Vamos conversar?

Vamos conversar?

quinta-feira, 18 de maio de 2017

A idade do pulôver



Pulôveres têm cara de avô. Tem não?
Não sei porque, mas avôs e pulôveres parecem ser uma duplinha tipo queijo e goiabada. Eu me lembro do meu avô e do avô de outras gentes com o tal do pulôver. Xadrezinho era de praxe. Se possível, acompanhado da boina. Infalível dupla que identificava os avôs!

Também me lembro do meu pai com os seus. Podia até estar de camisa manga curta, lá estava o Seo Paulo com seu pulôver de lã.

E eu olhava e pensava “Será frio?”

Ironias do destino… Uma cinquentenária friorenta. Prato cheio para estes pulôveres de vovô. Deixa comigo. Repagino o danadinho. Coletes. Com zíper. Capuz. Sem capuz. E com bolsos. De uma cor. De outra cor. E de mais outra. E tô lá eu em pleno sol de vinte e tantos graus de colete.

Então me vem a cena e as lembranças. Tô na idade do pulôver, oras bolas! Se bem que há muita gente da minha década, calorenta, que leva leque, mas não leva colete. Nem pulôver.

Será frio?

Também. Mas é o receio do resfriado. Da friagem… Coisa de gente velha! Com o devido respeito. De gente precavida. Que não faz questão de se arriscar a espirrar à toa, nem tossir, nem se engasgar! Coisa de gente de costela quebrada, também! Que se estufar o peito a caixa reclama. A caixa que protege o coração!

Nada como sentir na pele o receio do outro para entendê-lo. Pulôveres são um uma proteção que evita o desnecessário. Não é medo. É cuidado! A idade ensina que existem resfriadinhos desnecessários de se passar. E a gente mais nova vê com desdém porque quer passar tudo, experimentar tudo, sofrer tudo. E o tempo vai ensinando a gente que sofrer é opção. E não um troféu. Nem inevitável. É na verdade o absoluto momento de desvairado tropeço de querer provar algo improvável que não vai acrescentar nada. E talvez, subtraia.

Já saí muito de peito aberto. Hoje prefiro sair de pulôver.

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Voei



Para alguns, o nome é tombo.
Para outros, vôo.

Voei!

De novo. A sensação de algo repentinamente a frente, irrefreável segundo, o corpo indo pro ar de um jeito que eu não pedi, nem planejei, nem acionei nos meus botõezinhos de comando interno. Rápido demais pra poder pensar em saídas estratégicas. Definitivamente, um “relaxa e voa!”

Foi assim da outra vez. Um milésimo de segundo, não dava tempo de fazer nada, POF. Homem ao mar. No caso, uma moça no canteiro. Eu. Voando de cima de uma moto que ficou no meio-fio do canteiro central da avenida.
Desta vez, uma porta. Apareceu do nada! POF. Uma muralha a frente e o tempo, de novo ele, não tive o tempo para saída estratégica.

Caí? Ou voei?

Por que portas surgem do nada abertas na frente da gente jogando a gente pro ar?
Voei longe. Me quebrei. Olhe só: a caixa dura de ossos que protege o coração! Três tabuinhas se partiram. Será para libertarem este meu coração e ele tomar jeito e coragem e descobrir-se desenjaulado? Ele que sempre soube voar? Talvez só esteja um pouco endurecido. Assustado. Com medo! É o medo que impede, paralisa e pesa. E faz cair ao invés de voar. Medo pesa! Quem quer voar tem de deixar pra trás e no chão o peso que não serve mais.

Viajei.

No final das contas, é uma conversa louca de “umbigo”. Eu comigo. Paradas abruptas assim me fazem ficar pensando e viajando.

Vôos são sempre precedidos de um ritual de decolagem. Alguns são como helicóptero. Que gira suas asas em cima e sobe. O meu vôo é feito pato. Bate as asas e sai correndo. E deste tombo não entendi ainda o porquê, o para quê e o jeito certo de começar a bater as asas e voar. Vai um tempo ainda.

O vôo não decolou. Ainda! Vai ver, é porque é viagem mais longa, requer maior preparo. Assim, não creio estar caída. Estou apenas ajustando e aferindo todas as pecinhas que fazem parte de mim. Um tempo pré vôo, necessário. Ter os pezinhos no chão por ora, não significa que cá dentro, eu tenha desistido de voar. Nem que o vôo já não tenha começado. Pode ser que o motor esteja apenas se aquecendo.

Se tombo ou vôo é uma questão de decisão​.

terça-feira, 16 de maio de 2017

Vale a pena ver de novo. Ops, viver de novo!



Então, a tal rede social fica te oferecendo recordações, vídeos disto, daquilo. Sem nada pra fazer naquela hora, cliquei.

Me surpreendi!

Resuminho legal de alguns anos de vida desde que resolvi escutar o coração e seguir a vida, sinceramente... São imagens guardadas no coração que muita gente amiga acompanhou e conhece. Cheeeeeias de vida!!!! E hoje, eu novamente, em mais um ciclo de recuperação.

A esperança de voltar a elas é uma espécie de déjà vu. Já passei muitos anos de vida inerte, imaginem, sedentária, morna e cinza. Um dia acordei. E não num dia azul de céu brilhante. Sempre acordo em dia de tempestades! Foram várias. E a primeira, foi a acidente. Que me deixou sem andar por sete meses. Só muitos anos depois, descobriria e entenderia o porquê dele. Como todos os porquês que não entendemos que acontecem com a gente.

Depois, foi a morte de meu pai. Que me fez encontrar em mim, motivos pra ir pra estrada, sozinha mesmo com minhas duas crias, crianças com 4 e 8 aninhos. Queria vento na cara. Fui.

Depois, com a morte de minha mãe, descobri que existem coisas que não se explicam. Talvez seja resiliência o que tenha aprendido com ela. Estar no último fio da vida e não desistir...

Depois outras e outras tempestades. Passei a chamá-las de pedras. Pedras no caminho! E foram muitas.

Já há algum tempo, minha vida se transformou num turbilhão. Acho que entrei no olho do furacão... Eu sei que é aprendizado e uma hora o furacão acalma e acaba. Ele tem dado umas abrandadas. Mas parou totalmente, não.

