Vamos conversar?

Vamos conversar?

sexta-feira, 23 de novembro de 2018

Pra lá? Ou... Pra cá?

Pra lá? Ou... Pra cá?


Se a decisão levar a um caminho novo, que venha cheio de aprendizados.

Antigo? De boas lembranças que tenham valido à pena.

Inimaginável? Melhor ainda. Se surpreenda! Pensar que a vida nos reserva o inimaginável é fazer dela uma aventura. De descobertas. De realizações inéditas. De nascer a cada dia. De ter os brilhos nos olhos como se fosse a 1ª primeira vez, a cada vez que se inicia o passo da jornada diária.

Não importa quantos anos já viveu. E quantos há porvir, é surpresa! O que temos em mãos para viver é pequeno curto e imediato. Cabe dentro do nosso abraço do nosso passo e quando não cabe, ensina-nos a construir pontes...

O caminho da vida é tão caridoso com a gente que sempre oferece mais do que seríamos capazes de planejar. Ou querer. Ou ousar. Mas o fazer é parte nossa. Porque senão, o filme da vida fica lá do lado de fora da janela. E vai embora!

Algumas vezes, sentar no sofá, espichar as pernas, nos relaxa e reabastece. Mas, passar a porta, necessário para ser o protagonista!

terça-feira, 20 de novembro de 2018

Mesmo que doa, vá!



Mesmo que doa, vá!
Mesmo que caia, levante.
Mesmo que machuque, cure...
Mesmo que dê medo, tente.
Mesmo que haja paradas, continue.

Uma hora, o fim chega e chegar nele olhando pra trás, lastimando não ver suas pegadas em seu próprio caminho, não te fará retornar a ele como se o relógio andasse pra trás.

O medo, a queda, a ferida e a dor assustam e podem te paralisar se você não se mexer.
Infinitas vezes tento e caio.
Recomeço e paro.
E numa marota brincadeira de ping-pong, o jogo está empatado.

Quando caio, pode até parecer que paro!
Engano tolo.
É apenas quando me recomponho, feito onda, que a cada recuo retorna, uma vez mais, infinitas vezes, sem parar...

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Estou na estrada.


Literalmente, de corpo, alma e mente,
Estou na estrada!
Tem a história que compara a vida ao trem.
Aquela onde pessoas sobem e descem
Algumas permanecendo tempo de viagem
Outras, não. Outras, sempre.
Serve, também.
Mas minha estrada é um pouco mais atrevida e assanhada.

Serve trem, serve busão, serve pé na estrada e dedão.
Serve carro, uno, 1pontozero, 4x4, sem4com4,
Serve barco, jangada, serve ela...
Ahhhh, ela...


A mágica magrela que já me levou tanto e ainda me leva... E me levará muito ainda...
Bicicreta, bicicleta, bici, bike, nova, velha,
Movida na perna ou elétrica,
Minha, cedida, emprestada, alugada
Desde que leve por estrada
Que se já for passada,
Que me inspire a ter olhos sem vista cansada
Que me canse a pernada, o fôlego, até a caminhada,
Mas que me assanhe muuuuuuito mesmo
A mirar laaaaaá na frente e querer…


E que me leve também
Naqueles horizontes todos que desconheço
E… Mereço!!!! Sim, mereço conhecer!
A meia década chegou e passou.
A boa ideia veio e ficou.
Agora vem este 5 com 2.
52
O coração ♥


Pra me relembrar
Que meu caminho, este que aponta o 5ponto2
Tem de ser legítimo ao que eu sou!
Um sou que incomodou e incomoda ainda
Um sou que não se encaixa muito (nunca se encaixou!)
Um sou que desapareceu muitas vezes e retornou.
Um sou que é meio casca de ferida
Se fere, se machuca e machuca
Um sou que tem histórias de choros
Mas tem muito mais histórias de risadas
Um sou que muitas vezes desistiu.
Mas resistiu.
E insistiu.


