Vamos conversar?

Vamos conversar?

domingo, 23 de novembro de 2014

Reorganizando as gavetas exteriores e interiores...

Pois é...

Nem sempre as coisas acontecem como a gente pensa. Ou quer.
Acontece que, via de regra, tenho o costume de projetar alguns ideais. Ideais? Sim. Ideias de algo que eu queria buscar, esperar, queira que aconteça.
É interessante que tanta coisa na minha vida, coincidentemente, as melhores, aconteceram sem eu planejar, desenhar o rascunho, pensar no formato, cor, contorno. Caíram em minha vida como presente e delas me apropriei.
Aí, quando tenho de desejar algo, fico ensaiando, embaçando e fico muito braba quando vejo que não são exatamente como eu gostaria que fossem.
Chego à conclusão, então, que não devo desenhar, antecipadamente. Não nestas áreas desdenhosas da vida. Pois que em algumas, é possível traçar um plano, os passos e, disciplinadamente, buscar meus objetivos. Assim como tem sido nesta fascinante jornada que envolve a corrida, a atividade física com bike, na corrida de aventura. Treinar o corpo, discipliná-lo, coisa tão difícil e penosa pra tantos, é um prato cheio pra mim de satisfação e realização.

Mas...

A vida é muito mais do que isso! E tenho deixado de lado, indisciplinadamente, todas as outras áreas da minha vida. Me flagro cometendo erros. Repetidamente. Desde dar atenção a pequeninas coisitas da vida como cuidar das minhas plantinhas, fazer longos passeios e corridas com meu cãozinho, fiel companheiro desde quando eu ainda estava de molho e off. Como dar uma geral na minha casa. Aí me ponho de castigo, incomunicável, presa em casa pra começar este processo de recolhimento e organização das gavetas, armários, compartimentos secretos... da casa e de mim mesma. E aí... tanta coisa pode ser mexida, posta pra fora e percebida carente de atenção!!!
Comecei, sem querer, a por ordem na cozinha. Levantei-me e “ia” tomar meu farto café da manhã. Pra poder sair com meu cãozinho, numa horinha de passada descompromissada a treino, tempo e desempenho. Coisa de que venho sentindo muita falta! Mas, ao abrir armários, deparar-me com coisas esparramadas pela mesa, balcão, sem lugar certo pra ficarem, passei como furacão ajeitando tudo. O que era pra ser apenas uma “ajeitada” meia boca, virou uma faxina no armário. Era hora! Tanta coisa socada dentro dele só pra tirar da vista, sem qualquer critério de organização. Cadê a Susi de outrora que mantinha tudo organizado? Quando me vi, sentada no chão, tudo posto pra fora, esparramado no chão pra recolocar, cada coisa em seu lugar. Reetiquetando caixas de guardar coisas. Apagando nomes que não uso mais e colocando nomes que uso e preciso de mais caixas agora. Pura metáfora da vida! Exatamente o que eu preciso fazer armário afora, alma adentro...

Enfim, tirei tudo, tudinho! Recoloquei e olhe só! Sobrou espaço! Ficou tudo mais visível reordenei lugares das coisas. Dá até pra achar facilmente o que eu preciso... Tão óbvio isso!!!...
De lá, algo que me incomodava muito, meus temperinhos tão bagunçados sobre o fogão. Vidros sem dono sem serem dono de nada. Vazios, alguns, sem utilidade. Oras! OU se usa, ou se descarta fora! Não é assim? Tirados do porta-tempero que foi um dos caprichos meus ao planejar esta minha cozinha linda, e tão abandonada ultimamente, lavados e esvaziados, só serão colocados lá ocupando espaço visível, se forem pra ser, realmente, usados. Senão, vamos economizar espaço e retirar de lá! (Seria o presságio de eu prestar atenção ao que me tempera a vida????)
Mais umas ajeitadas e uma limpada em portas encardidas, almoço encaminhado no forno elétrico, fui ao último ponto. Que, na verdade, deveria ser o primeiro de todos: as contas!!!!

Tenho o costume de protelar com o mais urgente. Era pra sentar, simplesmente, diante dos papéis esparramados na mesa desde a sexta-feira à noite e dar fim neles! Só! Mas perfeccionista que sou, sei que tenho uma ultramaratona me esperando em contas, registros, balanço, e preenchimento de planilha tão cuidadosamente elaborada para que eu saiba onde estou, como estou, pra onde posso mirar e pra onde opto ir. Contas!
Creio que esta é só mais uma das minhas características tão marcantes da minha personalidade que, um dia, se equilibrarão, quando eu conseguir ser meio termo dos meus extremos. Nem lá, nem cá. Nem oito, nem oitenta. Como passei longos anos da minha vida sendo extremamente certinha nesta área, com tudo previsto, registrado, controlado, e planejado, larguei mão! E sofro as consequências deste desleixo momentâneo. Consertável. E assim, será. Já!

Não é esta, nem será, a única parada pra eu perceber-me como “mulher polvo” com tantos tentáculos, tentando fazer mil e umas coisas de uma vez só. Na verdade, esta era a minha situação antes. Dava conta. Ficava maluca, punha malucas, as pessoas ao meu redor. Mas fazia tudo. Mas, conforme a paixão descomedida cresceu em um dos tentáculos só, fiquei que nem aleijada, inchada, calejada só num deles e todos os outros atrofiados, revelando a desproporção dos meus hábitos...
Bem. Consciência, embora disfarçada, já venho tendo há muito tempo. Faltava-me ser mais dura comigo mesma. Sabe aquelas conversas que pais têm como seus filhos, quando não dão conta de suas obrigações? Cortar aquilo que mais gostam, ou mais fazem, ou mais lhe tomam o tempo? Então...

De bom, que estou meio caminho andado. Decidi não pôr o pé pra fora de casa enquanto não terminar aquilo que venho protelando. Pense só. Eu, euzinha, sem sair pra tomar vento na cara, na canela, na bike, num fim de semana!!! Mas assim deve ser. Esta novela é antiga e se repete todo ano. Reorganizar as gavetas, os armários exteriores e interiores pra eliminar tudo o que é velho, em desuso, desnecessário. Reconhecer valiosas coisas que andavam enfiadinhas no fundo das gavetas, esquecidinhas, por pura falta de bom uso do meu tempo. Não é possível continuar ignorando partes de mim! Uma é consequência e reflexo da outra. Bagunça cá fora, bagunça cá dentro. Não tem segredo. Nem outra explicação. Nem outro caminho.


É como se estivesse passando um pano úmido pra retirar a poeira acumulada no tempo sobre mim. Tira-me um peso enorme das costas, dos ombros. Limpa-me a vista. Libera-me as articulações, os movimentos. Só assim, me achando em mim mesma, situando-me onde estou, de fato, poderei mirar a frente, o caminho a seguir. Aí, será outra história. Estas coisas que não entendo, às vezes, tento entender, me põe braba por não serem exatamente como eu gostaria que fossem. Aquelas que a razão desconhece. As razões do coração...

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

A minha loucura mais louca...

(Relato feito após participação da Expedição Xokleng em SC nos municípios de Bombinhas, Porto Belo, Itapema e Camboriú)


