Vamos conversar?

Vamos conversar?

sábado, 30 de junho de 2018

Surpreenda!


Ogro que se revela príncipe.
Príncipe que se revela Ogro.
Calmaria que esconde tempestade.
Tempestade que antecede a calmaria.
Um vazio imenso e profundo. Necessário para se guardar tesouros inimagináveis.
O incerto. O duvidoso. O nada provável. Contrastando com certezas nada aparentes.
Um ontem vivido. Um caminho a frente no hoje indefinido. Que preparam o amanhã que surpreende…

Uma miscelânea. Palavras. Meias palavras. Palavras e meia. A delícia de escrever é poder dizer sem, exatamente, dizer tudo. Um processo que só é completado com o lado de lá. De quem lê. Eu posso escrever o que eu quiser do lado de cá. Aquilo que eu quis dizer nunca é captado integralmente por quem lê. E vice-versa. É a dança do tempo. Do presente-futuro. Do agora e o daqui-a-pouco. A tal da imprevisibilidade. Você nunca é capaz de prever!

A cada parada minha, exatamente como esta neste exato momento, olho em volta. Me surpreendo. A maioria das coisas que imaginei não acontecem do meu jeito. E um bom tanto de coisas me surpreende no caminho, inesperadas.

Não é questão de esperar de braços cruzados. Off course que não! Mas esta tal flexibilidade que verga galho verde e que galho velho não tem… Ahhhhhhhhh…. Faz uma diferença danada!

Prever o instante futuro, esperar o acontecimento previsto é, no mínimo, extremamente chato!

Tá. Certas coisas, muitas, eu planejo, sim, porque quero que aconteçam. E se eu não traçar o caminho, medir os passos, esperar somente o acaso me conceder, posso esperar sentada. Sem previsão de entrega do pedido. Caminhar para o alvo faz parte. Do desejo. Do mover-se. Do alcançar. Desejos nos movem!

O que penso? O que quero dizer quando digo “surpreenda”?

Não fechar caixas etiquetadas de entregas pré-determinadas. Não usar o mesmo perfume a vida inteira. Praticar o desapego. Doar objetos, roupas, sapatos, bolsas, o supérfluo e o usável. O que dispensa e o que reflete o seu exagero, o seu excesso em manter coisas demais junto de si. Quer ver?


Tenho óculos. Uso óculos e não uso. Agora, resolvi usar. Confuso? Miopia resolvida por lentes de contato que, quando usadas, atrapalham enxergar perto. Solução? Uma lente pra ver longe. Outra pra permitir ver perto. Mas… Sempre mantive óculos estepe. Aqueles que quando não tem jeito mesmo, uso. Aí tenho um estoque de óculos! Pra sair Patricinha, sair esportivinha, escuro, espelhado, degrade, sem ser de sol, de grau, pra longe e perto, só pra perto e tal. Aí, quando vou fazer a mala… São, no mínimo, cinco caixas de óculos. Agora, consigo reduzir para quatro. O problema são as outras dez e tarará nas gavetas… Precisa? Não, né! Já me prometi juntar todos os graus vencidos que podem ser úteis um dia, “caaaaaaso eu precisar”, e descartar. Não vou usar.

Outro exemplo?

Meus brincos sem par. Ridículo, né? Pra que guardar? A não ser que eu lance a moda de cada orelha, uma sentença. E use o que quiser. Aliás, não sei porque insisto em guardar brincos que me machucam, que se usar umas horas no dia, me cortam a orelha. Dilaceram o furo.

Estarei, eu, falando mesmo de brincos?
Estarei, eu, falando mesmo de óculos vencidos?

Esta historinha de hoje está me surpreendendo… Imaginei uma coisa e os dedos estão conduzindo a outra… E na fala que mais me fala, a metáfora, encontro um sentido escondido.

Pares de brincos perdidos. Já foi. Já era. Cada qual teve seu par. Usar com outro qualquer vai destoar. Pode ser brinco acessório, mas não par. Descartar.

Óculos vencidos. Ajuda numa emergência? Ajuda. Mas dá o foco real? Não. Deforma a imagem. Embaça a vista. Pode até ser que o grau seja o certo. Mas… E… E aquela armação nada a ver que deforma, não a imagem, mas a tua cara? Óculos quando necessário tem de ornar com a pessoa. Reflete ela. Diz muito dela. Tem de sem uma continuidade. É a nossa cara com algo na frente que tem de condizer com a gente! Hora de pegar graus vencidos, armações horrorosas, óculos com lentes trincadas, riscadas, visões deformadas e jogar tuuuuuudo fora. Sem dó.

Vamos adiante?