Sumi. Eu que era tão daqui, de gostar de escrever direto aqui, feliz e querendo contagiar os outros deste "ser feliz" tão fácil, tão acessível a qualquer um. Encavernei. Motivos? Alguns enganos. Alguns tropeços. Pedras atiradas em​ mim. Sem vitimismo algum ou mimimi. Sei que passamos o que temos de passar. Sei que dizem que nenhuma pedra é maior do que podemos carregar. E, às vezes, brinco de dizer que o "homi" lá em cima deve me achar muito fortona mesmo, cascuda, "galáctica", pra disparar tanta pedra e tão pesada...

Achei que minha vida ia voltar ao normal neste mês. Ainda não. Meu corpo tem parecido de vidro... Estou tentando entender o que ele quer me dizer! Será parar? Mais um pouco. Ou de novo. Um pouco mais?

Algumas pessoas sabem que quando viajei de bike, eu estava escrevendo um livro. Todo mundo deveria escrever um. Nem que fosse pra ficar ali, guardadinho, em segredo. Escrever para escrever. Nem que seja pra ninguém ler. Você desenhar sua autobiografia diante de seus olhos. Um exercício bom. Localizei minhas tempestades, minhas pedras todas. Consegui entender várias delas. Todas foram pra me deixar mais forte. Pra alcançar aquilo que eu não acreditaria se elas não tivessem vindo no meu caminho. Vários dos meus sonhos. Vários impossíveis se desfazendo. E ler o que eu havia escrito me fez ver a mim mesma ali, sorrindo escancaradamente feliz.

Nisso tenho buscado acreditar. Porque eu já passei tanta coisa que não é possível que esta pedra de agora demore tanto a se transformar em degrau, como todas as outras.

É assim! Olho este vídeo meu e tenho certeza que é meu!!!! Mas hoje, me parece longínquo. Incerto de voltar a fazer... E dói. Mas não é na dor que eu tenho de focar. É no brilho dos olhos que eu tive. Porque tenho de crer que volto. Puxa vida!!! Fiquei tantos meses sem andar... E corri!!! Muito!

Em algum lugar aqui dentro de mim, vou encontrar de onde vinha tanta energia e vontade de viver. Aí, eu junto os caquinhos, literalmente, e vou voltando pro meu caminho. Porque este aí no vídeo é o MEU caminho. Minha vida. Sou eu.

https://pt.nametests.com/test/result/susi/anm_7598002196/index_new/?p=eyJ0IjoxNDk0NzU3MjkwLCJjIjoicGhwIiwic2wiOjQsImdlIjoiZmVtYWxlIiwic19pZCI6IjEzMzI0NTY3Nzg2ODk0MDIwMSIsImNzX2lkIjoiMTA5OTY1NTY3NTIwNjEwMDEifQ

P.S. O livro logo sai. Sai, sim!

(Mais um repost de algo que andei escrevendo em outra rede social, adaptado para o blog.)

sábado, 13 de maio de 2017

Os 364 Dias das Mães




Ok ok. O que é o Dia das Mães?
Não vou ser coração peludo. Minha mãe faleceu há nove anos. Lembro dela quase todos os dias. Tem dia que ela parece estar comigo o tempo todo em coisas, particularmente, tão suas! No piano. Na sacolinha que ela insistia em por as coisas que eu levava caindo pelo caminho, ao sair da sua casa. Cenas que parecem flashes que voltam, voltam, voltam.

Eu não preciso de um dia no ano para me lembrar dela e escrever sobre ser mãe. Nem sobre a que tive. Nem sobre a que fui, sou e serei. Este tipo de amor vivido transcende…

Então, quando saio desta redoma, arrisco. Quem foi que inventou o dia das mães?

Há várias versões. Conta-se sobre a criação deste dia, numa conotação política, relacionado às guerras, à atuação das mulheres de forma mais ativa no contexto político.


Mas que, para dissabor da própria idealizadora deste dia, foi engolido pelo potencial de apelo comercial da data. Quem não quer parecer herói? Que homenageia a mãe? E dá-lhe vender/comprar flores e tudo mais de presentes para não ficar de fora.

Andei lendo. A gente não pode ser tão inocente. Não sou contra homenagear as mães. Sou contra ser marionete.

Mãe, meu amigo, enquanto você a tem, você tem 365 dias no ano pra dizer que ama - e há quem não diz!

Tem todos os segundos do dia para fazer-lhe gentilezas, delicadezas, agradinho, cafuné e carinho. E tem quem a ignore, ache-a burra, ou desinformada, desatualizada, só porque viveu em outra época. E nem se lembre de lhe dar um afago.

Tem todo o tempo para ouvir suas histórias e compreender ou aceitar suas razões. Respeitar suas diferenças e opiniões. Acatar suas decisões. E ir visitar!!! Porque não só mãe, gente de toda nomenclatura gosta mesmo é de presença física! De abraço, chamego, um olhar de cuidado, cumplicidade, respeito. Gente de toda denominação, gosta de estar junto de quem ama. Não naquele dia tão comercial. Mas no dia que não acorda bem. No dia que não está de tão bom humor. Que está irritada ou simplesmente tristonha. Ou achando que nada deu certo.

Tem mãe que é uma fortaleza! Que é só chegar que ela te sustenta. Mas tem mãe que sofre, dores do corpo ou da alma. E que ao olhar para ela, é você quem tem de estender o braço a escorá-la.

Mães não são super mulheres. Isto é cliché pra massagear o ego e vender a imagem de mulher infalível. Só serve pra que aquelas que falham, choram e tem milhares de dúvidas na educação de seus pimpolhos sintam-se mais fracassadas. Mãe falha. Chora. Erra. Se arrepende. Mãe não tem de ter estereótipo cliché de mãe perfeita para ser. Senão, vão ter de inventar um termo para anorexia de mãe. Que vê propaganda de margarina e acha sua família uma droga imperfeita. Cada uma é uma história. Cada filho, um aprendizado. E o que se fez com um filho, nem sempre serve para o outro. Nem aos de uma mesma mãe. Nem àquela que você vê perdida e acha, prepotentemente, que saberia fazer melhor que ela.

