Vamos conversar?

Vamos conversar?

sexta-feira, 20 de abril de 2018

Na estrada


Estou. Quem não está?
Coloco meu fone de ouvido, seleciono uma lista no Spotify. Clássicos. Piano. Música suave só instrumental para embalar o cérebro e não distrair a mente.

Tá. Confesso. Bem que eu tentei o Netflix. Mas a conexão na estrada, já viu….

Conexão na estrada?

Conexãodequecomquê? Desconexãodequemcomtudo?

Cada um tem sua forma própria de cair na estrada. De levantar. De seguir. De definir caminhos. Fazer escolhas. E querer e enxergar onde está, para onde quer ir.


Sabe, a estrada pode te sugar. Te colocar num toboggan escorregadio e irretornável. Daqueles que deitoujaera. E quando você se dá conta, está lá embaixo, olha pra cima e vê que nem olhou direito o que havia em volta…

Não é que não haja voltas de caminhos. Talvez, a questão seja mesmo, se vale a pena voltar! Este descontrole nesta descida frenética, de pécompressa faz ir sem apreciar! O caminho fica pra trás sem tê-lo vivido! Restringe-se a ter, apenas, passado por ele. Olha-se à frente. Olha-se atrás. E nunca se olha à volta, ao redor da hora em que se está! E os pés ficam parecendo aqueles pés famosos de um velho político, umpracáoutropralá, típico de quem não sabe, nem onde está, nem onde vai parar…


Este meu momentinho de agora tem alguns particulares. Estrada de verdade. De um jeito que gosto muito, também. De passageira, mãos livres, cabeça faceira, querendo conversar. Aí, me entrego aos meus dedos e viajo por mim mesma, esta imensa estrada da qual fujo tanto de passar e olhar. Esta estrada que todo viajante leva consigo, por mais longe que alcance e, depois de tanto, tanto chão percorrido, se dá por vencido e, redimido, diz: a maior viagem de todas, oras bolas, é pra dentro de mim mesmo! O companheiro mais difícil é mais parceiro, eu mesmo.


As mais surpreendentes histórias que vou colhendo no caminho só fazem sentido quando permito estar e observar. Menosdemim! Menosdemim! Há tanto a ver. Tanto a conhecer lá fora. E, infinitamente, dentro de mim, caminho sem fim, até que nalguma curva, eu me confunda e me perca, nalguma subida que me oculta a vista do lado de lá da montanha, eu me surpreenda, ou nalguma descida, alucinada, eu aconteça e POF! Apague daqui e acenda ali, do lado de lá da linha que não alcancei, ainda, por mais que a tenha tocado com a pontinha dos meus dedos curiosos de aprendiz da vida…


Eterna interrogação! Sou levada pela estrada, piloto automático, ou sei por onde estou indo?

Já caminhei um bom tanto. Quero ir muito além. A estrada chama, chama, chama…

Momentinho único e desconhecido. Uns… Trezentos metros do topo da montanha? Ou será três mil? Milhões?


Conto. Sem metáforas. De hoje, são 102 dias para o meu último dia de trabalho do meu primeiro emprego, deste que entrei menina e onde estarei completando 34 anos de trabalho…

Reticências…

Baita caminho percorrido. Dia esperado este 103º. Onde, oficialmente, me desligo de um caminho que escolhi, segui, aprendi, perdi, ganhei, lutei, desanimei, briguei, segui, segui, segui. Uma escolha. Uma escola de vida. Uma vida repleta de escolhas e recolha-se.

Faria tudo de novo?

Sim. Mas prestaria mais atenção aos lobos maus vestidos de cordeiros. Manteria o sorriso luminoso, os olhos brilhantes, mas manteria um olhar atento, menos ingênuo. Igualmente, faria pelos meus alunos o que fiz. Não! Faria mais. Eles são o TUDO deste caminho. A real fonte de realização e prazer desta profissão.







Falaria um tanto a menos. Procuraria ser mais invisível. Não entraria em todas brigas que entrei. Procuraria ter menos razão e mais visão.

