Vamos conversar?

Vamos conversar?

sábado, 16 de maio de 2020

Você acredita em anjo da guarda?



Você acredita em anjo da guarda?

Costumo perder as coisas em casa. Caço, caço e não acho.
Falo que tem Saci em casa. Que, arteiro, pega minhas coisas e esconde. E rola de rir cada vez que fico zanzando de um lado pra outro dentro do pequeno apartamento, caçando aquilo que não acho.

-Tem Saci em casa! - Retruco eu.

Da mesma forma, me acontecem umas coisas que, na hora, já falo em voz alta, como se fosse pra mim mesma:

-Obrigada Deus. Anjo da guarda. Obrigada!

Você já procurou desesperadamente a chave do carro na hora de voltar andando até ele? E, não achando, se lembra que está no estacionamento e a chave fica lá?

Você já procurou o carro estacionado numa rua e ele não estava lá?  Porque você sempre estaciona na mesma rua e, justo naquele dia, já quase chamando a polícia, se lembra e se dá um riso amarelo e -Ufa! - se lembra que estacionou noutro lugar?

Estas cenas, na verdade, são somente esquecimentos inocentes. Agora quando acontece de o anjinho ter de vir voando e ficar cuidando do carro até você voltar…

Hoje, saio eu, dog a tiracolo, uma amiga junto, por uma estradinha lá longe.
Estaciono, tranco o carro, ponho a chave no bolso e parto feliz pra uma caminhada misto de banho de sol, ar fresco e movimento.
Tão desejado movimento neste tempo de isolamento.

Logo que começamos, já vou tirando a blusa pra aproveitar melhor o sol que dá o ar da graça e já me aquece, friorenta que sou. 
Uns quarenta minutos de ida até uma mata. E uma volta desapressada. 

Lá de cima do último morro, já avistando o carro de longe, vejo um alvoroço de gente em torno do carro. Pronto! 

-Será que estão tentando roubá-lo?
-Corro?
-Grito? 
-Aciono o alarme? 

Estou tão distante que nenhuma das alternativas anteriores seria acertável. Nem possível.

-Assisto de camarote levarem meu carro?

Aí, olhando bem, é um bom tanto de gente. Quem sai por aí roubando carros, sai de dupla. Numa moto. Não em grupo. Olhando bem, não são motos. São bicicletas. Me acalmo porque nunca vi um grupo de bicicletas sair pra roubar carro!

As bicicletas e as pessoas montadas nelas, vão saindo uma a uma. E em direção contrária, em nossa direção, vem uma bicicleta solitária que logo nos alcança. Cumprimentamos, apenas.

Logo, vai vindo mais um par de rodas. Desta vez, motorizado. Uma moto que, aproximando-se, pára e o seu condutor nos pergunta:

-É de vocês aquele carro lá?
-Sim...
-Ah. Ficamos lá parados desconfiados se era carro roubado e largado na estrada!

Conversa vai, conversa vem, me lembro que já fiz desta antes. De estacionar em beira de estrada de terra pra ir correr e, de longe, avistar gente em torno do meu carro, espiando lá dentro dele. Daquela vez, de reflexo, sem pensar só gritei um "Ooooow!". Sem pensar, a razão da gente é um pouco desavisada. Mas era só um casal de moradores locais preocupados de ser um carro roubado desovado ali.
Desfeito o mal entendido de ambos os lados, peguei o carro e fui embora. Pensando, depois, que se fosse uma cena de roubo real, eu estaria numa fria! Imagina! Gritar, eu, sozinha pra uma dupla de ladrões roubando meu carro. Anjinho da guarda em ação!

De volta à cena de hoje, tive tempo de ser mais sensata. Mesmo porque não teria como chegar correndo e flagrar os ladrões. Mesmo porque não eram ladrões. E nada havia acontecido pra me preocupar.

Continuamos na estradinha e, logo após nos despedirmos do morador que havia parado ao lado do meu carro, puxado a placa pra ver se havia algo errado com ele pra estar ali "largado", seguimos já a uns 50 metros de onde ele estava estacionado. Não vejo o Tufo e pergunto pra minha amiga:

-Ué? Onde está o Tufo?

E olho em volta preocupada. Já que me distrai conversando e não percebi se ele havia seguido sozinho. Minha amiga olha em volta pra procurá-lo e fala:

-Nossa!. Alguém perdeu a chave do carro.

E eu:

-É minha!!!...

Sim. A 50 metros do carro, logo que saímos dele, deixei cair a chave de dentro do bolso da blusa que tirei e nem percebi… Ficamos cerca de duas horas caminhando pra longe e… O anjinho da guarda ficou ali, cuidando da chave! Ninguém a viu. Ninguém a achou.
Nem é preciso dizer que fechei os olhos, calei por fora e, por dentro, só agradeci.

E aí… Você acredita que tem alguém zelando por você?

segunda-feira, 11 de maio de 2020

Pequeno Príncipe



Gosto das palavras simples, das histórias simples, das histórias que parecem ter sido escritas para crianças. Só parecem. Pois escondem - e revelam - mensagens profundas pra ressuscitar a alma.