Não sou contra lembrar tanto dela num dia. Sou contra esquecê-la tanto, tanto nos outros. Sou contra ignorar que há muito mais crianças do que você pensa que não tem mães. E não estou falando de”tipos” de família. Porque sempre haverá quem queira, arrogantemente, pregar seu modelo de família perfeita. Ironia. Prega o seu certo, desrespeitando o certo dos outros. Quanta prepotência!!!! Não falo de modelos de família. Falo de ausências! Ausência de gente que cubra esta função de mãe, seja avó, tia, pai, alguém da família ou que assuma este papel na vida de uma criança.

Li hoje sobre as festinhas nas​ escolas. Como é difícil conversar sobre um assunto quando cada um do quer discursar a sua verdade. E não escutar a história do outro. Discurso não é conversa. E a verdade de um não é a de outro. Já assisti muitas vezes a estas comemorações. Focando meu olhar naquelas que eu sabia serem órfãs, ou morarem em casa-abrigos. Aquelas casas onde vão as crianças retiradas de seus pais por algum motivo grave, não menos que agressão física, abuso sexual, convivência com situações de risco, de tráfico de drogas, de alcoolismo, de negligência e abandono.
As pessoas discutem e defendem seus direitos sem quererem abrir seus olhos a realidade alheia. Será que quem defende veemente seus direitos, já olhou nos olhos de uma criança que tem vontade de se enfiar num buraco de tanta vergonha ou tristeza de mais uma vez, não ter a mãe ali naquele dia? Ou até por não desejarem tê-la???

Rasas. São conversas rasas e argumentações egoístas. Ninguém resolve o problema maior cancelando festinhas nas escolas. Não. Mas pode ter certeza que muitas​ crianças​ que teriam​ seus corações estrangulados neste dia, vão respirar aliviadas em saber que não haverá aquela cena “família Doriana”...

A gente reclama de tanta manipulação de direitos, mas não reclama de ser marionete em meio as datas que mais que homenagear, querem vender. Ostentam modelos cliché e “ai” se você não se enquadrar neste padrão, não der ou não receber o presente sensação do momento.

Talvez, seja um dia pra sair da zona de conforto e olhar com delicadeza, àquele que não tem o que você tem. Seja uma mãe. Um lar. Uma família. E parar de lembrar só num dia, de quem se compraz da sua companhia nos outros 364 dias do ano...

Cliché - Dia de quê?



Sim. Há inúmeras mães merecedoras de homenagens neste dia.
E não. Há inúmeras que não merecem, não.

Vou polemizar!

Os tempos mudaram. O “acesso” a gravidez mudou muuuuuito… De encontros às escondidas entre pares enamorados. A todo tipo de encontro casual e tendo como consequência, uma gravidez não planejada.
Sorte de muitos nenéns que o não planejado se converge no decorrer da gravidez em espera desejada. De outros, não.
Este discurso politicamente correto de mãe isso, mãe aquilo, não pode esconder o descaso com que algumas crianças são tratadas. E, pior: ignoradas ou mal educadas!

Sobre as boas mães, há bastante gente falando. Com todos merecidos méritos, assim como eu mesma já escrevi, na saudade da minha, sem santificá-la. Mas reconhecendo a mãe imperfeita que errou tentando acertar. E nos deu amor do seu jeitinho. Assim como a maioria de nós.

O assunto hoje é outro. Os filhos de ninguém!

Não precisa trabalhar em escola. Nem em qualquer profissão que lide com crianças ou adolescentes. Basta ir lá fora. Na rua pra ver. Não precisa nem olhar só criança não crescida. Há muita, mas muita criança crescida, adulta mesmo, que não recebeu educação nenhuma. Nem de mãe, nem de família alguma. Só olhar! Você olha à volta e vê ajuntamentos de pessoas que antigamente a gente chamava de família e hoje, talvez, poderíamos chamar de rede. Rede desconectada. Sem pai, nem mãe, nem filho.

São pessoas. Conectadas, se deixar, com o outro lado do mundo. Ou senão, do país, da cidade. Menos com aquele ali ao lado. Aquele que dorme na mesma casa, acorda e vai pra mesa com o quadradinho preto na mão, nem levanta a cabeça na hora da refeição, dá risada de piada alienígena, piada engraçada, piada sem graça, se emociona e põe coraçãozinho, like, carinha, emotion, de todo mundo. Mas não sabe, nem tem ideia do que se passa com o cara imediatamente ao lado!!!..

Coisa chata esta que eu inventei de fazer. Criticar? Não. Quem sou eu! Também tenho celular. Também acesso rede. Mas andei um tempo totalmente offline e sobrevivi. Perdi alguns contatos, sim de gente bacana que gosto e quero perto. Mas passei um tempo observando aquilo que eu não enxergava. A caixinha engole a gente. Engole tempo. Engole olhares. Engole conversas que não voltam mais. Ela te põe perto de tudo e longe de tudo o que é mais importante se você não acordar. E vou falar: tem muita mãe substituindo a si mesmo por livre e espontânea vontade, pela caixinha preta. Bota o quadradinho na mão do pirralho, da bonequinha da mamãe, do neném e deixa ele vidrado com o olho grudado no vídeo da musiquinha, por minutos… ou horas. Enquanto vai fazer outra coisa “mais importante”... Aquele tempo que deveria ser seu. De fazer sapequice, arte, cantarolar, fazer careta, ensinar a conversar, fazer brum-brum de carrinho, estalar a língua, mexer as mãozinhas, se arrastar no chão, rolar, rastejar, brincar de bicho, herói, pela casa, pelo quintal, pelo parque, pelo verde, ou brincar só de mamãe e filhinho.

Cadê estas mães???