Que ainda entorta o nariz,
A toda dificuldade que me impeça de ser feliz,
Porque infeliz todo mundo é.
Se ficar na umbiguês…

Paciência. Muita paciência com esta velha jovem senhora.
Estou resistente ao Facebook.
Eu, euzinha que ganhei tantos amigos aqui.
(Desamigos, definitivamente, não constam na minha estatística!)
Optei sair por muito tempo daqui
E não voltei, realmente.

Passeei por aqui, dia destes
E, mal educada, 😱😇 não respondi ninguém!


Hoje é meu niver! Dia de comemorar a vida!
Mas, pra falar a verdade, de verdade mesmo,
Não espero chegar este dia pra comemorar.
Porque a vida está aí nos 365 dias pra ser brindada e vivida, intensamente, agradecidamente, sorridentemente!


Então, que cada desejo no teu coração multiplique-se e reverta a você!
Que sejamos espelhos daquilo que permitimos estar à nossa volta. Bem desejado, bem espelhado!

Acho que, tosca como ando estando, serei deselegante e bicho do mato, possivelmente vou ler e não responder a tudo que vem chegando de parabéns…
Devo ter configurado pra não permitir publicação no meu mural 😮😱😇 e já nem lembro mais como se mexe nisso…

Estou lendo. Estou lendo cada uma das mensagens… Mas….

Tô virando ogra. Véia do rio. Carinho recebido, carinho correspondido. Podem ter certeza!


quinta-feira, 30 de agosto de 2018

Sapequês - O mundo é redondo!


Passei a noite por ali. Pessoas esticadas no chão, num sossego invejável e convidativo. Lugar peculiar. Único. Voltei de dia e o instinto sapequês veio com tudo! Dei voltinhas mil ali de bici...



Não é o lugar que me alegra. É estar solta e feliz, livre, passando em lugares nunca vistos, tendo alguns perrengues, sim! Mas tendo muito mais de bom do que de ruim!

Passei uns bons dias me recuperando de uma cagadinha. E, de novo, nada é por acaso. Tive a oportunidade de sossegar, escrever, relaxar e sarar. Troquei meus planos A, B, C, D, o alfabeto inteiro pra ter opções melhores. Me adaptei ao que  veio. Desfrutei os bons frutos do caminho. Colhi amizades que passaram e convergiram de volta. Outras, passaram e se foram com o vento.


Quando falo de liberdade não é não ter obrigação alguma. Nem o não prestar conta a ninguém. Quando se decide viajar, mesmo tendo flexibilidade e trocando destinos, há o compromisso principal de mim comigo mesma. De não me ferir. Me respeitar. Porque o fruto vem. E se vier e for um limão, fazer a limonada.

A vida é muito breve pra viver só num plano do quadrado. É preciso enxergar e viver no mundo redondo que não tem fim! A vida é generosa. Todo dia. E a cada dia.

A frase que a vida é simples e é a gente que complica é fato. Mas é muito mal usada. É mudar os olhos. Aceitar os presentes de cada dia. E se perder o trem, pegar o outro. Uma carona. Mudar a direção. O horizonte tá ali, seja pra que lado você estiver olhando. Mas ele não vem até você. É você quem tem de mexer o pezinho e ir de encontro a ele. Porque quando você chegar lá, na horinha já vai enxergar outro....

quinta-feira, 12 de julho de 2018

Grandes prazeres… Em pequenos detalhes


Estou almoçando. Vasinho de flor na mesa, feito de vidro de coco e escolha de bom gosto nas flores singelas. Cinco flores do campo rosas, duas amarelas, um botão verde e mais outro bem pequenino ousando ser amarelo.


Comida boa, saudável, num lugar tão agradável em cada detalhe. Desde a comida, logicamente, com opções tradicionais e vegans. A parede feita em giz branco, fundo negro numa parede longa que vai do chão ao teto. Paredes que se alternam comcorsemcor. E a boa surpresa do dia… Música lá fora, no compasso do violão. Tudo transbordando bom gosto, suavidade, daqueles lugares que você chega e não tem vontade de ir embora!