Sabe, quando se caminha por tanto tempo num mesmo caminho, você colhe muitas certezas. Mas são as incertezas que mais te ensinam! Os desequilíbrios acontecidos, os conflitos, até mesmo as maiores indignações. O adverso ensina. Porque nos mostra o caminho a não seguir.

Estou a poucos metros de uma passagem. Onde indica um fim. E fins nunca são, definitivamente, O FIM. Na verdade, do lado de lá da plaquinha do fim, está escrito INÍCIO. O start para um caminho pronde levo o que eu quiser! Deixo as pedras. Levo os cheiros. Saio forte. Muuuuuuito forte! Pois toda resistência, toda adversidade, me fortalece.

As algemas imaginárias que pensaram poder prender, machucaram, quase me mataram. Mas cada qual com seu igual! Quem se dá ao trabalho de levar em sua bagagem de mão, algemas e correntes pesadas para prender o outro, tem um andar pesado, arrastado e não decola. Nunca. É, olhe só, prisioneiro e si mesmo.

Na minha bagagem deixo pra trás os pesos. Levo o mínimo. O tempo não é prisioneiro de ninguém, mas faz refém quem se ensimesma em seu umbigo.

Laaaaaá looooooonge existe um risco. Que rabisca a linha de chegada no horizonte. É é um risco correr pra ele. Risco maior, correr dele!


Tô na estrada. O mundo é redondo. Estrada sem fim.

terça-feira, 27 de março de 2018

Como se fosse a primeira vez


Fascinação. Não há como descrever melhor. Talvez, haja. Ok. Cada um conta como lhe aprouver.

Mais. Sentir por uma segunda (ou terceira, ou quarta, ou incontável e infinita) vez o fascínio da primeira…

Vou contar o que foi. Como foi.

Há uns quatorze anos atrás, eu fiz isso pela primeira vez. Passou a ser hábito. Incorporado ao dia a dia. Com o passar do tempo, perdi, deixei acabar. Evaporou da minha vida. Me fazia um bem danado! Dava vida! Se é que é assim que se pode dizer sobre algo que fazia justamente isso. Dilatava os poros da respiração. Acelerava a pulsação. Fazia os olhos estalarem de felizes.
Retornei por um outro caminho, num outro estilo. Apenas por lazer. Mas o que eu sempre alimentei, escondidamente, era a vontade de que fosse minha companheira diária, minha companheira de ir e vir ao trabalho juntas!

Dias atrás, finalmente, criei coragem, depois de muita enrolação e botei a mão nela e fui!

Usar esta parceira de tantas aventuras, de tantas descobertas de possibilidades, de superação de tantos desafios que eu desconhecia ser capaz de ultrapassar, como minha forma de fazer algo tão simples, como ir até ali na aula, ir fazer uma compra, ir trabalhar com ela me deu uma gostosa sensação de refazer uma primeira vez!

Pus minha roupinha normal de ir ao trabalho, nada especial ou esportivo como seria o habitual para sair com ela e…. Dio santo! Não imaginava que seria tão bom! Me senti uma criança fazendo arte. Uma criança andando de bicicleta pela primeira vez… E era como se fosse! Como se fosse a primeira vez que eu tivesse usado a bicicleta para ir ao trabalho! E, mesmo já tendo feito isso por algum tempo, usado a bike como meu meio de locomoção, eu havia deixado este hábito de lado. E não me lembrava que fazia tão bem…

Destas coisas é preciso relembrar. Pra estas coisas boas, é preciso retornar! Pra que a primeira vez passe a ter uma incontável sucessão de vezes, reviva o que faz bem. E a gente possa desenhar no rosto esta cara de espanto, de encantamento, de se reapaixonar por aquilo que já existia na vida, mas se acomodou num formato de sempreamesmacoisa e que pode proporcionar prazer em tantas roupagens diferentes…

Qualquer semelhança com outras e outras áreas da vida, não é mera coincidência. É fato. É alerta. É necessidade de mudanças. Ou repaginações simples que só enriquecem aquilo que já faz bem…

#Irevirdebike #ciclourbana #bikenacidade #voudebike #vadebike #bibicletaesaltoalto #bici #mulheresquepedalam #mulher&bike #mobilidadeurbana #debikeeuvou

Uma coletânea linda de imagens de mulheres e suas bicicletas, indo e vindo nas suas bicis, para o trabalho, na cidade, cheias de charme...







quinta-feira, 8 de março de 2018

Espelho, espelho meu… Quem sou eu?


