Vamos conversar?

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domingo, 13 de janeiro de 2019

A vida como um lenço 🧣



Versatilidade. Ao contrário de não ter identidade, é poder assumir várias versões para se adequar às necessidades da hora. Não ter nascido exatamente para isso. Mas camaleoar. Brincar de vestir-se e despir-se, sem lerolero, mimimi.

Por muitos anos, fui muito opiniosa. Ter opinião é uma coisa. Ser opiniosa é ter uma opinião teimosa.

De maneira nenhuma, meu blog é fonte de conceitos e definições padrões. Para quem já lê há algum tempo, já deve ter se acostumado com expressões que invento, como modos de escrever próprios, onde trato a palavra escrita quase como uma composição pintada em tela, onde disponho as palavras do jeito que eu quiser, não importa a forma padrão delas existirem.

Não me preocupo muito em parecer não saber escrever. Sei que sei. E quando dá um branco, busco. Pra não cometer erros bobos. Mas recriar a palavra é fantástico! É como vesti-la com roupa nova para resignificar… Aí, abuso de neologismos meus.

Opiniosa. É pensar que tem uma opinião formada. Até aí, tudo bem. Mas pensar que esta opinião é a the best, única alternativa correta, pura bobagem.

Vamos às roupas!

Você olha para uma roupa e vê.
É uma blusa. 👕
É uma saia.
É um vestido longo. 👗
Uma calça.👖
Etecétara, etecétara.


A MOCHILA 🎒
Repaginar. Descobri que esta palavrinha contém um ingrediente mágico de fazer multiplicar as poucas peças de roupa que carrego naquela malinha de rodinha de 10 kg, a famosa mala de bordo que é permitida nos voos, sem pagar excesso. Mais a mochila tamanho P, que vai nas costas no lugar da bolsa feminina de mão. Que, compactada, leva meus equipos eletrônicos, de fotografia, GPS, carregadores, adaptadores, equipos de aventura. Mochila esvaziada é útil em passeios, trekking, bicicletadas, vai grudada ao corpo, não atrapalha. Bolsa, apesar de eu ter uma cascuda, espaçosa, guerreira para viagem, não é funcional. Não é versátil!


SAIABLUSA 👚
Tenho uma saia-blusa. Uma em que apareço numa porção de fotos na minha TripMix pela Europa. Repito roupa? Off course! Roupa em viagem pode (e deve repetir muito!). Não pode é repetir passagens! É uma saia babadinho listrada. Deixa eu contar? Estava,eu, com ela outro dia no trabalho, uma colega olhou pra ela, olhou pra mim e que gritou assustada… “Susi! Que é este negócio na sua saia? Parece uma manga!... 😱🤪😲 Ele havia descoberto o segredo… Não é saia coisa nenhuma! É uma blusa tomara que caia de mangas em babado! Que quando vi na loja, nas raras vezes em que adquiro peças de roupa em loja (minha praia é brechó, ou trocs entre irmãs, ou amigas, ou desapegas), já vi todo o potencial dela e só por isso a comprei. Cinconuma. Saia é só uma. Mas blusa, pode ser usada com ombro, sem ombro nenhum, um ombro só, tomaraquecaia. .


Versatilidade. Fica mais presente a peça que tem versatilidade. Com certeza, foi a peça que mais usei na viagem! Será mera coincidência com a vida real? A de pessoas e não roupas?




VESTIDO-SAIA 👘
Tenho também um vestido. Adivinhe, se for capaz. Que não é vestido. É uma saia em seda chinesa comprada numa loja uruguaia. Com uma estampa misteriosa e colorida, com babados sobrepostos, de um lado, cujo avesso se torna um direito, tão perfeita é a costura e o acabamento! Naquele modelo que minha mãe adorava e reproduzia em sua máquina de costura. Saia envelope. Que imita o fechamento da canga, com a vantagem de ter duas pontas compridas e um furo para fazer a amarração e fechar a saia. Ops. O vestido! Com a amarração, invento, pelo menos, uns três fechamentos diferentes para o vestido. A saia pode ser usada no direito um e no direito dois (o avesso).