Calçados… Na necessidade, costumam ser reaproveitados por outros, quando doados. Quem necessita, se adapta. A necessidade faz com que moldemos nossos pés às formas de sapatos velhos para poder caminhar. E sapatos novos nem sempre calçam como uma luva. Um tempo pode ser necessário a ambos, pés e calçado, se ajustarem e se moldarem um ao outro. E no armário? Sapatos velhos que não são dispensados por nada, pela sensação de conforto que nos dão. Alguns, pegos no impulso, bonitinhos ou baratos (???) que nada tem a ver com serem, realmente, necessários. Aí, aquelas duas prateleiras no armário, se tornam minúsculas e insuficientes para tantos sapatos que tem uma mulher… Então, vem a pergunta. Que tipo de mulher você é? (cabe aos homens, esta pergunta, também!) E se você se fizesse a pergunta: quantas vezes no ano vou usar? Quando eu usar, somente este calçado pode ser usado? Tenho outros pro mesmo uso? É necessidade ou futilidade? Hummmm….

Interessante que enquanto eu escrevia, ia transferindo cada figura a figuras na vida da gente. Veja só.

Brincos poderiam ser nossas parcerias. De trabalho. De amizades. De vida. Em algum momento, perdemos o par. Alguns outros podem se parecer com o brinco perdido e disfarçar no lugar. Mas não são o par perdido. E nunca serão. O tempo do brinco passou. É preciso racionalizar e manter na caixa de brincos, somente, o que tem par. O que permite a parceria. No mais, é espaço ocupado à toa.

Óculos. Nossas impressões. Nossa fachada. Nossa cara. Nossa aparência. Nosso modo de ver. A nossa visão muda com o passar do tempo. É preciso ajustar os olhos pra não perder o foco. Lentes de grau vencido vão nos embaçar a visão. Armações na cara da gente que não nos representam, não serão usadas. Vão ficar na gaveta. E não vão nos ajudar em nada a enxergar melhor… Óculos tem de ser o exato reflexo do nosso olhar. Senão, não tem serventia.

Sapatos. Calçados. Merece uma história a parte. Enquanto escrevia, parecia estar falando de pessoas que se unem a nós em nossas vidas.
Quem não tem aquele sapatinho velho que não dispensa por nada neste mundo? Aquele amigo antiiiiiiigo que, às vezes, parece saber mais de você, do que você mesmo?
E as aquisições enganosas? No estilo: Bonitinho, mas ordinário? Sem qualidade nenhuma, só cores, fachada, vendem uma imagem que nada têm? Chamam a atenção, mas são como bola de sabão! Pof. Nada dentro…
E as ofertas imperdíveis? Que fisgam naquele segundinho de bobeira, só porque é baratinho? Você já tem em casa. Não precisa. Não vai ter utilidade. Mas é baratinho. Pronto. Feita a bobagem. Pega sem precisar. Mas não te acrescentam naaaaaada! E só fazem ocupar espaço no armário. Espaço que precisa ser compreendido como o ar a ser respirado.

Comecei escrevendo “Surpreenda” mas dá, tranquilo, pra mudar o título. Armário e gavetas dos desnecessários. Faxina mental. Mas vamos brincar mais com a palavra pra terminar.

Surpreenda. Quem são suas primas? Compreenda. Apreenda. Surpreenda. Bem nesta ordem. Ter entendimento sobre. Trazer pra si. Ir além. Pra que nem o armário seja um caixote previsível de objetos e pertences em desuso. Nem as gavetas tenham a incumbência de enxergar por você. Desfocadamente. Nem a vida nos seja uma caixa etiquetada com conteúdo, datas e locais a serem entregues escritos num papel do lado de fora.

Surpreender é um ato de sobrevivência! De ousadia descarada, meio desesperada, meio descabeçada, ato heroico de ou isso ou morro. Porque aceitar a mesmice, o perfume de sempre é não arriscar e experimentar novos aromas. Usar sapatos apertados por medo de tentar novos. De se conformar com a vista de dentro de uma janela embaçada pela chuva, pela sua própria respiração, por medo de se molhar, medo da gripe que talvez venha, medo, medo, medo… Surpreender é jogar coisas para o alto e, ao contrário do que se diz, não é largartudoeir. Pode ser que seja o instante exato de ganhartudoporterousadoir.

segunda-feira, 18 de junho de 2018

Lista - o tempo dividido em espacinhos...


Voltar aos tempos de escola - horário - divisão do tempo entre as disciplinas de escola e aquele mooooonte de coisas a fazer dentro e fora da escola.

Algumas vezes, muitas, tenho o sentimento de frustração por não distribuir bem o tempo. Por chegar a uma certa hora do dia e ver que o principal não fiz ainda. Que o que era pra ser o primeiro item da lista do dia ficou lá para o meio, ou para o final. E que ando não sabendo lidar com ele. O tempo!


Parece elementar. Tanto, tanto que parece ser bobo falar disso. Mas acontece. E acontece nas melhores famílias…. Ahaha!!

