Vamos conversar?

Vamos conversar?

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Ponto de partida.

28 de fevereiro.
(Mais um escrito do celular, de dentro de um ônibus, em viagem...)

Ha quanto tempo eu nao fazia isso! Sozinha numa rodoviaria totalmente desconhecida? Remete-me direto ao tunel do tempo, quando e onde isto aconteceu pela ultima vez...

1984, janeiro, em Joinville. Estou voltando de ferias com meus pais de Barra Velha e meu pai me deixa na rodoviaria para eu pegar o onibus ate Jaragua do Sul, para eu ir passar ferias com meu namorado, na sua casa, com sua familia. Começo de uma longa historia de amor... Um capitulo a parte a ser escrito. Ou reescrito.

Bem, estar aqui pode ser um começo tambem de uma historia a ser escrita. Destas que mudam, drasticamente a historia de quem a escreve. Me faz reviver um velho sabor, a tanto não experimentado. Viver algo totalmente novo. Estar numa rodoviaria nunca pisada para ir a um lugar desconhecido. Estar diante de varias plaquinhas indicando destinos tão longinquos, de nomes nunca vistos. E vejo: que vastidão imensa de caminhos a ir a partirt dali.

Me vejo de mochila nas costas, pegando onibus para ir para pontinhos infinitos... Me vejo, de novo, podendo decidir estar num ponto de partida! Para uma infinidade de lugares. Basta sair de casa, mochila nas costas, desejo no peito, o medo do novo deixado para trás. E uma ansia de sair de uma imobilidade que aprisiona, o resgate do espirito que me punha na estrada, buscando lugares nunca vistos, a coragem que me leva a seguir. Que mostra que não é preciso muito para viajar. Me recoloca em viagens que eu fazia com amigos para conhecer lugares maravilhosos, parques na serra, reservas em montanha, praia, onde os olhos cintilam deslumbrados diante de tanta beleza! É uma viagem no tunel do tempo. MEU TEMPO!

Muito mais do que uma viagem que me leva de um ponto a outro no espaço. Pressinto e espero, com toda esperança que me é possível, ser o destrave para eu ir. Retorno ao exato ponto onde minha essencia despertou. O gosto andeiro de gostar de passar lugares nas janelas dos meus olhos. Poeira no chão. E volto a crer que ainda posso, não importa como, se de carro, onibus, ou quem sabe, a pé ou bicicleta, sozinha, acompanhada, rumos certos ou não, sinto volver dentro de mim um desejo já esquecido...

Viajar sem destinos nomeados, sair conhecendo lugares, conversar com pessoas desconhecidas. Casar a viagem para longe com aquela só minha, para dentro de mim mesma. E me encanto em ver a razão das coisas. O porquê dos fatos, a sintonia que explica. Ao término da tão sonhada viagem de minha filha, eu mesma me acho. Me reencontro comigo mesma. Por desejar encontra-la na sua chegada ao Brasil, me ponho sem hesitar, sem titubear, comprando passagem para um meio de mundo, uma vez que não é o fim do mundo. Pode ser, apenas, o começo dele...

Não me paraliso diante de dificuldade alguma. Não enxergo obstáculos. Faço! Estou numa estrada desconhecida, vencendo amarras invisíveis que me prendiam os pés sem eu ver. Recoloquei o pé na estrada para vir encontrá-la. E veja só: ao desejar encontrar-me com minha filha, qual não é minha surpresa ao ver que a Susi que está indo encontrá-la é uma Susi deixada a algum tempo lá atrás. E o encontro, primeiro, é comigo mesma!

O amor faz destas coisas. Ao fazer algo por quem se ama, descobre-se que quem recebe é a gente mesmo... Para começar qualquer caminho, ir ao encontro do que se busca, é preciso, primeiro saber de onde se está partindo, seu lugar, seu tempo, a pessoa que você, ESSENCIALMENTE é. Para não se perder de si mesmo.

Estou no exato espaço do tempo onde as coisas começam a acontecer. Sem mistério ou segredo algum, no HOJE, no AGORA. Resta seguir, sem retroceder...

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

“Quem não arrisca, não petisca!”



Veja só... Reta final! Muitas coisas ganhas pelo caminho. Frases simples definem bem isto que se passou. Do tipo: “Quem não arrisca, não petisca!” simples e verdadeiro... Quem não arrisca, não sente o sabor do novo, do saboroso. Passa a vida comendo angu...

Não que um pratinho de feijão com arroz, pra quem gosta não seja precioso e saboroso. Sou adepta de pratos simples. Mas sou mais da linha “baciona” de alface, rúcula e agrião, com tomate vermelhinho, de preferência o pequeninho, um legume, uma carne, porque, apesar da panca de vegetariana, sou chegada numa carne vermelha bem preparada, um peixe, um frango, um churrasco.

A questão do angu, explico. Quem nunca sentiu o aroma de outro prato, que não seja o seu angu de todo dia, talvez nem sonhe que haja outros sabores, outros paladares. E sua vida seja predestinada a ser sempre assim. Angu e angu! E não lhe fará diferença, nunca. O problema é o vento! Este que eu adoro sentir na cara, que me desperta, me faz pensar que estou na praia, que me faz sentir que todo o peso está sendo levado de dentro da minha alma, a cada vez que ele bate em meu rosto e corpo... O vento é faceiro... Sutilmente, leva e traz. Assim como as donas faceiras que se dependuram nos portões contando a vida alheia! Sim! De mansinho, levam cheiros. Trazem outros. E aguçam narizes alheios! E pessoas que jamais pensaram existir outros aromas, descobrem, de repente, que o mundo é muito mais do que o seu nariz alcança! E, curiosos, sentem necessidade de saberem de onde vem, o que são estes cheiros tão diferentes...

O problema do angu com a mesma cara de todo dia até poderia ser facilmente resolvido com temperos diferentes. Molho vermelho, sem molho, carne picada, sem carne, cheiro verde, sem cheiro... Mas só a vestimenta não resolve mais quando é o conteúdo que pede novidade. (Qualquer semelhança com a vida das pessoas, que trocam de roupa, de carcaça, mas não mudam o conteúdo NÃO É MERA COINCIDÊNCIA!)

Há pessoas que levam uma vida inteira sem conhecer o mar! Muito mais gente do que imagina nossa vã ignorância! Convivo com gente bem simples no atendimento que faço em meu trabalho. Isto pra gente do interior como nós, é fato! Como saber então que o cenário pode variar tanto, dispor-se em montanhas, vales, mares, diferente do seu mundinho que seus pés alcançam? Somente pela televisão. Porque, hoje, há a televisão. Pra cutucar a vontade alheia, cutucar vaidades, desejos que cobiçam o diferente. Muita coisa, antigamente, era mostrada por livros. Eles eram a porta de a passagem para viagens intermináveis de jovens leitores. Hoje, a televisão, a internet cumpre este papel a quem tem acesso a elas. Mas entre olhar, passivamente e decidir-se a ir buscar este mundo imenso posto diante de seus olhos há um abismo enorme...