É orgulho mostrar que seu neném, guri, bonequinha, já sabe cantar as musiquinha daquele ou daquele outro bicho, personagem que assiste tanto? Canta, gesticula, dança. Decora todas musiquinhas! Que coisa mais fofa… Não sou contra. Fui professora. Ensinei muita musiquinha para os meus alunos. Brincamos muito de teatrinho. Brincadeiras de giz no chão no pátio. Mas fui professora deles. A minha função, desempenhei. Brinquei. Mas, ensinei a eles a ler e escrever. Não seria legal também, ver seu filho imitando você? Cantando o que você canta, repetindo o que você fala e faz, pegando o seu jeito, parecendo mais e mais com você? Este mundo infantil faz parte. O que não dá pra entender é você não ser o personagem em quem ele mais tenha os olhos vidrados e queria imitar.  

É disto que estou falando!

Cadê as mães???

Celular baratinho, super smartphone, i-isso, i- aquilo de todas as marcas imagináveis não substituem a mãe. Nem a babá. Nem a empregada. Nem a professora. Nem a vó. Não adianta ter filho por vaidade, por querer ter família, por desejos egoístas e individuais se não for com a vontade de amar e se dedicar. Ser mãe dispende tempo. Ser mãe tem o mel e tem o fel. Tem o abdicar de algumas escolhas, postergando-as para um outro tempo, talvez. Ser mãe não é adquirir um eletrônico que se conecta com outro e mais outro, você põe no modo soneca, ou grava o áudio, o vídeo pra ouvir depois.
Ser mãe é algo imediato. Inadiável. Se já é, já é. Não sabia? Aprende! Aconteceu? É preciso ter o desejo de ser mãe, porque não é um pacote que você separa só a parte boa pra usufruir e deleta o que não quer nem ouvir, ver ou sentir.

O tempo acaba sendo o maior juiz. Por isso, quem não dedica tempo a ser mãe, não tem filhos depois. Tem conhecidos. Que te darão trabalho na escola, no mundo e vida afora. Não falo de aprendizagem, porque ninguém está imune a ter dificuldades. Mas de educação! Aquela criatura que a escola te chama e você jura que educou direito. E não entende porque só na escola ele age assim. Aquela criatura que você não reconhece, talvez porque não dedicou tempo a ele aprender de você, o modelo de ser uma pessoa de caráter. Ou que por falta de paciência, permitiu demais. Falou “não” de menos. Ou, simplesmente, porque não esteve presente. Deixou seu filho aos cuidados da escola, da vizinha, da avó, da babá pessoa, da babá televisão, da babá celular, da rua, dos amigos, dos outros...

Não foi mãe, não tem filho. Tem um estranho no ninho…

Escrevo isso porque existe um tempo em que dá pra correr atrás do tempo perdido. Depois, não. E se houver tempo ainda e você se reconhecer como aquela mãe hiper mega conectada num quadradinho preto, ou seja lá de que cor que seja, pense nisso!
Desconecte-se por um dia (pelo menos!!!) Fique offline do resto é conecte-se ao seu filho. Vá ao parque, à praça (tão cheia de pets, hoje e tão vazia de crianças!!!) vá ao parquinho, ao quintal, suba em árvores com seu filho, solte pipa, ande de roller, carrinho de rolimã, pule amarelinha, elástico, brinque de bola queimada, bets encante-os fazendo bolinhas de sabão! Compre um picolé do tio do carrinho, geralmente aqueles senhorzinhos bem de idade, na rua mesmo, que não custa quase nada, não tem creme, chantilly, nem confeito, mas tem sua companhia! Seja mãe, aquela mãe que​ você queria ter tido, teve, ou que seu filho vai se lembrar ter tido consigo.

Dia das mães não deve ser uma massagem no ego, onde se endeusa o defunto, só porque é dia dele. Tudo defunto é santo no dia do seu velório “Ahhhhh, ele era tão bom…” e toda mãe em dia das mães gosta de homenagem e parece que todas, magicamente, viram perfeitas, imunes a falhas e inatingíveis de críticas.

Penso eu, Dia das Mães seja o dia de olhar bem fundo nos olhos do seu guri, da sua menina, sejam eles pitocos, barbudos, moçonas, gigantes, nenéns e perguntar a eles, a si mesmo: “Qual será a lembrança que terão de mim?”

Até um tempo na vida deles, somos modelo. Depois, eles serão reflexo do que fomos para eles. E a gente descobre, com o passar do tempo que o maior presente é SER PRESENTE…

Aí, tenho certeza, certeza absoluta que nós como mães, poderemos sorrir se sim, se valeu à pena. E a todas que detectarem aquelas pelotinhas para serem desfeitas, há tempo. Se o tempo começar já!

quarta-feira, 10 de maio de 2017

O menino da capa de papelão


Ele reluzia. Segurava sobre seus ombros uma capa de papelão, arriscando vôos rasantes, ziguezagueando com sua poderosa capa de super herói. Passou por mim às margens do lago e falou um "Oi". Respondi-lhe com um "Oi" e ele novamente falou-me um "Oi". Irradiava alegria!

Logo após ele, passou sua mãe. Uma moça jovem, simpática, com um semblante feliz, de bem com a vida, a quem falei um "Oi" e de quem o recebi também. Em seguida, mais uma menina moça, segurando também um papelão nas mãos.

Rapidamente, imaginei a cena. Deviam estar vindo do zerão, ou do lago um, onde há rampas compridas de grama, por onde pode se brincar  de escorregar no papelão!

Que viagem no tempo...

Foi fácil compreender a alegria estampada na carinha do menino da capa de papelão, cujos poderes eram tantos que passavam, num piscar, de tapete escorregador e voador, para capa de voar! Bastava ele querer e imaginar! Que infância privilegiada esta, a dele, que ignora brinquedos caros vendidos em lojas de shopping e que usa aquilo que toda criança tem de sobra, a criatividade... E mais. Ele tinha como parceiros de brinquedo, não aqueles virtuais. Mas a sua própria mãe e sua irmã.

Foram, apenas, alguns segundos. O suficiente para me remeterem numa viagem no tempo. No tempo onde éramos nós que passeávamos com papelão nas mãos, pelo zerão. Sim. Infância vivida de pé no chão, escorregando na grama no papelão, parquinho de madeira, pic nic, pipa, bicicleta, roller, bola e futebol nos campinhos do zerão, clube, piscina e ler letrinhas, palavras e frases debaixo dágua na piscina. Coisas simples. Aquelas que eu acreditei serem  as melhores. As que eu mesma brincaria.