Dia 11 de outubro - dia do meu niver!!!!! - recebemos o mapa às 14horas para iniciar a prova da Expedição Xokleng. Às 14h28 partimos! Iniciando correndo até Bombas, pegando a trilha do morro que dá no Estaleiro, saímos no primeiro AT na Caixa d'Aço pra fazermos a segunda perna: a canoa canadense!!!  A princípio, a canoagem seria até Itapema. Mas por uma questão de segurança dos participantes, esta perna foi abreviada e passamos pela Ilha de Porto Belo, no primeiro PC e desembarcamos na Marina pra iniciarmos, novamente, a corrida até Itapema.
De lá, novo PC já escurecendo e partimos a caminho do misterioso PC3, no caminho dos morros do lado de lá da BR 101...
Foi neste ponto que algumas equipes erraram o caminho, tomaram a direção errada, perderam um tempo. Por pouco não erramos também!  O cuidado do nosso navegador e o trabalho e a conversa em equipe, a atenção em observar os detalhes nos salvaram de perdermos alguns minutos ou horas no caminho errado!!!!
Rumamos para o alto do morro... 678 metros subindo "na unha"!!!! Parecia não acabar mais!!! E no topo, novo PC e uma baita descida mata adentro!!!! Um tobogã verde!!!!
Lá pelas tantas, já nem sei que horas, depois de toda trilha, quase erramos o final do caminho para o Macaco, chegamos ao AT onde trocaríamos a pernada por bikes! Uma janta, reposição de sal, alimentos, energia, água, água água e partimos!
A perna de bike, no início, rendeu uma tentativa de estratégia que não deu muito certo. Perdemos uns 50 minutos a mais. Mas, digamos, foi um caminho mais tranquilo, mas muuuuuito mais longo. De volta ao PC, iniciaria-se a parte mais trash da bike...
As subidas eram em pé! Cada vez que eu me meto numa enrascada daquelas brutas, penso e concluo que é a pior subida, a pior pedalada, a experiência mais hard que já tive. Foi assim com o Pico Agudo. Depois, superada pela Serra Grande. Agora, sem sombra de dúvida, superadas por esta prova!!!! As subidas que encaramos, sem noção, sem comparação, sem condição de percorrer, só deitar na bike e empurrá-la, empurrá-la, empurrá-la com todas as forças possíveis. As do corpo e as da alma!!!! Foi o trecho onde mais dúvidas tivemos se não havíamos errado. Um quarteto já havia voltado o caminho. Insistimos e seguimos. A ponte que passávamos indicava o PC logo adiante. MAS, não havia nada. Seguimos. A ponte era outra! E junto ao PC até lanchonete aberta com esfiha, pão de batata quentinho, coca cola (eu não gosto, mas nestas horas, qualquer coisa líquida e com sódio alimenta e repõe!) e um pit stop para recuperarmos as pernas das subidas... Uns vinte minutos. E partimos. Rodamos até o amanhecer...
O AT para a troca para a perna de trekking era bem próxima da BR 101. De lá, passamos de volta pro lado de Bombinhas e partimos em direção a Santa Luzia e o início das praias mais bucólicas, desertas e de uma beleza ímpar de Bombinhas...
Ali começava a me sentir no quintal de casa! Pra mim, seria fácil navegar por ali e dali em diante. Fui calculando os tempos de cada trecho. Batata! Bem dentro do que previa. Apesar de parecer um trecho pequeno, as trilhas de acesso e passagem de uma praia para outra são bem acentuados. E lindos! O tempo todo! O PC na praia Vermelha proporcionou belíssimas fotos clicadas pelo Marlon R. Silva que além de marcar o PC e o passporte, aproveitou para registrar a passagem dos guerreiros que chegaram até lá! Afinal, numa prova desta, somente o fato de concluir a prova já é uma grande vitória, pois muitas equipes por ali, já haviam desistido, ou não haviam chegado a tempo de terminarem por terem se perdido no caminho...
Praia Vermelha, Triste, da Lagoa e Cardoso. De onde partiríamos para a segunda perna da canoa...
Dizia pro meu parceiro, enquanto eu remava, que estava quase dormindo neste momento. Calmaria, o ventinho no rosto, a delícia de estar chegando ao fim...A noite não dormida... Remamos até Canto Grande! E dali, faltava pouco, pouco...
Tainha!!!! No pé do Morro do Macaco. O lugar que mais me marcou e mais tenho fotos com meus filhos! De onde se enxerga toda Bombinhas. A trilha pra Tainha, pela beiradinha, que não foi feita por todos neste sentido, nos levou ao PC virtual da casa azul que não era mais azul e pregou a peça em todos!!!! Na dúvida, achamos todas as casas azuis da Tainha e pegamos o número...
Dali, só mais o rapel... Desta vez, apenas dois do quarteto teriam de fazer. Fui eu e o Amarildo. Bernardo e Nelson teriam de fazer a segurança. Pábuf! Quinze minutinhos, chegamos e partimos! Agora era descer o morro, esticar as pernas nas praias de Conceição, Mariscal, encarar a última subida que dá pra Quatro Ilhas e pro centro e avistar o "Sol" sobre a Vila do Farol pra mirar nele e chegar...
Havia gás, ainda pra uma corridinha final!!!! Mas equipe é equipe! Corrida de aventura é uma junção de qualidades, de peculiaridades e o que um não tem , o outro tem e compensa. Ali vi um dos camaradas ter gás pra levar o companheiro "na mão", dando-lhe uma força para ir... Vi a equipe vencedora dos quartetos passar, cumprimentar, fazer festa conosco e oferecer coca cola e - me rasguei de rir - vi meu companheiro pedir se podia ficar com a coca!!!! Ao que eles prontamente atenderam!!!!
Queria ter conversado mais durante o trajeto todo. Conversamos um bocado, falamos bobagens mil, jogamos conversa fora, brincamos de brigar e xingar (um monte!!!! até de assustar as equipes que iam junto!!!|) trocamos conversas, repartimos lanches, suplementos, água e energia.
Foram 24 horas e 30 minutos, mais ou menos. A passagem, justamente, do meu aniversário. 24 horas inesquecíveis que se tornaram as mais loucas de todas que já tive! "A loucura mais louca" feita até agora!
Pra que fazer tudo isso?
Difícil explicar. Tem de experimentar!!!!
Antes de fazer, você acha loucura, impossível, "infazível"...
Você descobre, fazendo, que é capaz de coisas muito além do que imagina. Você se redescobre! Você abre horizontes a sua frente! Você se reinventa e a vida se torna um leque infinito de possibilidades.
Eu sei que pra quem não é adepto, simpatizante, ou praticante de qualquer coisa parecida, menos ou maior do que este tipo de loucura fica difícil de entender. Mas cada um, com certeza, tem a sua loucura particular. A sua vontade a ser feita. O seu sonho. E tem, certamente, o desejo de ter histórias pra contar e se lembrar.
As minhas são assim! Tem mato, mar, montanha, vento, tempo e o intento. Tem sonhos, tem feitos nem ao menos sonhados, tem coisas que caem de pára-quedas, mas que abraço e faço virarem meus! Tem possibilidades, principalmente, quando a maior chance seria a da impossibilidade, do "não", do "parar" do desistir. Mas... Pode ser que um dia, isto chegue ao fim. Mas prefiro assim, não finalizar antes dele chegar.
Pode ser que eu tenha, um dia, de parar. Mas enquanto a paixão for maior que a dor (que existe!) e o prazer render boas gargalhadas, boas conversas rasgadas, bons tempos, é assim que vou permanecer.
Cada um é de um jeito! Não preciso ser compreendida nas coisas que faço. Já passou o tempo de pensar que há apenas um certo e o resto é errado. Bom é poder ouvir o que o coração pede, a alma transborda e viver. E, se o corpo ainda puder acompanhar, que assim seja!!!!
Susi Saito  

- See more at: http://www.adventuremag.com.br/noticias/7/4675/relato-de-susi-saito-sobre-a-5a-edicao-da-expedicao-xokleng--a-maior-aventura-do-sul-do-brasil.html#sthash.m6FKkVtC.dpuf

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Espelho de mim



Quem sabe meus sonhos???...
Bem lá dentro de mim,
um burburinho sussurra.
Quer contar-me meus segredos,
Sabe todos meus medos,
Espia e brilha os olhos
por todos os meus poros,
por todos os meus sonhos.
E eu, toda,
do começo ao fim,
me renovo,
me esgoto,
me conheço...
Sei bem o que me faz feliz.
Sei bem o que quero, ao fim!
As estradas, os caminhos
são o espelho de mim.
Do que sou, do que serei.
Por isso, persigo sonhos...

24/01/2014

(Costume meu, rabiscar algo em todo começo de agenda de todo começo de ano.
Auto-sugestão?
Auto e alta afirmação?
A sequência, mera consequência....)

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Desquecendo!

Então.

Tenho o costume de fugir das coisas mais importantes. Como na primeira postagem que fiz neste blog, a mania de deixar o bife por último no prato. Ou deixar o mais gostoso pro final. Ou deixar aquela coisa que mais quero fazer por último.

http://clicandoeconversando.blogspot.com.br/2010/12/arrumando-gavetas.html

E aí.... nunca faço.

Verdade seja dita. Exatamente isso que faço e continuo fazendo. Me encho de mil coisinhas  pelo meio do caminho. E aquela que me deliciaria fazer ficou totalmente de lado...

Quanto tempo????

É um REcomeço. Poucas linhas. Poucas palavras. Um tempero necessário pra curar o meu exagerismo de fazer tudo, Ou nada. Oito ou oitenta. Ou faço, Ou não faço. Tenho de aprender a fazer a conta gotas. Pouco de cada vez e fazer com frequencia, um pouco de cada uma das coisas que me pertencem e às quais eu também pertenço!
Afinal, sou uma infinidade de coisas e já vi que esta minha mania de fazer demais somente UMA das coisas que gosto, sempre me deixa incompleta.

Será que vinga?

Ahhhhhh!!!! Claro! Um bom empurrão recebi, hoje! Ricardo Hoffmann! Meu amigo blogueiro de quem há tempos não tinha notícia e a quem não dava notícias minhas também. Me lembrou, bem lembrado, que "...é o esquecimento e não a morte que nos faz ficar fora da vida", lido de um livro de Mia Couto.
http://emporiododom.blogspot.com.br/2012/02/sobre-o-esquecimento.html

Estrategicamente, me provocou.

Bingo! Deu certo!
Cá estou eu, depois de um longo e tenebroso inverno, longe de meu blog, dedilhando um pouco, OUTRA VEZ!




quinta-feira, 23 de maio de 2013

Tantas voltas o mundo dá!