Pensar em “por onde meus pés passam” ou “onde meus pés alcançam” é um plágio assumido do que sempre diz minha filha. “Fotinha” dos pés postos indicando um horizonte longe, emoldurados por algum lugar especial que represente alguma viagem importante. Logicamente, nesta sua viagem, haveria muitas molduras... Como foram! E, mais do que nunca, vêm confirmar a frase “quem não arrisca, não petisca!”.

Escrevo hoje num presságio do final que se aproxima. E, pra variar um pouco, fico na dúvida... Posto no CLICS ou no Diário de Porto? Comecei escrevendo para ela. Para o Diário. Mas tem tudo a ver com o que posto no CLICS... Vou inovar então! Pura safadeza minha. Vou postar nos dois! É o sexagésimo sétimo dia de sua viagem. Mas é uma conversa, prosa boa sobre o sabor desta sua viagem... Tudo a ver com o CLICS. Fruto do Diário. Como não poderia deixar de ser... Somos nós duas nos dois!

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Ciclos!

O custo de realizar sonhos depende do empenho em estar com o coração adiante no vasto horizonte e os pés cravados no chão, para que um vôo não seja queda na certa, tiro no escuro, salto no abismo.

Falando em abismo...
Acabei de ver um vídeo de meu amigo XX Junior. Ou Paulo Marins Junior, carioca, escalador, montanhista e sabedor da arte de bem viver. Ver vídeos assim me dá um ar um tanto saudosista... Vontade voltar pras trilhas... Sentir cheiro de mato, barulho de cachoeira, de dentro da cachoeira, avistar montanha à frente e os pés caminhando para alcançá-la! São cenários diferentes. Montanha, corrida, mar, matas. Neles todos, eu me encontro. Neles todos, eu me perco! Paixões levadas IN-TEN-SA-MEN-TE, como bem define minha amiga Rosimere Lima, falando de mim. É o intenso-exagerado que me faz ser muito num algo, num tempo. Por isso, digo, neles, me encontro, neles, me perco. Pois a dose sempre é intensa até uma overdose. Pena, pois depois, o tempo para me recompor do excesso, me deixa fora, distante de coisas simples que gosto tanto...

Voltando ao que dizia no começo, protelo, protelo, protelo e deixo o mais urgente e inadiável para o fim. Mas é hora de não fugir mais. Desgastante, mas necessário, mexer com papéis que se acumulam (Conhecem? Aqueles papeizinhos amarelos que indicam contas pagas em crédito ou débito?), e números que precisam ser juntados, somados, subtraídos para me darem a medida exata de onde estou, como estou, para onde vou...

Muita coisa feita. Semana passada, ainda em férias, fingi que estava na praia e dá-lhe piscina na companhia de novas amigas vizinhas. Acordar tarde, não, porque na praia acordo cedo pra aproveitar o dia. Porque se fosse chato, acordaria tarde pra não ver a hora se arrastar. E como há coisas sempre boas a serem feitas em férias, o relógio fica pequeno, pra tudo o que se quer fazer e a ora vooooooaaaa!!! Agora, com chuva mandada e até frio, creio que o recado ”lá de cima” é: contas! “Acerte logo isso aí, bote ordem pra seguir o ano...” Então, vou obedecer. Que pra sonhar, não basta olhar longe. Tem que olhar bem em volta da gente mesmo, saber onde se está pisando porque dinheiro não nasce de folha de árvore, mas em folha de papel suada e vai embora no vendaval!!!

São ciclos! Tipo: já vi este filme... Aliás, filmes a serem vistos, comprados pras férias, férias acabando e apenas dois vistos, três livros em processo de leitura (tenho de parar com esta mania de começar vários ao mesmo tempo!), contas me esperando, papéis pra serem jogados fora e o sol que está tímido lá fora, querendo dar as caras! Mas como ensinamos às crianças: “primeiro a tarefa, depois a diversão”! Humpt! Tão, ta!

Segue link do mesmo filme há cerca de um ano atrás:


http://clicandoeconversando.blogspot.com/2010/12/cartas-que-escrevi-pra-poder-voltar.html

domingo, 15 de janeiro de 2012

DIA DE DOMINGO

Domingo!!! Dia de descanso! Sábia decisão esta, do Criador em dividir o tempo em sete dias. Seis para trabalhar e UM para descansar... Por que não se render a esta decisão se Ele, Quem criou TUDO reservou este dia para descansar???

Ócio bom! O ócio, geralmente tido como o vilão que impede mentes brilhantes de criarem, cérebros produzirem, corpos se exercitarem que espanta a vontade, faz imperar a preguiça, acima de qualquer boa pretensão de algo fazer. O ócio é perigoso... Atrai, seduz e envolve fazendo minar vontades de sair do ócio. Mas...

O dia de domingo sendo instituído como o “Dia do Descanso”, não teve em nenhum momento em ser o Dia da Preguiça! Este é o dia do NÃO-Trabalho! Não se dedicar ao labor. A fazer algo que vise o ganho de seu pão. Para que fique bem claro ao homem-criatura que se o próprio Deus-Criador reservou um dia onde Ele não necessitaria sair em busca do pão nosso de cada dia, nós, meros mortais, deveríamos reservar um dia para nos reabastecermos de energia. É aí que mora o perigo da interpretação!

De fato, muitos (muitos meeeeeesmo!) dedicam este dia para reabastecerem-se com MUITA energia pra dentro! Dia oficial da comilança! Dia de almoçar na sogra, na mãe, fora, no clube, no pesque-pague, no Restaurante da Roça, Na Comida Italiana, aquela Feijoada famosa, usar os cupons das vendas coletivas... Haja atividade para gastar tanta energia depois... O problema é que no nosso tempo, esta energia não é gasta no labor... Com raras exceções onde se pega no pesado, mais se manda energia pra dentro do que pra fora... E dá-lhe acúmulo de excessos!

Bem, por outro lado, muita gente tem captado o sentido do fazer o inverso no domingo. Ou seja, tudo aquilo que você não consegue fazer durante a semana. Aquela caminhada, ou a corridinha, o passeio no parque, no lago, a pescaria. No mundo da corrida – que diga-se de passagem, conheço bem – é comum programar os longões, aqueles treinos que duram duas horas, três, mas que se o encontro com a turma da corrida incluir o café da manhã na padaria preferida, o horário se estende até o meio-dia. Tudo muito válido. Mas, novamente, corre-se o risco: o exagero!