Prato lindo feito, me sento à mesa. Me invade um bem-estar que até sorrio pra mim mesma. Tá certo que tem horas que sou exageradamente sentimental. Vejo beleza em tudo. Me comovo. Me inspiro. Mas sensação é sensação. Ou vem ou não vem!

Feito um trato comigo mesma, não pego em celular enquanto como. Nem sozinha, nem com outros. Hora do alimento é hora do alimento. De comprazer, de se deliciar, de saborear o momento e o alimento. Tiro o óculos com grau escuros e ponho até o óculos de grau transparente para apreciar melhor o lugar. Quero estar toda de poros abertos para sentir e degustar o lugar. Observo as pessoas, mais detalhes, o movimento. As flores escolhidas a dedo que enfeitam cada uma das mesas.


Me coço de vontade de escrever. É sempre assim. Tem acontecido sempre, diariamente. Imagens. Que me atiçam a fotografar para escrever. E viajar no que elas me despertam. Falo muito de viagens. Voltaemeia me escrevem em resposta às postagens me dizendo que viajam juntos das histórias, das imagens, das contagens. Algumas vezes, falando do anseio e do desejo de viajarem também. E de sua frustrações de não poderem. Não terem coragem do primeiro passo. Sentimento bom e ruim. Bom por mexer com um estagnado desejando movimento. Que pode provocar um despertar. Ruim pela frustração que gera. Principalmente porque não há somente impedimentos que se atropela e se derruba apenas com vontade.

A gente que tem o pé na estrada, que já saiu daquela inércia incompreensível, vive tramando os próximos passos. Incompreende quem não vai. Só nesta semana, conversei com duas pessoas sobre isso. Uma não era frustrada em não viajar. Ao contrário de mim, se delicia vendo documentários pela TV. Tem pequenos prazeres no convívio com filhos e netos. Uma dimensão bem menor aos olhos de quem quem ir pelo mundo! Mas real! Outra pessoa que me escreveu após o último post, confessou sua frustração em não ir mundo afora. Disse se deliciar com minhas viagens e se sentir viajando comigo! Que lhe faz bem poder viajar virtualmente nas minhas histórias. E isto me instigou…

Inclui na minha lista de títulos algo pra falar disso. “Outras viagens”. Vou escrever, ainda. Mas hoje, cá com meus botões, olhando pra este vidro de leite de coco com estas flores tão simples, me cocei pra escrever. E tinha de ser agora! O prazer que tomou conta de mim neste ambiente tão agradável, tão especial e, ao mesmo tempo, tão simples me despertaram estas ideias que já estavam sendo digeridas.


Simples. Detalhes pequenos. Alimento. Música para a alma. Chego num lugar para almoçar, item básico na rotina de qualquer um e me dou conta da saciedade provocada pelo simples. Não precisei ir longe, não foi necessário nada esbanjadamente preparado, nem consumido. E me farto de prazeres!

Termino de almoçar como boa menina que tento ser - ou voltar a ser - dentro da minha lista de resoluções para uma vida mais saudável e pego meu escrevedor. Cá estou!

Minha irmã, você está - sabiamente - certa nos teus pequenos prazeres (aos meus olhos inocentes e prepotentes) de ser feliz em pequenas coisas - grandes prazeres!

Minha amiga, você viaja muito mais do que eu que boto o pé, a bota, o pedal e o pneu do carro na estrada. Eu vou de corpo presente. Fica fácil me deliciar em viagens onde estou. Mas como explicar esta tua capacidade gigante de viajar junto, mesmo não estando? Como explicar teus olhos brilhando, sonhando, reconhecendo seus sonhos nos meus? Viajar sem ter o corpo presente, minha amiga, é a capacidade extraordinária de crer sem poder. De não desistir, mesmo sem ir. E isto, este processo que, ao meu ver, antecedem mudanças, são combustível que apenas pessoas muito fortes conseguem manter. Pense bem…. Se comprazer com o que se tem debaixo dos pés, é fácil. Difícil é acreditar mesmo sem estar sobre o lugar que você ainda imagina ou quer.