Quando a gente está aprendendo a lidar com a vida, laaaaaá pela idade escolar, pra gente aprender a se organizar com o tempo, inventaram um tal quadrinho cheio de divisões verticais e horizontais e o chamaram de “horário”. Lembram disso? Passaram até a colocar na primeira página de caderno como elemento inovador… Porque, quem é da minha época, sabe, a gente riscava com régua e desenhava este horário pra poder olhar.
Pra se organizar e se programar, não esquecer de levar o material daquela aula, lembrar de provas marcadas, pra gente se distribuir no tempo… Com o passar do tempo - ele próprio - a gente vai se desapegando destes artifícios, ou vai substituindo um por outros. Passa a usar agenda. E como usei! Aquelas de papel! Um dia por página. Com lista de prioridades para o ano, lista de contatos telefônicos (!), endereços (!!!), e espaços reservados por hora do dia para anotações de compromissos. Eu usava, também, religiosamente, para fazer meu controle financeiro. Meu orçamento anual e diário e manter minhas contas em ordem e sob controle. Funcionava.

Com o passar do tempo, a agenda de papel diminuiu de tamanho, passei a usar aquela minúscula de mão. Bastava. O orçamento, já planilhado em Excel, reproduzia o que eu já fazia e organizava com fórmulas, porcentagens, previsões, uma vez que era com isto que eu trabalhava. Planilhas, estatística, controles imensos de números.

Adepta a apaixonada pela tecnologia e sua aplicação na vida prática, larguei mão da velha agenda de papel. Adotei a agenda do Google no celular. Assim como agenda telefônica, lógico. E endereço pra quê se, hoje em dia, ninguém mais visita ninguém…

A planilha era só abrir o notebook, ultrabook, até mesmo o Excel no celular. Só. Para continuar a fazer este planejamento e controle. A agenda diária? Apesar de funcionar bem para compromissos assumidos ao longo do mês, reuniões, fisioterapia, consultas, ou algum evento especial, aquela agendinha diária começou a ficar esquecida. Sabe aquela? Das meias horinhas dia após dia. Cada meia hora do dia? Aquela que me faz organizar de qual é a primeira necessidade do dia, a segunda, a seguinte inte inte inte…

Lógico. Na correria do dia a dia, o piloto automático fica acionado e muita coisa acontece já por automação. Tipo. Acordaescovaodentebanholevaotufofazerxixivoltacaféchavedocarrobolsaesai. Entende? Sem estar de cabeça ou alma presente. Tipo. Só de corpo presente, mesmo. Robozinho, mesmo. Acorda, bateria recarregada, sai, faz todo o compromisso do dia, volta, bota o connector na tomada, apaga, recomeça tudo de novo no outro dia. E só.


Aí, quando saio desta rotina, dá uma pane. Se sobra tempo, perco o tempo. Se perco o tempo, pareço ficar dando voltinhas no mesmo lugar. Quem se lembra da enceradeira que quando tinha sua alça travada em pé, ficava rodando em torno de si mesma, sem sair do lugar? Assim. Esta sou eu. Quando a uma certa altura do dia (ou da vida!) me pego perdida e perdendo tempo. Despriorizando a prioridade. Enrolando. Grudando a parte sentadora, demasiadamente demais sem sair do lugar. No espaço e no tempo. E fazendo de conta que aquele importantíssimo pra mim, não vai fazer falta se, de novo, passar mais um dia sem eu por minha mãozinha nele.


Cabe a cada um nomear este seu “importantíssimo”. Secretamente, bem sei os meus. E dentre estes, necessário eu separar meias horinhas para cada um, meias horinhas a mais para os mais importantes e parar com esta sentação demasiada.

A começar.
1. Xixi do Tufo (total dependente de mim pra uma necessidade natural e primordial)
2. Alimento. Espírito. Alma. Físico (parece clichê, mas funciona assim pra mim)
3. Trabalho essencial. Que pode ser aquele lá fora que gera renda (que paga as contas!) e pode ser aquele “tão amado” que mantém o viveiro em ordem. Tipo. Lavalouçalimpafogãocozinhaáreadeserviço. Arrumacamaajeitaoquartosofácozinha. Juntalixodobanheiropiadacozinhalevanalixeiradopredio.
E etc, etc, etc…

Não sei se já contei aqui. Tenho uma lista de títulos pra escrever. Sim. De historinhas! Que surgem, às vezes do nada, de uma prosa com alguém, de um passar por um lugar, e um ouvir, de um olhar e que registro pra não perder. E aí, fico pensando que a velha lista continua funcionado. Não é mais a velha agenda de papel. Minha agenda hoje, assim como meu bloquinho de anotações, de registros e escrever todas as histórias do blog são todas feitas no meu celular. Assim como ele. Um “importantíssimo” todo escrito num dedo só que deslizou, contando histórias de uma viagem. E que andou deixado de lado. E que nesta minha lista de resoluções, puxo de volta pra cima.

Não foi de todo perdido. Eu escrevi, escrevi, escrevi enquanto viajei e escrevia a cada dia,nas passagens. Quando retomei, escrevi incessantemente, também. Neste tempo de paragem, li muito, assisti muito, ouvi muito. Absorvi. Aprendi. Respirei.