BANDANAS
Costumo usar bandanas quando pedalo, vou para trilhas, para o mato. Pecinha versátil, esta! Vai na cabeça segurar suor que escorre pro olho (Foi para isso que foi criada? Além de esquentar - ou resfriar - a cabeça?). Para o pescoço, para proteger ou esquentar. Para as bochechas, idem. Já virou molhador de cabeça, rosto, encharcada de água de rio. Segurador de celular no braço, segurador de telemóvel, nas contusões. Além de quê, da um colorido na imagem, elehe! Vira toalha de enxugar em banho um improvisado. Vira tirador de areia. Limpador de pé, ou enxugador, para recolocar o calçado e segue trilha, correndo, andando ou pedalando. Facin, facin, dela migrei para os lenços… nos invernos da vida…


LENÇOS 🧣
Echarpe? Lenço? Cachecol de verão? Canga fake?
Importa sem um pedaço de pano sem forma definida, que pode ser quadrado, retângulo, cor lisa, estampada, com listras, flores, manchas, o desenho que for. Espessura e textura que varia, com franja, ou sem. É a peça mais versátil de um guarda-roupa de uma mulher. E, certamente, com uns cinco deles, viajo sem precisar levar nenhuma outra peça de roupa na mala!

Já usei, num casamento de uma amiga, um lenço quadrado, dobrado na diagonal, amarrado como tomaraquecaia. Enrolado no peito, amarrado na frente debaixo dos seios. Perfeito. Com saia cintura alta para as gordurinhas não pularem para fora…. 👗😇😆🤭

Voltaemeia, amarro como blusa, como saia e até como vestido, já usei. Se for grandão, da fazer amarração como calça saruel. Serve de cobrecabeça, na hora do sol forte, agasalho na hora que esfria e, lógico, como echarpe, nas mais diversas amarrações!

Ainda vou brincar disso. De fazer uma mala só com lenços. Que, camaleões, viram roupa, toalha de banho, canga de chão, boné, xale, e bolsa.



🧐
Ver a vida como um lenço, é muito mais que falar de roupas. Transfira. Contextualize. Permitir-se desnudar-se de roupas-padrão, é abdicar dos teus conceitos congelados. Das tuas opiniosas opiniões. Ter em mãos papel em branco. Graveto e pedra e ter de fazer fogo. Começar do começo. Vestir-se sem ter roupa pronta, nem linha, nem agulha. Apenas panos.


A vida como um lenço é ir pelo caminho da versatilidade. Não congelar formas, nem formatos. Olhar para uma peça e ver além. Não aceitar, simplesmente, que saia é (só) saia, blusa é (só) blusa, lenço é (só) lenço.

O resto é remendo.

sábado, 2 de junho de 2018

Fazendo as malas


Hora de fazer as malas. O que levar? Boa hora pra se listar o “realmente necessário”. Separar aquilo que é imprescindível das mazelas, frescurites que a gente carrega por pura teimosia, só acumulando itens no excesso de bagagem!

Quando vamos preparar a mala para uma viagem, costumamos querer levar tudo aquilo que a gente usa mais, não larga, misturado ao que a gente acha que vai usar, quer usar e não se atreve, peças que não se conversam entre si e que na dúvida, vai tudo mesmo, socado na mala…

Quem já teve oportunidade de fazer mochilão, travessia em montanha, viagem autônoma de Cicloturismo “Raiz” onde se carrega empurrado pelas penas, todo o peso do que se vai usar para comer, dormir, vestir, sabe bem do que eu falo sobre minimizar peso. Levar somente o necessário. Racionalizar. Pensar nas necessidades básicas de fome, sede, frio, saúde, sono. Sem exagerismo!