  • Espelho, espelho meu… Existe alguém no mundo mais… Mais… Mais o quê, mesmo?

Termine a frase.
Olhe pro espelho.

Ou

Olhe pro espelho e termine a frase!
Mas antes disso! O que você vê quando olha para o espelho?


Atravesse o vidro, se precisar! Dentro de você. Com teus próprios olhos. Com o Teu olhar. Porque hoje é um dia que chamam de Dia da Mulher. Sei. É esparramam imagens mil de mil e uma mulheres.

Tudo bem. Tudo bem.

A história conta a história de mulheres fantásticas que fizeram história… Modelos indiscutíveis naquilo que viviam. Mas é aí que mora o perigo! Os olhos da gente se encherem de modelos outros, de vitórias de tanta gente afora e… Esvaziarem-se de si mesmos. Esquecerem quem são. E, pior… Tentarem (loucamente!) ser quem não são! E não escreverem suas próprias histórias!


Pegue na flanelinha. Passe com carinho no espelho que reflete você. E enxergue quem você é, de verdade.

Esta, sim tem de ser a heroína da sua vida! A guerreira que você admira, se orgulha de conhecer e compartilhar a história de vida. Não precisa ser da Mulher Maravilha, da Rainha, da Mulher Gata nem de alguém conhecida pelo mundo inteiro.

O que importa mesmo é ser conhecida por você. E você pode olhar pra este reflexo que vê e poder sorrir. Porque esta é a única mulher que você vai poder olhar, admirar, sem invejinha, sem inveja branca, colorida ou disfarçada. Vai poder virar as costar e ir. Feliz da vida por ser assim.


Não se espelhe naquilo que você não é. Seja espelho para quem te vê!

terça-feira, 6 de março de 2018

O tempo à toa


Comichão nas mãos! Gente, assim, meio nãoparaquieta não sabe parar e parar. Parece que fica procurando algo pra fazer. Com as mãos. Com o pensamento. Está o tempo todo armando algo, mentalmente…

Estou lá, eu, no meu trabalho, fazendo uma ligação, pedindo umas informações.
A moça:

  • Espera um momentinho…


A de cá. Mexe. Remexe. Tamborila com os dedos. Parece precisar fazer duas coisas ao mesmo tempo. Sempre! Pega qualquer coisa na mão pra mudar do lugar na mesa e derruba, exatamente, em cima do telefone! Off course, cai a ligação…

Momentinho vira momentão! Quem tem pressa, come cru. Quem faz mal feito, faz duas vezes. Quem não se concentra, se impacienta!

Mania de multiplicar os minutos. Só pode ser! Fazer duas coisas ao mesmo tempo… Puro desperdício! Do próprio tempo…

Olha a volta. É questão de lógica. Matemática pura. Um dividido por 2…
Ou
1:2=?
½

Ou… Meio.


E quem divide seu tempo sempre se dividindo, meio comendo, meio escrevendo no celular; meio andando, meio falando no celular; meio jantando com os amigos, meio olhando a rede social no celular… Sempre estará meia-boca em tudo!

No final das contas, desta conta matemática mesmo, de umdivididopordois ou umdivididopormilhõesdecoisasafazer se não acordar nunca estará integralmente na sua vida real. Vida de fato. Nunca será unzinho inteiro em lugar algum.

Hora de desligar o botãozinho de fora. Ligar o botãozinho de dentro. E ser um multiplicado por um.