O relógio aponta a hora de ir trabalhar. Escrevi por cerca de trinta minutos. Um pouco do transbordamento que acontece todo dia, a qualquer hora do dia e me faz ter tanta vontade de continuar nesta conversas.







P.S. CLICS foi um nome especialmente escolhido e não poderia haver outro melhor. Pois aqui é um espaço onde tantas conversas nascem, ou são compartilhadas que é quase como a cozinha da minha casa. Pra escrever cartas, reviver lembranças, retratar imagens, prosear boas conversas e alimentar os sonhos…

quarta-feira, 11 de julho de 2018

Na fracota, na maciota!



Modo maciota: vai de leve, vai de boa, tranquilinho, devagar. Tipo, curte a janela do trem.
Trem? Que trem?
Este! Que você está…

Carros potentes correm muito! Chegam rápido demais. Só enxergam a bandeirada final. Como se fossem de um só suspiro. Não respiram o caminho…

Quero ir na maciota. Quero respirar o caminho!


Viajar em bicicleta ensina isso. Cada pedalada é como um passo, um empurra, outro vem, enquanto um puxa, o outro empurra, você sente o caminho o tempo todo. Não há como não sentir. Você precisa estar full time se levando. Não existe o irnabanguela. Porque até na descida, onde você dá uma relaxada nas pernas, a cabeça fica atenta e fica cuidando pra você passar pelos lugares certos e não levar um capote. Há quem, na descida, esteja mais presente ainda que na subida. A subida é o esforço. A descida, o gozo!


Ir na fracota me parecia ser ruim. Não é. Tenho descoberto que ir na fracota é ir na maciota. Aprendizado puro de sairdedentrodoseuego (inflado!) para ir, escancaradamente, livre. Livre de passar o caminho na performance. Cheia de orgulho. Repito. Redundantemente. Sairdedentro. Pra estar lá fora. Viver o caminho. Olhar através da janela e enxergar. Ao invés de ensimesmar…

Esta tal da performance vira vício. Silêncio absoluto no ar. Ranço. Narizes entortados. Vão dizer que estou falando isso só porque estou na fase nafracota. Puro despeito meu. Inveja negra de quem está no auge da performance.


Posso falar?

É. A performance é, realmente, um auge. Topo a ser alcançado que gera esforço, disciplina, empenho, foco, muito foco e faz da vida um ciclo interminável de esforçoaugemaisesforçoaugemaisesforço. Este é o ponto. Não tem fim. Na há saciedade, nunca. A cada sucesso, um fracasso. A cada vez que você atinge a meta, nova meta é estabelecida. E malemá você saboreia a delícia do auge. Porque, imediatamente, está insatisfeito em busca de outro. Uma roda viva, cíclica que, se você não mantiver o discernimento, faz a insatisfação se ambivaler à satisfação. E correr tanto atrás do auge perde o sentido. Você passa anestesiado no caminho. Cego na chegada. Porque mal obtém, não tem. Pois já quer outro. Insatisfação sem fim. Compreende?

Não estou atirando pedra na vidraça alheia. A vidraça sou eu mesma!


Estas paradas obrigatórias nos fazem sair de dentro de nós mesmos e nos observar com um olhar de águia. Que enxerga detalhes que, in loco, não enxergaria. Viro, sim, vidraça de mim mesma. Qualquer pessoa que esteja vivendo algo parecido com over, overtraining, overdose, não tem consciência disso. Só saindo pra enxergar.

Na fracota é uma expressão que tenho usado muito para definir o estado que estou. E, ontem, conversando com um amigo, falamos ao mesmo tempo a sua definição: na maciota!