Ahhhhhhhhh... Como você mesma diz...delicinhaaaaa!!!
Li TODOS!!!! Todinhos!!!!
Que pessoa cheia de vida, alegria contagiante, vibrante!
Fer... Minha história da parada tá contada no meu blog.
O CLICS. clicandoeconversando.blogspot.com
Tá parado desde agosto do ano passado porque o meu ombro detonou, fiquei quatro meses afastada do trabalho pra tratar e parei de escrever. Sempre penso nestas horas, quando Deus me manda parar, que Ele quer me mostrar alguma coisa... E que eu, elétrica que sou, não paro pra ver, ouvir, sentir, entender seu plano pra mim. Neste tempo parada, entrei no patchwork... Cultivei plantinhas na sacada do meu ap, ganhei un cachorrinho fofo, resgatei o gosto por cozinhar e diga-se de passagem, muuuuuuito beeeeeem...., cuidei com esmero da casa que vivia largada quando eu só corria, bebia e comia e respirava corrida corrida corrida.... E percebi que todo corredor só sabe falar de uma coisa: corrida! Não tem outro assunto, outro interesse, outra paixão. Enxerguei que somos extremamente chatos no meio de quem não corre, não curte, simplesmente encontra prazer em coisas que nós, provavelmente, deixamos de lado pela corrida. Resgatei a dança, o remo, outras tribos de amigos. Vi as outras cores que tinha deixado de ver na minha aquarela da vida. Loooooooooooógico que era tudo pra preencher aqueeeeeeeleee vazio da corridayt! Vazio que, convenhamos, é só dela. Tipo o tal do primeiro amor? Que passamos muitos anos querendo substituir, quando na verd@cfade, descobrimos depois, ou admitimos, que nada preenche o seu lugar. Porque ele nunca deixa de estar com a gente! Não substituímos amores. Adicionamos. O coração tem que ser grande o suficiente para acomodar todos, todinhos ali dentro. E tal qual o amor, as paixões não são substituídas. Somam-se!
Admiti! O lugarzinho no meu coração e na minha vida para a corrida era só dela de mais ninguém de nada mais! Foi aí que, creio, me curei.
Admitir que as outras paixões tinham de brilhar na minha vida pelo seu brilho próprio, não tentando ser o que não eram, me destrancou a passagem, a porta, a ponte. Enfim! Me abriu o caminho pra curtir e muuuuuuito, cada uma das outras coisas que passei a fazer.
No meio do ano passado, então, de ombro mega doendo, eu chorava de dor todos os dias, ganhei mais um médico na minha longa lista de profissionais que cuidaram de mim entre fisios e ortopedistas. Tomava medicações muito fortes pra dor. Muito mesmo. Uma delas me deixava zureta. Creio que parecido com droga da "marvada"... Falando com ele, tomei uma bronca daquelas ele me afirmou: "Você não precisa de remédio! Seu remédio é endorfina!" Ele não me acompanha mais. Mas mudou a minha postura com aquela dor que não passava, me paralisava, muito mais que o ombro,o corpo, a alma, vida! Ele sabe que voltei a correr. Mas não sabe o quanto. Não imagina que foi um tratamento de choque, porque naquela época, há poucos meses atrás, eu estava entregando os pontos, me entregando pra dor, definhando em corpo e alma. Recolhia meu braço como se estivesse o tempo todo com ele dependurado na tipóia. Chorava. Chorava muito. Todos os dias. Trabalhava. Voltava. Sentava no sofá e ali ficava. Inerte. Imovel. Sem vida. Não acreditava mais em voltar a correr. Nem cogitava voltar a pedalar. Via meu corpo como algo frágil que quebraria se eu tentasse, se eu intencionasse me mexer. Medo. O medo me paralisou. Quando ouvi deste médico "Corre! Vai correr!" Duvidei que poderia. Ingenuamente perguntei "mas posso mesmo?"
Em Bombinhas, então, no feriado, no lugar que mais amo no planeta, absorvi toda energia que sempre sinto estando lá, respirei fundo, não deixei a cabeça duvidar e fui. Tipo...caminhar na praia.... De verdade, não é mimimi, enfeite, confete, exagero. Todo mundo que me conhece sabe que meu maior sonho de corrida é correr a K42... Então... Quando avistei aquela bandeirinha do K42 de 2012 sacolejando no vento.... Ahhhh... Eu abri um sorrisão... Me veio uma alegria tamanha, uma energia sabe lá de onde, do céu, só pode ser e eu... Corri! Sério! No ano de 2012, se ensaiei uma corridinha umas dez vezes, foi muito. Tentavanãodavatentavanãodava. Ali, de tipóia no braço, correndo de um braço só, fui! Que deleite... Vi que dava, sim, pra correr daquele jeito. Todo mundo sabe dos esportes paraolimpicos. Mas não para nunca pra tentar fazer sem uma parte do seu corpo. Lógico que minha limitação física não se compara a situações muito mais graves. Limitação acontece, na verdade, na cabeça! E a minha, naquela época era imensurável!
Naquele dia, eu destravei a porta. Imediatamente, meu corpo respondeu, meu coração inundou-se de alegria e revivi todo o delicioso sentimento que a corrida proporciona. Vento... Vento...vento... Senti na pele que crer é primeiro passo. Depois, é só manter acesa a esperança que só quem sonha consegue manter...
De lá pra cá, seria bonito dizer que tudo transcorreu lindo maravilhoso prefeito. Não foi! Passei às férias novamente em Bombinhas pus em prática toda a minha sede de viver, de correr, os olhos voltaram a saltar de tão brilhantes. Já não usava tipóia. Já corria balançando os dois braços! Arrisquei percursos maiores.... Deu! Dei conta!
Foi a mola que eu precisava pra voltar a arriscar a sonhar de novo! Imaginei um ano de volta nas atividades. Beeeeeem diversificadas pra não correr o risco, de novo, do over, overtrainning que todo mundo que está, não admite, dá risada, pensa que não é com ele, que nunca vai acontecer com ele. Pode contar uma coisa? Acontece! E o over derruba!
Quando digo que não transcorreu tudo prefeito foi porque de volta a minha cidade, eu simplesmente não conseguia me regrar a acordar cedo pra correr antes do trabalho. Lembrava da época dos treinos pras maratonas, quando não havia relógio, frrrriiiioooo, chuva, que me impediam de levantar, sair, correr. Eu simplesmente, não conseguia entender COMO eu fazia tudo aquilo... Como eu acordava tão cedo... A cama, definitivamente, tinha cola!
No inicio de março, fiz exames de sangue de rotina e deu acima pra colesterol. Isto nunca tinha acontecido! Isto mexeu com meu brio e dei um basta naquela pasmaceira.
Montei um horario intercalando nadar, correr e pedalar nas manhãs e reservei a noite pra lazer.
Fiz "test drive" em academias de dança, alongamento, street dance, musculação, ballet clássico. Autodidata passei nadar regradamente, com um braço só, intercalando os dias dos meus primeiros trotes que passaram a ser corridinhas, que foram esticando, esticando até voltar a rodar mais de duas horas... Três...
Adotei a Bike e ela, gentilmente, me aceitou. Sem me questionar o porquê de eu nunca te-la tratado com devida importância. Deslumbrei! Não me machucava em nada, nada os joelhos! Vi na Bike uma luz... Intensifiquei as saidas de bike! Meus sábados passarama ser para longões correndo e os domingos para pedais de uma media de 4, 5 horas...
Tudo caminhando de vento em popa!
Arrisquei e tive a deliciosa sensação de fazer um pedal trash looooooongo de 100km e termina-lo. Com tudo isso, fui resgatando a confiança perdida sem deixar que ela virasse excesso de confiança. Fui gostando da coisa. Equilibrar. Curtir cada coisa, cada uma no seu espaço próprio. Sem uma invadir a outra. Desfrutando...
Hoje? Inscrição feita nas minha prova dos sonhos, de Bombinhas. Não! Ainda não é hora de me submeter aos 42 solo. Tanto é bela quanto dura. Quando dei minhas primeiras corridas em Bombinhas nas férias, comecei a sonhar de poder fazer o K12. Corri lá quase todos os dias pra isso. Quando comecei a esticar as minhas saídas aqui passei a acreditar que poderia tentar os 21. Cheguei a coçar pros 42. Mas sabia que seria loucura. Pior... Irresponsabilidade se fizesse isso comigo mesma. Decidi. Metade. A segunda. Meu trecho favorito. Que dá no lugar que há quatorze anos passo acampada com meus filhos no verão. Retiro dos Padres! Estou extasiada... Aprendi que antecipar um sonho sem respeitar o tempo certo pra ele acontecer poder botar tudo a perder. Pode significar perde-lo. Estou tranquila como quem toma a decisão mais certa e caminha pelo caminho certo. Melhor... Corre!
Pra completar a fase atual, longe das provas desde a maratona de curitiba de 2010, me resguardei, apareci em algumas provas pra fotografar, pilhar, rever amigos. Depois sumi. Saí de cena. Precisei. Não dá pra encenar pra sempre o papel de pessoa feliz, pra cima, quando tá todo mundo seguindo vida normal, correndo e você continua sem.
Não digo que morra de vontade de voltar a loucura de antes, de iniciar o ano pensando e planejando todas as provas a fazer. Disso me desliguei. Minha praia é a praia. Montanha. O mato. Correr em lugares assim, pra mim, é indescritível. Asfalto, meio da cidade não me apetece mais! Mas aí, o burburinho era a meia das cataratas... Minha preferida das meias! Articula daqui, articula dali .... Sem planejar correr de volta em provas, nem sequer pensei em me inscrever em nada. Mas quando você tem lembranças muito felizes de um lugar tão privilegiadamente belo como aquele ahhhhhhh... O coração bate...
Vou no face jogo: "Alguém tem uma inscrição perdida pra meia das cataratas?" Foi o tiro no escuro pra acender a tocha! Inscrição doada, carona arrumada, eu vou! Fiz as contas. Trinta meses sem saber o que é estar debaixo de um pórtico! Sem por número de peito. Sem ajeitar um chip nos tênis. Eu vou!!!!!!
A ficha cai. Eu, realmente, tô voltando! Nem de relógio vou! Meu Garmin, privilégio de poucos na época que me dei de presente nem tem mais bateria que presta. Carregaapagacarregaapaga! Desisti dele. Mas quem é que precisa de relógio, GPS, medidor disto e daquilo? Sou amadora. E meus status atual é exatamente este: por amor. Sem dor. Sem tempo. Sem indicador de direção, de altimetria. Medidas úteis que talvez eu use de novo, um dia. Hoje não. Agora não. Vou pra meia das cataratas pra ser feliz. Correr no exato ritmo do meu coração. Permitir-me correr, andar, tagarelar, sorrir muuuuuuito e, se lá de dentro subir um nó, quando eu avistar o pórtico da chegada...deixar vir, deixar minar meu choro que, imagino, virá. Posso, não posso? Vai ser de alegria pura! E, se tudo vale a pena, se a alma não é pequena, vale chorar quando for de felicidade. Emoção. Se os olhos são a porta de entrada do coração, é a fonte que estará voltando a minar água. Fonte. Que me sacia

domingo, 12 de maio de 2013

TIPOS DE MÃE...

Qual tipo de mãe que não existe?

Mãe é uma daquelas palavrinhas indizíveis. Que, ao contrário do quanto falta em palavras para se exprimir tudo o que ser pensa e se sente ao se falar em mãe, sobra em sentimentos...
Não há um padrão em comportamento. Há todo tipo de mãe. Agitada, quietinha, antiquada, moderninha, baladeira, conservadora, faladeira, silenciosa, intrometida, na dela, sorridente, fechadona, calma, braba... Só não há um tipo de mãe: mãe morta! Porque mesmo já tendo partido, FICA! Fica pra sempre com a gente! Em cada detalhe de nós mesmos. Nas nossas chatices iguais às dela..na nossa fibra herdada dela. Na panela que se queima como ela. Na vaidade pura de se preparar para sair, passando uma maquiagem, pondo um brinco, um anel. Na brabeza de educar um filho. Naquela doação só dela de tirar algo da sua casa, do seu guarda roupa só pelo prazer e cuidado de me dar.
Nas lembranças únicas que ela me remete em lembrar cada instante dos seus últimos dias vividos com a gente... Quando ainda podia vir até o portão pra nos falar tchau, com aquela carinha de "fica mais!".
Agradeço a Deus por que, mesmo tendo vivido momentos dolorosos de doença, estes momentos foram transformados em possibilidades de amor.... Amor expressado. Porque ela não era daquelas mães carinhosas que davam e recebiam carinho. Mas a convivência nos cuidados com ela possibilitou o resgate disso tudo... Carinho, palavras de amor nunca ditas, até o "eu te amo" que sim, muitos filhos não conseguem dizer e muitas mães também não. Não por não sentirem. Mas por pura timidez, falta de jeito, até orgulho.
Fui dizer "eu te amo" pra minha mãe quando ela já estava bem doente. Mas deu tempo de falar! Fazer-lhe massagem/carinho nas pernas inchadas, fazer-lhe carinho nos cabelos, pô-la pra dormir... Ficar do lado dela por dias, dias e dias até ela adormecer. Dar-lhe banho, fazer-lhe comida, dar-lhe comida na boca. E... Milagre seja dito. Ao fazer cada uma destas coisas por ela, pude cair em mim que eram as coisas que, primeiro, ela fez por mim.... Amor imenso, tímido, sem jeito sem graça, mas imenso! Que mesmo doente, tão doente como Dona Estela ficou, ensinou-me o mais sublime dos ensinamentos que poderia me deixar: cuidar de quem se ama....

Mãe, tô eu aqui, do jeitinho que a senhora tão bem conhece: chorona, falando/escrevendo sem parar. Que saudade da senhora! Como pode despertar ainda em mim, este choro de saudade, estas lembranças tão fortes que permanecem. Estaremos todas reunidas. Vou sair pra correr daqui a pouco, porque a senhora me ensinou a ser uma mulher de fibra! Valente, destemida. Porque a senhora desafiava saulo que não podia ser feito. Nos esportes, jogando tênis, nadando no mater da ACEL, nadando por nadar, correndo por correr na praia, do para vencer todas a tuas limitações e frustrações do passado. A senhora que cuidou de mim quando sofri o acidente e viu sua filha sem andar por meses, vibrou a cada vez que eu obtinha uma pequena vitória, até chegar a sair pra pequenas viagens de Bike e este teu olhar de orgulho, de satisfação no seu portão, quando partíamos dali, eu nunca, nunca nas minha vida vou esquecer!
Creio que é este teu olhar que eu procuro cada vez que eu vacilo se dou conta de ir, de encarar algo que tenho receio, ou medo. É este olhar que eu procuro quando preciso do porto seguro de partida, que me receberá na chegada. Teu olhar é tão presente em mim...
Que bom que Deus transforma em saudade este amor que fica. Porque FICA!
E é por isto que hoje eu digo: só não existe UM tipo de mãe. Mãe morta. Porque mães não morrem jamais. Ficam pra sempre com a gente!