Tempo à toa é tempo pra isso. Ficar à toa... Sem fazer, absolutamente, nada. Nadinha de nada! Porque, talvez, a melhor forma de aproveitar melhor o tempo é dar a ele o que é dele próprio O nome de cada um. Porque se você, realmente, conseguir fazer cada coisa em seu devido tempo, não vai precisar atropelar o limite de cada um.

Tempo de fazer. E tempo de não fazer nada!
Tempo de ouvir. Tempo de falar...
Tempo de seguir e de parar.
Tempo de repetir. E de se reinventar!
Tempo de sofrer e de parar de sofrer!
Tempo de barulho. Tempo de silêncio absoluto.
Tempo à toa. E tempo à toda...


Nunca ouvi falar em alguém que tenha conseguido correr tanto e tanto que tenha ultrapassado ele: o Tempo. E ele mesmo ensina que entre os tics e tacs há uma pequenina pausa. Para haver a cadência do tempo...

sexta-feira, 2 de março de 2018

Pausa não é ausência de música. Pausa é música!


Neste período meu reclusa, caverna, encontrei outros prazeres. Voltei a escrever no blog. É o que de verdade, mais amo fazer! Mais que a corrida. Mais que pedalar. Não mais que viajar, porque as duas coisas andam juntas! Voltei a dar importância ao que não dava tempo enquanto só treinava…


Hoje, desfruto de happy hour pós trabalho, socializo muito mais e com gente que não convivia, nem conviveria se estivesse firme e tão somente no mundinho da corrida

Visito amigas! Marco de reencontrar pessoas que conheci no caminho, no ônibus na viagem, como fiz ontem, encontrando a menina que foi no busão do meu lado na última viagem até SC!

Hoje sooooobra tempo. Antes, eu corria, e tudo era uma correria. Não vou dizer que não sofri. Mas enquanto a gente sofre pelo que perdeu, deixou de fazer, ou não tem por hora, ou não tem mais, a gente não enxerga aquilo que tem à volta…


Foi o que aprendi nestes dois anos off…

Ao invés de correr, caminhar. De só falar, conversar. Ler mais. Escrever muito! Pra compartilhar... A gente chega numa idade e vê que só vale à pena ter vivido tanta coisa, se puder compartilhar com o outro. Pra que outras pessoas despertem do sono profundo que são suas vidas, quando não têm coragem de ir…

Esta nossa vidinha corrida ensinou muuuuuuita coisa pra gente!

Se você tiver mesmo de ficar um período sem correr, rico de alma como é, tenho certeza que encontrará muitas riquezas colhidas no caminho pra te distrair, redescobrir e fazer!


Você é uma pessoa rica! Um ser humano que é uma unanimidade! Nem te conheço tão ao vivo e a cores, olhe só! Mas é isto que você transmite! Esta fortaleza com docilidade. Esta infinita garra misturada à loucura típica de quem busca superar e ultrapassar a linha do horizonte! Mas não perde o pé do chão, embora voe! Não perde a doçura do falar, do sentir e mostrar, embora seja fortaleza!


Deve dar medo. Ficar sem fazer algo que você ama tanto assim, deve dar medo. Mas medo passa! Porque a coragem vem no coração de gente como você, que encara a batalha!

Pode ser que fique um vazio, lá, de vez em quando, se sinta um peixe fora d'água, ao ver todos correndo, menos você. Como eu mesma senti. Mas a imensidão de ganhos é muito maior que a perda. E você precisa parar um pouco e ouvir o corpo. Olhe só quem está falando!!! Justo eu! Que teimei tanto em não aceitar parar…


É apenas uma pausa. Você que é músico e é de uma família musical, sabe. Pausa não é ausência de música. Pausa é música!

P. S. Carta escrita a um grande amigo que terá de ficar longe da corrida por um tempo...

sábado, 17 de fevereiro de 2018

O verso e o reverso - De que pedras minha fortaleza é construída!


(Esta é a história de uma pessoa. Mas pode ser de várias… A sua. De algum familiar. Um amigo. Como bem disse uma nova amiga minha, inteligente é quem aprende com seus próprios erros. Sábio é aquele que aprende com os erros dos outros! Tim-tim! Vamos construir muralhas e fortalezas!)