Há outras formas de se passar o dia de domingo nadando contra a maré do rotineiro nos outros seis dias da semana. Muito trabalho? Ócio puro! Sedentarismo? Campeonatos de futebol com a turma de bola domingão inteiro... Compromissos, obrigações? Todo tido de imprevisto! Mas para não correr o risco de cair no erro comum do excesso, do exagero, da overdose, é preciso estar atento. Focar não somente “coisas a se fazer”. Mas “PESSOAS QUE NÃO VEJO”! Que tal dar uma repassada no domingo com este novo olhar? Vejamos:

 Não que eu seja contra fazer uma boa e saudável atividade física no domingo. De fato! O domingo é ótimo para os longões. E fazê-lo, esporadicamente, não é mal algum! Cafés da manhã interativos. Mas contanto que as pessoas mais importantes do mundo pra você não fiquem SEMPRE de fora nas manhãs de domingos!
 Almoços no domingo? Perfeitos! Desde que o foco não seja a comida. Mas com quem se está ao se almoçar no domingo. Prestar atenção nas pessoas a sua volta, em suas conversas, em suas carências, dispensar atenção a elas. ESTAR COM ELAS!

Penso eu, então, que deixamo-nos engolir pela febre do fazer-fazer-fazer e, ao tentarmos fugir disto no dia de domingo, nos corrompemos ao procurarmos “outras coisas” ao invés de buscarmos estar com quem temos tão pouco tempo para estar junto durante a semana. Pensou nisso? Boa oportunidade para devolver aos almoços de domingo o sentido de ver a mãe, ou o pai que não se vê, por as conversas em dia, dar atenção aos pais, filhos, irmãos e à família. Combinar um pic-nic, um pastel na feira, um suco na padaria, um come-e-bebe após o treino com a família. Qualquer coisa. Não importa! Seja comendo, correndo, em casa, no parque, no lago, no clube, em casa, o quê fazer, ou o lugar são apenas pretextos para se estar presente com quem é mais importante na vida da gente!

sábado, 14 de janeiro de 2012

VENTANIA LÁ FORA – REVOLVENDO CÁ DENTRO!



Saí de manhã. Na verdade, já era passado do meio-dia. Manhã é relativo! É a hora em que você acorda e sai. Madruguei escrevendo. O silêncio da noite me instiga a escrever... É a hora em que me encontro comigo mesma, fujo de tudo, estou a sós com meus pensamentos, navego sozinho no meu mar... Isto reflete em perder boas horas da manhã de um sábado de férias para compensar as horas de sono pedidas. Mas, rebelde à chuva que teimou em cair, uma vez mais, não me importei em trocar a noite pelo dia e ter uma manhã preguiçosa e tardia.

Juro que até pensei em sair pra uma caminhada. Se fosse em meus tempos de treinos pras minhas corridas malucas, com planilha a seguir, com certeza, horário não seria problema, nem chuva, nem frio. Melhor dizendo, nem frio, ponto. Nem chuva, ponto. Mas ambos juntos... É de doer. Mas, disciplinadamente, enfrentei, enquanto a corrida era o meu maior objetivo. Enfim, ensaiando pra uma caminhada matinal-tardia, ouvi a chuva caindo. Suficiente para decidir-me a afinar outro sentido! LEITURA! Boa pedida! Ainda mais para alguém como eu, que muito fala, pouco escuta, tanto escreve, menos lê.

Folheei, então, revistas periódicas. Pus meu cérebro intelectual em dia! Bom, também. Sinto-me um pouco burra, juro, quando faço isso! Vejo o quão alienada me faço, na maior parte do tempo. Desilusão, descaso, indiferença ao que se sucede ao meu arredor. Definitivamente, não gosto de ler, ouvir notícias de sempre. Mudam os nomes das tragédias, repetem-se as cenas. Cansa-me isto! Então, numa atitude, assumidamente, alienada prefiro nem me inteirar do que se passa por aí. Mas não são apenas estas notícias que acho nas páginas. Entrevistas, opiniões bem fundamentadas de gente que pesquisa e estuda um determinado assunto. Li sobre a opinião de Steven Pinker, um renomado pesquisador, quase excomungado por suas opiniões de que a violência no mundo tem diminuído. Pois parte do princípio da proporção ao número de habitantes na Terra. Tece seus comentários sobre o holocausto, sobre o conceito de violência, sobre a participação de pessoas comuns nos grandes genocídios, a mando de sociopatas e que tem muito mais responsabilidade do que os próprios mandantes! Pois por obedecerem seus conceitos de estarem buscando um “bem”, exterminaram nações... Li estarrecida sua linha de raciocínio! Fazia sentido o que ele falava...

Então, me embrenhei nas palavras de uma velha e boa conhecida colunista a qual conheci em um livro que ela discorria sobre “Perdas e Ganhos” – Lya Luft! Deleite puro! Sábias palavras! Como pude apreciar, na maioria das vezes em que me deparei com seus textos e absorver de seu discurso. Seu tema era as palmadas proibidas por lei e a incoerência deste atrevido e incoerente olho fiscalizador dentro de nossos lares! Bem apropriado a uma sociedade que se permite ver e acompanhar um programa no estilo BBB... Deprimente! Pois diverte-se ao bisbilhotar invasivamente o dia-a-dia de pessoas que, na verdade, se submetem a este bisbilhotamento. Mas e o que dizer deste “olho” invasor, fofoqueiro e intrometido dentro de nossos lares? Como pode uma nação se permitir a isso? Deixar que leis definam arbitrariamente e generalizadamente que uma criança não deve receber uma palmadinha educativa ou corretiva?
Os políticos jogam num mesmo saco podre a palmada, o soco, o murro, o espancamento. Como se apenas o contato físico detivesse o poder de agredir! Esquecem-se que há crianças, diariamente, sendo agredidas pela indiferença, pela ignorância, pela ironia, pelos maus tratamentos da falta de contato –carinho, por palavras que ferem muito mais do que um murro esbofeteado no rosto! Políticos despreparados, que têm como meio de vida e não de vocação política e de ideal e vida o seu papel e que votam apressadamente, sem critério algum, sem atentarem para o que isto pode implicar na formação de caráter, artigo de luxo e em falta, hoje, nas escolas, nas empresas, na rua, nas casas. Falta ética! Falta bom senso! Falta ter o que fazer e em que se preocupar! Falta de fazer valer leis que já existem e que poderiam coibir o errado e o mal. Falta inventar menos e fazer mais...

Foi um deslumbre. Uma refeição reforçada que há tempos eu não me permitia! E me aponta uma incoerência. A leitura de escrita numa tela colorida de computador, notebook, tablet, ou outras engenhocas tecnológicas, não substituem a leitura da escrita em papel! Pois de tão ampla a possibilidade de se acessar as mais variadas janelas no computador, abrem-se todas possíveis, de redes sociais, de jogos, de futilidades e curiosidades. Mas não se faz a leitura de notícias , pesquisas, ou coisas que nos acrescem. Baita incoerência!!!! Somos uma nação informada tecnologicamente, que se inteira do que se passa com pessoas adicionadas como amigos, conhecidos virtualmente, sobre o que fazem a cada clique, mas que carece de informações da sua mais próxima realidade...