Hora de tirar a parte sentante da cadeira, como bem me puxou a orelha, um amigo e ir pra mesa. Botar um velho sonho de volta nela e terminar de lapidar. Pois, como eu mesma hoje escrevi para uma nova amiga, semeadora de sonhos, não basta sonhar e realizar. Tem de compartilhar. Porque assim, o sonho de uma pessoa só se multiplica, ganha asas e ninhos. É experimentado por outros. E a gente vira meio mãe, meio pai de outros realizadores de sonhos… E se a gente só sonhar e realizar, o sonho vai pra gaveta!! Cria teia de aranha E morre...

Minha próxima historinha : as meias horinhas do meu dia!

quarta-feira, 6 de junho de 2018

Não sou fortona!



Geração de mulheres fortes. Que viveram na era mudançadepapeis. Que precisaram, não arregaçar as mangas, pois estas já estavam há muito arregaçadas, mas peitar desigualdades, ocupar, conquistar e valorizar o seu espaço se multiplicando em mil papéis, sem falhar em nenhum.

Somos nós?

Não. Por favor. Vamos por partes. Menos. Menos. Menos pretensão. Menos pressão. Precisamos respirar!

A geração da minha mãe enfrentou uma desigualdade que eu não conheço. Dá pra imaginar mulheres que não tinham direito a voto, não dirigiam carros e que o trabalhar além de dentro de casa, fora de casa era uma aberração?


Minha mãe me criou hiper feminista. Direitos iguais. Lá fora e dentro de casa. Era difícil pra mim me doar nos afazeres, pois não eram demonstrações de atenção ou carinho, ou simples agradinho. Eram itens na lista das obrigações a se dividir em casa. E, portanto, a serem divididas entre homem e mulher. Mãe e filhos. Era um abrir de olhos. Pra evitar o que a geração dela passou e sofreu. Era a forma dela expressar seu amor e nos ensinar caminhos para sermos mais felizes. Com um horizonte maior para percorrer.

Minha geração? Cada qual é livre para pensar, sentir e enxergar diferente. Vou falar da minha.


Cresci com uma mãe que não era aquela mãezona, nos moldes faztudopelagente. Tínhamos de nos virar. Desde criança, lavando nossas próprias roupas na máquina, fazendo comida pra família inteira, bolo, limpeza, faxina. Não desaprendemos o amor. Apenas, aprendemos de uma forma diferente!

Acredito que o maior ensinamento de amor dela foi o de “ir”.



Não é a frase feita nãocriarraizes. Mas um nãocriarteiadearanha! Entende? Raiz, todo mundo tem. A origem. E, nalgumas vezes, raiz e ninho significam a mesma coisa, o mesmo lugar, as mesmas pessoas. Aconchego. Colinho. Mas o amor dela era um amor de não prender na gaiola. Apresentar o mundo, abrir as janelas e até dar aquele empurrãozinho pra gente sair do conforto do ninho e alçar voo.

A minha geração não se intimidou com desafios. Saiu. Partiu. E voltou, quantas vezes foi necessário e partiu de novo. Assumiu papéis lá fora. Sem abrir mão dos outros. Aqueles. Pré-históricos. De mãe. Esposa. Filha. Irmã. Aquela pecinha, enfim, que administra a casa, independente do estado civil, da maternidade, de fato, ou do ser mãe por afinidade de amigos, filhos dos amigos, sobrinhos, de pai, de mãe e até do companheiro.


Estas mulheres todas, independe da sua geração, ganhou ares de rainha que foi se misturando ao de Mulher Maravilha, aquela linda da Lynda Carter, perfeita, forte que além de tudo, batia em bandido, fazia justiça e, ao final, não tinha um fiozinho de cabelo fora do lugar, não revelava uma ruguinha de cansaço, nem tristeza, depressão, nem de querer desistir de tudo, de estar se sentindo sem forças e fraca.

E nasceu a geração Super Mulher. Mulher Maravilha. Mulher Gato. Pra não dizer o nome das super heroínas desta nova geração que nem me lembro o nome. Mulheres fantásticas que não se cansam nunca. Fortes.





Não sou fortona. E igual a mim, eu sei que há uma porção de mulheres que diaapósdia fica brigando consigo mesma, que tem de aguentar. Que não pode falhar. Que tem de ser forte…

Tem de o quê!

Temos dias que não temos vontade de levantar da cama. De preguiça, mesmo. Pra não fazer nada! De tristeza, com vontade de ficar encaramujada, estátua, sem se mexer. Ou de se afundar num vazio inexplicável, como se a cama fosse um poço fundo e escuro, sem entender porquê.

O que fazer?


Despir-se da fantasia. Trabalho difícil, mas necessário. Porque tudo aquilo que “os outros” querem e esperam da gente parece ficar impregnado na pele, junto desta fantasia do ideal do que “temos de ser”. E quanto mais a vestimos, mais difícil é arrancá-la. Dói. Porque, na verdade, temos medo do que vamos encontrar. Esquecemos quem somos debaixo deste pano.

Vamos pensar assim? No retirar dos panos, a pele respira. Como aquelas cenas do por pra fora lençóis, cobertores, para respirar. Por os panos pra fora para “tomar um ar”...