Gosto de palavras que vêm dizer a alma pra recusarem o convite de se tornarem aceitáveis, adultáveis, se isso significar perder a essência, a decência, a leveza, a certeza de ser o retrato fiel de seu coração.

Não é proibido virar adulto.
É abominável é esquecer de ser criança.
De ter a sapequez.
De ter gargalhadas sempre prontas a ecoar.
De rolar de rir. De si mesmo. De chorar se dói o coração de saudade. Até de saudade de quem ainda está com a gente. Só porque queria que fosse pra sempre.

Não é proibido virar adulto, se se prometer nunca esquecer daquilo que faz bem. De rolar no trigal com o amigo inesperado. De ter uma rosa especial que ganhou teu coração. De se deixar cativar. E cativar também, sem os medos daquilo que nem aconteceu.

Ler o livro, ou assistir a esta singela película aquece o coração. Neste tempo estranho de isolamento. Mas em qualquer tempo. Porque isolamento é algo muito mais antigo e acontecível do que pensam todos.
Isolamento é viver desesperadamente o amanhã, programando tudo e seguindo a risca o plano do dia que você não alcança nunca, por mais que corra.
Isolamento é viver o ontem. Que abriga o passado das histórias dos outros. Dos pais, da família, dos amigos. E daquele bicho estranho que você já foi e não é mais.
Isolamento acontece com a gente a todo tempo quando a gente não se reconhece, não se escreve a lápis, se permitindo apagar, porque depois que aprende a escrever tem de usar caneta... Porque virou gente grande.
Grandes mentiras que adoecem. Que aprisionam em estereótipos que não são os seus.
A vida tem de ser leve. Pra alçar vôo em rabo de foguete, de pipa, de avião de piloto que conheceu o Pequeno Príncipe.
Alçar vôo no vento do seu pensamento. No profundo do seu sentimento. No aconchego do seu momento.

E só.

#littleprince #life #lifequotes #time #today  #aboutlife #yesterday #tomorrow #free #freedom



quarta-feira, 26 de fevereiro de 2020

O que te faz correr pela vida?




Se você pensa que vai ler uma lista infinita de motivos, enganou-se.
A vida se explica por ela mesmo. Correr por ela. Por sobreviver, motivo primeiro. Para estar vivo. Todos os motivos acrescentáveis são, na verdade, razões para dar graça à ela.

Quer ver?



Estive neste dias de cara para isso. Tendo o privilégio incrível, único, de assistir à soltura de tartaruguinhas que tinham acabado de nascer na área de desova do Projeto Tamar.
Havia passado de bicicleta, pelo local do projeto pela manhã, visitando e conhecendo onde é desenvolvido o projeto. E informaram que era possível ter soltura de filhotes à tarde. Pois, pela manhã, já havia nascido alguns e a previsão era que acontecesse à tarde, também!
Saí de lá com a preciosa dica de um restaurante na cidade de Arembepe, ali do ladinho, para almoçar para depois retornar ao local.


Lá pelas tantas, retornei para lá. Na hora prevista, os visitantes foram reunidos para a equipe do projeto dar as explicações sobre o projeto. São dados impressionantes… Que só por si, bastam para compreender tanto empenho pela causa! Desta espécie de tartaruga, a cabeçuda, apenas uma dentre mil chega a vida adulta. São várias desovas no ano. Os números de filhotes que nascem, mesmo havendo uma grande parte que não chega a nascer, também é grande. Mas a relação com o número final de tartaruga adulta assusta. Um para mil!



Vimos no trabalho dos voluntários, junto ao funcionário, de cavar o local da desova, vinte e sete tartaruguinhas surgirem do meio da areia. Vários ovos que não vingaram. Umas natimortas. As tartaruguinhas são colocadas numa bandeja e transportadas para a praia para serem soltas. E, após toda a explicação para que todo o cuidado seja tomado e respeitado, elas são postas na areia.



O que se vê, em seguida é impressionante! Elas devem ter não mais do que três dedos de tamanho. Assim que em contato com a areia, mexem-se freneticamente em direção ao mar. Aquelas patinhas minúsculas se mexendo, movimentando-se para alcançarem a água… Uns serezinhos que acabaram de sair de dentro do ovo. Como podem saber que é para lá que devem ir? Como podem nascer e se atrever a brigar com as ondas vindo contra e jogando-as com muito mais força de volta pra areia e terem a ousadia de se jogarem de volta contra estas ondas gigantescas em proporção a elas, acreditando que vão vencê-las com aquelas suas "perninhas" tão insignificantes? O que passa a acontecer, então, parece ser uma briga injusta, onde aqueles pontinhos escuros vão, incansavelmente, para o mar. Incansavelmente, as ondas vêm violentamente, jogando-as de volta. Assim que "de pé no chão" reiniciam sua marcha para o mar. E nesse jogo de empurra-e-vai, elas vão avançando, mergulhando, acham o ponto na água onde, ao invés de serem jogadas de volta, são engolidas pelo movimento a favor das águas que as puxa para o fundo e conseguem, finalmente, adentrarem para seu novo lar. Do ovo para o mar.