Passou-se o tempo. Mas fico feliz em ver que há mães, ainda, que perdem uma tarde de sábado pra brincar com seus filhos, quando tantas reservam esta tarde pra passar num salão de beleza, ou na faxina. Não que estas duas coisas não façam parte da vida de uma mulher. Não!  Mas é que o tempo passa. As crianças crescem. E o tempo não volta atrás. E, muitas vezes, gastamos tempo demais com aquilo que não importa tanto, no final das contas... E a melhor forma de amenizar a saudade de um tempo que já foi, é a certeza de ter vivido da melhor maneira possível.

Algumas coisas me fazem ter a certeza de ter valido a pena. Cada filho com seu jeito. A Gi mais expressiva em mensaginhas e o Gabri me surpreendendo como hoje, ao me dizer "obrigado por me trazer tanto aqui!". Justamente, quando passávamos pelo zerão. Foram as lembranças de uma certa capa de papelão que serve de capa, de tapete voador, de escorregador. E que toda criança devia ter.

(Texto originalmente escrito em maio 2014 após um passeio pelo Lago Igapó, na minha cidade. Uma reflexão sobre ser mãe, escorregar de papelão, e o tempo que se vai!)

sexta-feira, 28 de abril de 2017

Rugas de riso

Rugas de riso


Estou lá eu, outro dia, no prédio onde emitem guias do meu plano de saúde, quando percebo um rosto familiar. Muito eu, me aproximei da pessoa, chamei-a pelo nome, abri um sorrisão e ela, virando-se para mim, me reconheceu e nos cumprimentamos, num abraço.

Ela:
-Nossa, quanto tempo, você está bem?
-Sim e você?
-Bem! Mas… onde está aquela menina?
-(cara de não entendi!)
Ainda olhando para mim…
-Ah… O tempo judia da gente, né?!

Eu: Mais não entendi, ainda! Sim. Sim. Era comigo. Aquilo era para mim!

Continuei olhando pra ela me esforçando para parecer que continuava escutando o que ela estava falando para mim. Só fazendo de conta. Eu já não ouvia mais nada! Eu olhava, olhava pra ela e na minha cabeça eu ficava​ ouvindo a frase dela fazendo tóim, tóim, dando eco, eco, eco…

“Onde está aquela menina? Ah o tempo judia…. Judia…. Judia…”

É. Eu não estava, exatamente, arrumada. Do jeito que eu estava em casa, saí pra fazer fisioterapia e passei lá onde eu a encontrei. Simplinha.

Não sou exatamente o padrão de mulher da minha idade e de idade nenhuma. Não me visto na moda, muito menos me visto de maneira previsível. Confesso. É meio camaleão o meu estilo. Ou melhor seria dizer, muitos estilos como camaleão. Passa por básica, patricinha, esportista, hippie(chic?), salto alto, crocs no pé, mateira, tudo menos clássica, ou na modinha.

Mas aquilo que eu tinha acabado de ouvir, tinha a ver com o jeito que eu estava vestida? Ou era cara de acabada mesmo???
Hummmmm….

Martelou, martelou, martelou. E dentro das minhas resoluções desta semana, vou contar um segredo. Escrevi:

“Nunca mais sair desarrumada!!! Simplinha, sim. Desarrumada, jamais!!!”

Uns pitos, uns comentários sinceeeeeros e inocentes, mas sinceros, umas​ verdades servem pra muita coisa…

Dali, na frente do espelho redondinho, que fica em cima da pia, fiquei me analisando na luz. Fazia caretas. Sorria. Abria a boca. Ih. Ela tinha razão. Parece que de uma​ hora pra outra, brotou um monte de ruga na minha cara!!! De onde saiu tudo aquilo? Que eu nunca tinha visto??? Ter, tinha. Lógico que tenho e sei que tenho rugas. Cinquentenária tem de ter. Mas…

Careteei bastante e depois, caí na risada!!!
Olhei, olhei, comparei. Fiz cara de braba e de preocupada, cara feia de mal amada, mal resolvida, e de mal com a vida. Não tinha estas rugas!!!! Minhas rugas eram rugas de risada!!! Rugas de sorriso e de riso!!!!

Saí da frente do espelho rindo mais ainda!!! Gargalhando meeeesmooo!!! Sem dó!!!
Estas rugas, faço questão de ter de monte!
Não tenho o vinco no meio da testa, em cima do nariz, de gente braba. Tenho rugas de riso!!!!

Então tá bom!!! Pode falar que o tempo passou por mim! Judiou? Pode ser que sim! Mas do choro, fiz o riso. E já vou avisando… Vou enrugar muito mais! Pois pretendo sorrir, rir e gargalhar muuuuuito, ainda….

Você é água mole, ou pedra dura?

Obstáculos são o que nos movem.


Repara. Um rio seguindo o seu curso livre. Correnteza. A água seguindo livre.
Então, um obstáculo. Um tronco de árvore. Uma pedra maior.

O que acontece?

Um movimento. A água se repagina, se reinventa e contorna. Ela não pára. E se precisar, salta sobre o obstáculo.
E o que dizer do quanto desgastam as pedras duras, ela a água mole, até furar?

Ninguém se descobre forte se não se deparar com dificuldades.

Ninguém se descobre capaz se não tiver obstáculos.

Ninguém descobre suas potencialidades se não se puser à prova.

Se tudo fosse só uma reta plana, caminho fácil sem montanha, nem pra escalar, nem pra desviar em curvas sinuosas, o caminho seria uma chatice reta sem possibilidades de ver diferente, caminhar diferente, descobrir-se capaz de escalar, contornar e descobrir o prisma diferente de olhar de lugares diferentes.
Vida cinza e morna.

No caminho mais fácil, se passa rápido. E se chega rápido ao fim. Pra ficar lá parado, entendiado sem ter experimentado tanta coisa que o caminho mais difícil oferece, ensina e te enriquece.
Vida sem melodia, oca, vazia.