Abastecida de tantas informações, saí para um passeio com minha irmã. Pus-me na rua pra ir encontrá-la. E, de cara com o vento, este velho e bom amigo vento, eu tive aquela minha tão conhecida sensação que se vê tão bem caracterizada num filme que menciono tanto: Colcha de Retalhos! Sinto-me envolvida por aquela rajada de vento que me pega e me leva. As velhas folhas voam... O que começa como uma leve brisa vai ganhando força, tanto quanto é necessário para levantar o pó, a poeira, folhas que registravam as inúmeras tentativas de desenvolver a sua tese de pesquisa. Palavras jogadas ao vento! E que o vento se encarregou de levar embora... Como se eu reencontrasse um velho conhecido, sorrio! Deixo-me levar pelas ruas! Sinto a alma sendo lavada a seco! Ao vento! As sensações são várias. Vento que lembra praia, que lembra morro, que lembra montanha, que lembra vôo de parapente, que lembra barco, que lembra carro de janelas escancaradas, na estrada, com música alta, que lembra viagens, que lembra saudade, que lembra infância, que lembra sorrisos, que lembra lembranças...

Um dia pra revolver lá dentro! Como faz o vento que nasce lento e se torna forte ao prosseguir e ir. Hora de abanar a toalha da mesa, de bater o tapete da sala, de remexer o que se acomoda na casa! Há tanto, ainda a se ver e se viver...

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

O primeiro movimento

Como é difícil o primeiro movimento. A não ser em jogadas ensaiadas, já estabelecidas e decoradas, como no jogo de xadrez, onde as jogadas mais conhecidas são nomeadas e copiadas por aí afora, em seqüência, ganhando os nomes dos jogadores que as criaram, o primeiro movimento é sempre difícil de fazer. Traduzindo: sair da inércia, seja ela sobre qualquer coisa que seja, é difícil...

Entra aí, justamente, a comparação! Repetição ou criatividade? Por isso, indivíduos criativos estão sendo cada vez mais valorizados, pois sabem lidar com o imprevisto, o inusitado, buscam soluções, não se acomodam e não se conformam, simplesmente. Fazer algo mecanicamente é muito mais fácil, pois envolve apenas o esqueleto que já está adestrado para fazer algo, sem envolvimento nenhum. Pensar, decidir e fazer algo novo intimida.

Há várias situações em que se precisa dar o primeiro passo. As decisões de virada de ano... Alguém se lembra delas???? Hã???? Já estamos no décimo segundo dia do ano e muita gente por aí já se esqueceu das promessas de ano novo... E vai empurrando pra frente, quem sabe pro mês que vem, pra aproveitar as férias sem obrigações e, depois, adia por causa do carnaval, pois afinal, no Brasil, quem é que começa a trabalhar, de fato, antes do Carnaval, hein?

Adiar decisões, postergar atitudes, empurrar só mais um dia é uma atitude covarde. Não resolve o problema. Não diminui. Só aumenta. E, pior: deixa pesado o ombro de quem protela tanto a fazer o que tem que ser feito! Porque, no fundo, no fundo, todo mundo sabe muito bem do que sua vida carece. Qual é a coisa a ser feita. Desde um regiminho, ou dieta, se for mais bonito e eficiente o nome, a poupança, a arrumação, o fim do relacionamento, ou o início de um, nomeando-o como lhe é de direito, tipo: NA-MO-RO, num tempo onde tantos relacionamentos começam sem nome e vão indo, sem saber exatamente o que são um pro outro. A propósito, aí reside uma boa solução para muito problema! NOMEAR AS COISAS! Pois o hábito de nomear o que se faz, o que se é, o que o outro é pra você, o que se precisa fazer já é um PRIMEIRO PASSO!

Bem, sendo assim, entramos num velho dilema e que muita gente vem resgatando para poder se organizar e tomar as atitudes. Sair da inércia e entrar em ação! O velho papelzinho de bloco, a caneta esferográfica e... Listar! Sim! A velha e boa LISTA DE COISAS A SE FAZER! Bobagem? Bobice? Pode parecer... Mas funciona! Poderia dizer que quando há coisas a serem feitas, dependendo se forem muitas, ou se o tempo que vem sendo protelada for muito grande, o corpo da gente, leia-se cérebro/corpo/alma paralisa, foge e deleta a página para não fazer. E o ato de listar estas coisas traz para a esfera do concreto, do visível aquilo que precisa ser feito. Estabelecendo prioridades, enumerando o que vem primeiro, o que depois, localizando os lugares, você vai visualizando como fazer e fica pronto pra, enfim, dar o primeiro passo!

Quando comecei este blog, lembro-me que o título de meu primeiro texto foi “O Bife que se deixa por último no prato”.
 Era uma menção ao costume que tanta gente tem de deixar por último no prato, aquilo que for o mais gostoso. O sabor mais agradável da comida para ele ser prolongado na boca por mais tempo... Para finalizar a degustação com aquilo que mais se gosta. O melhor no final! Não muito diferente disso é esta mania de protelar com o que deve ser feito. Com certeza, é sempre algo que dará muito trabalho. Mas, na mesma proporção, o prazer de concluí-lo, de acabar com o problema é imensamente maior do que a apatia de não dar o primeiro passo para acabar com ele! Isto deve ser levado em conta!

Bem, nos últimos dezesseis dias tenho escrito diariamente no blog “Diário de Porto”.
http://cartasparaquemeuamo.blogspot.com.br/?m=1
Muitas vezes, começo a escrever e conforme as palavras vão indo, o rumo tomado, acabo postando no meu outro blog “Clics”. Hoje, por exemplo, foi assim. Ia escrever a carta para minha filha, pois foi um propósito que assumi de escrever uma carta por dia para ela, enquanto ela estiver em viagem. Uma forma de dar colo estando longe. De manter nossas conversas em dia, ainda que a leitura não aconteça todo dia. Mas que o “passar um tempo” de mim para ela aconteça DI-A-RI-A-MEN-TE... Isto é o segredo! E este propósito me faz ter força, vencer o sono para vir e escrever. E sei que lá longe, ela saber que todo dia eu lhe escrevo, a faz sentir-se mais aconchegada no meu colo, sentir o quentinho do porto seguro pra onde ela pode voltar e ter a certeza de que estamos CO-NEC-TA-DAS! E conexão, sintonia significam ao pé da letra: ligar um ponto ao outro, procurar a freqüência, o canal por onde a comunicação se fará melhor e facilitar a comunicação entre o ouvinte e o locutor. Manter acesa a luzinha do “ON”...

O passo que tanto protelo é um. Velha lenda, velha novela... Por as contas em ordem! Oito ou oitenta, do jeito que sou, tenho uma planilha no Excel complicadíssima, mas completíssima que eu fiz, onde, preenchendo os campos freqüentemente, no lugar certo, terei discriminado, detalhadamente os meus gastos, o orçamento mensal, a previsão anual até mesmo com a porcentagem que representa cada um dos gastos. Se fosse só uma continha simples de mais e de menos, tipo: quanto ganha, quanto gasta, numa lista comprida, sem tantas fórmulas, sei que ia mais rápido. Mas ainda preservo a planilha, pois sei que ela me fornece exatamente aquilo que eu preciso, se for completada. A demora é maior. Mas a eficácia também. Parecido com “quanto maior o trabalho que dá, maior é a satisfação de ter cumprido”. Ou, pra quem entende a linguagem de corredor, a diferença da realização de se completar os 10, os 21 e os 42. Quanto pior, melhor...