Claro, algumas parecem entrar mais rápido. Por destreza, ou no acaso de pegarem a boa onda, o conjunto de fatores a favor dentro do tempo e do espaço mergulham de primeira para o fundo. A grande maioria fica naquela brincadeira de vaievem. Que talvez, seja mesmo uma brincadeira. Mas nos parece um primeiro jogo injusto de forças. Tantas jogadas na areia e que, prontamente, correm de volta a direção que estavam. Umas poucas vão ficando por último. Uma fica por tempo de barriga pra cima, casco pra baixo, mexendo as perninhas, desesperadamente, sem conseguir se desvirar. A onda a pega, leva mais para cima na areia, uma vez mais e ela vai, feito barquinho, por cima da água e pára, de novo, de casco para baixo. Mereceu uma ajudinha do funcionário que a desvira. E, rapidinho, ela corre para o mar.









Em poucos minutos, fico ali observando, me emocionando e me pego já com os olhinhos cheios d'água. É uma sincera busca pela vida. Um instinto implacável de sobreviver. 

A gente se acha tão superior, o ser racional em meio a seres irracionais e não consegue, tantas vezes, ter a simples, natural reação pró vida como elas. A atitude a favor de viver. A decisão. A determinação, a persistência. A tal da resiliência. A ação que nos faz sermos vivos. E age ao contrário. Se agredindo diariamente, comendo errado, dormindo errado, movimentando-se errado. Ou não movimentando-se. Numa inércia mutilante, não só do corpo, mas da alma. Na direção oposta de viver.

Foi uma cena que, facilmente, não seria assistida. Aquela passagem por ali, o aviso da possibilidade da soltura umas horas após não me mostravam que espetáculo eu estava prestes a assistir! Foi único. E inesquecível. E não haveria como não querer transpor em palavras.

Ter tido a baita lição metafórica protagonizada por filhotes de tartarugas, estes seres tão vinculados a palavras como lentas, vagarosas, de aparência pré históricas, vendo-as tão decididas pela vida foi um balde de reflexão jogado na cara.

Antes de rever listas politicamente corretas respondendo à pergunta "O que te faz correr pra vida?" se pergunte se está correndo pela vida. Se a tua vida e todo o movimento dela te faz viver ou morrer um pouco mais, a mais, a cada respiro. A cada passinho.

Pode ser que nesta briga contra a maré, você esteja apenas sendo fortalecido para brigar melhor, por viver melhor. Pode ser que a briga só esteja acontecendo, por você não ter mergulhado o suficiente para encontrar a maré a favor… Pode ser que o caldo que a onda te dá, seja apenas para testar sua persistência. Se seu desejo é genuíno. Verdadeiro. Porque mar calmo não faz marinheiro. Bonança não ensina viver. Debaixo da maré que te empurra contra, você sempre poderá encontrar a maré a favor. É só mergulhar naquilo que te mantém vivo. Querer viver.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

Pronde está indo é pronde quer ir??? Ou Tempo de FastFood e FastFriend



Pois bem. Depois de um longo período off do blog, eu volto.
Pra exercitar e massagear o que mais gosto de fazer. Escrever!

Muitas coisas aconteceram neste período. E meu grande e maior sonho se concretizou. Minha escrita culminou com um livro! E por mais que possa parecer tão parecido com o escrever num blog, não é não!

Teve outros títulos. Mudei. Mudei. Mudei de novo. Enfim, encontrei o título que condizia com ele: Alma Cicloviajante - Uma aventura pelo Vale Europeu.

Eu vou detalhar este processo noutras histórias. O que quero escrever hoje é um pós livro, pós lançamentos, pós realização.

Sobre o tempo.

Para quem pratica um esporte, é como o término de uma corrida. Uma maratona. Ou o término de um jogo de final de campeonato. Um suspiro após tantas respirações ofegantes de "fim-acabou".

Vazio. Vazio?

É o espaço entre o ocupado e o ocupado de novo. A lacuna. O intervalo. É somente o respiro. Pra começar outro algo, em seguida.

A conclusão do livro foi totalmente ocupada com os lançamentos que fiz. Totalmente prazerosa. E extenuantemente exaustiva. Eu tenho o costume de me jogar por inteiro no que faço. Paixão vivida. E não me arrependo nem um pouco.

Viver 100% do meu tempo de férias trabalhando com meu livro me proporcionou viver fartamente o "após" permitido pelo contato direto, teteatete, olhonoolho, faceaface com meus leitores. Falar com eles na platéia das minhas apresentações. Olhar nos olhos que faiscavam denunciando sonhos despertando de sonos profundos… Tive a grata oportunidade de ouvir pessoas que nem conhecia vindo falar comigo sobre suas vidas. Sobre suas lacunas. Sobre desejos esquecidos de vida. Tive o privilégio de ver sonhos serem postos em prática. Tenho recebido diariamente ou semanalmente, feedbacks das leituras.

Sim. A faísca foi riscada. Chamas acesas. Caminhos inciados.

