Vamos conversar?

Vamos conversar?

domingo, 28 de julho de 2019

Coisas simples


Caminhos…
O tempo todo, estamos no caminho.
O passar por ele que diferencia as sensações, os aprendizados. As percepções de cada passo.



Estou num lugar muito especial e o caminho para cá, desta vez, foi muito especial, também. Passar pela estrada, seja asfalto ou terra, na velocidade do empurrar de pernas no pedal, cadencia o passo com o coração. Tuntum. Tuntum. Você estica. Você desapressa. Você vai feito montanha russa em descida, brincando arteira de pegar carona no vento e vai. Rasga um sorrisão no rosto. Rasga a bochecha de tanto rir de feliz. A liberdade vem em pacotinhos sem rótulo, só pra você descobrir, ao vivo, por onde está, pra você ir.



Na estrada, me pego em todos os meus formatos. Cabisbaixa, concentrada no passo da pedalada, suor escorrendo feito lágrima, no esforço de vencer a subida que tenta me fazer desistir. Nem vem, Senhora Subida! Você não me assusta! Eu sei que a qualquer instante, você acaba. Logo vem a sua irmãzinha arteira, que brinca comigo, me fazendo descer sem juízo, por ela, sem fim.



Na estrada, estou o tempo todo, sentimentos à flor da pele. Olhos aguçados, antenados com sons, cheiros, luzes. Recebo, desinteressadamente, os presentes que vêm. Não acelero o suficiente ao ponto de não poder ver o lado, o arredor e, pondo o pé no chão, ficar. Só pra ver o entardecer. Este tempinho onde tudo parece parar só pra assistir este jogo de luzes, sombras, em que ele se esconde.



Mergulho com ele. Um dia indo. Chamando a noite de meu bem.

De qualquer forma, percorrendo o caminho até o fim de faz de conta, o fim por hora, o fim pra hoje, ainda há presentes mais reservados. A noite dormida seria bivacando (A modalidade de dormir acampado, sem barraca. Apenas com o saco de dormir). Aquela velha frase que todo cicloviajante raiz conhece bem… "Tem um cantinho só, uma varanda, um pedaço de teto, um coberto, só por uma noite pra eu dormir? 



E a estrada que era pra ter sido pega bem cedo, pela manhã e que iniciou após um inédito momento de preparar a bike da Ana para a CicloTrip, bagageiro e bagagem, iniciou tarde. Bem tarde. Faz mal, não. Estávamos na hora certa, no lugar certo para o espetáculo. E a noite, nesta mesma hora certa, teve casinha às margens do lago nos esperando. Por puro capricho do tempo. Que sabia como fazer direito o que parecia torto.

Este tempo é mesmo muito arteiro.



Agora, um dia inteiro, ou meio para ficar aqui, ouvindo barulhinho de água caindo no lago. Galinha da Angola dizendo "Tô fraca, tô fraca, tô fraca, tô fraca". Perus passeando livres glugluzeando. Senhor Peru Branco se achando pavão, dono do pedaço, desfilando exibido se emplumando. Tina & Cia pedindo comida roubada debaixo da mesa, pra depois, sábia e prosa como é, se esticar no solzinho da manhã, debaixo da janela… E, ainda, vendo o revezamento da mesa do café dos passarinhos. Os convidados da casa, como diz o João. 



O tempo é sábio. Sábio é desapressar-se e ficar aqu, num ócio de fazdeconta que faz tudo pra mim.







terça-feira, 9 de julho de 2019

O tempo



O tempo não obedece lógicas.
Não possui regras absolutas.
Não cabe na rasa previsão dos porquês.
Por isso, acredito em surpreendentes histórias que ele inventa.
Não saberia criar enredos que ele cria.
Não escolheria personagens com sua perspicácia.
Não saberia inventar continuidades, nem interrogações. Que sugerem, mas não revelam, totalmente, seus fins.
Não teria a destreza de manter a vida como uma caixinha de surpresas.
Não saberia imaginar todas as surpresas que a vida me apresentou. E não saberia me preservar esperanças que me alimentou.