Pode ser que a chave seja eu não querer fazer tudo de uma vez, numa sentada só. Demora! Então, ser mais flexível é um caminho. Dar o primeiro passo. E dar um passo de cada vez!

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

RE-leitura, RE-descobrir, RE-conhecer!RE-descobrindo-ME

Pois é! Portas que se fecham sempre nos levam a portas que se abrem e que não enxergaríamos, se o desvio não fosse colocado na cara da gente! Verdade absoluta!

Férias tornou-se sinônimo, para a maioria das pessoas, de “fazer aquilo que não dá pra fazer quando não se está de férias!” E ponto! E isto sempre que possível, significa sair da rotina, da cidade, da mesmice. Pra muita gente, sei que significa fazer aqueeeeeeela faxina! Pra outros, por papelada, armários, contas (...) em ordem! Arrumações – as externas! Que nada mais representam do que toda a arrumação interna necessária na vida da gente...

Também, associamos sair de viagem... Ahhhhh, sim... E aí, sendo possível, bota-se o pé na estrada em busca de ares e lugares diferentes daqueles que se enfrenta no dia-a-dia. Justo! Adoro! Não há nada que me agrade mais do que VI-A-JAR... Ainda hoje, falei isso. Que meu pai não me deixou herança. Mas que a herança que me deixou é um grande tesouro que herdei e sei que repassei: sangue viajeiro... Pé que vai no automático pra estrada... E, com isso, férias pra mim, desde que tomei a decisão de por o pé na estrada, tornou-se inseparável de estar em outro lugar!

Acontece, porém, que neste ano fiz uma opção: ter um lar! E estas coisas não acontecem, no meu caso, sem algum sacrifício! Isto se lê: “não viajar!”. E pela primeira vez, depois de muitos anos, passarei as férias inteirinhas sem nenhuma escapadinha da cidade! Pois sempre que eu dizia que a grana estava curta pra ficar o mês inteiro em Bombinhas, eu dava um jeito, meus pulos e ia pra ficar, nem que fosse uns dez dias...
O que aconteceu, então foi o seguinte: adotei a filosofia de vida de “Fazer de conta que estou na praia – diga-se: Bombinhas! E isto tem rendido cenas engraçadas!

Já de cara, determinei em casa que neste mês, almoço só lá pelas três horas da tarde! Que se na praia é assim, a gente não liga pra almoçar na hora certa, porque aqui, em férias, temos de ligar? Segundo: roupa de trabalho só em fevereiro! Agora, adotei o estilo praia: chinelo, ou CROCS (óbvio!), shortinho, pouca roupa e roupa fresca, muita piscina, lago a qualquer hora e pra todas as finalidades, desde correr, caminhar de tênis, de CROCS pra P-A-S-S-E-A-R e contemplar a paisagem, as pessoas que passam, descontraidamente sem estalar os olhos no desespero de correr-correr-correr, desacelerar (Viu? Consigo!) e zanzar na minha própria cidade sem pressa com olhos novos de RE-leitura, RE-descobrir, RE-conhecer!

Interessante... Passar o mês de janeiro na minha cidade me faz vê-la sob ângulos que não costumo ver! Cidade vazia. Lago cheio. O mesmo céu azul-azul de manhã que se torna um céu mais nublado a tarde e chuvoso que tenho lá na praia, tenho tido aqui. Coincidências a parte, é uma questão muito mais interna do que externa o usufruir a cidade nas férias. Fato! É só se livrar das amarras de fazer-fazer-fazer DENTRO da casa. Tudo bem que há coisinhas a serem feitas... A faxina, a arrumação anual, a busca de coisas perdidas na casa o ano inteiro... Mas é preciso por o pé pra fora de casa, fora da rotina do trabalho-casa! Até, também, do trabalho-casa-academia-rua-treino tão comum no nosso meio alucinado da corrida! Bem conheço este ritmo/rotina. Que de lazer passa a ser uma rotina camuflada de prazeres/obrigações para se chegar as metas que nos impomos pela corrida.

Penso assim: férias = descompromisso = desobrigações = liberdade de ir-vir-fazer-não fazer... E comemoro o meu primeiro e grande passo em direção a conseguir me manter num “meio-termo” ou aquele “meio do corredor” a que tanto me refiro sobre não ser tão extremista, tão radical, nem tanto lá ou cá, mas ser equilibrada! Veja só! Do correr demais, do ficar sem correr nada, nadinha por oito meses (pra me restabelecer) dos meus excessos e apatias, tenho passado a semana com doses na medida de ócio, atividade, intensas, médias, a passeio! Inédito pra mim! Querendo abraçar tanto coisa ao mesmo tempo, desacelerando, e abrindo mão de alguns itens pensados para o dia, diminuindo o ritmo, o tamanho do braço e terminando o dia, após uma “nadadinha” ótima SAUDÁVEL com uma “passeada” de blusinha/sainha/crocs, sem o risco de quere sair correndo pelo lago...

Hummmmmm.... Senti o gostinho bom do estar no meio do corredor... Sem excessos... Sem privações... Saboreando sabores diferentes, aprendendo novas coisas num lugar que me parecia ser tão conhecido e esgotado, sem nada a me apresentar de interessante nas ferias...

Bem, a experiência tem sido nova e interessante. Pra vivenciar que nem sempre o que se busca esta tão longe assim... Que proximo, muito próximo, pode estar aquilo que você precisa...

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Cheiros de Infäncia


Passando ali pelo lago, na volta de uma corridinha beeeeeeem light ( não mais do que mínguos 3km, com suor e na raça!), caminhando de boa, senti um aroma mui familiar... Eucalipto molhado! Na hora, as lembranças me remeteram à minha infância de pic-nics em meio a árvores, aos nossos domingos passados no Clube de Campo de Café (quem se lembra?), localizado às margens do Rio Tibagi, próximo à ponte entre Ibiporã e Jataizinho.

Se há uma coisa que mexe fundo na memória do coração é o tal cheiro! Por mais engavetada que uma coisa possa estar, se estiver ligada a um aroma e ele vier à tona, pode saber, a lembrança vem a galope!

Quer ver? É só experimentar! É fechar os olhos e pensar: comida de vó, perfume de alguém especial, pãozinho fresco da padaria, cafezinho passado na hora, mar/maresia/praia, terra molhada, eucaliptos molhados... Cada um tem em sua memória do coração, armazenados cheiros que ao serem cutucados, vêm trazendo um filme junto!

É interessante observar que o cheiro sentido em qualquer que seja a época, têm o poder de resgatar aquilo que parecia engavetado, esquecido, são estas cenas que ficam ali latentes, adormecidas, mas que saltam faceiras nos fazendo passear no tempo, sorrindo e lembrando o tempo que já se foi!