Não é que eu seja a responsável por isso. Ninguém acende aquilo que não existe, previamente. O que acontece são como sinapses. Conexões. Uma reação em cadeia. Entende? Eu tinha, laaaaaaá atrás, alguém que fizesse despertar em mim um movimento lá dentro de incômodo, de interrogação. Que me indagava diariamente… "Pronde está indo é pronde quer ir???"

O que fiz foi reacender minha própria chama e passá-la adiante...

Eu acredito nisto. Por isso, sou tão convincente. Ter convicção do que se fala é o primeiro passo para o convencimento. Para falar com propriedade. Para contagiar quem ouve, ou vê o que falamos e fazemos. É preciso acreditar naquilo que se faz. E fazer aquilo em quê se acredita!

Pós férias trabalhadas, me dei férias. Desconectei. Necessitei me desligar, dormir, relaxar, nãofazerabsolutamentenada. Relacionado ao livro.

Há tempo pra tudo. E estou aprendendo a me permitir ficar invisível de vez em quando até do meu próprio olhar.

É preciso não perder o fio da meada e olhar a volta mais próxima. Pra dentro da gente mesmo. A reconhecer o cansaço, a necessidade básica de sono, por exemplo. De parar de fazer outras coisas importantes, para fazer aquelas outras tão importantes que acabam ficando no final da fila da urgências… Mandar um "oi" a alguém que passou no seu caminho. Perguntar se alguém precisa de ajuda. Sair da embalagem fast food do fast friend que só envia mensagens instantâneas, mas nunca aparece ao vivo e a cores.

Desvirtualizar. E vir-a-atualizar. Ir. Estar. Agora.

A velha frase. Depois pode ser tarde. O tempo não espera. O celular traz mundos pra mão. Mas não é presença real. É virtual.

#friends #friendship #life #lifestyle #on #off #time #timeline #theway #wakeup

📷 Mochilão Portugal MixTrip

quinta-feira, 21 de novembro de 2019

ALMA CICLOVIAJANTE - Uma aventura pelo Vale Europeu - Lançamento do meu livro



CONVITE

É com imensa satisfação e alegria que venho, hoje, anunciar o lançamento do meu livro!
ALMA CICLOVIAJANTE – Uma aventura pelo Vale Europeu.
Para quem já me conhece há tempos, acompanhou minha primeira cicloviagem em janeiro de 2015 e sabia que este livro estava sendo escrito durante a viagem, agora terei a honra de compartilhar deste momento tão especial com todos os amigos que se fizerem presentes!
Aos que estão entrando na história agora, sintam-se convidados, também! A cicloviagem é apenas o pano de fundo desta história... Que cada um pode fazer parte!
Coffe break de Lançamento – ALMA CICLOVIAJANTE – Uma Aventura pelo Vale Europeu
Quando? 12 de dezembro às 20 horas.
Onde? SESC – Centro - Rua Fernando de Noronha, 264



"Contadora de história que sou, trago neste livro a aventura experienciada em minha primeira cicloviagem pelo Circuito do Vale Europeu, em Santa Catarina.

Esta aventura foi programada para pôr em prática duas viagens: a exterior, percorrendo um circuito pioneiro no Cicloturismo no Brasil, que dispensa apresentações, e a viagem interior que todo viajante vivencia, onde planejei registrar, através de relatos diários escritos durante a viagem, todas as emoções vividas em tempo real. Estas duas viagens resultaram em relatos onde o leitor poderá viajar comigo, experimentando o suor, o cansaço misto com prazer de vencer as subidas e se esbaldar com o vento na cara e o friozinho na barriga nas descidas marotas. Poderá partilhar das conversas, das boas risadas, do turbilhão de sentimentos provocados por vivenciar o acolhimento de pessoas, do deslumbre diante de paisagens, ao mesmo tempo, tão simples e singelas e tão majestosas. E acompanhar o encontro comigo mesma, através deste tempo onde, sozinha, deparei-me com esta companhia sempre presente. Eu e Deus.

A aventura foi realizada numa viagem solo, em janeiro de 2015, de maneira autônoma, ou seja, sem suporte de pessoas, transportes ou companheiros de viagem. Nos moldes do cicloturismo em que o próprio viajante planeja, define e busca seu itinerário, decide seu tempo de viagem, suas paradas, replaneja, se necessário, enfrentando todas as aventuras do caminho sozinho. O que, dependendo do ponto de vista, pode ser chamado de problemas, ou gratas surpresas. Eu opto pelo segundo nome!

Para adentrar na viagem, propriamente dita, conto um pouco da história de como esta mulher foi parar no meio do cicloturismo. Contrariando as expectativas comumente esperadas para alguém com seu perfil, por ter sofrido um sério acidente que a impossibilitou de andar por sete meses, justamente quando havia acabado de graduar-se em Educação Física. Saindo de uma vida sedentária de uma maneira bastante inusitada, adentrando no mundo da corrida devido ao encontro inesperado no parque de sua cidade com um personagem que a fez, após dezenove anos, sair correndo. E perceber seus olhos voltarem a brilhar diante de seu encantamento por reinventar a vida... Construindo degraus com todas as pedras do caminho.



