Vamos conversar?

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domingo, 27 de janeiro de 2019

Como sabê-lo, se não percorrê-lo?


Embaixo é confortável.
Raso. E não me exige esforço.
Minha vista alcança adiante.
E não me parece haver tantos outros adiantes a serem vistos.
Mas se, passos atrevo subir...
Não mais me contenho.
Nunca mais serei o mesmo!
Meus olhos alcançam onde nunca sonhei existir...


Quanto mais avanço, mais alcanço.
Parece ser lógico. É fato.
Então, não entendo o não entender.
Não há sentido este surpreender.
Este espantar, este maldizer.



Pra quê ir tão longe?
Pra quê este querer?
Pra que almejar além?

Que teus olhos respondam.
Que tuas pernas te levem, um tanto quanto mais longe.
Que não haja mais preguiça que vontade.
Que haja mais e mais curiosidade.
Que haja querer!


Subir assusta.
Caminhar é um cansar de aceitar
Que a vida é somente aquilo.
Aquele olhar tão raso, que lá debaixo eu posso ver...

quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

A saída é a ida.


Se a gente soubesse o que um primeiro passo é capaz de fazer... Todo mundo, com certeza, pararia de inventar desculpas e postergar o que cada um é capaz de fazer por si mesmo.

Pode ser que o teu primeiro passo seja dado por você mesmo, sozinho, por esforços próprios, por decisão. Pode ser que seja por um inesperado empurrão! Sim. Um susto. Um ultimato. Uma morte. Uma separação. Um quase morrer...


Já vivi, intensamente, exageradamente o mundo da corrida. Porque entre esperar a doença me tomar e parar de tudo fazer, preferi sentir a dor fazendo. Minha frase: se for pra doer sem fazer nada e doer fazendo de tudo, fico com a segunda opção!

Já acreditei estar fazendo o certo e errei. Comigo. E com os outros. Já acreditei em pessoas e errei em ter acreditado. E já acertei muito também. E já fui surpreendida por ter feito mau juízo por pura petulância minha, soberba e aquela onisciência arrogante que a gente desenvolve, muitas vezes, pra sobreviver. Ou pra se defender. Mas que a uma altura da vida, aprendemos a baixar a guarda para deixar vir o bem.


Já andei muito, já corri, já paralisei. Já travei. Já bloqueei. Já desisti e recomecei.

É um passo depois do outro. Não há outra formula, nem jeito. E o mais difícil, se feito, desenrosca o novelo.


Você se deve isso. Não é favor. É dever! Não tentar, é morrer! Não fazer, é aceitar o que vem sem você querer.

Quando você não dá o primeiro passo, não escolhe nem o caminho, nem a direção. Vira lápis na mesa. Lápis sem ponta. Abajur sem lâmpada. Vira gente sem alma, sem opção.

Muitas coisas outros fazem e fazem parecer que é por você. E, sabiamente, as principais para viver, só podem ser feitas por você. Aprendeu nas aulas de ciências? Na vida? Na andança? Respirar, um aparelho respira. But.... Sem sentir o cheiro da vida. Alimentar por soro na veia? Sem sentir o sabor da ceia? Sondas, bolsas.... Eliminam o lixo do corpo.... Sem eliminar o lixo do coração. E o bater do coração? Aparelhos fazem o batuque surdo-mudo. Nada dizem. Nada escutam. Nada sentem.
Não importa quantas paradas. Importa que seja pausa. Pausa é apenas intervalo. Que a música contém. O respirar mantém. E o pulsar do coração, sem ele, significa uma linha inerte e morta.


A saída é a ida.