Somos uma incógnita! Nem nós mesmos sabemos o que ocultamos... As nossas entrelinhas abrigam histórias, nossos cheiros, lembranças, e nossos olhos podem passear por linhas invisíveis que somente eles são capazes de enxergar...

Com certeza, da Europa minha fiha trará cheiros na lembrança! Das comidas todas que experimentou, dos lugares por onde passou, dos parques, das árvores, das pessoas que conheceu... Daqui, é possível que tenha levado cheiros também! E que se sentir la, a remeterá aos lugares onde sentiu! Cheiros têm um quê de mágicos! Invisíveis que são, nos transportam pelo tempo e espaço aos lugares distantes ponde os perfumes e aromas emanaram-se nos ares.

Tenho cheiros da infância! Eucalipto molhado, comida de vó, pãozinho fresco da padaria, perfume de quem se amou, cafezinho passado na hora na casa da amiga, o mar de Bombinhas... Quais são os seus???

Diário de Bordo de Duas Cabeças de Cãimbra - o diário de viagem de miha filha!

Hoje, uma postagem diferente...

Ao invés de falar dela, vou postar o link dela! Divertidíssimo!
Acordei disposta a por os escritos em dia, mas hoje, estou só absorvendo... LENDO!!! As aventuras e desventuras de "Duas Cabeças de Cãimbra", como ela mesmo disse...
Esntre "mouses on the room" em plena Londres, entrar no busao sem libra... muitas e muitas historias pipocando!!! Nada como por o pé rpa fora de casa, pé na estrada, olhos mirando e buscando o horizonte...
Com vocês, Giovana Saito e Leticia, duas cabecinhas sonhadoras em suas aventuras!!!

http://gisaito.blogspot.com/

sábado, 31 de dezembro de 2011

Virando a chave!

Sofazinho de casa, após um “almanta” das 3h da tarde, assim como na praia...
Ouvindo o ensaio dos shows no lago, daqui de casa!
“Preguiçando”, só à toa, sem horário, sem estresse, nem obrigações...
Hora de ficar no meio do corredor! Nem lá, nem cá!
Já vivi batendo cabeça, ora demais, ora de menos! Houve anos em que se eu não tivesse saído pra correr no “último dia” do ano me sentiria frustrada! Uma vez que correr se tornou a minha grande paixão, não faria sentido eu passar logo o “ultimo dia” longe disso! E o que devia me causar prazer, me enclausurava, me aprisionava em obrigações, planilhas, horários militares de treino, onde eu tinha de cumprir regras e não percebia o quanto havia apenas trocado de jaula. Antes, eu ficava enjaulada do lado de dentro. Agora, ficava enjaulada do lado de fora. Pensava que estava livre... Mas sempre que houver a obrigação antes do prazer, a prisão se instala...

O dia 31 de dezembro é fatídico! Ele costuma carregar um peso nas costas onde a ele é atribuído o papel de delimitar fins e inícios! O divisor de águas da vida de todos!
Todo mundo que não consegue tomar decisões nos 364 dias do ano, costuma esperar o último dia do ano pra decidir fazê-lo. É o regime que não se inicia nunca. É a corridinha que o médico mandou fazer e que a preguiça não deixa. É aqueeeeela faxina na casa que você sempre adia. É a visita à tia doente que você sempre esquece. A caridade que parece ter dia marcado no ano pra acontecer. É o “cuidar-se” que você ignora. É o amor que você não se decide a viver. Como se a esperança tivesse de ter dia certo pra nascer e existir.
Tudo bem, tudo bem! Temos o costume de viver em ciclos! E sendo ciclo, ao se chegar ao último dia do ano, é natural que queiramos recomeçar algo que paramos, ou iniciar algo nunca antes experimentado. Mas repito: não precisamos restringir isto, estas decisões tão saudáveis a um dia somente do ano! Porque corremos um grande risco: se por um acaso, não conseguirmos fazer o pretendido neste dia 1 de janeiro, é como se ficássemos fadados a continuar o resto dos 364 dias do ano, de novo, numa rotina auto-agressiva, autodestrutiva, como se tivéssemos de fazer um tudo-ou-nada! É preciso ser mais razoável consigo mesmo...
É interessante ver como as mensagens de “tudo de bom” se propagam nestes dias! Nas redes, nos blogs, as palavras amenizam-se, há um ar de tolerância, de “baixar a guarda” e instala-se um clima de cordialidade geral. Não raro, nas festas em família, após os comes, os bebes –e-bebes-e-bebes, os ânimos se elevam e algumas gracinhas mal pensadas e mal recebidas ocasionem umas brigas novelísticas. E dá-lhes xingamentos! E todo aquele ar de “Feliz ano Novo” vai embora ralo abaixo, esgoto adentro! É que a palavra dita da boca pra fora, não é vivida vida e boca pra dentro. E sendo assim, votos de felicidade são apenas vômitos! Pré-bebedeira. Pré-ressaca. E o dia 31 torna-se, de novo, mais um dia infeliz no ano.
Sou a favor da reflexão tipo “Retrospectiva 2011”. É saudável! Tendo bom senso, conseguimos fazer um balanço particular de nossas vidas e peneirar. Deixar o ouro pra cima da peneira e guardá-lo como tesouro que é e deixar ir embora a sujeira. Mas creio que neste mundo atual tão exposto das redes, tão rápido como um clic, onde você posta agora e já aparece o teu nome com um “agora”, ou um “segundos atrás” denunciando que você acabou de “curtir”, comentar, postar, as sensações são muito imediatizadas e as expectativas, inevitavelmente, também! Espera-se o retorno de nossas ações imediatamente! E nós não somos, de fato, maquininhas de clics que registram e divulgam nossas reações. Não! Nossa alma necessita, vagarosamente, saborear cada sensação... Digerir... Para, só depois, reagir! E tão rápido quanto reagimos, os expomos! Vivemos no mundo de Trumann, onde contamos virtualmente o que estamos fazendo, pensando e sentindo... Uma faca de dois gumes! Pois assim como podemos receber solidariedade, apoio, ou palavras de carinho, podemos criar um círculo vicioso de dependência de um mundo virtual, em detrimento do real que nos rodeia de perto. E expomos decisões, muito mais do que decidimos mesmo! Temos a necessidade de dizer, muito maior do que fazer! E caímos num erro comum. Falamos da boca pra fora e não decidimos coração adentro! Resultado: não agimos com nossas atitudes. Triste!
Se você realmente quer testar sua capacidade de começar o ano com ATITUDE, anote aí o que fez na virada, no dia 1, no dia 2 e vá anotando o que fez consecutivamente... Muita gente tem dificuldade de dar a partida e virar a chave já é um bom começo. Mas manter o carro ligado, abastecê-lo quando o combustível começa a acabar, cuidar dos pneus, estar atento aos sons e ruídos do carro e manter o carro no centro da estrada exige muito mais do que só o simples movimento do girar a chave...
Que o dia 31 com suas luzes, fogos e tanta energia que reina não seja apenas uma fotografia a ser postada depois. Retrato da festa vivida. Que seja a continuação de uma viagem já iniciada e que continua, por quanto tempo for o seu tempo de estrada! E que o que acontece hoje seja apenas uma parada para reabastecer de energia, um tanque que nunca fica vazio, que a musica ouvida na viagem seja eclética e variada para não enjoar e proporcione ritmos diferentes pra se dançar. E que a esperança não desande no dia seguinte, pois sem ela, não se tem fé pra seguir, acreditar e realizar!