A vida vai passando da metade e uma avalanche de sentimentos escorrem as paredes por onde passo.
Várias verdades vão pulando pra frente de mim!
Vários momentos de "Eu mereço!" e de ser justo e sincero comigo mesma.
Tempos de abandonar verdades alheias e abraçar as minhas, tão somente minhas.
Tempo de renunciar certezas absolutas e me entregar para a dúvida e a incerteza de tentar o que não tentei, de me permitir erros, me permitir tentar aquele caminho que queria e que em outro tempo, não optei, fugi, abandonei, como se fosse dar certo ir por outro que não escolhi. Apenas fui. E segui.
Tempo de me permitir erros. De poder pisar em solo movediço! Destes que não me dá segurança nenhuma, estabilidade alguma, não me dá certezas de poder sair dali. Mas que me permite justamente aquilo que ele tem de sobra… Mover. Tudo aquilo que ficou adormecido em mim.



Este tempo depois da metade da vida é ousado e, ao mesmo tempo, de uma absoluta lucidez! Porque é quando deixamos cair nossas máscaras, nos despimos dos personagens tantos que pensamos ser quem somos. E, assim, nus e de cara lavada, damos de cara com o que verdadeiramente somos. E, na corrida desapressada que iniciamos, leves, de riso solto e passos certeiros, vamos.

O tempo não nos assusta mais. Nem nos dá mais a nostálgica sensação do não feito. Tudo foi feito. E tudo pode ser feito ainda. A possibilidade é a maior certeza do tempo.


segunda-feira, 27 de maio de 2019

Caderninho



Sinto vontade de escrever, novamente. Não para os outros, como tenho feito ultimamente. Textos para o blog. Textos legendando fotos para postagens em rede social. Textos que acabam sendo para os outros…

Tenho vontade, hoje, de escrever pra mim mesma. Pois ando perdida. Me perdendo de mim mesma. Sendo engolida por esse ser público, ser vista, ser e fazer e acontecer para todos saberem. Que nem é por saberem, mas por eu mesma fazer saber. Este tempo louco em que vivemos quando tudo é fotografado e contado quase que imediatamente, "online", onde estamos, o que estamos comendo, qual a nossa última superação, qual o atual desafio, qual nossa última vitória, feito, a super mulher ou super homem que nos tornamos pelos feitos que perseguimos e fazemos.

Me pergunto. Precisa isso?

Ando oscilando. Me sentindo perdida. Me sentindo peixe fora d'água. Me sentindo desconectada pelo excesso de conexão. Um misto esquisito de dois pontos extremos. Vontade de sumir, pós períodos, já longínquos e outros mínimos de exposição. Ao mesmo tempo de sentir solidão profunda e machuquenta, necessidade de estar em meio a amigos, a conhecidos, a pessoas, só para não me sentir sozinha e, ao estar, sentir-me só do mesmo jeito. Como se fosse um ser invisível que não estabelece contato algum com ninguém. Que não faz parte de círculo algum. Que se isolou dos amigos,. Muito mais do que de não tê-los. Que se entregou à solidão. Que fechou a porta. E tenho medo dos porquês.

Ando sofrendo. E fazendo de conta que não. Ao mesmo tempo que sinto vontade de pedir ajuda, de procurar gente, gente estranha mesmo, só pra jogar conversa despretensiosa fora, sinto falta da intimidade que se tem apenas com amigos verdadeiros. De família. De companheiro. Estes que já foram sem nunca terem sido. Ou que foram só por um tempo. Ou que eu não fui e o tempo levou. Ou sei lá! Que apenas passaram por um tempo determinado de serem e irem. E eu, idem. Tempo pré-determinado de passagem e existência. E, às vezes, me questiono. Se era para acabarem, ou se fui eu que não me dediquei o suficiente. Se fui eu que me afastei precocemente. Se fui eu que exigi demais. Se fui eu que matei existências, por falta de paciência. Por ansiedade demais.

Gera culpa. É péssimo sentir culpa. Não constrói. Desconstrói. Faz murchar. Desidratar. Desacreditar.