Nestas horas, peso nas costas, ou nas pernas, fácil, fácil nos desapegamos daquilo que não precisamos. Dez trocas de roupa podem virar duas ou três. Um único bom e quentinho agasalho é o suficiente. Meias, mais de uma, pois pés secos e quentes são fundamentais. Um tênis ou bota pra andança ou pedalança, um chinelo (ou crocs!) para o descanso dos pés e, se a situação permitir, um sapatinho ajeitadinho pra passeio. Só! Pra higiene, nada de frascos que duram meses. Na medida. Bem no estilo frasco de hotel. Não precisa mais que isso. Ah! E, pra quem é adepto, a parafernália eletrônica para registrar o caminho. Vai de cada um.

Lista feita!

Faltou algo?

Depende do tamanho da viagem. Da disponibilidade de espaço e “mãos” para se carregar a bagagem. Porque gente não tem tentáculos! E, sinceramente, nestas horas que se vê a inutilidade da repetição de peças no guarda-roupa da gente, que desfila a mesma roupa repetidamente, só que com cores diferentes, ou um detalhe no modelito que, na real, não faz diferença nenhuma…


Não é que eu seja contra a variedade. A possibilidade de escolha quando se abre uma gaveta ou guarda-roupa. Lembre-se que estou falando de “fazer as malas”! E, racionalizando um pouco mais, a gente se percebe refém nesta indústria da inutilidade. Porque a gente trabalha, trabalha, trabalha e trabalha um pouco mais para pagar contas repetidas. Porque quando você compra a quadragésima peça de roupa, ou calçado, que nem que você usasse, cuidadosamente, uma por dia, sem repetir, você passa meses tendo o que vestir. E isto é totalmente desnecessário! Um roubo do tempo da gente! E do nosso bolso. Entende? Peças repetidas = contas repetidas = inutilidade. Então, você se flagra descobrindo o desperdício que comete com este exagero. E pára pra pensar se aquilo que você trabalha para pagar, realmente é necessário na lista de contas a se pagar ao final do mês.

A experiência de fazer as malas é um desafio. Retrato fiel da pergunta. “Leva o quê na bagagem?” Aquilo que realmente importa para a caminhada, ou anda arrastando pesos desnecessários? Porque, todo mundo sabe, o desnecessário é sinônimo de inútil. É peso morto. Cansa. Rouba-nos a energia. E a gente vive muito bem sem eles, obrigado!


Quem já mudou de casa sabe o drama que é ter de empilhar caixas “do que vai” e “do que fica”. E descobrir um monte de coisarada velha, esquecida, guardada para os momentos do “e se, um dia, precisar disso?” que não acontecem nunca. Isto, sem falar das caixas de lembranças… Que é um capítulo à parte. Que talvez, na hora da mudança, vem à tona. Dá as caras. E depois, vá para uma caixa de novo, laaaaaá no fundo do maleiro…

A mudança de casa, o fazer as malas são bem parecidos. Pois, de certa forma, fecham ciclos. Iniciam uma etapa nova. Talvez, temporária. Talvez a porta de passagem.

No final das contas, toda vez que vou fazer as malas entro neste velho dilema. Qual eu uso mais? Qual vai ser mais útil? Qual é o peso que eu quero carregar? Qual é o peso que eu aguento, posso e me é confortável carregar?

Pronto. Mala (Mínima e suficiente) feita!

Porque se o desapego não acontecer, o peso é maior, o andar enroscado e arrastado e o caminhar não acontece. E você deixa de ser o viajante ágil para ser um mero cuidador de malas cheias de imprescindíveis bugigangas paradas. Tanta bagagem sem viagem…

Aí, a gente acaba aprendendo que bagagem de viagem de verdade não se transporta  na mala. Vai cá dentro… Da alma! E que bagagem boa mesmo é aquela trocada no caminho.


P.S. Toda e qualquer semelhança entre bagagem de viagem e da vida não é mera coincidência. É proposital. Agora, releia substituindo palavra viagem por vida. Fez boa viagem?