Uma história que fala de cicloviagem. Mas não é de cicloviagem. Vai além. O Circuito do Vale Europeu é o pano de fundo de uma história escrita em sua própria vida, relembrada e tão bem desenhada por estas linhas e caminhos, concomitantemente. O desbravar estrada afora permitiu o desabrochar adentro. Uma viagem para cada leitor se identificar em detalhes sutis narrados pela menina, pela mulher, pela mãe e filha e pela viajante, percebendo-se, enfim, personagem de sua própria história!"

domingo, 10 de novembro de 2019

Você também toma café frio?



Perguntinha estranha, não?
Explico.
Café, off course, é bebida quente. Ok que ando experimentando uns cafés gelados, como se fossem coquetéis saborizados, mix com frutas, ervas e sabores que acabam resultando numa bebida boa, refrescante e com o delicioso do meu inseparável café!

But.

Fazer café de manhã, significa obrigatoriamente tomar café quente. Não? Não. Por quê?

A hora que vou pra cozinha preparar o café, geralmente, já estou com a cabeça a mil. Mil futuros a dar conta e mil atrasados do passado a fazer. Mil tarefas. 



Já ouviu falar de homem-cobra x mulher-polvo? Consegue deduzir o porquê? Aquela veeeeeelhaaaa mania feminina de fazer mil coisas ao mesmo tempo. Quem nunca? Fez ou já viu sua companheira,a presença feminina da família te dando até tontura de rodar a casa feito furacão, rodopiando preparando o café da manhã, pondo o café para fazer, recolhendo o esparramado pela casa, escovando o dente, dando comida pro cachorro, se maquiando, trocando a roupa, pegando a chave, perdendo a chave, achando de novo, caçando o óculos de sol, de grau, voltando pra ver se o café está pronto, conferindo a bolsa, chamando os filhos para irem para a escola, enchendo sua caneca de café, pondo roupa na máquina pra lavar, chamando os filhos de novo, levando o dog pra fora pra dar seu passeio matinal, voltando pra dentro de casa, procurando sua bolsa, chaves e óculos, lembrando que esqueceu de carregar o celular e procurando o carregador, lembrando do café e… Café frio?

Vai assim mesmo!



Eu sou adepta desta cena. Já até acostumei. Naquela vibe de café gelado, gourmet, chique, saboroso, peculiar, diferenciado, moderno, inovador, vai assim mesmo. Quando não dou uma requentada bem da sem vergonha no microondas. Que me parece crime maior que tomá-lo frio.

Café frio?

Lógico. Falo de café, mas não falo somente de café frio. Falo de tantas outras coisas que birrentas, jogamos fora por terem esfriado. E que, na verdade, mantém seu sabor. Só um pouco modificado. E que necessitam, somente, serem repaginados com uma certa criatividade, um sabor a mais, um olhar e apreciar diferente. Que reformatem o café clássico, o de sempre, opinioso que não muda nunca. Nem de marca, nem de xícara ou caneca, que não aceitam mudança alguma. Que parecem ser autênticos clássicos do bom paladar. Mas que, com isso, deixam de vestir roupagens diferentes. Deixam de oferecer e experimentar em si mesmos, sabores diferentes.

Estou ainda falando de cafés?

Off course que não. 



Falo de pessoas. De vidas. Que tal qual o cafezinho clássico, sempredomesmojeito, leva a vida seeeeeempre do mesmo jeito, também. Porque assim está bom. Sempre deu certo. Receita que não falha. Fórmula exclusiva e excludente.

Pode ser que seu café da manhã esteja precisando sentir sabores diferentes. 
Pode ser que o café frio tenha algo a oferecer.
Pode ser que seja preciso mudar a marca, a canecapreferdadetododia, experimentar oportunidades que lhe pareçam café frio. E que sejam, exatamente, o ingrediente faltante de um cardápio que te alimente corpo, alma, sonhos e buscas.

Experimente.



sexta-feira, 8 de novembro de 2019

Sobre lugares. (Que sempre acaba sendo sobre pessoas!)



Sou de uma geração que via imagens por revistas, livros. Com o passar do tempo, pela TV P&B. Depois em cor. É.
Hoje, parece ser inconcebível isso tudo.
-Como vivíamos?
-Como sobrevivíamos?
Diriam alguns...
Dificuldades nos davam encanto.
Instigavam a busca.
Parecia ser inapalpável.
Mas eram desafios.

A avalanche de informações que nos chegam parecem dar um conforto que nos transportam facilmente ao outro lado do planeta. Porém, virtualmente. Enquanto tanta gente se anima, bota mochila nas costas e vai, outros se contentam em assistir pela tela. Que outrora era aquela da TV. Hoje, no celular. Célula. E o mundo inteiro fica cabendo na página da mão. Porque é fácil.. Cômodo. Não suja. Não cansa. Não passa frio. Nem calor. Nem se suja. Nem gasta 🙄🙄🙄🙄 este dinheiro que você acaba gastando noutra coisa. E acaba gastando o dobro, o triplo, não com saúde. Mas com doença...

Ironia pura.