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Hora da virada: que seja a cada dia!

Bem... 24 horas e estaremos na contagem regressiva para virar o ano!
Se você tem enroscos pra trás, ainda da tempo de pedir perdão ou perdoar. Dizer "eu te amo" pro amor de vocês, pro pai ranzinza, pra mãe que pega no pé, pro irmão que você não fala há tempos. Pro filho/filha que não fala a mesma língua que vocês. Nem escrita, nem gestual, nem falada, porque, talvez, um dos dois passe muito tempo na frente da tv, ou do pc, ou de não sei o quê!
Os tempos evoluem, mas se deixarmos, ele afasta as pessoas que a amamos. Já amei, já perdi, já amei de novo, não reconheci e, hoje, decido a cada dia amar incondicionalmente! E, mesmo assim, erro! E se não houver paciência, humildade, se perde o amor, o bonde, o dia...
Em torno de nós há pessoas próximas que não enxergamos. Há outras que ignoramos. E permitimos pessoas serem invisíveis ao nosso lado! Há de se enxergar o próximo como a si mesmo! Há de se enxergar lá dentro, o que se passa em seu mais intimo, para não deixar amores partirem sem terem sido amados completamente! Pior que nunca ter amado, é amar e não reconhecer o amor. Deixar que ele se vá, sem saber que foi seu amor! Triste, também, é não saber aceitar o amor de pais que não são exatamente pais que gostaríamos de ter. E passar a vida toda lamentando por não ter quem se queria ao lado. E não perceber que não se é também, a pessoa que eles queriam com eles.
Definitivamente, perdemos tempo com coisa boba. E pra ser feliz, é preciso coisa pouca!
Que cada um de vocês, tenha o segundinho decisivo para acordar e ver com novos olhos as mesmas pessoas que estão ao seu lado. Porque pode ser que não seja a pessoa que seja a errada em sua vida. Pode ser que seja o ângulo que você olha para ela... Mas e se for a pessoa errada, que se possa ter a coragem e tomar a decisão para mudar o rumo da vida. O botão do
“play” esta nas nossas mãos...
Que as indecisões possam virar decisões. Que o que foi até agora adiado, aconteça! Que cada um desperte em si mesmo a vontade de prosseguir, ainda que tudo te empurre a desistir!
A vida é cada instante. O ano de 2012 esta apenas começando. E toda esta vontade de começarmos bem o ano não pode morrer no dia 2... Que toda esta vontade que toma conta de cada um em acertar o pé, o passo, o amor, a vida, seja perene. Pois que seja eterna enquanto dure a vida.
Feliz 2012, 2013, 2000 e sempre!

Lar é aquele lugarzinho onde você está no agora, o invólucro do seu coração.

Olha só: deitada na rede (quase não gosto!), na sacada (prioridade número um do novo lar), de férias (necessidade básica do ser humano para sobreviver ao ano!) e escrevendo no note (por si, só, já é bom!) para minha filha (aí, sem comentários...)... Preciso mais??? Ta, ta, tudo bem que se fosse numa cadeira de praia, em Bombinhas seria tri melhor. Mas a gente tem que estar feliz onde está até poder ir pra outro lugar. E estou aqui num lugar que adoro, sonhamos estar um dia, vencemos a luta para estarmos (Deus por nós!) e não deixa de ter um cheiro de praia se posso ficar aqui à toa, a paisana, sem relógio, celular, sem agenda pra seguir e tão pertinho do “meu” lago que adoro!

Existe um velho ditado que diz que somos aquilo que sonhamos! Verdade absoluta! Pois acredito que se nem sonhamos, nem existimos! Pois sem ter os olhos brilhando por algo a ser conquistado, o coração não tem pra onde mirar seu caminho. Da mesma forma, somos aquilo que permitimos ser, no lugar que permanecemos por querer! E NÓS fazemos o lugar onde estamos. E se é bom ir pra praia, pode ser bom estar em minha cidade, em minha casa, desde que eu me decida por isso! Digo sempre que temos duas opções a cada instante: ser feliz, ou ser infeliz! E isto é vero! Ficar aqui me lamuriando porque este ano quis realizar um grande sonho, o de ter um lar, e não pude ir para um lugar que adoro, que sempre digo brincando (toda brincadeira brinca de dizer a verdade..) que é meu lar, de verdade? Férias, há anos, tem sido sinônimo para nós de estar em Bombinhas... Este ano não deu. Então, decisão tomada, vou ser feliz aqui em Londrina!

Nossa passagem de ano tem sido em Bombinhas há tanto tempo, salvo exceções umas poucas vezes nestes treze anos. Praia, mar, montanha, sossego, camping, nossa casa de vinte metros quadrados e o cheiro de lar no ar... Das quatro vezes que não passamos em Bombinhas, apenas duas vezes foram em Londrina. E é estranho ser daqui e nem saber como é a passagem de ano aqui! Programei de passar a virada no lago! Algo bem familiar pra mim que tive tantas histórias minhas ali. Cresci indo pescar com meu pai na margem do lago um, na parte velha do lago, próxima à barragem. Lá também fui fotografar pores-do-sol, também passeei com um namorado da adolescência no cartão postal da cidade, também me apaixonei e me desapaixonei ali na margem e me apaixonei novamente pela caminhada, pela corrida, por pessoas apaixonadas pela corrida. O lago tem uma história particular de amor comigo. Foi lá que nasceu a Maratona de Londrina, às margens da cachoeirinha, que rendeu um evento que mexeu tanto e tanto com a cidade! Quem que me conhece que viu a maratona acontecer e que não se lembrou de mim? Ali tive alegrias, choros, vitórias e superações! Ali passeei com minha mãe já doentinha, pegando flores e pitangas para ela. Colhi e comi pitangas com amigos que fiz e nunca esqueci, comi amoras, acerolas. Ali passeei com amigos e amigas, Ouvi desabafos e desabafei! Ouvi e fui ouvida. Socorri e fui socorrida! Caminhei, corri e pedalei! Fiz amigos, colhi amigos. Ali nasci de novo para muitas coisas! Deixar amores pra trás. Começar novos amores! Conversar com minha filha em momentos de alegria pura e de indecisão absoluta! O lago faz parte da minha vida como palco que é da vida! Assim, vai ser marcante começar o ano novo ali, do ladinho dele! Tendo-o debaixo dos meus pés, como minha morada de agora. Não importa os lares que terei e sonho. Bombinhas é meu sonho! Mas o hoje me apresenta um novo lar. E estar aqui será simbólico. Pra fincar um pouco as raízes que sempre me neguei a criar aqui. E, vivenciando o que eu mesma escrevi, não ter medo de fincar raízes. Outros lugares estarão sempre ali para eu mirar e ir. É preciso ter ousadia pra ir pra outros lugares e ares. Mas também é preciso ter foco para se manter no ninho, esperando o tempo certo para seguir depois. Talvez, a vida me esteja sendo, como sempre, metafórica! E brinque comigo de fazer-me perder o medo de “criar vínculos”. Não é de todo ruim! Ter o porto seguro. A pessoa que espera. O lugar pra retornar.
Londrina é meu lar! Isto não me impede de ter Bombinhas no coração e desenhar sonhos... Mas, hoje, descobri que não preciso ter medo de criar raízes, ter vínculos, estar num lugar no presente, com pessoas que me amam e que posso amar! Dizia sempre que amar é decisão! Pois bem! Ter um lar também é uma decisão! E mesmo que um dia, eu deseje estar noutro lugar, tenho de tornar o lugar onde estou no agora, o meu lar.
Ano novo chegando... Decisões... Caminhos... Algumas coisas acontecem sem bem você admitir que já fazem parte do seu caminho. E já fazem!