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Uma musica e uma prosa...



http://www.youtube.com/watch?v=WYHyLFY2VM0


NUNCA DEIXE DE VOAR(Entenda por VOAR, CRER, SONHAR e VIVER!)
 Nunca deixe de voar.
Voe sempre na direção de seus objetivos.
Por mais altos que eles estejam.
Você sempre irá alcança-los.
Às vezes, se sentirá sozinho,
Ou apenas, mais um na multidão...
Mas, lembre-se: nunca deixe de sonhar!
Você encontrará obstáculos,
Às vezes, terá que voltar ao início...
E recomeçar tudo de novo!
Terá vontade de abandonar tudo!
Mas sempre terá alguém para encorajá-lo.
Alguém que pode sempre contar com você.
Que sabe que o caminho é longo.
Que haverão disputas...
Mas saberá a importância do trabalho em equipe.
E que a cada conquista,
Poderão comemorar juntos todas as vitórias!
Por isso, nunca deixe de voar!
Seja audacioso!
Não espere o vento te levar...
Mergulhe fundo em seus objetivos.
Esteja sempre atento às oportunidades.
Pois elas o levarão a voos ainda maiores...

Quando vi este vídeo pela primeira vez, tinha recém feito a minha primeira maratona. Coisa pouca no meio de tantos grandes feitos. Mas coisa imensa em meu peito! Usei muitas palavras em tantos textos que escrevi em meu blog. A vontade louca é de compartilhar tamanha alegria. Sensação, quase, de voar sem parapente, só com suas asinhas prolongadas em seus próprios braços, tamanho é o feito que se tem dentro das próprias mãos! E olha que já voei de parapente!!!
Cada cena deste vídeo se encaixa tão perfeitamente nas frases e as frases nas cenas que fica difícil saber que veio primeiro: a inspiração do texto, ou a sequência das cenas?
Bem, pequenas frases pareciam pular de um só contexto: a MARATONA para se encaixarem com tal perfeição a este vídeo! Fala de não desistir nunca. De objetivos tão além... De nos sentirmos sozinhos em meio a uma multidão! E-xa-ta-men-te como nos vemos treinando, ou correndo uma maratona... Na época, creio, postei no finado Orkut, pois entendi que este vídeo retratava com uma sensibilidade incomum aquilo tudo que se passa em nossas mentes e coração durante os 42,195km...
Hoje, tricota daqui, cavuca dali, dei um tour pelo face como há muito não fazia! Li, abri, respondi um bocado de gente amiga, conhecida e, há tempos, não vista. Então, Otilia, não conhecida ainda de carne e osso me posta “algo” pra me aliviar a “canseira”.... Dei de cara com este vídeo, de novo! Ahhhhhh... Que bálsamo!!!!
Veja só a percepção humana como é! O trecho do meio para o final para mim, naquela época refletia um outro contexto. “Ter que voltar ao início... E recomeçar tudo de novo? Ter vontade de abandonar tudo?” Sim... Hoje, compreendo, exatamente, isto!

Estou num período difícil de parar. Pode ser que seja, apenas, um pouco de descanso, para recuperar a energia do voo, não tão longo assim (foram apenas três anos!). Pode ser bizarro, engraçado, ridículo. Mas ouvir a musica no vídeo dizendo exatamente o que sinto, mexe comigo, me faz encher os olhos d’água e deixa a alma rasa de emoção... Para mim, VOAR significava CORRER. Hoje, traduzo para CRER, SONHAR, VIVER. Pois se assim não for, como sobreviver?

Sei de muita gente que está em pleno e a todo vapor! Velhos amigos e novos amigos. Esta coisa internáutica é mesmo interessante. Como conecta pessoas. Como abre portas. Como compartilha sentimentos, sonhos, pensamentos entre gente que nem se conhece pessoalmente! E para esta gente toda, dedico este vídeo!
Nomear todos seria loucura. Vou escolher uma: Que representa esta gente valente que mira um sonho, deixa o olho brilhar, não se envergonha de ter medo, de pedir conselho, empurrão, ou quem sabe, só pra ver que tem mais gente louca que sonha como ela pra se sentir um pouco mais “normal”... e ir! Gente que sente dor, passa por cima, cai, se levanta, vai de novo, chora de cansaço, de saudade da família que fica de lado nos treinos, de raiva de uma bobagem feita, de um tombo, machucado, lesão, e de alegria pura, pura, quando passa por um pórtico que indica mais um sonho concretizado... Gente que se emociona e emociona a gente. Gente que sonha e leva a gente junto, sem saber, ao se decidir por um sonho seu, que também é meu... Gente que nem conheço de verdade, mas que, DE VERDADE , nem preciso conhecer de perto, porque de longe vejo sua alma sorrindo feliz de ter um sonho pra fazer acontecer neste dia 18... Gente que já tem asas e nem sabia. Vai e leva outros juntos, por mostrar em seu sorriso largo que acredita, vai e realiza. Não importa o tempo que demorar pra realizar este sonho. Importa que o uma vez realizado, ESTE SONHO VAI DURAR PRA SEMPRE...

Simone Vieira, pra você, este vídeo que considero um hino a quem tem um sonho prestes a acontecer. Tem medos, passa por tombos, obstáculos, mas a alma segue viva, certa e leve...
Aqui, de meu cantinho de cá, muitos estarão realizando seus sonhos, também, nos 5km, 21, ou 42, no dia 26, em Londrina!
 Aí, você se embrenhará na prova que tanto sonho em fazer. A k 42! Pra mim, algo sem explicação a minha conexão. Talvez porque represente as tantas fases pelas quais passei. Desde 89, quando estive a primeira vez. Em 99, quando voltei e nunca mais deixei de ir. Foi meu renascer aos meus sonhos. Me destrancafiar de uma vida cinza para avançar, de pouquinho, neste lugar lindo, desbravar trilhas e caminhos novos, que nada mais são do que os meus próprios caminhos hoje! A busca incansável de não desistir nunca. Dos sonhos. De estar com meus amores. Desenhar nossa historia e ter memória pra lembrar e contar, depois... E de saber estar plena e feliz... 

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Desapego


(P.S. antecipado) Uma homenagem ao meu amigo Ricardo Hoffmann que também passou por uma triste história destas e que também relatou em seu blog como foi o desfecho...



Andar pra frente. Não olhar pra trás. Deixar o velho, olhar o novo sem medo. Ousar experimentar. Crer que pode ser melhor. Crer que o que foi bom, fica. Mas que chega uma hora que não funciona mais, que e necessário abrir mão, desapegar-se, deixar pra trás sem querer voltar.

E possível que cada coisa tenha seu tempo de vida util. Por mais que tenha sido inédito, inovador, excepcional. Daqueles que você faz juras de amor que nunca, nunca vai abandonar, que será pra sempre, porque nunca teve algo igual... E aceitar que certas coisas chegam ao fim...

O velho já vinha dando sinais que estava apagando. Já não falava. Mas tinha uma memória excelente e eu ainda recorria a ele sempre que precisava lembrar o nome e algo de alguém. Fora as fotos lindas que tirava... Eu já vinha vindo com outro ha um tempo. Meia boca. Nada excepcional. Dava pro gasto! Eu gostava mesmo era do meu velhinho. Chegava ao cumulo de levar os dois juntos comigo. Sim, por mais que pareça absurdo. Não conseguia me desapegar do velho. E o outro não dava conta do recado como eu estava acostumada. Era muito básico. O velho, apesar de velho continuava sendo avançadinho pra idade dele.

Comecei, então, entrar na internet. Queria achar algo melhor. Sabia que o velho ia morrer. Não gostava do outro que peguei só pra remediar o que o velho não dava conta. Fui me encantando com um. Achei que tinha finalmente encontrado o novo amor da minha vida! Fiquei um tempo levantando informações sobre ele. Seria parceiro de viagens. Iria comigo em corridas, caso eu volte a correr. Seu forte inquestionável era fotografar. Nisso era o melhor. Mas não era assim, tão moderninho e isso me incomodava um pouco. Na verdade, a coisa que mais me chamou a atenção nele e que era um fotógrafo excepcional. De resto, lembrava muito o meu velho. Era como ter um novo com a alma do velho, mas melhorado. E muito. Mas, então, conheci outro.

Eu chegava a pô-los, lado a lado para compara-los. Nestes sites onde você procura por eles da pra fazer isso. Coloca o perfil de um ao lado do outro e ate do velhinho para comparar. E sabe que o velho estava pau a pau em muita coisa, quase tudo com eles? Mas ele estava morrendo e eu já brilhava os olhos pelos outros dois. Eu só não conseguia me decidir por qual deles...

Pedi ajuda a um amigo. Falei dos dois pra ele. Eu falou pra mim dos pros e contra de cada um. Mas sem sombra de duvida, eu podia ficar com o segundo. No conjunto, era disparado o melhor. Era um bom fotografo, sem ser excepcional. Daria pra fazer todas as coisas que faria com o primeiro pretendente. Viagens, corridas que ele daria conta do recado. Mas o que me fazia pender para ele desde o começo era exatamente porque ele nasceu para escrever. Como escrevia bem. E quem me conhece sabe que dentre as minhas grandes paixões, estão viajar, fotografar, natureza, e as maiores delas seriam o correr (que ando aposentada) e escrever...  Os dois se equivaliam no resto. Mas escrever era algo que só o segundo compreendia e fazia bem. Seria o parceiro ideal do meu momento agora. Hummmmm... Acho que, finalmente, estava me decidindo!

Decidi! Entrei no site novamente e acertei tudo. Muito rápido, de assustar. Em quatro dias ele estaria em casa. De surpresa, chegou antes. Na terça cedinho, o porteiro interfonou dizendo que ele já havia chegado. Foi paixão a primeira vista! Lindo. Robusto. Moderno. E como escreve bem. Pois mantém a essência de quem gosta de escrever como antigamente, porque os moderninhos escrevem tão rápido e superficialmente que erram muito. E quase nem da pra entender, de tantos erros que cometem. Enfim, estou com um novo amor. Parceiro, espero, pelo menos por uns quatro anos! Ou enquanto durar! Porque a gente nunca sabe, né? Bem que vendo ele hoje, gostaria que durasse pra sempre. Mas eu tenho de ser realista e encarar que estas coisas não são pra sempre. Pena, porque eu fui com a cara dele. Agora tenho de despachar o velho. Talvez eu fique com ele por consideração. O estepe vou manter comigo, porque pode ser que precise dele, eventualmente.