Eu sei que é só uma fase. Que logo passa, como tantas parecidas já passaram. Mas me pego desistindo fácil das coisas. Coisas simples. De ir, logo ali, a três quadras de casa pra mexer o esqueleto. De pegar a minha Magrela parceira, aqui a três passos do meu pé, ali na sacada e ir girar neste sol lindo e quentinho, neste céu azul brilhante e sorridente. Porque parece que tem algo que me amarra as pernas, me paralisa e me faz ter pena de mim. Que me faz me enrolar em mim mesma, quase em caracol, me proibindo, me algemando, me fazendo criar dias e dias sucessivos de frustração de não fazer coisas simples que gosto tanto. Me dando o pesado fardo do fracasso diário. Do não feito. Do que gosto e do que necessito. Enrolando o tempo e sendo engolida por ele. Fazendo, exatamente, o contrário do que sempre faço tanto questão de falar aos quatro ventos. De viver! De ir viver. De sair pra viver. A cada dia. Todo dia.

Antigamente, eu tinha caderninhos. Onde eu escrevia. Pra mim mesma. Tipo diário. Tipo conversando com meu melhor amigo. Tipo desabafo. Confidências. Confessando desejos, tristezas e alegrias imensas. Mas escrito para jamais ser lido por mais ninguém!

Com o tempo, com este prazer imenso que virou escrever para mim, passei a contar historinhas. A escrever por metáfora. Desde poesia a crônica da vida diária. Relatos engraçados de viagens ou narrativas mirabolantes de algumas aventuras. Virou escrita para os outros. E embora, totalmente vindos do fundo da minha alma, embora totalmente sinceros e verdadeiros, vividos em casa uma das cenas, o por pra fora virou "para os outros". Me esqueci de mim. Não é que escrever para os outros esteja errado. De forma alguma. Mas deixei de falar, secretamente, comigo mesma… Exatamente nos moldes do que vivemos hoje. Quando, voluntariamente, nos pusemos dentro de um "Big Brother". Mostrando em tempo real, quase sempre, pois afinal, já ou daqui a pouco, ou hoje mesmo, dá no mesmo, quase tudo o que fazemos! A câmera do celular é acionada num número infinito de vezes por dia. E conversar com amigos, quase sempre, não é olhonoolho. Ligação telefônica exclusiva, de tempo parado exclusivo para se falar com uma única pessoa, é coisa do século passado. Você escreve uma mensagem, ou grava um áudio, enquanto come, enquanto trabalha, enquanto dirige (!!!), enquanto está no banheiro, enquanto anda na rua, a pé, ou faz sua caminhada, enquanto cozinha, faz seu serviço de casa, enquanto… Não pára!

E o tempo, soberano, engole a gente. Implacável, passa. E a gente, pensando que está driblando ele, faz mil coisas ao mesmo tempo. E pensa que está ganhando tempo. Mas está, na verdade, somente descaracterizando necessidades. Com o tempo, a gente acaba descobrindo que fazer mil coisas ao mesmo tempo não é ganhar tempo. É fragmentá-lo. É perder a sensibilidade do tempo.

E uma hora, a gente acorda.

Eu sei que estes sentimentos não são exclusivos de mim. Que muita gente, em algum momento, passa por isso. São indagações. Um sentimento de solidão em meio a multidão. Um duvidar se o que tenho feito realmente é o certo. Um buscar valores reais. Riquezas do coração. Uma necessidade cruel e verdadeira de desapegar-me de modismos. De movimentos que venham em avalanche. Engolindo quem está no caminho, nem que seja por acaso, ou por acidente. E não por vontade. De olhar, sinceramente, para o que todos somos, no final das contas e do caminho e ver se faz sentido, tanta correria no tempo, tanta impaciência com o que demora, tanta reclamação no trânsito, tanta ânsia de superar ou vencer. Vencer o quê?

É como se fosse a entrada numa bolha, onde você se vê sozinho, isolado, o mundo acontecer lá fora, sem você pode fazer nada. E ver que, oras bolas, veja só, absurdamente, ele continua girando e acontecendo, sem você! E que a vida não é ingrata com você quando isto acontecer. Ela apenas segue seu curso. Assim como você deve seguir o seu. Seguir o seu curso no seu tempo. Pois ele tem uma placa de "FIM" em algum lugar que você não sabe onde é.
sentido à vida.