Escrevi minha história.
Foram lá, escreveram outra. Uma história mentirosa.
Me revoltei! Peguei todas as pedras que atiraram em mim e outras tantas mais, joguei de volta. Mas não as atirei. Eu as empilhei em torno de mim…


Não sei porquê, mas certas coisas não acontecem do jeito certo. Daquele meu, que acredito. Acontecem de um jeito incoerente, injusto, cheio de falas vazias. Quando não, mentirosas.

Não. Nem todos prezam a verdade como ponto de partida da sua conduta. Preferem crer em seus achismos que mascaram sua própria incompetência em viver suas vidas tão vazias e mentirosas quanto as suas falas… E suas falhas…

Sempre existiu, sempre vai existir aquele tipo de gente que tem vocação para vasculhar vida alheia, inventar a sua versão da vida dos outros.

Que lástima! Infinita lástima!

Será que, realmente, acreditam em suas histórias???

Já tentei, por anos, consertar erros alheios.
Desisti!

Não existe super herói em nossa dimensão de vida, capaz deste feito! Não seria eu a querer ser… Longe de mim! Erros meus já são muitos. Deles me responsabilizo. Reconheço. E reverto, quando possível.


Erros dos outros… Deixa o tempo agir!
Porque toda ação provoca uma reação. Todo verso possui o reverso. E a teomania anda louca por aí, neste mundão de hoje. E tem muita gente que se esquece que não há nada como o tempo. Ahhhhhhhhh… Este sábio Senhor do Tempo. Do qual, ninguém se safa. Ninguém se esconde. Ninguém escapa…


As histórias inventadas sobre mim, cabeludas e mal intencionadas podem até ter provocado um efeito derrubador. Temporariamente. Mas não há nada que supere a verdade. Nada que prevaleça imune ao tempo.
O tempo mostra meu (ini)migo! O tempo mostra…

Não pertenço a este mundo da pequenez! Venho de um outro. Vou para um outro. Acredite, quem quiser!
Estou aqui só de passagem! Estas coisas tão pequenas que parecem derrubar, não derrubam quem tem um arrimo vindo do alto! A minha âncora está ancorada lá em cima, onde atos e desatitudes tentam, mas não conseguem atingir.


Posso até me chatear por um dia. É só por um dia. Esta dor é tão somente a decepção por haver quem se preocupe em, ao invés de espalhar alegria, bondade, solidariedade e verdade, esparramar porcamente aquilo que transborda de dentro dele! Uma podridão de espírito, um descontentamento indisfarçável de sua própria pessoa, que é preciso gastar seu tempo (seu precioso tempo de vida!) cuidando e malfalando da vida alheia…

Dó. Pode ter dó? Me ensinaram que o mais lastimável sentimento que se pode sentir por alguém é este. Pena. Dó. Pois revela a total insignificância do alvo deste sentimento.
Que pena. É dó que sinto de quem me desejou mal e pensa tê-lo causado. Não nego que tenha me provocado o chateamento. Que eu possa ter fraquejado e até chorado por mais tempo que o merecido. Mas esta penumbra não me pertence. E nem eu a ela. Sou da Luz e na Luz, vivo. O tempo é precioso demais para gastá-lo com isso!


Daqui pra frente, já que certas decisões são totalmente incoerentes, injustas, pertencentes a um mundo à parte do meu, me retiro deste mundo. Só mantenho meus pezinhos o suficientemente necessário para acabar uns poucos passos necessários.

Desisti de dar murro em ponta de faca. Vou gastar minhas mãos escrevendo! Desenhando minha vida pelo caminho que escolhi, ao qual pertenço.

Tal qual o mestre reconhece que nem todos se tornarão seus discípulos, nem todos compreenderão seus ensinamentos, a incompreensão faz parte do ser humano.
Pérolas, não se dá aos porcos! E algumas vezes na vida, sem falsa modéstia, temos de nos colocar fora da lama e lavagem nojenta, reconhecer-se pérola, dar uma banana a quem nos olha, inveja e malfala, pra poder viver bem.