Meu Nokia N95 morreu! Durou muito e valentemente! Quase três anos... Rendi-me ao novo! Estou com um Motorola milestone 3. Escreve como ninguém e eu to cá com ele, escrevendo nele só com o dedão no teclado apelidado de 'qwerty'! Tem touch pra deslizar pra cá e pra lá, todo recurso, ou quase de um Galaxy S II com a vantagem deste teclado físico maravilhoso!!!! É quase um tablet... Feliz da vida. Se bem que fiel que sou, só larguei o n95 só porque o bichinho morreu mesmo. O outro candidato que considerei era o n9, da mesma e confiável família Nokia. Dizem que ainda é a melhor câmera em cel, devido as incomparáveis lentes Carl Zeiss. Mas resolvi sair da mesma família, sempre, sempre fui da Nokia. Só por causa deste teclado que já vi, valeu a pena. Acho que no 'touch' eu estaria patinando e desistiria de escrever em cel.

Bem, ê isso! Desapego! Os novos, com tudo de bom dos velhos mais aprimorados prometem valer a pena! Recomendo!


domingo, 29 de julho de 2012

Você está preparado pra Maratona?




Se você tem feito seus treinos certinho, certeza que está!  Fisicamente, você está pronto. Sem dúvida. O psicológico, agora é que tem que ficar sob controle. O principal erro de todos que vão pra maratona e quebram é não saber dosar!!!! É legal ir controlando seu ritmo a cada km, ou a cada 5km já nos treinos. Depois, analise o percurso e a altimetria. Pra saber onde vai diminuir e onde pode compensar o ritmo. Onde terá de se poupar. Você vai ter que saber dosar seu ritmo nos primeiros 21 pra terminar a primeira metade inteiro. Dos 21 até o km 30 é cabeça! Porque tem que estar inteiro na hora de passar o tal muro dos 30...  Geralmente, depois dos 30 que se começa a ver gente torta no caminho, parada, quebrada, sentada, vomitando porque exagerou. Andando sem conseguir voltar a correr. Muita gente termina mesmo assim, mas andando e o legal é não ter de andar nem um pouco. Você pode estar preparado pra isso. Mas às vezes, por falta de saber dosar, acaba precisando andar, pra retomar lá na frente! Um amigào meu, que corre forte fez as mesmas maratonas que eu. Curitiba, Porto Alegre e Curitiba. Mas só na última que ele conseguiu terminar sem andar nem um pouco. Justamente porque nas outras, ele tinha como objetivo, um tempo final e forçou. Teve que se arrastar no final de Porto alegre, a partir do km 40. Deu dó! Aí, em Curitiba, queria e estava pronto pra fazer sub 3. Foi controlando o tempo todo. Forte. Mas viu que começou ter dores e teve de diminuir. O seu parceiro de treino continuou forte e foi na frente. Quando chegou o km 34, ele passou seu amigo que estava torto e quebrado e ele que estava inteiro, fez uma conta rápida e viu que, se forçasse um pouquinho o ritmo, conseguiria fazer sub 3. Mas ai teve de decidir: forçar e arriscar a quebrar e terminar mais uma maratona andando e quebrado pra tentar o sub 3, ou ser mais comedido e seguir num ritmo sem quebrar...  Terminando no tempo que desse... Optou pela segunda e terminou inteiraço e feliz! Sem andar nem um pouquinho! Com 3h07'. Sete só acima do que ele queria. Mas feliz por ter terminado.

Por mais que não percebamos, temos nossas metas internas e secretas! Mas tem que ter muito bom senso pra correr uma maratona! Até acho legal pessoas que vão pros 42 pra fazer de qualquer jeito, nem que tenha de andar um tantão... São outros objetivos. Mas, aí, eu particularmente, vejo que é "terminar" uma maratona, mas não "correr"  uma maratona! Entende? Este é o verdadeiro desafio dos 42... É uma prova de auto conhecimento! Você conhecer e respeitar o seu corpo! Ouvi-lo... E correr no SEU ritmo e não de mais ninguém! É desafiador e compensador aceitar, encarar o desafio de tentar os 42.  Muito mais difícil e estar no meio dele e decidir parar, se precisar. São horas onde nós vencemos dores, medos, nossas próprias limitações. Temos infindáveis "muros dos 30" em nossa cabeça. E a cada passada, vencemos mais um! Pode ser que cabeça e corpo juntos estejam preparados pra concluir com sucesso. Pode ser que não seja desta vez. Somente no caminho é que descobrimos isso! Se o nosso "eu" está, de fato, preparado! É uma jornada que cada um enfrenta sozinho, consigo mesmo. Por mais que levemos nossos amigos, companheiros de treino, família junto de nós, toda a força que eles podem nos passar passará pela peneira que nossa cabeça administrar e deixar passar. Dá vontade de chorar no meio do caminho. De felicidade. De dor. De raiva. Já cheguei a quase desabar de chorar no meio, por dores. E no final, por não crer que estava chegando ao fim, depois de um ano tão complicado de treinos, lesões e dores internas e externas! Mas quando aquela bola subiu pela garganta pra explodir em choro, vi que chorar antes de acabar não seria a melhor coisa a fazer... Eu desabaria e a energia que restava seria consumida. É a hora de domar os lobos dentro da gente pra nós decidirmos por onde ir. E onde chegar! E CHEGAR!

Há várias formas de se terminar uma maratona. Pode ser que seja preciso correr muito para andar um pouco. Pode ser que tenha de se andar muito para pra correr um pouco. Pode ser que seja CORRENDO O TEMPO TODO! O sonho certeiro de todos! É o que faz uma maratona ser realmente vencida! Mas cada um sabe o tamanho de seu desafio próprio. E o que o satisfará. É por isso que tornar-se maratonista é um desafio vencido por muita gente que nem tem cara de que o faria! Gente desacreditada, mas que determina aonde quer chegar e vai! E vence! Gente que nem tem “cara de corredor”!!!! Mas que tem “ALMA DE CORREDOR”, como diz Rafael Zobaran e tantos que sabem o que isto significa! Quando se corre com a alma, os pés vão! E a sintonia é tanta que os ruídos externos não atrapalham que o corredor ouça si mesmo.

A maratona de Londrina está chegando... Uma maratona que nasceu da alma de corredor. Do riso e do choro de ser ter feito uma maratona pela primeira vez e de se querer compartilhar que outros pudessem saber o que isto significa... Nossa maratona é diferente. Não foi imposta de cima pra baixo, como um evento interessante a ser feito. Nasceu no calor que permanece por dias no corpo, na alma de quem acabou de fazer seus 42km pela primeira vez. Agora, estes detalhes nem importam mais! Importa ela estar aí acontecendo em sua segunda edição. Mas se puder dizer que o que gera um bebê, influi em como ele sempre será, me atrevo a dizer: a Maratona de Londrina sempre será uma maratona para corredores de alma! Que sonham, que obstinadamente, acreditam, retornam, insistem, não desistem e que vencem!

Corre-se com as pernas. Mas o que faz um corredor prosseguir, a despeito de tudo é o que ele leva lá dentro...

domingo, 10 de junho de 2012

Catarse


Diria, ser uma explosão silenciosa! Um vulcão em erupção. Movimento sem volta. Vômito. Panela com água em ebulição.

Catarse é algo definido de diferentes maneiras. Veio-me a mente, agora, quando quis escrever sobre minha explosão silenciosa. Um processo novo para mim, já que quem me conhece, sabe o quanto não sou silenciosa, o quanto minha natureza fala, fala, sem muitas vezes ouvir, não aos outros, mas a  mim mesma.

Sonoramente, catarse me parece apropriado para definir o momento em que estou. Para certificar-me, busquei seu significado. Definitivamente, só comete gafes quem quiser. Você acessa, pesquisa e, em segundos, vê o significado do que quiser a sua frente. Catarse é “purgação, purificação, libertação de coisas estranhas à natureza, ato de liberdade produzido por certas atitudes”.

s.f. Medicina. Religião. Filosofia. O mesmo que purgação ou purificação. Refere-se à libertação do que é estranho à natureza do sujeito.
Estética. Teatro. Num espetáculo trágico, refere-se ao desenvolvimento de uma espécie de purgação de alguns sentimentos, nomeadamente, de pavor ou de compaixão, do público.
Medicina. Ação de evacuar os intestinos.
Psicologia. Tratamento das psiconeuroses, que consiste em estimular o paciente a contar tudo o que lhe ocorre sobre determinado assunto, a fim de obter uma "purgação" da mente.
Psicologia. Ato de liberdade produzido por certas atitudes, principalmente, representado pelo medo ou pela raiva.
Psicanálise. Processo para trazer à consciência do ser as emoções ou sentimentos reprimidos no seu próprio inconsciente, para que ele seja capaz de se libertar das consequências ou problemas causados pelos mesmos.
Retórica. Segundo Aristóteles, a "purificação" experimentada pelos espectadores, durante e após uma representação dramática.
(Etm. do grego: kátharsis)

E de dentro de mim mesma, vejo que estes processos vão acontecendo. É um caminho. Por ele, passo, em diferentes vestimentas. Externamente, são cores, formatos mil. Internamente, sabores que experimento, aprecio e me fazendo querer manter comigo, os que me agradam.

O corpo, este transeunte que passa, mas não permanece, esconde a alma, esta sim, de olhos atentos e brilhosos que quer ficar um pouco em cada lugar e levar consigo algo a tornou mais viva!

As fases da lua



Creio ser difícil uma vida sem excessos! Vejo difícil o equilíbrio que dosa, exatamente. É uma tênue nuvem, o limite que separa o que é bom daquilo que fará mal!

Sou movida a paixões, a sonhos. O tempo todo tenho de estar sendo movida por algo que me dê brilho nos olhos. Que me injete ar nos pulmões. Que me abra caminhos e me mostre caminhos longínquos para onde mirar e por onde desejar ir.

Diria que sou uma mulher de fases... Frase batida com infinitas interpretações. Mas que dão margem a quatro facetas, numa analogia à limitada bipolaridade, onde se é um, ou outro. Extremos opostos. De lá, ou de cá. Ou isso, ou aquilo. Já em fases da lua, vejo, a possibilidade é de ter quatro estágios onde há quatro ápices, dependendo do ponto de vista. O ápice de um é, exatamente, o vazio do outro. E dentre eles há o caminho que leva a ele, em fases de crescimento, ou “minguamento”. De encher-se, ou esvaziar-se. De brilhar mais, ou de recolher seu brilho. E as fases se sucedem, incessantemente, sem constrangimento algum, pois se complementam e, embora antagônicas, necessitam que a outra exista para elas mesmas coexistirem!

Vôos X Gaiolas



Gaiolas são os nossos “exagerismos” que começam como algo bom, passam da dose, nos aprisionam, quando deveriam nos libertar.