Não há nada maior do que estar ao vivo, a cores, presente.
Não há nada melhor do que viver presencialmente.
Não há nada que pague respirar ares dos lugares com os quais sonhamos.
Não há foto de melhor resolução no planeta que transmita a emoção de estar diante e presente em lugares visitados, anteriormente, pelo pensamento.

De que adianta tanta capacidade de imaginar, pensar, se não houver o agir?
De que adianta falar, discursar e não fazer?
De que adianta tecer planos mil para o dia que aposentar, o dia que sobrar dinheiro, o dia que EuMerecer?

Pra quem não se decide agir, sempre saberá uma desculpa na manga a ser disparada.
Não tenho tempo agora.
Tenho de trocar férias por dinheiro (esta é a pior. Não há dinheiro que pague sofrimento de adoecer e morrer vivendo. Ou viver morrendo. Já que dá no mesmo!)
Não ganho o suficiente.
Tenho de pensar nos outros primeiro.
Querer ser mártir na vida dos outros,  abnegando a si mesmo, só Jesus.  Porque o ser humano fazMAScobra. Com certeza e sem sombra de dúvidas. E o feitocontantoamor é jogado na cara, um dia... "Mas eu deixei de fazer uma faculdade. Deixei de viajar. Deixei de ir tantas vezes ao cinema. Deixei de dançar. Deixei de seguir meus sonhos por... VOCÊ???"

Um discurso tão lindo e romântico e poético que só denuncia algo. O alvo de tanta dedicação era um outro. Nunca você. E, pior. Puramente, por livre arbítrio.

Deixa eu falar?

A CULPA NÃO É DO OUTRO!

As decisões tomadas foram tuas.
Quem não seguiu seus sonhos foi você.
Quem não se presenteou como merecia foi você.
Quem decidiu seguir morna na vida foi você.
Passar da metade da vida sem certezas de proezas autenticamente SUAS para si mesmo é como passar pela vida sem viver.
Passar por qualquer fase da vida sem realizações autênticas, idem.
A diferença é o tempo?
Atrás ou à frente?
Vai depender não da quantidade de minutos computados na linha do tempo. Não. Não a linha do tempo do Facebook (OMG!). Mas dos minutos apropriados, integralmente, para se viver.

Vegeta-se em vida.
Carrega-se um corpo dias adentro, vida lá fora, pelo acostamento. Sem passar pela estrada real da VIDA. Vendo os passantes passarem como se fosse uma TV. E você, ironicamente, "controle remoto" em mãos, achando ( só achando...) que tem o controle nas mãos... Controle nas mãos??????

Então, quem abriu o textão e chegou até aqui, deve estar pensando. "E esta foto? Por quê desta foto? Não vai falar dela, não?"

Falo.

Podia ser apenas foto de calendário de folhinha de parede (para os mais antigos). De calendário de mesa ( para os burocráticos). De descanso de tela ou área de trabalho) para os workholics. De fundo de tela de celular (para os ultra conectados... à tela do celular). Foto de capa, de perfil dos outros ( para os que sabem tudo do mundo e da vida dos outros... Virtualmente)

Mas não é.

Laaaaaaaaaaaaá atrás, nalgum dia, eu não imaginaria estar diante desta preciosidade e peculiaridade da humanidade. Ouvir falar é uma coisa. Estar lá é outra.
É como se você mergulhasse através da tela da TV, do cinema e de espectador, num PLIM, passasse a ser personagem daquele filme que você assistia. Há muitos lugares que me encantam, independente de sua importância histórica, sua relevância, ser uma atração no rol das maravilhas do planeta. Estes todos onde eu sempre fiz questão de fazer a minha marquinha (quem adivinha?) por serem especialmente marcantes.

Este lugar espetacular esconde, ao mesmo tempo em que desvenda, mistérios, segredos e conhecimentos incompreensíveis a nós. Nos sentimos grandes e minúsculos ao mesmo tempo. Tudo ali milimetricamente pensado, planejado e elaborado, desde paredes, desde a disposição, desde sua localização e ao seu redor, o que lhe dava condições de ser vigiado de cima das montanhas... Sua história compreende raciocínios que nos chegam a ser inenarráveis.

Bem. Eu poderia desembrenhar linhas a fio e ninguém que lesse com toda atenção, sem jamais ter ido, seria capaz de sentir, visualizar, compreender. Porque certas coisas (as coisas certas) não se aprende de ouvir falar. Aprende-se indo viver.

Frases clichês há um monte. Mas... Uma vez na vida, desapegue-se do falarpraFORA e fale praDENTRO. Desapegue-se do mostrar infinitamente prosOUTROS, faça secretamente um pouco por você. Não discurse. REALIZE. Desapegue-se da SELFIE. Observe à volta. Sem clica mecânicos e digitais. Grave memórias no coração. Não fotografe (somente) sua face. Mas olhe-se, profundamente, lá dentro. Não fale palavras impactantes para os outros. Mas estabeleça um diálogo simples e franco consigo mesmo. Não cobre bons dias dos outros. Deseje (e empenhe-se) a construir o seu bom dia que, inevitavelmente, converterá em bom dia ao outro.