Ser ruds, ser rude, ser duro. Parecem significar a mesma coisa. E o oposto não precisa ser mole. Mas se permitir, um pouco, o ir na maciota. Quando você vai assim, se desatrela de obrigações que te apressam o caminhar. Pode até parar no meio do caminho. Pra descansar, pra fotografar. Quer melhor que isso? Captar imagens que o coração já captou, antes? Dá até pra se alimentar, reabastecer corpo e alma pra, depois, prosseguir. Dá pra olhar em volta, giro de 360 graus, porque quem só anda sem parar, tem um ângulo de visão limitante de 90º, um pouco mais. É um pacote de benefícios tão saudáveis que fico, cá, pensando comigo… Se eu, toda atletinha, passasse neste mesmo caminho, saberia isso tudo? Me permitiria parar? Ou estaria enxergando apenas o chegar?


Falo de cadeira. Por mais que meus olhos passassem atentos no caminho, sorriso no rosto, cabelo no vento, lá dentro o anseio era chegar. Na fracota, apenas vou. Não pus um alfinete 📍 no mapa definindo até onde devo ir e parar. Alfinetes são todos os lugares que eu desejar parar. Não há um portal de chegada, único que seja maior, mais importante que todas as portas no caminho que eu abrir, passar e fechar. Na fracota me permite uma liberdade autêntica, não é liberdade de bandeira 🚩 que se carrega pra todos verem e acaba pesando no carregar, feito porta-bandeira em desfile de escola de samba. É liberdade pra gente, não pros outros. Que cumpre o seu papel primeiro de…
Li-ber-taaaaaaar!!!


Vou na maciota. Sem pressa. O relógio não anda pra trás, mas também não precisa correr pra frente. Vou usufruir cada TIC. TAC. Porque entre um e outro se você prestar atenção, há um respiro. Isso. TIC. TAC. TIC. TAC. Até o final!



domingo, 8 de julho de 2018

O barulho alheio



Então.
Domingo, dia lindo, vento no cabelo do jeito que eu gosto.
Vou lá alimentar espírito, alma e corpo, como me propus. Dou uma geral na casa, tarefa do dia feita e vou lá, andando, usufruir o dia!

Das coisas que gosto de fazer, esta, “caríssima”, na pontinha dos dedos dos pés, do lado de fora da porta de casa, posso fazer todo dia, se quiser. Quintal de casa, perambular descabelada, despista de mimimi, desprovida de uniforminho de atleta, salto alto de madame, ou papéis a cumprir. Vou à toa. Diboa. Sem ter de pagar ingresso.

Aí, aquele barulho do vento vistoso… Carregando pensamentos, sacolejando folhas e galhos e cabelo. Baita sossego!

Vou eu e o Tufo. Todo regateiro, cheirando tudo reconhecendo passagens de sempre. Até música ao vivo, encontro no meio do caminho. Aquele barulho, pano de fundo, que você ouve ou abstrai e sai, se não quiser ouvir.

Imensidão de verde à frente, vontade de andar por tudo, sombras de sobra pra escolher. O Tufo escolhe uma. O sol à pino consente. Hora boa de encostar na árvore e não fazer, absolutamente, nada!


Sempre carrego o meu escrevedor de histórias. Sempre tenho algumas penduradas no pregador da geladeira, na fila de historinhas por escrever. E sempre aparecem algumas, na hora.

Estava eu, já tirando um coringa da manga, umas que estou louca pra escrever e…

Barulho alheio! Não entendo!

Paz alheia. É possível, por favor? Porque barulho alheio, é intrometido, inconveniente, danado de chato. Um verde imenso, rodeado de rua e espaço pra estacionar. Lá fora, amigo. No verde, não é lugar de entrar de carro poluente e estacionar. Mas o barulho alheio faz assim mesmo. É o tipo de gente que ignora proibições e bom senso. Se banca de atleta que gasta energia correndo atrás, na frente dos seus quatro cachorros, mas entra no espaço verde de carro. Dá pra entender? Preguiça de andar? Como se não bastasse, a gente barulhenta chega com seus quatro cachorros sem ter, exatamente, quem os controle. E chega, chegando…

Eu não sou o tipo de pessoa que tem cachorro de porcelana. Tipo nãometoque, nãomerele, nãoseaproxime. Neste espaço público e aberto, há espaço pra todo mundo. E cada um sabe o temperamento do seu pet. E, mesmo sendo “émansinho, nãomordenão”, a aproximação de quatro cachorros - um grande, dois médios e um pequeno tem de ser acompanhada de perto por seus donos. Porque cada cão também reage do jeito que quiser. E se achar que seu dono está em risco ou ameaçado, reage atacando. Eis a questão!