Se permita se descobrir fraca. Com preguiça. Com desânimo. Imperfeita. Errante. É só um respiro. Um bufar tôdesacocheio, um lacrimejar nãoaguentomais, um ato de rebeldia de nãoqueromaisfazerassim, um basta soufracasim! Não é um estado perene. Não… Porque assim como temos o direito de não sermos fortes o tempo todo, nem perfeitas de dia e à noite também, 24 horas por dia, esta fraqueza passa também. A tristeza. A preguiça. A raiva. Porque no final de tudo, o que a gente descobre, é que a liberdade, aquela sonhada pela minha mãe e outras tantas gerações atrás, não é o terdeserassimouassado. Mas a opção. Poder ser isso ou aquilo. Ser forte e ser fraca. Focada e perdida. Guerreira e assustada.

Não sou fortona. Choro. Me sinto perdida. Assustada. Infeliz. Revoltada. Desanimada. Fraca. Porque só assim, posso aprender e ser tudo ao contrário. Rir. Me encontrar. Ser destemida. Feliz. Confiante. Animada. Forte, enfim!


sábado, 2 de junho de 2018

Fazendo as malas


Hora de fazer as malas. O que levar? Boa hora pra se listar o “realmente necessário”. Separar aquilo que é imprescindível das mazelas, frescurites que a gente carrega por pura teimosia, só acumulando itens no excesso de bagagem!

Quando vamos preparar a mala para uma viagem, costumamos querer levar tudo aquilo que a gente usa mais, não larga, misturado ao que a gente acha que vai usar, quer usar e não se atreve, peças que não se conversam entre si e que na dúvida, vai tudo mesmo, socado na mala…

Quem já teve oportunidade de fazer mochilão, travessia em montanha, viagem autônoma de Cicloturismo “Raiz” onde se carrega empurrado pelas penas, todo o peso do que se vai usar para comer, dormir, vestir, sabe bem do que eu falo sobre minimizar peso. Levar somente o necessário. Racionalizar. Pensar nas necessidades básicas de fome, sede, frio, saúde, sono. Sem exagerismo!


Nestas horas, peso nas costas, ou nas pernas, fácil, fácil nos desapegamos daquilo que não precisamos. Dez trocas de roupa podem virar duas ou três. Um único bom e quentinho agasalho é o suficiente. Meias, mais de uma, pois pés secos e quentes são fundamentais. Um tênis ou bota pra andança ou pedalança, um chinelo (ou crocs!) para o descanso dos pés e, se a situação permitir, um sapatinho ajeitadinho pra passeio. Só! Pra higiene, nada de frascos que duram meses. Na medida. Bem no estilo frasco de hotel. Não precisa mais que isso. Ah! E, pra quem é adepto, a parafernália eletrônica para registrar o caminho. Vai de cada um.

Lista feita!

Faltou algo?

Depende do tamanho da viagem. Da disponibilidade de espaço e “mãos” para se carregar a bagagem. Porque gente não tem tentáculos! E, sinceramente, nestas horas que se vê a inutilidade da repetição de peças no guarda-roupa da gente, que desfila a mesma roupa repetidamente, só que com cores diferentes, ou um detalhe no modelito que, na real, não faz diferença nenhuma…


Não é que eu seja contra a variedade. A possibilidade de escolha quando se abre uma gaveta ou guarda-roupa. Lembre-se que estou falando de “fazer as malas”! E, racionalizando um pouco mais, a gente se percebe refém nesta indústria da inutilidade. Porque a gente trabalha, trabalha, trabalha e trabalha um pouco mais para pagar contas repetidas. Porque quando você compra a quadragésima peça de roupa, ou calçado, que nem que você usasse, cuidadosamente, uma por dia, sem repetir, você passa meses tendo o que vestir. E isto é totalmente desnecessário! Um roubo do tempo da gente! E do nosso bolso. Entende? Peças repetidas = contas repetidas = inutilidade. Então, você se flagra descobrindo o desperdício que comete com este exagero. E pára pra pensar se aquilo que você trabalha para pagar, realmente é necessário na lista de contas a se pagar ao final do mês.

A experiência de fazer as malas é um desafio. Retrato fiel da pergunta. “Leva o quê na bagagem?” Aquilo que realmente importa para a caminhada, ou anda arrastando pesos desnecessários? Porque, todo mundo sabe, o desnecessário é sinônimo de inútil. É peso morto. Cansa. Rouba-nos a energia. E a gente vive muito bem sem eles, obrigado!


Quem já mudou de casa sabe o drama que é ter de empilhar caixas “do que vai” e “do que fica”. E descobrir um monte de coisarada velha, esquecida, guardada para os momentos do “e se, um dia, precisar disso?” que não acontecem nunca. Isto, sem falar das caixas de lembranças… Que é um capítulo à parte. Que talvez, na hora da mudança, vem à tona. Dá as caras. E depois, vá para uma caixa de novo, laaaaaá no fundo do maleiro…

A mudança de casa, o fazer as malas são bem parecidos. Pois, de certa forma, fecham ciclos. Iniciam uma etapa nova. Talvez, temporária. Talvez a porta de passagem.