A vida é um sopro.

domingo, 17 de março de 2019

O medo


Medo de fins.
Que impedem e bloqueiam inícios.
Medo de inícios que impedem viver.


Medo do caminho.
Que sequer foram percorridos.
Medo de percorrer que impedem de viver.


Medo do novo.
Que não devem ser comparados ao já vivido.
O vivido já passado que impede de viver.


Medo de ser mexido.
Medo de ser incomodado.
Medo de sair do conforto hábito de não viver.


Medo de novas decisões.
Medo de fundir a cabeça.
De não poder usar as mesmas respostas.
Os mesmos comportamentos.
Os mesmos rótulos.
Os mesmos discursos.
Que funcionaram de outra vez.


Medo de fazer palpitar o coração.
Então…
Pra que viver?


Medo de ter atitude e ação.
Será?
Não precisa mesmo, nada, nada fazer?

Medo que faz usar a mesma desculpa de sempre.
Não é hora!
Não estou pronto.
Nãosei. Nãosei. Nãosei.

Será?


Quem dera houvesse a fórmula.
O despertador que indicasse a hora.
Do “está perfeito!”
“É agora!”
Pra dar o start que te falta pra fazer.

O que você não sabe, apesar de saber,
É que o ponteiro certeiro não pára de se mexer.
E não inventaram o botão de ligar o status de “pronto”.
Não inventaram o perfeito momento de ser.

O medo que você sente
É o mesmo medo de toda gente
Só que com outro ingrediente.

É medo de viver!


Medo do fim?
Medo do início?
Quem dera…

O fim, inevitável,
Apenas demarca a exata hora do não mais poder.
O início, intimidador, única forma de passar pela dor.
Única forma de sobreviver.


Medo. Medo mesmo, tenho do tempo.
Este sim não reside num futuro incerto.
O tempo, sim, me cerca o tempo todo.
Me perguntando diariamente
“O que você tem feito comigo?”

Ah… E a esta pergunta, sim, terei de responder…
Hoje.
Porque tão rapidamente ele se vai.
Tão certo, tão cedo, desassossego.
De se ir sem percorrer…

sábado, 16 de março de 2019

Opiniosa



Da Ciclotour por Barcelona, ainda.


Praça (esqueci o nome!) quando resolvi ir visitar os museus, pois no primeiro domingo de cada mês, as visitas em museus são FREE 😁. #ficaadica

Tive a oportunidade de conhecer O Museu de Gaudi. Dentre outros lugares no bairro que, a céu aberto, são um museu para nossos olhos!

Meus passeios e viagens são, predominantemente, por áreas rurais, cidadezinhas pequenas, vilarejos. Naquela vibe "sou mateira", bicho do mato, evitava as grandes cidades nas minhas viagens.




Estou mudando e espero mudar muito ainda, meus conceitos. Ter opinião muitobemformada sobre oquegosto, oquequero, ondevou, oquefaço, me fez ser uma pessoa muito opiniosa. Traduzo. Ser teimosa na minha opinião. Tender a não experimentar o que está fora do que pontuei como parte do meu menu. Isso fecha portas, ao invés de abri-las. E estou num treinamento intensivo de ser maleável. De ouvir o diferente. Fazer diferente.

Barcelona é gigante. E... Amedronta. Mesmo pessoas "viajadas" que se metem em buracos, mundo afora. Porque buracos no meio do nada assustam. Mas me dão a impressão de serem menos perigosos que me perder numa cidade gigante.

Bicho do mato mesmo!

Foi um tour de leve e the flash. Apenas para completar uma viagem mix que teve de tudo um pouco, um pouco de tudo!

Mochilão.


Um trecho pequenino e de muito aprendizado no Camino de Santiago de Compostela. Peregrinação raiz.




Teve colo de amiga e irmã para eu me refazer das bolhas sangrentas e infeccionadas dos pés.




Teve Ciclotrip pela Toscana ♥️❤️🚲🍃 na Itália.