Off course. Os quatro vieram pra cima de mim. O meu reagiu. Latiu e se impôs. Os donos deles? “émansinhonãomordenão”... Explica pro Tufo isso…


Ouvi isso outro dia e agora dou toda razão. Também gosto de ter o Tufo solto, livre, sem guia. Mas este reconhecimento de cachorros que não se conhecem, precisa ser controlado de perto. Porque a apatia e reação entre eles é imprevisível. E se um rosnar… A confusão está feita.

Mas o barulho alheio não terminou aí. Apenas começou…

Esta gente barulhenta parece gostar de mostrar que tem domínio quando, de fato, não tem. É a melhor forma de mostrar isso, adivinhe qual é??????

Ganha um doce quem adivinhar…

Barulho alheio! É preciso fazer propaganda que meus cachorros me obedecem. Nem que, para isso, seja necessário gritar quinhentas vezes ao vento, repetidamente, dando ordens que, off course, eles não obedecem… Quanto mais grito, mais mando. Certo? Errado.

Eita paz alheia que esta gente barulhenta não conhece, não faz e não respeita. Tevebom.

E a gritaria alheia autopropagandeira continua… É feio comparar com pais que não têm o mínimo domínio sobre seus filhos? Porque é igualzinho! Senhor… Juro. Eles mandam ficar. Eles vão. Gritam um pouco mais para obedecer. Lógico que não adianta. Gritam mais, então. Um. Outro. Ninguém obedece. E o barulho alheio continua…

Dali a pouco, chega uma outra família. Cinco cachorros pequenos e um casal. Outra realidade. Discretos. Vão o tempo todo junto com todos os cachorros. Um na guia, por ser o mais idoso. Uma sapequinha com a guia no corpo, caso tenha de segurá-la, se correr. Não se ouve a voz deles. A não ser que você os cumprimente ou puxe conversa. É. Tal dono, tal cão. Fato!

Finalmente, o barulho alheio diminui o volume. Cachorros, os dele e o meu, se familiarizam. Continuam, evidentemente, a falar num tom que toda a redondeza em torno escuta e pode saber o que conversam. Vai que eles tem problemas auditivos e, por isso, conversam tão alto, né? Vai que é isso…

Enfim. O vento é público. O ar. O espaço. E o barulho alheio, invasivo, intrometido sem desconfiômetro ignora que a paz alheia também é direito de toda gente.

Enquanto isso, o vento volta e prefiro dar atenção a ele. O vento, na verdade, está perfeito hoje e não pára um minuto. E percebo que todo o tempo que prestei atenção ao barulho alheio, me esqueci dele, do vento. Então, rio de mim mesma. Ganho a lição do dia. Prestar atenção ao vento! Abstrair o barulho alheio que ele perde a força. Sou eu que escolho o que ouvir.

Eu prefiro ouvir o vento!...


sábado, 30 de junho de 2018

Surpreenda!


Ogro que se revela príncipe.
Príncipe que se revela Ogro.
Calmaria que esconde tempestade.
Tempestade que antecede a calmaria.
Um vazio imenso e profundo. Necessário para se guardar tesouros inimagináveis.
O incerto. O duvidoso. O nada provável. Contrastando com certezas nada aparentes.
Um ontem vivido. Um caminho a frente no hoje indefinido. Que preparam o amanhã que surpreende…

Uma miscelânea. Palavras. Meias palavras. Palavras e meia. A delícia de escrever é poder dizer sem, exatamente, dizer tudo. Um processo que só é completado com o lado de lá. De quem lê. Eu posso escrever o que eu quiser do lado de cá. Aquilo que eu quis dizer nunca é captado integralmente por quem lê. E vice-versa. É a dança do tempo. Do presente-futuro. Do agora e o daqui-a-pouco. A tal da imprevisibilidade. Você nunca é capaz de prever!