Afinal, tudo está posto igualmente a todos. Viver bem, viver mal é livre arbítrio! Preencher o relógio do tempo da vida com os seus viveres, ou viveres dos outros, opção nossa de cada dia. E a reação ao bem que nos fazem e ao mal que tanto insistem em nos fazer, é uma decisão que temos de ter firmemente para NÃO DAR IMPORTÂNCIA AO QUE NÃO TEM IMPORTÂNCIA.

P.S. Desabafo de uma reles mortal. Que, embora sendo mortal, vive cada dia como único e a vida como a chance única de escrever sua própria história, honestamente, espontaneamente, apaixonadamente, agradecida por toda pedra atirada, que vira fortaleza em torno de mim!

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Quando a porta estiver fechada, derrube as paredes!



Andando pela praia, dias destes, dou de cara com esta porta! A frase me vem como tiro. Como o próprio bumerangue que vai e retorna certeiro. E os olhos brilham já viajando nas palavras, coração sedento por escrever…

Porta fechada não é passagem trancada. Pode-se derrubar as paredes…

Ademais, em paredes erguidas, há janelas. Que permitem espiar e assanhar. Paredes de tábuas, deixam frestas. E de tijolos… Marreta derruba, se precisar!

Esta porta teve um efeito tão encantador, quanto inspirador. Me deixou matutando, matutando… E eu lá, com meus botões, passeei por histórias e mais histórias. Fui descobrindo paredes transpostas em outras épocas. Paredes derrubadas e outras que me detinham, sem nem eu mesma perceber. Paredes invisíveis, sagazes, sutis. Que me prendiam sorrindo, enganando-me de me fazerem feliz. Nem sempre erguidas por outros. Culpados pelo meu confinamento. 

Muito fácil, ovo de Colombo, descobrir a culpa por tanto marasmo no outro! Difícil mesmo, descobrir a culpa em si mesmo. Enxergar o sorriso cínico vindo de seu próprio sorriso. E entender que os tijolos da parede podem até ter sido arremessados por outros, na fila da construção dos impedimentos. Mas assumir que quem empilha os tijolos e passa a massa é cada um de nós!

Porta fechada. Quem poderá passar?

Não adianta ter a chave da porta se você não se libertar das paredes imaginárias que te prendem. As portas são meras passagens quando o que te oprime o coração tem o nome complicado de muros do porquenão.

Ouse. Passe a borracha uma vez na vida, vez ou outra, apague as paredes. Vislumbre o mundo lá fora sem elas. Contemple.

Muitas vezes, antes de passar pela porta, é preciso derrubar os muros que os anos trouxeram e você deixou ficar.

Depois? Depois você bota tijolo, vidro ou pedra. Madeira, bambu, ou cerca viva. Ou uma lona de barraca. Ou uma carcaça de carro. Ou escolhe uma parede nova a cada dia na sua casa de todo dia.

Porque a parede da casa é mero retrato do que te acontece casa adentro… Esta mesmo! Que inventa paredes onde não tem. E derruba muros de Berlim que dividem mundos só porque acreditam poder. Mesmo que tudo a volta diga que não. Que não pode. Que nunca irá acontecer.


Atrás da porta, através das paredes, só você poderá descobrir o que há para acontecer… 

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Abrace o seu presente!


Todo dia, tenho amarrado uma fita vermelha em meu dedo indicador para lembrar disto. Abraçar o meu presente!

Que presente?

Vamos viajar na frase. De propósito, ela tem duplo sentido…

Presente. Tempo presente. Olhar a volta e somente a volta, desprender-se do passado e despreocupar-se com o futuro.