Tudo aquilo que começa bem, nos faz bem, mas que por um erro de cálculo de nossas pretensões, tornam-se excessivos, numa ânsia de satisfazer-se, mais e mais, roubam-nos a cena, tomam conta de um espaço que não é só seu e amarram-nos as pernas, os braços, as asas de voar longe, os olhos que avistam muito mais!

Gaiolas são paixões descontroladas que, por assim serem, nos controlam, numa razão inversa que provoca uma contradição. Eu me apaixono, mas não sou eu mais que controlo este meu objeto de desejo e uso. Faço parte da vontade e vaidade dele. Ele comanda o quanto o quero, o quanto necessito dele.

Toda gaiola é extremamente egoísta! Quer centralizar em si própria a atenção, o tempo de dedicação, a vida de uma pessoa.

Gaiolas são vícios! Que nos dão prazer no início, mas que nos escravizam depois...

Gaiola é quando você perde o equilíbrio entre o vôo e o vício. E faz de seu sonho, um pesadelo, do prazer, um sacrifício, quebra a asa de tanto voar sem descansar.

Casulo




Interessante como me encasulo. Como necessito me encasular diante de situações que não sei lidar. Que me colocam, totalmente, em posição de pura defesa. Fechada, protegida, sem fala, sem ação, prestes a entrar em estado de hibernação. Para me afastar daquilo que me incomoda. Ou que me proteja de situações que não sei lidar...
Hoje, me observei. Com se tivesse saído de mim mesma pra observar a mim e a minha volta. E fica a sensação de que não estou sendo autêntica comigo mesma. Que não estou sendo, totalmente, o que sou e estou vivendo uma vida que não é a minha. Cadê a Susi cheia de vida? O que tenho sido é alguém “alegre” palhaçona, que incomoda todo mundo, tira um sarrinho, que dá um toque animado, mas que tem que estar o tempo todo assim, da pele pra fora. Incomoda isso! Meus dias têm se resumido a uma vidinha urbana que já estou começando me estranhar. Tento ver pelo lado de estar me descobrindo nas minhas diversas facetas! Que tenho de passar por várias versões para me “achar”... Será?

Se for para um autoconhecimento e eu, de fato, ainda não saiba todas as minhas faces e almas, é válido. O problema é que sei de algumas faces que estão de lado, me fazem falta, desesperadamente!!!! Fico numa briga interminável de mim comigo mesma! O meio! O meio! Foque no meio! Seja a do meio! Chega de bater a cabeça nas paredes. Siga pelo meio do corredor – eu diria pra mim mesma! E como me faz falta... A Susi de olhos brilhantes, faiscantes, que sorri com a face toda, resplandesce, contagia, emana energia! Falta-me algo! Falta-me  a chama. A faísca do momento. A que acende aquilo que já vem de dentro... Pois abafo faíscas que desconheço, de medo de não saber por onde vai me levar...


E esta força tremenda do ciclo que puxa, puxa que me faz resistir e me enrolar. Vou tecendo pouco a pouco, num pouco que acelera e tonteia a cada volta e meia que dou em mim mesma. Fechando as entranhas. Vedando furos, vácuos, lacunas. Dentro é quentinho, e sou eu quem determino a minha hora de sair. Não me tire antes da hora! Posso não saber voar se não for a minha hora de abrir as asas...


Quem se importa? Preferiria não…

Interessantemente, nesta semana, assisti a dois espetáculos que se contrapõe. O primeiro, um filme-documentário tendo por protagonistas, diversos anônimos. O segundo, uma peça teatral encenada por Denise Stoklos. Contrapõem-se e respondem-se, uma a outra. Evocam a atitude passiva de ver, sem se importar, sem se posicionar, sem se ENVOLVER... A peça conta uma história de um personagem que caminha para a autodestruição. Pois que ser humano nenhum foi feito para definhar tanto ao ponto de não mais existir em vida. Viver maquinalmente, sem levantar sobrancelhas, sem alterar o compasso do coração, sem ATITUDE, amorna, abafa, desacelera qualquer coração. Preferiria não, é o hino de quem prefere (des) viver à margem, que pode até desempenhar algo muito bem que não lhe exija nada além de braços, ou pernas, mas totalmente desconectados da alma... Preferir não fazer nada além, não mudar a sintonia já conhecida e decorada, endurece músculos, nervos e estagna o sangue nas veias. É uma clara mensagem do que a apatia e a falta de paixão – leiam-se sonhos - fazem com uma vida. O filme é uma provocação. Resgata uma fala esquecida que retrata e incita a nossa pseudovida. Somos viventes, ou somos transeuntes? Importar-se é uma ação composta de SUJEITO e OBJETO. Não é um mero verbo a ser conjugado, mas uma atitude a ser tomada, uma fala a ser vivida. Esquecida no meio da parafernália ágil e veloz que se tornou a nossa vida. Que torna incoerente e contraditória a nossa práxis. É fielmente retratada numa das pequenas histórias contadas no filme que diz (mais ou menos) assim:
“Conta-se que um grande executivo esteve numa aldeia indígena e encantou-se com a destreza de um índio que executava, habilmente, o seu ofício. Diariamente, dirigia-se ao rio e por ali permanecia apenas o tempo suficiente para conseguir o alimento para aquele dia. O executivo assistia aturdido, pois via que no rio havia muito mais peixe. E que no ápice da pesca, o índio retirava-se do local perdendo o melhor momento. De certo, pensou, o índio não tinha a visão exata de que estava subestimando a potencial do rio e de sua habilidade. A produção não era explorada o suficiente. E teve a brilhante ideia de conversar com o índio. _ Índio, eu posso ensinar-lhe a tecer redes! _ E para quê? _ Para pescar mais! ¬_ E para quê? _ Pescando mais você pode vender o que sobrar. _ E para quê? _ Você poderá pagar pessoas para pescarem pra você! _E para quê? _ Para ganhar muito dinheiro! _E para quê ganhar muito dinheiro? _ Para não fazer nada! _E para quê? _ Não fazendo nada, você pode fazer muitas coisas, por exemplo, ir pescar...”
Então, eu pergunto: por que correr tanto? Aonde vai com tanta pressa? Aonde leva o teu caminhar? O que há neste pórtico de chegada, ao qual você tem tanta pressa de chegar? Hã? O filme deu-me uma chacoalhada daquelas! Só sai de lá do mesmo jeito que entrou quem já está em processo de “Preferiria não!”. A verdade, penso eu, é que todos têm aquela vontade latente de fazer algo, um bem ao outro. E deixam-se engolir pelo cotidiano, a rotina, a necessidade nossa de cada dia de sobrevivência, ou melhor, seria dizer, subvivência... Creio, que diariamente, injetamos anestésicos em nossas veias para sairmos por aí, em nosso trabalho, em nosso lazer e não nos sensibilizarmos com o que está a nossa volta. Ou, no muito, deixar passar logo aquela vontade de fazer algo. Sabe aquela piadinha do sedentário que diz que sempre que tem a vontade fazer algo, senta-se e espera a vontade passar rapidinho? Pois bem, é isso! De leve, somos conhecedores, sim, de tanta miséria, de tanta pobreza cultural, intelectual, de tanta injustiça, de violências físicas, morais, emocionais que acontecem dia após dia. Mas a nossa pressa nos dá o passaporte de “agora não!” e protelamos, adiamos a nossa boa ação imaginada... Assisti duas vezes seguidas ao filme! Queria sorver um pouco mais! Queria incrustar em mim aquela certeza toda, aquela convicção que convence de que somos, sou capaz de agir. Que não é preciso grandes coisas, pois é de pequenas coisas que as grandes são feitas! Que basta sair da tênue linha que separa a indignação da ação. Do “basta” para o fazer. Magistralmente, o filme borda e costura as várias histórias onde, diferente do mundo caracterizado pelo egocentrismo e estrelismo, aquele que age se faz coadjuvante e torna protagonista aquele que recebe a boa ação. Os holofotes são canhões de luz mirando o tsunami de ações desencadeadas por uma gota d’água em meio ao oceano. Não importa quem jogou a gota. Importa que a onda tenha se iniciado. Direitos autorais são desnecessários. Requerer direitos aprisionam as boas ideias. Despende-se energia ao que não importa. Quando a coisa começa a acontecer, o que menos importa é quem começou. Importa é que tenha começado! Importa é ver seres humanos beneficiados, resgatando a dignidade de suas vidas, ressuscitando em si a esperança de viver e não apenas subviver. A riqueza dos relatos me pede que, antes que eu me esqueça, registre algumas falas que soam como sinos em mim. Falas que, despretensiosamente, parecem ser as minhas! Metáforas perfeitas sobre as ideias, sobre a saúde, a alegria, o sentido de seguir. E que importa o que você faz na jornada e não chegar ao fim. Tudo converge a um ponto só. (Os relatos são postos na primeira pessoa para darem o tom de quem realizou estar falando, mas como gravei o filme apenas na memória, as falas não estão exatamente como no filme e peço que me perdoem se perderem a riqueza que possuem.)
IDÉIAS: Vejo as ideias como um paraquedas. Você tem junto de si, mas para usá-lo, tem de subir a uma grande altura. Lá de cima, se você o mantiver junto a si, inútil ele se torna. Quanto mais você segurá-lo para si mesmo, mais inútil ele será. Para ele cumprir sua função, você precisa abri-lo! E ao abri-lo, ele se expande, e te leva ao lugar certo, no tempo certo. As ideias que não são abertas, que são guardadas dentro de si mesmo têm apenas um destino, o mesmo da maioria: o cemitério!

SAÚDE E ALEGRIA: Inventei de ir até onde as pessoas nunca recebiam atendimento médico. Em meio a Amazônia, tudo é imensamente diferente e nada do que sabemos até então, parece fazer sentido ao que se vê. Cheguei lá com a inocente ideia de que ensinaria aquela comunidade a pescar. Sabe aquela ideia de não se dar o peixe, mas ensiná-los a pescar? Sim. Numa comunidade de pescadores, eu, um médico vindo de São Paulo querendo ensiná-los a pescar? Hum? Rapidinho, vi que o clichê não convinha e nunca mais usei dele... Basicamente, tive de reinventar a minha medicina. As práticas vividas de nada me serviriam ali, naquele local, sem as devidas adaptações. Não se tratava de chegar e dizer “Olha, estou aqui para aprender tudo com vocês!”, nem de dizer soberbamente, “Vocês tem que fazer isso e isso e mais isso outro!”. Tinha de haver um meio termo! Eram cerca de 150 pessoas para serem atendidas diariamente! Eu separava pra um lado os que tinham diarreia e para outro, os que tinham gripe e assim por diante. Utilizei-me de recursos de circo. Pois o que poderia curar suas enfermidades ia além das medicações que eu podia receitar! Eu precisava sensibilizá-los a se cuidarem. E precisava atingi-los amplamente. Não podia pensar em falar apenas ao corpo. A alma era um paciente que eu não podia ignorar... De médico, desvesti-me para compreender a vida deles. E para isso, apenas vivendo, de fato, esta vida. São vinte anos lá! E bem no começo, o prefeito me perguntou o nome do meu projeto, Pois eu ainda não havia inventado um nome para ele. E na hora, me veio “Saúde e alegria”. Na hora, não sabia ao certo porque este nome. Hoje, eu sei! Pois uma mulher, ao ser entrevistada explicou assim: Saúde é a alegria do corpo e alegria é a saúde da alma.