No final das contas, toda vez que vou fazer as malas entro neste velho dilema. Qual eu uso mais? Qual vai ser mais útil? Qual é o peso que eu quero carregar? Qual é o peso que eu aguento, posso e me é confortável carregar?

Pronto. Mala (Mínima e suficiente) feita!

Porque se o desapego não acontecer, o peso é maior, o andar enroscado e arrastado e o caminhar não acontece. E você deixa de ser o viajante ágil para ser um mero cuidador de malas cheias de imprescindíveis bugigangas paradas. Tanta bagagem sem viagem…

Aí, a gente acaba aprendendo que bagagem de viagem de verdade não se transporta  na mala. Vai cá dentro… Da alma! E que bagagem boa mesmo é aquela trocada no caminho.


P.S. Toda e qualquer semelhança entre bagagem de viagem e da vida não é mera coincidência. É proposital. Agora, releia substituindo palavra viagem por vida. Fez boa viagem?

quarta-feira, 30 de maio de 2018

De volta a normalidade! Barriga cheia, goiaba tem bicho...


Segue a vida. Tudo voltando à normalidade.
Barriga cheia, goiaba tem bicho.
Hã? O que tem a ver uma coisa com a outra?

Tanque cheio, a goiaba vai pro lixo! Ops. Barriga cheia…
Quem é a goiaba?

Goiaba é o alimento melhor do que o chips, do que o corante artificial, do que a gordura excessiva e desnecessária.

Goiaba é o estilo de vida que alguns tantos estavam se utilizando, ainda que a contragosto, mas que estavam descobrindo ser legal, econômico, divertido, POSSÍVEL e ainda por cima, SAUDÁVEL.

Goiaba é ir a pé com o filho pra escola, mesmo porque de carro, neste congestionamento, leva o mesmo tempo. É ir ao mercado a pé e comprar só o necessário pra não pesar. Sem extravagância, sem supérfluo, sem desnecessidade. É ir andar a pé no bairro, conhecer ou reconhecer vizinhos, o mercadinho da esquina, a banca de jornal, uma praça boa pra prosa, o parque verdinho ao lado e subutilizado, o prazer simples e fácil de zanzar sem pressa, andando a pé, somente.

Goiaba é lembrar de lazeres simples, ir ali na pracinha ensinar o filho a andar e bicicleta, ou desenferrujar as bicicletas na garagem e botar a família inteira pra dar uma voltinha no quarteirão. E no outro dia, ver que aguenta duas… três… Dez! Goiabada é esta molecada desta geração bem pós “nãoesqueçaaminhacaloi”, que sem ônibus ou pai nem mãe pra serem levados, buscados, descobrir a verdadeira e divertida função das magrelas. E sair em bandos, indoevindo da escola, do futebol, da casa dos amigos Livres.

Goiaba é botar a máquina toda sua pra rodar! Essa aí que só fica comendo bobageira, suar e se surpreender que a vida não é só carro-sofá-trabalho-geladeira-cama. Que o corpão dá conta, SIIIIIIM! Que os dedos estão excessivamente utilizados no celular, no computador e que o corpo pede - e aguenta - mais!

Goiaba é a parte boa da vida que vira só bicho quando a barriguinha tá cheia. E bota barriga nisso! 40...45...50 e muitos mais litros que quando saem cheias e satisfeitas,fazem a goiaba virar lixo.

Basta voltar a ter a barriga cheia, pronto! De volta à normalidade! Não importa se tantas goiabas haviam sido descobertas, redescobertas no caminho de barriga vazia. E se o que enche a barriga, no lugar das goiabas, podia custar 2...3 e cobraram o dobro o triplo e ainda por cima, é preciso ficar horas e horas na fila pra poder encher. Bom mesmo é ter a barriga cheia…

O resto? Ah… O resto é problema dos outros, né?

Mais dia, menos dia, prevejo uma baita dor de barriga coletiva. Mas aí vão dizer que a culpa é dos… Dono da geringonça. Do filho da dona da mercearia da vizinha da fulana. Do tiozinho que passou ali e vendeu o bagulho que alguém trouxe pra outrem. De todo mundo. “Menos eu”

Resumo da ópera?

Barriga cheia, goiaba tem bicho.
Barriga vazia, faz a fome descobrir muita coisa nova e velha.
1.Pode ser que você não precise dela - a barriga - tão cheia o tempo todo, a qualquer custo!
2.Não só de bobageira vive a barriga!
3.Tem mais goiaba neste pomar do que você imagina.
4.As goiabas não são sazonais. Não têm fila pra se abastecer delas. Você é livre pra tê-las o horário que quiser sem congestionamento. NÃO DÃO DOR DE BARRIGA!
5.A família agradece. Barriga vazia aproxima pessoas muito mais do que a barriga cheia

Fim

P.S.Por mais goiabas. Por mais consumidores de goiaba. Por mais barrigas que se alimentem corretamente e somente o suficiente. Porque neste período de vacas magras, muita gente descobriu que podia viver menos enjaulado, (Ou seria encurralado? Já que vaca vive em curral…) se empanturrado, ruminando, ruminando e saboreou e curtiu goiabas que nem se lembrava mais.