Teve a revanchesegundachance no Compostela para concluir os 13 km que faltavam - que diga-se de passagem, fiz dançando... 😀💃🎶🎼, saltitando por quase todo o caminho...




E teve passeio em cidade grande de... Bicicleta!

Mundão grande! O coração fica pequeno para acolher tantas possibilidades. A coragem para ir fazendo, vai acontecendo no caminho. Enquanto pensa vounãovou, VÁ! Algumas coisas só acontecem, acontecendo...

Muita coisa que fiz ou vivi, não imaginava, nem planejava. Muitas, tive de focar, planejar, abdicar de muitas outras coisas pra poder ir e fazer. Não cabe tudo que se deseja, nem no bolso, nem na cabeça, nem no coração. O tempo todo estamos fazendo escolhas. Abrindo mão de umas. Escolhendo outras. O medo de ir paralisa. Engraçado que o MEDO SEMPRE É DE ALGO QUE NEM ACONTECEU AINDA. Então, é engraçado entender! Parece medo de fantasma! Medo daquilo que nem existe ainda...

Textão. Fazia tempo que não escrevia. Ando introspectiva. Devem ser as mudanças...

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

Feznãofez? Feznãofez?



Um dia, vou mandar uma foto lá de cima de uma estrela. Dizer que a viagem foi ótima. Um pouco assustadora. Com clarões e escurões no caminho, feito relâmpago em tempestade à noite.
Vou dizer que tive de correr e apertar a perna um bocado nas subidas, mas que também soltei a perna nas descidas. E que o vento foi generosos e me refrescou o caminho todo, em brisa.


Vou fotografar o caminho todo, escolher as fotos mais significativas e mandar. Pra vocês poderem entender um pouco do que falo sobre esta delícia de ir na estrada deslizando. Sobre esta faceirice de passar pedalando, feito criança em bicicleta, fazendo arte.

Talvez, eu nem saiba escolher direito qual foto mandar. Porque cada uma tem uma história. E todas, todas uma história de amor comigo.

Mas eu vou estar de cima de uma estrela, e não terei a vasta opção de escolher tantas fotos assim. Na verdade, será como se fosse um último envio. Aquele momento de escolher as que marcaram mais. E ai de mim, escolher deixando de fora, tantos momentos importantes congelados na memória!


Então, matutando um bocado, um bocado mais, fico remoendo a vontade de incluir tantos CLICS no tempo. E, vejo, é rico isso! Não é motivo de desespero não saber escolher. É gozo puro! É possuir um leque gigantesco de um tempo bem vivido. É ter multiplicado o tempo, não por ter corrido demais nele. Pelo contrário. Por ter parado nele, para apreciar.

Ai que ando mexelona na alma… Observando despedidas. Observando o que o tempo vai fazendo com a gente. Vendo um espírito jovem (toda vida!) ganhar cara de senhora! Vendo um fio delimitar idades, pondo pra lá, ou pra cá, gerações. E ver que eu pertenço a de lá! Não. Não é lamuriar idade. De forma alguma. Este espírito atrevido e jovem, permanece jovem. Mas o tempo passa para todos. E vai ficando escasso, pedindo espaço para certas coisas…


Urge. Urgem vontades. Urgem anseios. Urgem segredos que vão perdendo a vergonha de existirem. Porque sabem que ele, o tempo, não parou nunca de passar. E fica como luz piscando, perguntando: “Feznãofez? Feznãofez?” como se brincasse maroto, me provocando a coragem. Coragem.

Meus medos foram outros. Diferentes dos seus. Diferentes dos outros. Minha falta de coragem é outra. Diferente da sua. E de todos os outros. Minha coragem também foi de atrevimentos diferentes dos seus. Pura lei da sobrevivência. Cada um na sua ação de sobrevivência. Meu afogamento foi outro. Meu asfixiamento foi outro. Cada um sabe o seu. O meu grito por liberdade nasceu de medos meus. O meu grito por querer viver, sei eu, o que o provocou. Nada, nada parecido com os seus. Me sobra coragem para os seus medos. Me sobra medo para a sua coragem.