Banco de mini créditos na Índia: Professor universitário, tinha a vida do jeito que tanta gente projeta, busca e se alcançar, dá-se por satisfeito. Mas como ser humano, eu precisava ver o que EU podia fazer pelas pessoas. Saí a campo. Em meio à pobreza, constatei que a vida daquelas pessoas era, na verdade, de miseráveis, de desesperança, total falta de luz no túnel. Buscar soluções, até buscavam. Mas todas as portas lhes eram batidas na cara. Como pode alguém crer que sairá da miséria se ninguém mais crer? Constatei que todos eles acabavam se tornando escravos de agiotas que não tinham nenhuma pretensão de ajudá-los, mas sim de lhes tomar o pouco dinheiro que tinham. A proposta de quitação da dívida sempre era algo inconcebível que tonava interminável a dívida, a desesperança e a escravidão. Iniciei uma busca por créditos para eles. Os bancos se negavam. Tornei-me eu mesmo o fiador deles. Com regras simples para eles compreenderem, estabeleci a forma para eles saldarem suas dívidas. E todos eles pagaram de volta. Isto gerou uma repercussão tal que surgiram outros bancos, no modelo do meu, que viabilizava mini créditos. São pequenos sonhos que estas pessoas almejam, projetam, alcançam, dando-lhes sentido à vida! Ter alguém que acredita em você faz com que você mesmo volte a acreditar em si próprio.

População ecologicamente ativa – abaixo dos 18, acima dos 60: Estatisticamente falando, população ativa é a que abrange pessoas acima de 18 e abaixo de 60. Ecologicamente falando, este limite inexiste. E mais, há de se provar que a população tida como inativa é inversamente mais ativa, mais disposta, justamente por não ter em cima de si, o peso, a responsabilidade de estar “produzindo”... Projetei desenvolver atitudes positivas ao meio ambiente, focando a população “inativa”. Criar na criança a consciência de que dela depende outro ser vivo, embute-lhe a responsabilidade por “cuidar” de alguém. Indiretamente, desenvolve-lhe valores, sensibilidade, apego a detalhes da vida que a tornam um ser mais “vivo” e mais conectado à vida. Assistir ao milagre que toda geração de vida proporciona, gera diretamente na criança, a valorização da vida em todas as suas formas. A vida retrata-se a si mesmo nas diferentes nuances. Na esfera vegetal a diversidade é tanta e cada uma com sua cor, seu perfume, sua característica própria e não menos necessária que outra. Não há parâmetro que determine qual é a de maior valor. E parodiando o meio humano, as diferenças é que trazem beleza ao jardim. Diria que proporcionar esta experiência aos pequenos é educar para não deixar jamais a seiva lá de dentro, na alma secar. Regar um jardim faz a seiva correr... E não se embrutecer, nunca!

Saúde: Como médica no hospital, convivia diariamente com mães que sofriam acompanhando seus filhos quando estes adoeciam. Mas sofrimento maior elas tinham no momento da alta, pois temiam o retorno às suas casas por não saberem como lidar com os cuidados mínimos necessários dentro de um espaço onde chovia dentro, de pobreza extrema e falta de recursos. Comecei uma corrida louca de apagar incêndios. Isolados. Não resolvia. Uma chama era apagada e logo, outra nova, surgia. Meu envolvimento foi tal que passei a vender de dentro da minha própria casa o que houvesse para transformar em dinheiro e de dinheiro em tratamentos daqueles que não podiam pagar. Não resolvia. Veio, então, a ideia de criar um espaço onde as mães frequentariam e teriam um suporte nas cinco áreas básicas: saúde, educação, moradia, trabalho e gerenciamento de recursos próprios (economia). Através de uma conversa com os principais interessados, detectávamos suas reais necessidades e buscávamos encaminhá-los para capacitarem-se a buscar suas soluções. Um projeto de governo, sem governo, redigido e administrado pela sociedade civil.

Banco Palmas: A comunidade de Palmeiras surgiu no nordeste num movimento próprio de reerguer uma comunidade já designada a ser uma favela, invertendo o curso natural de se manter, aquilo que já é. Estes projetos de cortar pela raiz, dando um novo local, com cara nova a uma população me parecem (grifo meu) uma cirurgia bariátrica. Retira-se a roupa, mantêm-se o espírito. Retira-se um pedaço do corpo, não se muda o pensamento. Se não houver mudança da mente, o caminho é inevitável. Se o pensamento continuar a ser de gordo, o corpo entra em catarse. Reage e vários males podem surgir. A mudança precisa acontecer no motorzinho que propulsiona pensamentos, ações e sentimentos. O que ocorreu em Palmeiras foi a construção de uma nova comunidade, saída da favela para tornar-se o bairro Palmeiras. De roupa nova, ou casca nova, as pessoas não mudaram de fato e não conseguiram acompanhar a mudança que esta nova casa implicaria. Contas de água, contas e contas e salários provenientes das mais variadas fontes possíveis, lançadas fora dela. Recursos? Sim, havia! O grande problema é que sua aplicação não gerava renda à própria comunidade. Esbocei, então, uma figura usada para apresentar o problema. Um balde cheio de buracos. Jogamos lá dentro todo dinheiro recebido pela comunidade. Salários, pensões, aposentadorias... Mas tudo era gasto em grandes marcas que não contribuíam em nada à comunidade. Buscamos soluções e cada solução era posta como uma rolha para tapar os buracos do balde. Criamos uma moeda local. A palma. Era moeda de troca, forte, usada e recebida por cada tipo de serviço prestado, ou mercadoria vendida ali dentro. Foi uma avalanche de soluções! As pessoas se motivaram, a produzir produtos de limpeza, alimentícios, serviços. Nossa moeda foi sendo valorizada. E seu poder de compra e venda, proporcionalmente valorizado. A palma foi a primeira moeda não oficial autorizada no país. Impossível? Sim, seria. Se alguém não acreditasse uma primeira vez, a despeito de todos.

Kiva: Uma cena em minha infância me marcou e determinou o caminho que eu buscaria. Quando eu tinha apenas quatro anos, derrubei uma moeda de uma rúpia, o que significa centavos. Como havia caído na lama, minha mãe me falou para não me importar com ela e deixá-la pra lá! Então, assisti uma senhora de idade avançada, a quem veneramos e respeitamos abaixar-se numa busca totalmente desprovida de qualquer sinal de dignidade que ela poderia desejar ter. Vi o que a pobreza, a miséria é capaz de fazer com um ser humano. A consciência da existência desta fatia da sociedade sempre me incomodou. Então, um dia conseguir enxergar que, através da internet, poderia conectar estes dois mundos tão opostos, contrapostos. A ideia resume-se em aproximar pessoas que contam suas histórias, relatando seus sonhos e conectá-las a outras que, por sua vez, as leem e acreditam em suas histórias e, num voto de confiança, emprestam-lhes a quantia necessária para realizarem seus pequenos sonhos. Tendo de volta a quantia emprestada, depois. Num movimento de contramão, resgata-se o sentimento de “confiança no outro”, sem aquela lista imensa de garantia de que o outro é confiável. E por outro lado, pessoas anônimas resgatam dignidade por receberem crédito que vai além de um crédito financeiro, mas de um crédito de confiança em sua capacidade de realizarem e superarem o obstáculo que as impedem de seguirem adiante.

Empatia: Educar para a empatia. Acreditamos que ter empatia é algo que se não pode ser ensinado, pode ser contagiado! Algo viral que se colocado nos meios escolares, propicia que jovens e adolescentes possam por em prática o afeto, o cuidado pelo outro, mesmo que não tenham tido em seu convívio, sinalizações de afeto. Mães são convidadas para passar o dia com seus nenéns em sala de aula. Estar diante de serezinhos pequeninos que necessitam de cuidados, pois são totalmente dependentes de outro para suas necessidades mais básicas, que reagem espontaneamente às ações do grupo, que esboçam sorrisos, provoca uma reação natural de “querer cuidar”! Como pode um adolescente exteriorizar carinho, cuidado se não o recebeu, primeiramente, em casa?

Advogar em Camboja: Meus amigos diziam que eu estava louca. Tentavam arrumar emprego para mim, pois achavam que esta era a razão do que eu fazia. Desconheciam que a inquietude que eu sentia lá dentro não pararia se eu apenas seguisse por um caminho “normal” na advocacia. Eu sabia de histórias de ouvir falar. Mas quando comecei a ter contato com as pessoas dentro da prisão eu perguntava a elas “por que você está presa?” e eu comecei a ouvir as razões absurdas de manter um ser humano confinado e impedido de sua liberdade, causou-me um desconforto que só se aclamaria se eu conseguisse, de alguma forma, passar a fazer parte da SOLUÇÃO e não mais do problema daquelas pessoas. Eram mulheres presas no lugar de seus maridos, pois eles não haviam sido localizados... Crianças presas por pequenos furtos. Mães presas com seus bebês crescendo na prisão por terem roubado fraldas. Todas sem julgamento, sem terem usado o seu direito de terem um advogado. Iniciei, então, um projeto para combater isto. Quando o presidente americano disse que iriam à Lua, duvidaram dele. E foram! Diziam que era impossível acabar com o Apartheid, mas ele foi combatido e extinto! Pessoas iniciaram, outras se uniram e os impossíveis tornaram-se realidade. É por isso que eu acredito que na vida devemos ir além do possível. E que o que faz a pessoa é o que ela faz na jornada e não onde ela vai chegar.

Além de todos estes breves relatos que apenas dão uma pincelada no grandioso trabalho realizado por estes “anônimos” há muito mais. E em meio a esta infinita possibilidade que temos diante de nós, hoje, na velocidade que a internet propicia, no alcance que as redes sociais alcançam, há muito o quê fazer! Muita gente deseja, muita gente paralisa, achando que o que poderia fazer não fará diferença. Mas FAZ A DIFERENÇA! Todo trabalho realizado causador de impacto, começou pequeno. Era tido como utópico, mas aconteceu! Para qualquer caminhada, é preciso o primeiro passo. A grande diferença da ideia que pode causar TRANSFORMAÇÃO daquela que jaz no cemitério é a AÇÃO. Grandes ideias nascem e morrem sem terem existido, de fato, pois, presa dentro da mente de uma pessoa, emaranha-se no corpo, tal qual o paraquedas que ao invés de fazer viver, faz morrer mais rápido. Bem, estou desde as sessões a que assisti do filme “Quem se importa?” num misto de angústia, coceira, um buraco que pede pra ser preenchido.