No final das contas, o de sempre. Livre arbítrio. Obstáculos pedem reações. E quem não reage se movendo pára. Estagna. E quem se move, ultrapassa. Vai além. Bem além do que imagina.
Vida vivida.

E, então?

Você é a água que corre no rio, vence os obstáculos recriando seus caminhos sem parar de se mover, ou é pedra que obstrui o caminho de quem passa e fica a mercê, sem se mover?

quinta-feira, 27 de abril de 2017



Guia Circuitos do Sul -Antonio Olinto e Rafaela Asprino

A trilha sonora... As falas... As cenas... Tudo remete à típica sensação de final de viagem.
Ao mesmo tempo em que eu tenho uma saudade enoooorme de tudo o que foi passado, uma peninha da viagem estar acabando, fica um aconchego gostoso lá dentro, por tantas coisas vividas.
Vocês expressam perfeitamente este sentimento no conjunto do vídeo.
Tive a felicidade de conhecer vários dos trechos deste circuito. Picadinho. Reconheci com uma saudade gostosa personagens e lugares. Harriet da Pousada Ponte de Pedra... Um lar aconchegante pra ficar na rota do Circuito das Araucárias. Estradas passadas. Lugares por onde passei.
Tenho uma certeza. Vou. Vou de novo. Quero ir neste tempo aí, que vocês colocam tão bem ao final do vídeo! Numa sacada legal e divertida e ver o mundo louco passando rápido em volta, estando ali, bike na mão, observando... Num tempo lento, desapressado. Como se fôssemos um personagem privilegiado observando vagarosamente o arredor... De bicicleta!!!

Grata! Imensamente grata por mostrarem toda a possibilidade de se passar em bicicleta pela região sul.
Já fiquei com meus botões aqui imaginando... Tão logo volte a pedalar, quem sabe iniciar por Gramado e ir percorrendo estes caminhos numa viagem que me leva, como sempre é, para dentro de mim mesmo. Que é onde a gente descobre que é o início de tudo para enxergar tantos caminhos!!!

https://m.youtube.com/watch?feature=youtu.be&v=LkHt1lFXsFQ

E na vida, você navega ou fica à deriva?

Quando tanto faz, faz tanto. Tanto desperdício.



Gente muito prática tem de parar um pouco de só fazer, fazer, fazer e parar pra escrever o que fazer. Ou intenciona fazer.

Resoluções.

Funciona. Listar.
Primeiro porque ao parar para escrever, você é obrigado a pensar. Organizar seus próprios pensamentos, priorizar, classificar urgências, localizar a frequência de cada coisa que quer e deve fazer. Você organiza mentalmente como se estivesse dando notas de importância. E analisa rapidamente o quanto deve direcionar seu tempo para cada uma. Ao listar, você separa o necessário do dispensável. E organiza algo precioso… o tempo!

Parece óbvio. E a gente tem tanta mania de confiar na memória, abstrair o que precisa aparecer no concreto para ser visualizado mesmo. Lembrado mesmo. E realizado mesmo!

Pode ser que era o que eu precisava. Que para outros, seja indiferente. Para mim, funciona. Escrever prioridades e coisas importantes a cada dia e todo dia rende resultados hoje para mim. E terminar o dia vendo concretamente que atingi pequenos objetivos que tracei para mim, dá a gostosa sensação de êxito. Sucesso. Satisfação. O que se torna a motivação para o dia seguinte. Fechando um ciclo de resoluções-ações-realizações.

Cai naquela velha máxima do primeiro passo. O mais difícil de ser dado. O mais enrolado.
O que determina se vai ou não vai acontecer algo que se quer tanto. Portanto, o mais importante.

O primeiro passo é a primeira ação. O primeiro movimento em direção. Mas a imensidão de movimentos minúsculos que acontecem antes lá dentro da gente, são as decisões postas pra fora. Ouso dizer que escreveram errado a palavra. E que ao invés de REsoluções, deveria se grafar PREsoluções. Ou seja. Tudo o que determinamos fazer que antecedem soluções.

Viver sem resoluções é como pegar um barco e sair à deriva. Você está no mar. Está indo. Mas sem saber para onde. Então, tanto faz olhar para um lado, para outro, tudo será igual. Não navega. Só vai.

É como ir na rodoviária e pegar qualquer ônibus. Não se decidiu onde ir, o que vai fazer, então tanto faz. E olhar a janela também é indiferente.

E pior. Viver à deriva, pegar qualquer caminho na vida não é o mesmo que estar aberto ao novo, que é algo sensacional e traz oportunidades. E viver no “tanto faz”. É nunca reconhecer o que te é bom, o que te faz bem, assim como reconhecer o que te é mau, o que te faz mal. E se posicionar com um “sim” ou um “não” diante deles.

E assim como estar no mar sem navegar, viajar sem observar por onde, é viver sem saber pra quê.

terça-feira, 25 de abril de 2017

Segredos secretos

(Das histórias que se ouve sobre tipos de amores)



Segredos secretos.
Quais são?
Amores proibidos,
O bombom que se come escondido,
O amigo que é mais que amigo,
Aquilo que é sem poder ter sido.

Déjà vu.
Como visto um já acontecido.
Como efeito borboleta.
Um início, vários​ desfechos
Aquilo que se repete, sempre, de formas diferentes.
Pode isso?
Ser diferente sendo igual?
Ser igual sendo diferente?
São as coisas disfarçadas de parecido
E que por fora se emolduram de outra história.
Por dentro, é o mesmo já acontecido.

Certas coisas não têm de ser contadas.
Têm de ser eternamente segredo!
Porque quando vêm pro lado de fora ficam exigindo explicações. Como se tivessem…

Algumas raras coisas não foram feitas para serem compreendidas.
Fato. São apenas para serem vividas.
Sem delongas.
Sem leros-leros.
Existem. Não são esquecidas.
E, a cada tentativa de serem postas no lugar comum do entendimento, fica um buraco, um vácuo.

Sinto como​ se fosse o lapso caprichoso do tempo. Que permite, raramente, que algumas coisas nunca caiam no esquecimento.
Amores proibidos.
Amores escondidos.
Amor que é amigo.
Aquilo que é sem poder ter sido.