Neste tempo de tanto mostrar-se afora, há muita falta de olhar-se adentro.
REconheça-se. Pode ser que você leve um susto.

quinta-feira, 24 de outubro de 2019

Eu opto. VIVO


O que uma mãe não faz...
Ontem foram QUATRO voltas no lago🙄🙈🤩

A gente deu meia volta caminhando (eu nunca sei se ele quer só caminhar, ou correr...) . Já tinha até me conformado que a gente ia só caminhar e bater papo.😁
Lá na metade da primeira, ele começa a correr do nada e eu vou, né🤷🏻‍♀
A gente fecha a primeira volta correndo e ele diz "a partir daqui, quero fazer três voltas correndo" 😳
É. Ele fala assim. Quase como se estivesse mandando...🤦🏻‍♀

Eu detesto correr como hamster. Não gosto da ideia de correr dando voltas no mesmo lugar. Quando fui no dia anterior, sozinha, nem sabia quantas voltas daria. Talvez, duas. Mas completei duas, parei pra tirar fotos e acabei recomeçando a correr a terceira.

Aí, ele já me fala já a partir da primeira que serão três. Ou seja. Quatro.😳🙄🙄🙄


Fui, né.

Me arrastando. Me concentrando pra não deixar o lobo mau me convencer que não conseguiria. Fica o tempo todo a voz da desistência dizendo "chega". Mas o corpo acostuma!

Passei duas vezes no bebedouro e tomei banho de torneira. Eu mais molho a cabeça que tomo água. Sinto necessidade de me refrescar. Mais que reidratar.
A gente até conversava de vez em quando... Até. Ahahaha. 
Na penúltima volta, eu já sabia que conseguiria terminar. Como assim, desistir faltando só uma?
Capaz!!!

Tomei banho de torneira de bebedouro de novo. Tipo... Botar a cabeça em cima daquele jato minúsculo mesmo, feito para encostar a boca por cima para engolir alguns goles de água. Molhei, minto, encharquei a bandana e fui com ela, mais uma volta me refrescando. Molhando o rosto, pescoço, espremendo a água pra molhar a cabeça.


O recomeço é difícil.
Você precisa se desligar de tudo que é maior que já fez, ter a humildade do mundo no corpo para recomeçar num quase zero. Esquecer se já correu mais km, mais forte, mais rápido e, apenas, correr.
Cada passo, é um passo a menos a frente. E um passo a mais na construção de um novo caminho.

Já corri muito… já fui viciada em correr. Já agredi muito meus joelhinhos, pés, quadril e até aquelas engrenagens todas chamadas vértebras que, encaixadas, mantém a gente em pé. São várias as engrenagens, as pecinhas mil que se encaixam para fazer a máquina funcionar. Já resisti muito a respeitá-las em suas limitações e lesões. Eu achava que era Super-mulher quando fazia mil coisas, não sentia dor porque a endorfina, esta bruxa-fada, mascarava o que já estava machucado, cansado e agredido pelas peripécias que eu fazia pra me manter feliz. A endorfina anestesia e pilha. Dá um estado de êxtase na gente. Dá alegria. Tira a gente da depressão. Não há um médico consciente que não receite ao paciente depressivo uma boa dose de atividades físicas. A endorfina cura dor da alma. Ainda que nestes meus excessos típicos de antigamente, possam machucar os ossinhos e articulações como aconteciam comigo. Um bom médico ortopedista uma vez me disse algo que definiu perfeitamente e bem o que acontece conosco. Ele tinha ossos e articulações intactos e saudáveis. Porém, seu sistema cardiorrespiratório era lamentável. Inverte. Era eu. Nota mil pro ❤️ e pulmão. Negativo, devendo para osso e articulação.



Era um joguete. Livre arbítrio. Opção de vida.
Repito. De VIDA.

Por muitos anos vivi assim. E BEM vivi. Me mantive longe anos luz da depressão. Se arrebentei o restante? Sim. Mas foi um tempo feliz. Muuuuuuuito feliz.

Ah. E não me arrependo nem um pouco do que fiz. Sofri muito de dores, sim. Mas as piores foram os julgamentos equivocados de gente que nem médico era e olhando só a carcaça saudável, feliz, reluzente, julgava... Tem nada esta japonesa. Tem nada de dor.

Dor a gente tem. Mas mostra e lamenta e lamuria, se quiser. Dor a gente passa e mostra na cara, no lugar de sorriso de vontade de viver, se quiser. Sim. Tem horas que a dor extrapola e a gente chora. O corpo todo se contorce. A cara se enruga, se desfigura. E sofre. Existem dores que desfiguram a gente no rosto, no corpo e na alma. E digo. As de alma são sempre as piores!

O parar deu uma trégua em muita coisa. Aliviou a sobrecarga nos ossinhos. As articulações agradeceram o alívio. Mas… O coração não ia bem. Nem o físico nem a morada da alma. Pulmão, idem. Quantas vezes, em pequenas investidas de rolês sobre rodas, tive de diminuir muuuuuuuito o ritmo por falta de pulmão, coração e perna também. O corpo sente e se ressente. Excesso de exercido e movimento dá cãibra. Falta de exercido quebra a gente.