Com quarenta e cinco anos hoje, tenho de concordar com um amigo meu que me disse despretensiosamente, mas numa sincera e até instigante frase, que “já vivi mais da metade da minha vida”. O contexto de sua fala era outro. Mas posto aqui nessa minha digestão-ruminação ruidosa e interminável penso que não há como prosseguir sem me posicionar. É como se eu já tivesse recebido todas as indicações possíveis, vindas das mais variadas fontes, delicados, chacoalhentos, silenciosos, barulhentos de que do jeito que estou, não dá mais pra ficar! E persisto numa lida inútil...

 INQUIETUDE! Esta é a palavra que melhor exprime como estou hoje! Como se, de repente, tivesse tido a certeza de que mesmo não sendo o melhor exemplo de pessoa aquietada, acomodada, morna, que mesmo que eu reconheça que vivo a custa de sonhos que, uma vez acontecidos, imediatamente me põem a busca de outros mais, minha vida tenha me desenhado um imenso ponto de interrogação diante de mim! Mostrando que estas realizações todas de coisas também boas, sim, continuam me conduzindo por um caminho sem volta, onde quanto mais se sonha, se faz e se busca, se o realizado não retratar um algo mais pelo “outro”, nada tem sentido! Há muita gente a nossa volta, próximos, ou bem longe carentes de um pequeno gesto de atenção, de solução! Viver apenas a minha vidinha torna-me medíocre, se eu ignorar a imensidão de coisas alcançáveis pela coragem de reagir e agir. Como a fala diária com o lobo mau e o lobo bom, dentro de mim, que determina quem ganhará a briga. Como a atitude de fazer algo de bom a cada dia. Apenas para não perder a prática de mirar e ir. Quem se importa? Importa começar e se importar..

terça-feira, 15 de maio de 2012

No tempo em que o relógio não tem pressa, a corrida tem conversa, não haja nada que me meça...


Participei do Desafio criado pela PROCORRER, em sua página da rede social, no Facebook. Andava estagnada, desconectada, nem aí pra nada. Mas onde há chama, basta haver faísca que o fogo vem. E se vem...

Agradeci a todos os amigos, conhecidos que participaram do Desafio com um clic no CLIC! Pois fizeram a diferença! E fazemos a diferença toda vez que saímos da inércia e expressamos nossa opinião, nosso amor e trazemos à tona, aquilo que nos dá força e sentido à vida! O CLIC valia a pena!

Ainda digerindo o que um pequeno clic e um CLIC perfeito podem fazer... Muita coisa passa pela gente sem nos posicionarmos, sem vivenciarmos. Deixamos passar! É preciso estar atento para viver o que importa...

A corrida vira vício... fácil... fácil... e deixamos de lado família, outros lazeres. Por isso, este momento congelado nesta foto é um chacoalhão! Porque tudo que é demais é excesso, faz mal e toma todo o nosso tempo! 2009 era o meu início. Depois, exagerei, virou vício.  Agora, tô no OFF forçado. Necessário é o reequilíbrio!

A imagem capta amor e paixão! A paixão me devorou! Machucou-me. Invadiu meus limites. Sei que muitas vezes a paixão é necessária, empurra, aguça. É a “endorfina nossa de cada dia” que nos vicia e nos torna dependentes. Explode e consegue o que nada faria fazer. Nada conseguiria. Mas tal como explosão, deixa feridos... O amor não! O amor é paciente, benigno. Tolera. Ensina. Aceita. Persevera. Não desiste nunca! Tudo suporta, tudo crê, tudo espera. Beato dizer isso? Assim, prefiro! Pois é disso que, agora, necessito! Ter amor, acima da paixão, pela corrida. Para perseverar... Acreditar que posso. Ainda que tudo indique não! Porque paixões são substituíveis. Quando a chama de uma se apaga, outra vem. 

O amor é para sempre.  E, creio, se eu tiver amor pela corrida, amor por mim mesmo, farei dela, mais do que uma chama que rápido se acende e rápido se apaga! A labareda foi correr loucamente até não mais poder? Então procurarei a medida certa pra ter a chama bem branda que se conserve até para eu pra sempre poder... No tempo em que o relógio não tem pressa, a corrida tem conversa, não haja nada que me meça...

Estou mais uma vez, em cima da ponte. São transições que, às vezes, teimo em não aceitar! O corpo me fala. Grita! Rebela-se e, ainda assim, teimo em não ouvir. Então, forçadamente, uma vez mais, a parada é obrigatória... Amarradinha na cama, enfim, ouço... Quer andar? Aquiete-se. Quer correr? Primeiro, caminhe. Quer falar, silencie. Quer seguir? Pare.

Observo, então, a foto, uma vez mais. O que de fato me moveu neste dia de novembro de 2009? A paixão? O desafio da impossibilidade? A superação? A vaidade? Descubro que todas elas podem me mover a isso. A uma grande realização, como de fato é, correr uma maratona. Mas o que me sustenta, o que me faz não desistir nunca, o que me resgata do tempo da impossibilidade, do dia em que jogaria tudo fora, sem ver luz no fundo é o AMOR. Porque amar nos faz querer ter histórias pra relembrar juntos e não apenas pra contar. Ter lembranças... Ter certezas... E ter esperança!





domingo, 13 de maio de 2012

Mãe – um “revorteio” de lembranças, mimos e ensinamentos!

“Já são quatro anos sem a senhora ao nosso lado! Mas, de certa forma, a senhora continua a star comigo, conosco”. Ontem, fui a um aniversario. E em meio daquele monte de cabides, avistei uma camisa florida, te tecido brilhoso, elegante, estilosa. Era uma de suas camisas que eu trouxe para casa, dentre tantas coisinhas que separei e mantive comigo. Deu vontade de por. Usei, também, uma de suas bolsinhas de mão que eu a via usar quando eu era criança e que eu ficava fascinada. Uma bolsa com inúmeras bolinhas grudadas, na verdade, bordadas, formando uma trama alegre, exclusiva, que apesar dos anos terem se passado, continua fascinando quem a vê! Charmosa, logo que cheguei ao aniversario, já elogiaram a bolsa. Respondi que era bolsa de mãe! Que, realmente, era da minha mãe. Uma pequena herança guardada com carinho suficiente para tê-la e usá-la. Diferente daquelas peças lindas expostas em cristaleiras, igualmente lindas, mas que apenas são expostas como vitrine e não podem ser tocadas... Pois bem, as heranças da minha mãe são inúmeras lembranças que tenho. São, também, pequenos objetos que guardei, um desapego que ainda não aprendi, só para senti-la um pouco comigo. Penso, então, o quanto ela esta ali em cada um deles. Como cada um diz um pouco dela e a revela, ainda hoje, para todos nós! A bolsa, miúda, estilosa é única! Tal qual ela! Elegante sem ser extravagante e fascina com seus detalhezinhos de inúmeras bolinhas coloridas grudadas no tecido. Achei que poderiam ser bordadas, mas olhando bem, não vejo sinal algum de costura. Misteriosa! Definitivamente, não sei como estas bolinhas ficam ali grudadinhas! Há quem diga que nós, mulheres, somos tal qual o que pomos na bolsa. E que elas retratam como estamos. Ui! Arrepia só de pensar! Pois, na maioria das vezes, a bolsa é meio extensão da própria casa. E com a moda de bolsas gigantes, dá pra imaginar a quantidade de supérfluos que passou a fazer parte dela... Bem, uma coisa é certa, dentro dela nos compactamos, nos guardamos. Ao abri-las, nos revelamos... Eu, pra variar, sempre avessa ao que se usa, andando na contra-mão de modismos e até para a felicidade do meu ombro, não tenho usado bolsas enormes e pesadas. E resgatei a bolsa da minha mãe. Para usar em ocasiões especiais. Bolsa de mão! Aquela que você usa somente com o essencial, apenas para ir somente até ali e voltar! Uma ótima medida para saber o que é o essencial e o excesso. Um documento? Um cartão, um dinheiro mínimo? Um gloss, ou batom? Ah! E o celular. Indispensável, hoje... Indispensável??? Para as emergências... Se bem que isto rende outra história... O tal celular que nos toma o amigo da mesa, da roda, da conversa e que, ao invés de interagir conosco, ali, imediatamente próximo dele, fica ali falando alto, gesticulando e, invariavelmente, andando em círculos enquanto conversa com aquela caixinha preta... Sim, diria, indiscutivelmente, dispensável para o bom andamento das amizades (presentes em tempo real!), dos relacionamentos e bem estar da nação! Bem! Também não quero ficar conversando com uma caixona preta aqui, ao invés de ir interagir com a família! Hoje é um dia muito especial! Dia das Mães! Dona Estela vai conosco! Vai na camisa florida e na bolsa de bolinhas que já vou separando. Minhas manas estarão todas. Iremos as três daqui até a casa da única que mora fora, a 40km daqui. Minha filha não estará. Mas também vai comigo, cá dentro. As coisas mais importantes permanecem, sempre! Embora queiramos a pessoa aqui, perto, de mãozinha dada com a gente, há laços que extrapolam as leis da compreensão. Há muita gente que vive tempo demais junto, sem estar de fato, presente. Há outras, que passam tão pouco tempo juntas e que vão conosco pra sempre, junto... Estão em cada detalhe. São aquelas que nos momentos mais importantes de nossa vida, se fazem presentes. Estão presentes. São um presente. São as pessoas que quando estamos nos nossos sentimentos mais extremos queremos ter junto, pra gargalhar muito, pra chorar muito, pra falar muito, pra silenciar... Pois nem sempre somos equilibrados o suficiente pra ser civilizado o necessário pra passar despercebido pelo mundo. E, algumas, vezes, queremos gritar de raiva, chutar o balde, ou chorar de alegria, gritar de felicidade. Às vezes, a gente quer chegar e contar algo, sem parar de falar, tamanha é nossa felicidade. Às vezes, queremos apenas colo, chegar com todas perguntas, sem nenhuma resposta e basta estar ali, próximo daquela que nos recebe, nos olha, acolhe, fica do nosso lado, nos defende, nos levanta, até empurra, se preciso for, pra enxergarmos nosso valor, nossa missão. E ter alguém pra aceitar quem somos é algo que só acontece quando há amor. A mãe nos ensina isso. Tropegamente, tentamos passar isso aos nossos filhos. Enroscamos, mas tentamos ser assim para nossas irmãs, sobrinhos. Falíveis, sim, mas na insistência de não desistir nunca, de quem amamos. Esta é, por sinal, a frase que ouvi de meus filhos, nos momentos meus de maior dúvida de estar fazendo o certo ou o errado a eles. De não saber o que fazer. Mas de ouvir isto... “Mãe, não desiste de mim!” É isso! Quem ama, não desiste, nunca! Seja esta a mensagem para o Dia das Mães! Não desistirmos nunca de quem amamos!