Déjà vu: https://www.significados.com.br/deja-vu/

Efeito borboleta: http://obviousmag.org/questoes_cotidianas/2016/o-efeito-borboleta-e-o-nosso-cotidiano.html


segunda-feira, 24 de abril de 2017

Onde estão os pés de mamona?



Perambulando por aí outro dia, dei de cara com uns pés de mamona. Felizona da vida, relembrei uns trechos que andei escrevendo outro dia, sobre a minha infância. Daquelas passadas na rua brincando, bola queimada, bets, esconde-esconde e pulando cerca de arame farpado, enroscando o pé no arame, deixando aquelas cicatrizes de infância feliz! Tudo só pra brincar de casinha embaixo de pé de mamona.

Na hora, vendo aqueles pés de mamona, veio a cena na minha cabeça! Flashback!

Na minha cabeça de criança, enxergava a cozinha, a sala, os quartos debaixo do pé de mamona, como se houvesse, de verdade, as divisões feitas pelos galhos e troncos que pareciam gigantes​ na minha pequenez. Tudo era permitido imaginar!

Fiquei sorrindo sozinha pela lembrança.

Eis que passo pelo mesmo lugar uns dias depois e… tudo cortado! Arrancado fora! Derrubado! Me senti meio roubada. Roubaram cenas da minha infância. Pés de mamona não são mais importantes para ninguém. Não fazem mais parte do cenário da infância de ninguém. Mato. Desimportante. Corta-se fora.

Desde aquele dia, quis escrever algo sobre isso. Rende muita história. Pés de mamona são mais que pés de mamona. São símbolos. Da infância que não existe mais.

Será que ainda existem crianças que viajam no imaginário, desbravando terrenos baldios, mata adentro, enxergando tudo aquilo que elas quiserem no nada do adulto? Tá. Não vamos forçar a barra. Urbanidade. Não há teremos baldios nos bairros, exceto mais na periferia. Lá, tenho esperanças que as crianças ainda brinquem por aí afora…

Mas… Como pode isso? Um quadradinho preto na mão que abre o mundo em segundos a sua frente, sem tirar os pés do chão, ao invés de fazer viajar na imaginação, fazê-lo preso, conhecem tudo lá dentro, nada aqui fora?

Estamos nos perdendo numa inversão de personagens na nossa história. A gente a ilude pensando ter o controle remoto nas mãos de tudo. E tenho minhas dúvidas de quem realmente aperta o on-off das nossas vidas. Muita criança brincando em mundos infinitos dentro de uma caixinha preta numa falsa ilusão de controlar estes mundos. Quando quem está sendo controlada, é ela.

Debaixo de um pé de mamona, dava pra ser criança e feliz. Criança era o personagem protagonista. Pés de mamona são os parques, as ruas, pés de árvores, qualquer lugar que se vá, se brinque sem nada nas mãos. Presente, somente. Falta isso, hoje. Menos pra viver mais. Só!

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Quando é que um sonho acaba?

https://youtu.be/VI2sSwcfN14


Guia Circuitos do Sul de Antonio Olinto e Rafaela Asprino

Acabei de assistir. E resolvi transcrever aqui o comentário que fiz.

Aprendi que ir atrás de sonhos e realizá-los é algo extraordinário por nos renovar e fazer despertar em nós uma fé, uma certeza de que tantas coisas, antes irrealizáveis, são possíveis sim. Nos faz mais fortes!

Mas aprendi uma outra lição nos livros de gente que escreve e conta seus sonhos: quando você compartilha, abre a porta para outros conhecerem a sua história.

Na forma de livros, de postagens, de vídeos, de conversas à toa, prosa boa a qualquer hora é que a mágica acontece... Ela voa! Ela! A história! Aí vai embora. Não de você. Mas pega a estrada pra ser de toda gente. Toda gente que for sedenta de sonhos e quiser abraçar os seus latentes que se espelham nos de tanta gente que foi lá e fez! Aí um sonho se multiplica infinitamente!

Ninguém que tenha feito uma longa jornada, uma longa viagem não o fez, sem ter passado pelo primeiro passo. Este é o mais importante. Curto, preciso e decisivo.

"Chega a dar um friozinho na espinha, ao mesmo tempo em que aquece o coração ver estas imagens...

Sempre tive vontade de conhecer os canyons. E pude passar recentemente por ali. Passando de carro a subida, pedalando alguns pequenos trechos. E é tudo isso aí e muito mais...

Vocês conseguem transmitir a imensidão da beleza, da paz que se sente lá... Passar pedalando todo aquele trecho está na lista de desejos. Está sendo maravilhoso acompanhar vocês pelo mapeamento.

Creio que o seu grande sonho de mapear e oferecer opções ao cicloturista já assumido e àquele a se descobrir está feito! Não há como ver tantos caminhos, tantas possibilidades sem despertar a vontade de ir. Que seja timidamente alternando carro e bike no início. Que seja de alguma forma, mas ir. Pois atiçar a passar de bike, você atiçou. E, tenho certeza, muitos terão aquela coceirinha inicial que é só o presságio bom do que pode vir.

Parabéns! Grata por estar realizando este teu velho sonho que nos presenteia com uma porta aberta de caminhos..."

Sobre a pergunta que intitula o post, quando é que um sonho acaba? Quando você o realiza e o guarda na gaveta. Vira lembrança, lembrança boa... Mas egoísta! Mas... Quando você realiza e sai contando e atiçando a toda gente, ele não acaba, não! Acaba nuuuunca!!! Pois sai por aí, estrada afora, nos olhos de outra gente.

Sonho bom, bom de verdade mesmo, é aquele que não acaba nunca. Aquele que sempre emenda outro e mais outro e mais outro e outro...

Para ver mais sobre o projeto acesse

http://www.olinto.com.br/

terça-feira, 18 de abril de 2017

Qual relógio você tem?


O simples ensina

Dias atrás, vi aquele vídeo que viralizou  "Caminhando com Tim Tim" . Do gurizinho de um ano e pouquinho no seu passeio diário de dois quarteirões.

https://youtu.be/1dYukOrq5RI

Mas esta é outra história que conto outro dia.