Eu preciso conversar comigo mesma. Eu preciso reachar o botão ON que eu perdi em mim. Acho que sobrecarreguei a bateria. Vou formatar o tudo.


Lá de cima de uma estrela, vou olhar o caminho que percorri. Será a hora certeira de ver que valeu à pena. Que muita coisa escolhi. Muita coisa foi escolhida pra mim. E que permanecer no caminho, ou não, cabe a mim.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

Brochei




Os dois lados.
  1. Um desânimo e desestímulo
  2. Parada. Reflexão. “O que está errado?
  3. Um terceiro de acréscimo: pode melhorar a partir de agora.

Dois lados

Explico.

Brochar significa perder o tesão. Literalmente. Levei uma, dias destes atrás, em relação a escrever. Pra quem gosta de ler, fica difícil entender o porquê. Sendo amigo que não gosta, apesar de ser um saco receber mensagens contínuas na caixa de entrada, fica a dúvida: falo ou não falo pra parar de enviar?

Penso na opção da dúvida. Ele (quem envia) nunca vai saber se leio ou não leio. Fico na proteção da dúvida. Exceto se o enviante perguntar: “Você lê?” Como fiz dos destes e ouvi um “Sinceramente, não!”

Não há problema. Nenhum. Também vou confessar que não abro tudo que recebo. Sorry. Ainda e também prefiro mensagens pessoais do que compartilhamentos prontos. Mas também compreendo que este é o jeito de muitas pessoas demonstrarem atenção, amizade. Mesmo que as palavras enviadas não sejam escritas por elas, as representam. Então, aceito. Nem tudo abro. Mas aceito. Compreende?

Presente que ganhei

Carinho dado não se olha os dentes. Ops. O ditado popular diz: “A cavalo dado, não se olha os dentes!”

Adoro ditos populares. Porque você tem de entender a consistência. De onde nasceu. Disso, digo. É presente. Feito aquele enfeite de casamento que você nem curte, mas alguém deu de bom coração. Pra você, pode significar mal gosto. Pra quem deu, seu maior tesouro. Sua melhor forma de demonstrar amizade, carinho

Afinal. O que aconteceu que brochei?

Acho chato enviar frequentemente meus links do blog. E, off course, eu sei, a maioria não abre e lê. Não tem problema. O que faço sobre enviar os links não é pedido de comprar rifa. Nem prova de amizade de volta, se ler. Envio somente o que eu escrevo. Não são compartilhamentos de correntes, mensagens dosoutros, prints que não sei o que significam. Se para muitos é chato, incômodo, incoveniente receber links pela caixa de entrada, posso assegurar: só envio para amigos. Amigos que conheci, conheço e tenho vontade mandar algo meu. Como se fosse aquele velho bate papo que nunca acontece, ou aconteceu há anos. Tem mileuma promessas de se repetir, mas não acontece nunca. Pela correria da vida. Pela falta de tempo. Tempotempotempotempo.

A chamada que levei deste meu amigo foi justamente isso. Mal tem tempo de ler o que precisa ler, acredito eu, as coisas mais importantes sobre trabalho ou que reflitam em financeiro e eu fico enviandoandoando links de blog pessoal. Que se não tem tempo de ler o que precisa, que dirá, entrar em blogs pessoais de amigos. Eu.

Confesso. Fiquei mal uns pares de dias. Ruminandoandoando. Um tijolo pra engolir. Ensaiei responder. Gosto muito dele e responder ao que me escreveu, poderia acabar numa discussão de ideias. Afinal, anda estressado pela falta de tempo. Vou lá eu, mandar uma cartinha, ou bilhete de três linhas, pedindo desculpas,e pondo meu ponto de vista?

Gostaria de dizer a ele que talvez seja este o problema hoje, de todos nós. Dedicar pouco tempo a alimentar as amizades. Aceitando a forma de cada um se expressar. Ele me disse preferir mil vezes eu mandar mensagem lhe dizendo que vou visitá-lo, na cidade maravilhosa. E isto aconteceu até hoje, três vezes nestes doze anos de amizade. Sei que as portas serão sempre abertas. Mas…

Escrever é minha forma genuína de conversar. Por mais que as historinhas dificilmente sejam direcionados a uma pessoa, em particular, quando as envio, é por terem o tom de uma conversa. Simples. E responde quem quiser. E mais. Abre a conversa quem quiser.