P.S.2 Este post não tem o intuito de tecer análises. Estou falando apenas de goiabas bichos, barrigas cheias e vazias. Qualquer semelhança com outra situação é mera coincidência.



domingo, 20 de maio de 2018

Vulcão adormecido


A gente anda, anda, anda. Até que um dia, descobre. Pra cada passo, uma pisada. Pra cada chegada, uma partida. Pra cada respiro, um suspiro. Pra cada reinício, uma parada.

Faz tanto tempo que sumi, que até me desconheci. Mas sei, sim, quem sou. Não, não. Sei não! O tempo todo em desconstrução e reconstrução. Estagnada, morro. Melhor não ter spoiler. Fazer que sabe quem é, mas sempre se surpreender com cada novo que encontro. Lá fora é em mim. 😱😊 Impossível ser muralha sem ter recebido pedras no caminho. Faz mal, não! Pedras fortalecem! Caminhos planos não reservam surpresas nenhuma! São as subidas infinitas na vida que dão o suor e o tempero. Aquele salzinho que escorre pra fora da gente, na forma de suor, gritando... "Tô viva, gente!" Sim. Sim. Sumida, mas viva!

Deve ser aquele burburinho debaixo da terra avisando... Lá vem o vulcão 🌋

#live #lifestyle #dontstop #stop #volcane #stones #myway #iwillcomeback #stronger #soon

Enquanto o sono não vem


Definitivamente, falta de sono nunca foi meu problema! Ouço muita gente reclamando de insônia. Eu? Tenho lá a minha fama de encostaedorme…

Mesmo sendo uma boa dorminhoca, não no sentido de dormir até tarde, pelo contrário, eu era muito boa de madrugar cedo pra fazer coisas que gostava muito, mas pra pegar fácil, fácil no sono, algumas vezes, atravesso madrugadas adentro, inventando fazer algo que esteja muito envolvida. Pode ser, desde uma super faxina na casa (sim, faço destas!), até ver vídeos de viagens, ou documentários, tipo… três horas seguidas, ininterruptas e olhe que não estou falando de seriado!

Tá. Reconheço. De novo, minha velha mania. Meu maior defeito. Exagerada. Sem medida ou meio termo. Vai e vai logo fazendo um monte de vez. Depois, fica remoendo o excesso feito…

Algumas historinhas do blog, escrevi na madrugada. O livro que está enroscado e está virando lenda, escrito em madrugadas durante a viagem, literalmente! De escrever à noite e dormir com o celular na mão, capotada. E de apagar antes, cansada, acordar de madrugada, com o texto pronto na cabeça, sedenta de por pra fora e, acesa, acordar e escrever sem parar até esvaziar e dormir de novo, feliz da vida, até amanhecer…

Ando ansiosa. E improdutiva! Costumo dizer que as histórias nascem das mais diversas formas. Às vezes, uma imagem casual dá origem a uma frase que anoto e escrevo depois. Às vezes, a cena é captada numa fotografia e viajo nela… No pensamento, no sentimento que me invade e me rende uma bela história. Às vezes, numa prosa à toa, ouço uma frase que ressoa, ecoaoaoaoaoa…. Impossível esquecê-la. E dela nasce outra boa prosa.

Tenho perdido histórias. É possível? Estou deixando o vento levar. O vento, este amigo do tempo tem me roubado minhas histórias. Puro relaxo meu. Que escuto o sussurrar e não dou bola. Adormeço. Hiberno, na verdade. Um sono profundo que tem anestesiado esta veia minha, que pede por pra fora esta sede de conversar. Me preocupo, então. O que me falta? E grita lá de dentro, uma voz bem audível que reconheço. Sou eu mesma de outros tempos. Exagerada em outro extremo. Organizada no tempo de cada coisa a se fazer. Relógio pra tudo. Tempo pra tudo. Daquilo, me cansei. Fugi tanto deste atropelo louco de cronometrar minutos que, do tempo, amnésia criei. E agora, adoeço da falta dele. Troco a noite pelo dia, talvez, tentando encontrar a vez. “Perdi o trem!” eu gritaria. Perdi a vez, seria. Vez de quê? De soletrar, sem engasgar, sem gaguejar, sem pestanejar a palavra que eu escolher falar.

Tenho perdido a palavra todo dia! Pura falta de tempo! Tempo pra quê? De… Me desanestesiar. Me desconectar de todas tomadas externas, feito bexiga cheia que esvazia. Já viu? Quando você enche bem a bexiga e a solta no ar? Faz um barulho inimitável. Inconfundível. Rodopia pelo ar, louca, num voo cego e incerto até cair. Hora boa! Molenga de tanto ar, sem ser demais a ponto de estourar, está pronta pra outra. Um sopro de cada vez. Inspira. Sopra. Inspira. Sopra. Aprenda. Não dá pra fazer as duas coisas de uma vez. Inspira. Sopra. E se perder o fôlego, é só parar. É preciso. Porque tudo que é demais, ao invés de provocar um voo, faz estourar. Uma coisa de cada vez! Desconectar pode ser isso. Inspira. Sopra.