A cada parada minha, exatamente como esta neste exato momento, olho em volta. Me surpreendo. A maioria das coisas que imaginei não acontecem do meu jeito. E um bom tanto de coisas me surpreende no caminho, inesperadas.

Não é questão de esperar de braços cruzados. Off course que não! Mas esta tal flexibilidade que verga galho verde e que galho velho não tem… Ahhhhhhhhh…. Faz uma diferença danada!

Prever o instante futuro, esperar o acontecimento previsto é, no mínimo, extremamente chato!

Tá. Certas coisas, muitas, eu planejo, sim, porque quero que aconteçam. E se eu não traçar o caminho, medir os passos, esperar somente o acaso me conceder, posso esperar sentada. Sem previsão de entrega do pedido. Caminhar para o alvo faz parte. Do desejo. Do mover-se. Do alcançar. Desejos nos movem!

O que penso? O que quero dizer quando digo “surpreenda”?

Não fechar caixas etiquetadas de entregas pré-determinadas. Não usar o mesmo perfume a vida inteira. Praticar o desapego. Doar objetos, roupas, sapatos, bolsas, o supérfluo e o usável. O que dispensa e o que reflete o seu exagero, o seu excesso em manter coisas demais junto de si. Quer ver?


Tenho óculos. Uso óculos e não uso. Agora, resolvi usar. Confuso? Miopia resolvida por lentes de contato que, quando usadas, atrapalham enxergar perto. Solução? Uma lente pra ver longe. Outra pra permitir ver perto. Mas… Sempre mantive óculos estepe. Aqueles que quando não tem jeito mesmo, uso. Aí tenho um estoque de óculos! Pra sair Patricinha, sair esportivinha, escuro, espelhado, degrade, sem ser de sol, de grau, pra longe e perto, só pra perto e tal. Aí, quando vou fazer a mala… São, no mínimo, cinco caixas de óculos. Agora, consigo reduzir para quatro. O problema são as outras dez e tarará nas gavetas… Precisa? Não, né! Já me prometi juntar todos os graus vencidos que podem ser úteis um dia, “caaaaaaso eu precisar”, e descartar. Não vou usar.

Outro exemplo?

Meus brincos sem par. Ridículo, né? Pra que guardar? A não ser que eu lance a moda de cada orelha, uma sentença. E use o que quiser. Aliás, não sei porque insisto em guardar brincos que me machucam, que se usar umas horas no dia, me cortam a orelha. Dilaceram o furo.

Estarei, eu, falando mesmo de brincos?
Estarei, eu, falando mesmo de óculos vencidos?

Esta historinha de hoje está me surpreendendo… Imaginei uma coisa e os dedos estão conduzindo a outra… E na fala que mais me fala, a metáfora, encontro um sentido escondido.

Pares de brincos perdidos. Já foi. Já era. Cada qual teve seu par. Usar com outro qualquer vai destoar. Pode ser brinco acessório, mas não par. Descartar.

Óculos vencidos. Ajuda numa emergência? Ajuda. Mas dá o foco real? Não. Deforma a imagem. Embaça a vista. Pode até ser que o grau seja o certo. Mas… E… E aquela armação nada a ver que deforma, não a imagem, mas a tua cara? Óculos quando necessário tem de ornar com a pessoa. Reflete ela. Diz muito dela. Tem de sem uma continuidade. É a nossa cara com algo na frente que tem de condizer com a gente! Hora de pegar graus vencidos, armações horrorosas, óculos com lentes trincadas, riscadas, visões deformadas e jogar tuuuuuudo fora. Sem dó.

Vamos adiante?

