaradamente, livre. Livre de passar o caminho na performance. Cheia de orgulho. Repito. Redundantemente. Sairdedentro. Pra estar lá fora. Viver o caminho. Olhar através da janela e enxergar. Ao invés de ensimesmar…

Esta tal da performance vira vício. Silêncio absoluto no ar. Ranço. Narizes entortados. Vão dizer que estou falando isso só porque estou na fase nafracota. Puro despeito meu. Inveja negra de quem está no auge da performance.


Posso falar?

É. A performance é, realmente, um auge. Topo a ser alcançado que gera esforço, disciplina, empenho, foco, muito foco e faz da vida um ciclo interminável de esforçoaugemaisesforçoaugemaisesforço. Este é o ponto. Não tem fim. Na há saciedade, nunca. A cada sucesso, um fracasso. A cada vez que você atinge a meta, nova meta é estabelecida. E malemá você saboreia a delícia do auge. Porque, imediatamente, está insatisfeito em busca de outro. Uma roda viva, cíclica que, se você não mantiver o discernimento, faz a insatisfação se ambivaler à satisfação. E correr tanto atrás do auge perde o sentido. Você passa anestesiado no caminho. Cego na chegada. Porque mal obtém, não tem. Pois já quer outro. Insatisfação sem fim. Compreende?

Não estou atirando pedra na vidraça alheia. A vidraça sou eu mesma!


Estas paradas obrigatórias nos fazem sair de dentro de nós mesmos e nos observar com um olhar de águia. Que enxerga detalhes que, in loco, não enxergaria. Viro, sim, vidraça de mim mesma. Qualquer pessoa que esteja vivendo algo parecido com over, overtraining, overdose, não tem consciência disso. Só saindo pra enxergar.

Na fracota é uma expressão que tenho usado muito para definir o estado que estou. E, ontem, conversando com um amigo, falamos ao mesmo tempo a sua definição: na maciota!


Ser ruds, ser rude, ser duro. Parecem significar a mesma coisa. E o oposto não precisa ser mole. Mas se permitir, um pouco, o ir na maciota. Quando você vai assim, se desatrela de obrigações que te apressam o caminhar. Pode até parar no meio do caminho. Pra descansar, pra fotografar. Quer melhor que isso? Captar imagens que o coração já captou, antes? Dá até pra se alimentar, reabastecer corpo e alma pra, depois, prosseguir. Dá pra olhar em volta, giro de 360 graus, porque quem só anda sem parar, tem um ângulo de visão limitante de 90º, um pouco mais. É um pacote de benefícios tão saudáveis que fico, cá, pensando comigo… Se eu, toda atletinha, passasse neste mesmo caminho, saberia isso tudo? Me permitiria parar? Ou estaria enxergando apenas o chegar?


Falo de cadeira. Por mais que meus olhos passassem atentos no caminho, sorriso no rosto, cabelo no vento, lá dentro o anseio era chegar. Na fracota, apenas vou. Não pus um alfinete 📍 no mapa definindo até onde devo ir e parar. Alfinetes são todos os lugares que eu desejar parar. Não há um portal de chegada, único que seja maior, mais importante que todas as portas no caminho que eu abrir, passar e fechar. Na fracota me permite uma liberdade autêntica, não é liberdade de bandeira 🚩 que se carrega pra todos verem e acaba pesando no carregar, feito porta-bandeira em desfile de escola de samba. É liberdade pra gente, não pros outros. Que cumpre o seu papel primeiro de…
Li-ber-taaaaaaar!!!


Vou na maciota. Sem pressa. O relógio não anda pra trás, mas também não precisa correr pra frente. Vou usufruir cada TIC. TAC. Porque entre um e outro se você prestar atenção, há um respiro. Isso. TIC. TAC. TIC. TAC. Até o final!