Quero falar de outra coisa hoje.

Filhos crescidos, ganhei de minha irmã um cãozinho. Sem exagerismos, amor de cão e vice-e-versa​ é um aprendizado. Pra humanos. Eles ensinam.

Já corri um tanto nesta vida. Já pedalei outro tanto mais. Passo apressado, passava rápido por lugares onde, hoje, passo devagar. Passo passeando. Com ele, o meu cãozinho.

Eu adoro o ritmo desapressado da bike. Experimentei o gosto bom do vento, no tempo de se apreciar, parar e mudar a qualquer instante, a direção,o destino, a parada em cicloviagens.

Volto. Por enquanto, não.

Enquanto não, vou num passo um tanto mais desapressado. Minto. Às vezes, num tiro que ele, o meu cãozinho dá, me alcança, me ultrapassa, brincando de quem corre mais, de pega-pega até de esconde-esconde.

Passo devagar por lugares por onde corria. "Treinava". Focada numa meta à frente. Sem prestar atenção à volta.

Vi um vídeo, hoje, dos meninos amigos meus. "Pra nunca mais parar"

https://youtu.be/3YNC3_1Dj3s

Ouvi uma frase parecida com esta. O simples ensina. E como...
Eu sei que é natural no ser humano a busca de aprimorar. Velocidade das coisas acontecerem. Bom. Faz parte da evolução tecnológica. Inevitável e produtivo. Desde que...

Desde que a velocidade não seja pra passar mais rápido pelo caminho! Pressa pra quê? Pra chegar ao fim?

Não poder, TEMPORARIAMENTE, fazer coisas que eu fazia tem me ensinado.
Mania que a gente tem de, com o passar do tempo, ir complicando as coisas. E pra caber tudo, fazer mais rápido. Até que uma hora dá um clic. O simples é melhor. Faz mais feliz. Ensina.

Ando pra frente, sim. Adoto e gosto de tudo que venha pra acrescentar, equipar, dar segurança naquilo que faço. Mas gosto de resgatar aquilo que me traz de volta ao tempo onde ele próprio ia mais devagar. Afinal, o formato dos relógios mudaram muito. O conteúdo, não.

Dava corda em despertador pra acordar. Passei pelo rádio-relógio. E relógio hoje, não é mais relógio. É aplicativo no celular. Objeto em extinção. O relógio. Só não pode fazer dele, o tempo, o mesmo. Extinção. Porque de corda, em formato digital ou visual na tela, ele continua o mesmo. No mesmo compasso. Muda o formato, só.

E arrisco dizer: não era à toa a coincidência. No tempo que se dava corda para o relógio não parar, a gente ouvia um tic-tac no ritmo do coração. Seria para não esquecer dele? Levar o tempo no ritmo do coração?



P.S. Temporariamente está em destaque porque a vida é curta sim, só pra quem não diz sim. Pra tudo que é bom, há tempo de voltar.

Pra nunca mais voltar

https://youtu.be/3YNC3_1Dj3s


Sensacional!

Assisti como quem tá batendo papo, vendo, sentindo cada pedacinho, o vento, o barro, a prosa, a água do mar, do rio, o tudo que a bike  proporciona. 

Ela reinventa a gente, sabe? Faz capazes quem não se sabia capaz. Faz feliz quem não sabia por onde. Faz grande, imenso, infinito, um mundo que parecia tão finito.

Quem já teve o gostinho desta liberdade vai entender. Chega a doer no peito de vontade de quero mais, quero de novo! Mas vem. Vem sim. Porque quando se experimenta a liberdade que a bicicleta, esta magrela nos dá, de graça, tem jeito não. Tem mais volta não! É... 

Pra nunca mais voltar! Pra nunca mais esquecer que dá pra ser feliz é pra isso, basta apenas começar. Tempo dá! A vida é curta, sim. Mas só pra quem não diz sim!

domingo, 16 de abril de 2017

Em cartaz! O melhor espetáculo de todos os tempos.

Em cartaz!

O melhor espetáculo de todos os tempos!
Já assistido mundialmente, diversas vezes. Diferentemente dos espetáculos que permanecem em cartaz por décadas, este faz um revezamento constante de atores coadjuvantes. Mantém o protagonista e o elenco é rotativo, muitas vezes, tendo repetido alguns que compõe a história.

O roteiro tem caráter de drama e é baseado numa história verídica. O personagem principal, nasce de uma história não muito bem contada, de uma mãe solteira, aceito por um pai que se casa com ela.

No entanto, ele mantém vínculos fortíssimos com seu pai de verdade. O que lhe causa perseguições em sua vida adulta com um fim surpreendente… Numa relação de amor incomparável, incompreensível por toda gente que o crucifica por não aceitarem como pode continuar se dizendo ser filho de alguém que ninguém vê, nunca deu as caras, nem parece se preocupar com ele.

Suas histórias parecem absurdas e mais absurdo é ver que muitos acreditam nestas loucuras que ele conta a respeito de sua vida. Louco. Só pode ser louco.

Podia ter seguido por uma vida comum, mas se torna uma espécie de andarilho. Vive mais com um grupo de amigos que parecem acreditar nele do que com sua família que o criou. Uns doze amigos. Melhor corrigir, onze. Pois um é um traiçoeiro amigo.

Contar a história toda não é a intenção aqui. É preciso ir às casa de espetáculo onde ele acontece para ver, viver e sentir! Você vai se emocionar, se identificar com os personagens e pode até ser convidado a participar. Sim! O convite acontece diariamente e não há testes para atuar no espetáculo. Alguns pegam tão fácil o papel, participam e já compreendem tão bem que uma vez basta. Outros, atuam repetidas vezes e não são capazes de compreender. Patinam. Ficam, ficam e parecem surdos à mensagem.

Hoje é um dia especialmente importante para o espetáculo. É quando na história em que ele se baseou, acontece algo extraordinário na vida do protagonista.

Mas não vou contar a história toda, nem o final. Afinal, não é possível que você não tenha entendido qual é a história, quem é o protagonista e onde você pode ser encaixar nela.

Ou não?