A bicicleta é uma amiga parceira que obedece a gente. É uma engrenagem encantadora que leva a gente e dá uns refrescos nos planos e descidas. Eu &Ela, a magrela tivemos uns rolês neste tempo de parada. Não tão intensos como eram. Mas rolês confortáveis e de ventonacara.

Agora, correr…

Correr foi minha primeira paixão. Neste meio louco da endorfina. A hidroginástica, a ginástica de academia, a natação sempre foram boazinhas comigo. Nunca me machucaram. Eram diboinha. Não me cobravam alucinados ritmos. Mas também não me impunham grandes desafios. Com a corrida foi diferente. Aquele tal do ventonacara me abriu uma portinhola imensa… Cobicei maiores distâncias. Sentir prazer do vento abraçando meu corpo, vinha com um desejo de que perdurasse mais e mais, pois já não havia dor. Eu estava alucinadamente viciada naquele jogo. E vício mascara dor.

Parar de correr, quando aconteceu, foi uma retirada abrupta de mim de um mundo que eu conhecia bem e circulava com a maior desenvoltura. Fiquei vazia. Vazio gera vazio. A alma sentiu. A depressão veio mais uma vez.

Não e fácil sair de um quadro de depressão. Talvez, a gente nunca saia de verdade. Talvez, apenas, a gente tire férias dela. Ou, talvez, a gente faça tours por mares onde alguns portos de paragens sejam ela. Tenho estado tão bem… Que chego a acreditar que ela se foi de vez! E, nestas ausências dela, corro a fazer coisas que com ela, é impossível fazer.



Meu semblante é sereno, sapeca e feliz. E, então, me atrevo a enfrentar uns monstros que mantive na gaveta do criado-mudo. Disparo um foda-se neles. E vou. 

Fui para o meu lago, o meu velho amigo lago que me viu nascer como corredora. Me viu aquele dia do tarado no lago, que me fez correr pela primeira vez após dezenove anos do meu acidente, que me deixou sem andar por sete meses. Me viu demorar quatro meses para conseguir dar uma volta completa, correndo em torno dele. "Relés" 2,5 km… Que foram tão suados e me fizeram ligar chorando pros meus filhos na hora que completei minha primeira volta no lago, só para contar para eles! Me viu crescer os km, virar malinha, me ornamentar de artefatos que me distinguiam de corredores iniciantes, com roupinha, meião, cinturão de garrafinha d'água, mochilinha de hidratação quando, então, treinava meus longos para provas ferradas. Me viu passar por ele, chorando muitas vezes, pela falta que sentia dele neste passo. Me viu, muitas vezes, de longe, fugida dele. Por não aceitar este término de relacionamento assim. Como assim? Não posso mais? Simplesmente, fim?



Foram fins-reconeços-fins sem fim!

O coração, quando sofre, torna tudo mais difícil para a volta. Você desiste de acreditar, de perseverar, desiste de saber que é possível. Desiste de tentar. E, se tenta, desiste fácil, outra vez.

Foram inúmeras tentativas e desistências em seguida. Mas eu voltei. Não por uma prova. Não por um outro. Nem, muito menos, pra provar nada pra ninguém! Foi um desejo íntimo, quase secreto, de ir me encontrar comigo mesma. E tinha de ser lá. De cara aberta e certa. No meu lago. Passar pelos menos caminhos por onde corri pela primeira vez, quando eu nem sabia mais o que era isso. Quando eu nem gostava de correr e fui obrigada. Quando eu redescubri ser capaz. Que quem mandava no meu corpo, era eu. Que fazer, dependia muito mais do querer do que saber. Fui. Sozinha. Me deleitando e me flagrando rindo à toa...

Hoje é textão. Precisava extravasar tudo isso. Corri pra lavar a alma. Esta que chorou tanto, tanto por tantas dores de corpo e de alma. E, ontem, num repeteco, corri de novo e um pouco mais com um parceiro de vida. Aquele um dos meus dois melhores #fuieuquefiz . Que revela e esconde coisas de mim. Que viu tantas vezes, sem entender, tanta coisa que eu fazia. Que acabou pegando o gosto. Correu, também. Foi meu parceiro na minha prova que amo. INDOMIT Bombinhas. Dois anos após minha filha ter ido comigo na minha primeira vez. Ontem eu sabia que ele ia querer correr. E queria minha companhia. E eu, toda torta e arrastando de dores da minha primeira investida no dia anterior, já fui trabalhar pensando no que me aguardava ao final do dia. E fomos.



Isto me lava a alma. Me injeta alegria. Me faz tornar a me sentir viva.

Há quem não entenda, recrimine, julgue errado, inveje, deturpe, dispare venenos, minta a respeito. Não ligo. A vida é minha. A sua é sua. Da minha vida, cuido eu. Com toda a gratidão que me de compete. Abraçando cada dia. Abraçando os cavalos brancos que passam me oportunizando, a cada dia. Irouficar. Pararouseguir. Morrerouviver.

Eu opto. VIVO.