Tem gente, me incluo nisso, que demora a entender esta lógica simples e verdadeira. Não se trata de desmerecer o passado. Ter amnésia dele. Desvincular-se dele não significa apagar o que aconteceu. Mas dar a ele o que é dele. A sua localização no tempo. Passou! Somente assim, consegue-se olhar ao que está a nossa volta com olhares de primeira vez! Não manter os pés atrás por um caminho por onde nunca se passou. Dar a chance ao que nos chega de ser presente. Nada amarrado ao que já vivemos. Nem medos. Nem tropeços. Nem traumas. Nem a resistência de se passar de novo aquilo que  nos machucou. Porque o que nos chega pela primeira vez tem o direito de escrever a sua própria história. De ser o presente.

Por outro lado, há quem se preocupe demasiadamente com o futuro. Pura perda de tempo. Não há no mundo alguém que, por se preocupar empenhadamente com ele, consiga prever o que acontecerá, livrando-se de erros que acontecerão no caminho, evitando sofrimentos e tomando vantagem de sua astúcia em ser tão precavido. O lugar do futuro acontecer é só um: no futuro!

Por isso, digo. Abrace o seu presente! Somente nele, o abraço será verdadeiro e real! As palavras ditas dizem sobre o que você realmente está vivendo. Nem olhando atrás, nem a frente.

Vou brincar um pouco mais com a frase.

Abrace o seu presente. Sabe reconhecer o que lhe é presente? Aquilo que você recebe em seu caminho e, algumas vezes, passa despercebido? Então…

É um misto de visão com gratidão! De enxergar a ponta do nariz. Coisas adiante da gente que merecem ser vividas com igual entusiasmo de uma primeira vez. Lembra? A primeira vez que andou de bicicleta sem rodinha, empinou pipa e a batizou, soltando toda a linha! Que dirigiu o carro sozinho. Que mergulhou e viu peixinhos. Que se pôs na estrada, com a janela escancarada, som na caixa, dançando com o corpo e alma na frente do volante!

Não?

Que se presenteou com um sapato caríssimo, só porque trabalha e merece e pontoacabou! Ou com qualquer outro supérfluo total que nunca teve e ninguém entende porque é mesmo que você quer, ou tem de ter! Que se permitiu ir ao cinema sozinho. E de se dar um presente. Aquele que só você sabe qual é e merece ter, porque presentes são presentes. Algo para se ter naquele exato instante.

Ainda não?

De ser grato, apenas. De enxergar que exatamente aquilo que você tem e vive, já é um presente. Que não importa as mil e uma estripolias que já fez, aquilo que você tem hoje é o tesouro alcançado pelos caminhos que optou. Que se houveram conquistas maiores no passado, não quer dizer que sejam as melhores para hoje. E que saber dar valor ao que se tem, se é, se faz reflete o quão feliz se foi, pelo que se teve e se fez. Não falo de posses materials. Falo daquilo que nos apropriamos através das escolhas que fazemos! E que isto abranda e enriquece o coração. Torna-o grato, completo e repleto. Transbordante de gratidão. E que ao invés de se iniciar uma contagem regressiva de feitos, somando-se perdas, inicia-se uma curiosa multiplicação.

Ao se abrir o coração, despretensiosamente, podemos perpetuar  nos olhos dos outros, aquilo que nós mesmos continuaríamos a fazer.

Abraçar o seu presente é despir os olhos dos olhos dos outros. Outros tempos. Outros erros. Outros acertos. Enxergar cada dia como seu e tão somente seu presente. Aquela velha e tão sonhada segunda chance pra recomeçar e fazer certo, fazer direito, fazer melhor. Porque todo dia a ampulheta do tempo é virada de ponta-cabeça pra reiniciar. E a areia começa a cair como se fosse a primeira vez… 

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Portas, janelas, passagens e paragens...


Aqui, onde tudo começou! 

Estou no exato lugar onde tudo começou…


Há trinta anos atrás, estive pela primeira vez neste lugarzinho especial que mudaria minha vida. Retiraria vendas. Abriria janelas. Me mostraria possibilidades. Me diria que certas coisas são inacreditáveis… Até o momento que se ousa acreditar. Me afirmaria que há coisas belas, muito mais belas que as já vistas até então, para se ver e se viver.