E enquanto o sono não vem, vem a conversa à toa com alguém. Tenho de organizar pedaços de tempo. Pra eu parar de perdê-los. Tenho a mania de usar demais nisso e deixar aquilo. Como se a vida fosse “Ou isso, ou aquilo”. Não é. Não tem de ser.


Enquanto o sono não vem, vamos contar as estrelas, ao invés de fazer cara marrenta de quem comeu e não gostou.

Enquanto o sono não vem, vamos rabiscar o rascunho do projeto dos nossos sonhos, listar os passos que já caminhamos e aqueles que nos faltam pra alcançarmos o que desejamos.

Enquanto o sono não vem, vamos organizar as gavetas da vida, separar o que ainda se usa, daquilo que precisa ficar. Fazer a faxina da alma, descartar o que não é útil, redefinir utilidades, reconhecer a validade daquilo que vai junto e do que já acabou. Como organizar caixa de remédios, sabe? Isso eu uso, isso já acabou, isso a validade expirou.


Enquanto o sono não vem, vamos andar descalços na areia, enquanto é verão. Senão, botar meias quentes nos pés, fazer chocolate quente e dormir sem escovar os dentes, uma vezinha só, que não faz mal. E se for tempo de flores, aspirar seu perfume. Se for de vento, deixar despentear o cabelo. E se sentir medo de abrir aquela velha gaveta, cheia de monstros jamais vistos, mas todos muito bem descritos por toda gente, alcance algumas estrelas, estas que você contou e jogue lá dentro. Luz espanta escuridão. O doce acaba com o amargo e marrento. E chocolate quente se não fizer o sono vir, aquece as mãos e o coração.

Pode ser que o sono não venha só para você parar um pouco de só sonhar, para começar a realizar. Vai ver, é para que nesta hora de silêncio absoluto, você reconheça sonhos adormecidos, deixados de lado na barulheira da vida. Tipo, ser posto cara-a-cara consigo. E ouvir o cara do outro lado do espelho falar contigo: “É aí, vai encarar, ou vai fugir?”



Enquanto o sono não vem pode, enfim, ser a hora exata pra acordar...

domingo, 13 de maio de 2018

Atitude


Já cuspiu pra cima e caiu na testa?
Este é um velho jargão. Que serve bem pra orelhudos de plantão que acham que podem olhar e falar da vida alheia, como se o cuspido não fosse lhe voltar bem na cara…

Sou uma.

Quando você consegue se manter num patamar que acha ser o ideal e olha à volta e não entende por quê tanta preguiça alheia pra fazer algo tão simples, é humano, é comum e totalmente pretensioso pensar que nunca estará do lado de lá. Da preguiça. Da inércia. Da apatia. De até ter vontade, mas não ter ânimo e não encontrar em você o botão do “start”.


No final das contas, o que nos move, esta encantadora máquina humana, que pode tanto, realiza pouco e se deixa enferrujar por pura falta de uso, não é nem músculos e ossos, nem o cérebro. É a vontade. Mas não esta vontade mecânica, politicamente correta que deseja o saudável, o correto, o ideal. É algo mais lá dentro. Pode até ser que o nome seja este mesmo. Vontade. Desde que não nasça do que os outros prescrevem numa receita médica. Nem de bolo. Nem de uma lista pronta distribuída azóio, igual, uniforminho pra toda gente.

O que faz mover mesmo é a águaquebatenabunda fazendo nadar, mesmo que não se saiba. É uma chama que vez em quando se apaga. Vez em quando acende sozinha. Vez em quando, precisa de ajuda. De uma faísca amiga pra reacender.

O que acontece, de cadeira falo, que tudo acontece a toda gente. Com roupagens diferentes. Tempos diferentes. Provocando reações também diferentes. Mas que precisam ser vistas como oportunidades. A tal fresta na porta, entreaberta pelo acaso, pelo vento que chega com o tempo, ou pela curiosidade que coça e faz fazer. Não importa! O ponteiro do relógio não pára. Mais dia, menos dia, uma hora, a cuspida cai na testa, sim, de toda gente. E pra fazer acordar em mim, a atitude que tanto me faz falta.

Cada um na sua, exagera ou peca pela falta... Ora fazer demais. Ora fazer de menos. Ora começar, ora parar.


E, se o que falta acontecer é a mudança de direção, a mudança de situação, fácil saber. É preciso se enxergar na bifurcação, olhar pros lados pra atravessar. A parada faz parte, antecede, mas não muda. Um primeiro passinho é preciso. O outro fica mais fácil, vem no embalo.

Cadê o meu start?



AQUI! EM MIM MESMA!