Sinceramente, minha posição em relação aos envios de mensagens que não me interessam, ou são impessoais, enviadas a todos, é somente não abrir. Ou abrir, ver que não me interessa ver, ler ou assistir e fechar. Só.

Nunca escrevi a ninguém pedindo pra não enviar mais. O que já aconteceu é bloquear gente que não conheço, que está num mesmo grupo de WhatsApp e vir de conversa inconveniente e eu simplesmente, clico no bloquear. Só. Mas amigos… Somente quando na época da campanha eleitoral, onde tanta gente se desentendeu, pedi a uma ou outra pessoa que evitasse envios de cunho político. Pois cada um tem sua opinião. Só.

Então.

Sei, sei. Realmente, receber links semanalmente, ou quando acontece, diariamente, para quem não é adepto de ler, ou simplesmente não vê importância em blogs pessoais de amigos, pois não faz parte de forma alguma de “leituras a se ler”, é um saco.
Fico, então, matutando. Paro? Prossigo? Recolho? Restrinjo?


O que me faz continuar a escrever e enviar é justamente o que faz um professor prosseguir, mesmo quando metade da sala não presta atenção ao que ele fala. Quando você ensina algo que eles tem resistência. Quando ficar no stand-by é mais confortável. Do que ouvir. Não tenho nada a ensinar quando escrevo. São apenas conversas escritas, bate papo na tela que entra quem quer.

Compartilho o que vivo. Penso. Sinto. Em resposta, muitos amigos me escrevem fazendo um feedback muito rico. Sugerindo outros temas. Comentando algo parecido ao que vivi. Perguntando informações. Às vezes, dicas sobre como ir. Já que falo tanto de ir atrás de sonhos. De ir viver. De acreditar. De  fazer e acontecer! Então, vejo que dividir isto que escrevo provoca um despertar em muita gente. Um acordar. Um coçar. Que inicia uma revolução das boas… Que através das palavras, posso fazer a diferença a um que seja!


Justamente as pessoas que possuem um horizonte menor é que se deliciam com a leitura. Viajam junto. Desejam sair de seus lugares de conforto e ir buscar. Pois através das palavras e imagens, conseguem apalpar um pouco mais de perto por onde vou. Diferente de assistir canais que transmitem lugares mais fantásticos. Pois são estranhos que foram. Quando você vê alguém que você conhece expondo algo que fez, engraçadamente, parece se tornar mais perto.

Sei que este meu amigo não fez por mal. Ele é muito mais viajado do que eu. Imagino, com um círculo de amizades bem maior que o meu. Uma graça de pessoa, que se torna um excelente anfitrião quando o visitamos.

Eis a questão:

Visitar in loco, já não é assim tão comum. Por mais que eu seja viajeira. Por isso, para mim, os envios das minhas historinhas é minha maneira de manter a cordinha ligada. Entre mim e quem eu envio. Seja amigo velho, amigo novo, recém conhecido em viagens, de perto, de longe, de outro continente, de outro planeta. Tem sido assim que tenho resgatado conversas com muita gente que consta na minha imensa lista de contatos, a quem nunca ligo, também não envio uma mensagem pessoal, convidando para um café, almoço, passeio, nem visita em casa. Mas que no envio dos links, acabo cutucando por curiosidade do assunto, foto postada e a conversa é puxada… Para um café, um almoço, uma visita...


É. Nome retirado da lista de transmissão. Se você também não deseja receber é só me dizer. Eu retiro. Só acho estranho me dizer que preferiria o envio de palavras pessoais se essa prática também não é sua.

Cada um alimenta seus amigos do que lhe é mais rico e farto. No meu caso, de ❤️. É escrever. Mas vou entender se receber pedidos de pfv, Não me envie mais. Mas seja você, quem for, não distribua recados de “Tenho falta de tempo!” Você só possui aquilo que você dá.

Tempo.