Calçados… Na necessidade, costumam ser reaproveitados por outros, quando doados. Quem necessita, se adapta. A necessidade faz com que moldemos nossos pés às formas de sapatos velhos para poder caminhar. E sapatos novos nem sempre calçam como uma luva. Um tempo pode ser necessário a ambos, pés e calçado, se ajustarem e se moldarem um ao outro. E no armário? Sapatos velhos que não são dispensados por nada, pela sensação de conforto que nos dão. Alguns, pegos no impulso, bonitinhos ou baratos (???) que nada tem a ver com serem, realmente, necessários. Aí, aquelas duas prateleiras no armário, se tornam minúsculas e insuficientes para tantos sapatos que tem uma mulher… Então, vem a pergunta. Que tipo de mulher você é? (cabe aos homens, esta pergunta, também!) E se você se fizesse a pergunta: quantas vezes no ano vou usar? Quando eu usar, somente este calçado pode ser usado? Tenho outros pro mesmo uso? É necessidade ou futilidade? Hummmm….

Interessante que enquanto eu escrevia, ia transferindo cada figura a figuras na vida da gente. Veja só.

Brincos poderiam ser nossas parcerias. De trabalho. De amizades. De vida. Em algum momento, perdemos o par. Alguns outros podem se parecer com o brinco perdido e disfarçar no lugar. Mas não são o par perdido. E nunca serão. O tempo do brinco passou. É preciso racionalizar e manter na caixa de brincos, somente, o que tem par. O que permite a parceria. No mais, é espaço ocupado à toa.

Óculos. Nossas impressões. Nossa fachada. Nossa cara. Nossa aparência. Nosso modo de ver. A nossa visão muda com o passar do tempo. É preciso ajustar os olhos pra não perder o foco. Lentes de grau vencido vão nos embaçar a visão. Armações na cara da gente que não nos representam, não serão usadas. Vão ficar na gaveta. E não vão nos ajudar em nada a enxergar melhor… Óculos tem de ser o exato reflexo do nosso olhar. Senão, não tem serventia.

Sapatos. Calçados. Merece uma história a parte. Enquanto escrevia, parecia estar falando de pessoas que se unem a nós em nossas vidas.
Quem não tem aquele sapatinho velho que não dispensa por nada neste mundo? Aquele amigo antiiiiiiigo que, às vezes, parece saber mais de você, do que você mesmo?
E as aquisições enganosas? No estilo: Bonitinho, mas ordinário? Sem qualidade nenhuma, só cores, fachada, vendem uma imagem que nada têm? Chamam a atenção, mas são como bola de sabão! Pof. Nada dentro…
E as ofertas imperdíveis? Que fisgam naquele segundinho de bobeira, só porque é baratinho? Você já tem em casa. Não precisa. Não vai ter utilidade. Mas é baratinho. Pronto. Feita a bobagem. Pega sem precisar. Mas não te acrescentam naaaaaada! E só fazem ocupar espaço no armário. Espaço que precisa ser compreendido como o ar a ser respirado.

Comecei escrevendo “Surpreenda” mas dá, tranquilo, pra mudar o título. Armário e gavetas dos desnecessários. Faxina mental. Mas vamos brincar mais com a palavra pra terminar.

Surpreenda. Quem são suas primas? Compreenda. Apreenda. Surpreenda. Bem nesta ordem. Ter entendimento sobre. Trazer pra si. Ir além. Pra que nem o armário seja um caixote previsível de objetos e pertences em desuso. Nem as gavetas tenham a incumbência de enxergar por você. Desfocadamente. Nem a vida nos seja uma caixa etiquetada com conteúdo, datas e locais a serem entregues escritos num papel do lado de fora.

Surpreender é um ato de sobrevivência! De ousadia descarada, meio desesperada, meio descabeçada, ato heroico de ou isso ou morro. Porque aceitar a mesmice, o perfume de sempre é não arriscar e experimentar novos aromas. Usar sapatos apertados por medo de tentar novos. De se conformar com a vista de dentro de uma janela embaçada pela chuva, pela sua própria respiração, por medo de se molhar, medo da gripe que talvez venha, medo, medo, medo… Surpreender é jogar coisas para o alto e, ao contrário do que se diz, não é largartudoeir. Pode ser que seja o instante exato de ganhartudoporterousadoir.