Ao mesmo tempo em que despertou em mim uma luz fora do habitual, atiçando olhares curiosos que ansiavam por acordar, este lugar ficou adormecido, como se aguardando a melhor hora de entrar de vez em minha vida.


Os anos se passaram, minha vida acinzentou-se, janelas se fecharam e parecia que meu mundo não era bem aquele mundo que um dia eu havia desejado para mim. Cheguei a acreditar que era assim mesmo que eu deveria viver. Acreditar que quando as cores se vão da vida da gente, a gente tem mesmo é de acreditar que é assim mesmo, vida-sem-cor, camuflar-se junto ao cinza ao redor e hibernar, pra não dizer morrer…


Foi um chacoalhão tremendo que me acordou e me tirou desta inércia. Literalmente, uma morte. Do meu pai. Aquele cara viajeiro, com uma certa dose de irreverência pra convenções de dinheiro, que ganhava e gastava de uma maneira que não permitia acumular, mas permitia viver. Baita lição de vida! A melhor de todas. Como uma plaquinha simpática-simples-sábia que vi aqui, onde estou: 


”Esta casa é limpa o suficiente para ser saudável e suja o suficiente para ser feliz!” Bingo! Era assim que meu pai vivia! Sem dinheiro demais. Sem dinheiro de menos. O suficiente.

Perder ele de perto de mim me fez tomar a melhor decisão que eu poderia tomar. Ir! E eu fui!



Aqui estou!

Lugar de tantas passagens, de tantas paragens, de inícios. Onde minha vida virou do avesso pra me mostrar que era eu quem estava com a roupa no avesso! Esta roupa nossa de todo dia. Que se veste diariamente pra se viver!

Aqui redescobri vontades. Redescobri capacidades. E iniciei um caminho sem fim. 


A desta viagem que todo dia nos chama. Tantas vezes, falamos “não”, “deixa pra outra hora”, “não estou na melhor hora”, “não estou preparado pra viver isso” e deixa o tempo passar…

Foi necessário uma morte. A do meu pai? Que nada! Nao adiantaria ele morrer se eu não matasse em mim este monstro covarde que nós mesmos criamos e alimentamos dentro de nós! Que nos reprime. Que boicota possibilidades! Que não aceita presentes que a vida dá! Que nos amarra diante de uma imensa janela que se abre, botando medo mesmo, a gente inteiro querendo viver algo e este monstro ordinário, querendo enfiar a gente no quadrado da previsibilidade…


Presentes! A vida nos dá presentes! E se não nos atrevermos a esticar os pezinhos, o corpo inteiro pra enxergar além desta cerca que este monstro covarde planta ao redor de nós, não enxergaremos que há o dia depois, o espaço além, o próximo passo, o dia seguinte, seguinte, seguinte de algo que se experimentou viver e que se quer, ali além!


Assim foi com esta península que apareceu na minha vida, um dia. Assim é com histórias que se iniciam. Histórias de viagens. Histórias de paragens. Histórias que aparecem do nada, que podem ser aquilo que um coração vivido e atrevido ousar querer e viver…

Mas é preciso matar o monstro! Passar a cerca. Escancarar a janela, a porta e deixar passar... O que vem e  o que vai...


P.S. Meu pai foi fotógrafo amador. Certas coisas são herdadas sem nenhuma explicação. E fotografia pra mim, sempre foi algo nada profissional, tanto mais era amador. Por amor! E congelar imagens, passar por um lugar, captar a sua fala e querer capturá-la sempre foi algo presente desde criança. A combinação imagem-palavras foi a maneira mais autêntica e original que eu poderia querer para me expressar. Com o blog, brincando com a palavra CLICs, reinventei o que já existia em mim.
Neste post de hoje, exagerei desavergonhadamente nas fotos. Sede imensa de querer mostrar por imagens tantos pensamentos e sentimentos. Aí está! Uma viagem! Ou apenas a cerca por onde se atravessar e iniciar mais uma...