domingo, 25 de dezembro de 2011

O que te é um presente?

Estava lendo o que Walcyr Carrasco escreveu na Época. Sobre os amigos secretos tão comuns nesta época de confraternização de final de ano, nas empresas, nos grupos de amigos e até nas reuniões de família que optam por esta “brincadeira” para substituir a velha troca de presentes tão dispendiosa para todos que andam com os bolsos meio vazios. Acontece que não há quem não tenha uma história hilária pra contar sobre isto. E ele, conta alguns episódios que passou.

Não é à tona que alguns, hoje, substituem a velha brincadeira por outra modalidade; o “inimigo secreto” que se é pra sacanear, que seja escancarado e todos possam ter o direito da réplica, tréplica, e aproveitem para inventar presentes que tenham como objetivo, dar coisas engraçadas e manter o espírito esportivo de brincar, trocar presentes e “roubá-los” uns dos outros! Assim, as pessoas deixam de comprar presentes com medo de errarem, de desagradar, procuram presentes que sejam disputados para serem roubados, melhorando o tipo de presente comprado. E mais: como todo mundo vai ver o que foi comprado, dificilmente vai se levar algo chimbim, ou que foi um presente já rejeitado em outros natais, ou amigos secretos. Como acontece, de fato. Pois há quem compre qualquer coisa correndo, porque se esqueceu de comprar algo pensando na pessoa que tirou, ou pegue algo em promoção, sem nem saber se será do agrado da pessoa. Ou pior! Desenterre do fundo do guarda roupa, aquela velha sacola de plástico cheia de presentes recebidos em outros carnavais que ganhou, não gostou e só não passou pra frente, pra reaproveitá-los dando-os para outras pessoas nestes “inofensivos” amigos secretos... É a reciclagem de presentes! Uma boa idéia pra outras confraternizações: Amigo secreto – presente reciclado! Quem sabe um bazar/brechó? Já fizemos isto uma vez em nosso grupo de corrida! Um bazar entre amigos, onde combinamos de levar objetos, roupas, calçados, bolsas que não usássemos mais – em boas condições de uso! – para vendermos e comprarmos a preços módicos/simbólicos para brincarmos e termos mimos com cara de novo!

Bem, o texto bem humorado de Walcyr Carrasco segue falando dos micos e das roubadas em dar ou receber presentes. Coitada, sempre coitada da mãe sem sexo, sem vaidade, sem gosto e que, resignadamente, segue ano após ano ganhando coisas para casa... Tem lá ela, por acaso, cara de casa? Tem? Cara de cozinha, área de serviço, ou armário de cozinha? Para que, insistentemente, seu marido ou filhos, ou genros, ou noras lhe dêem, com a maior cara de satisfação, um fogão novo, uma geladeira, um microondas, ou pra piorar, uma batedeira, liquidificador, cafeteira, dentre tantos ítens para uma dona de casa? Tem dó!!! Antes de tudo, mulher é mulher! Cheia de desejos, de vaidades, vontades secretas... Como Walcyr conta, ela ainda olha o presente e diz: “Eu estava mesmo precisando disso...”. Se bem que eu gosto de atribuir a ELA – esta mulher que não se manifesta e engole o que não quer – parte da culpa por receber coisas que não sejam para ela, mas para a mulher que os outros querem perto, por lhes ser conveniente... Quem não quer uma super cozinheira por perto? Super equipada com os melhores equipamentos eletrônicos para armazenar, preparar e aprimorar a comidinha nossa de cada dia? Hã??? Há de se dar o grito de liberdade e dizer “Eu quero aquele vestido carésimo daquela loja chiquérrima que custa, nada mais e nada menos do que... o valor de uma geladeira... Exageros a parte, presente também não é dar um jogo de furadeira ao marido, a não ser que brincar de marceneiro lhe seja parte de seu lazer. Ou dar material escolar aos filhos, cuecas, meias que já iam ser compradas mesmo. Salvo quando você sabe que a pessoa está doida para ter algo que não pode comprar, vale lhe dar algo útil, por ser desejado. Mas, definitivamente, presente não é algo que a casa precisa. Mas é algo que seja um desejo quase secreto, muitas vezes, uma bobice, um supérfluo desnecessário (vale a redundância para frisar a inutilidade do produto para quem olha e dá, em indireta proporção a quem o recebe!).

Dar presente é uma arte. E sabe bem o que é isso quem é capaz de comprar algo com olhos de apaixonado que está louco para conquistar a pessoa. Naqueles momentos únicos que não são, necessariamente, atrelados a uma data especial como aniversário, natal, dia dos namorados, aniversário de namoro, casamento ou enrolamento. Daquelas raras oportunidades quando você está à toa e vê algo que, na hora, te lembre a pessoa e você não resiste e compra. Só pelo prazer de entregar o presente certo de despertar no outro, uma cara de espanto e de derretimento, um sorriso de satisfação e ver seus olhos brilhando de alegria! Como criança que ganha um brinquedo tão cobiçado...

Dar presente tem que ser encarado como algo onde você pré-sente que a pessoa que vai receber adorará o que você deu! E você pré-sinta que acertou! Chego a acreditar que a melhor parte do ganhar um presente seja a surpresa que isto nos causa. Pois presente não precisa ser tão somente, um objeto. Pode ser um bilhete, um cartão, uma visita surpresa, um passeio. Pode ser até uma declaração. De algo subentendido e nunca declarado. Pode ser uma mudança de rumo. Uma decisão. Com certeza, tem que causar um frisson no coração. E como o nome já diz, é um pré-sentimento. Tem que mexer no coração, senão, não é um PRE-SENTE!

sábado, 24 de dezembro de 2011

Natal: tempo de resgatar as raízes...

Quando criança, minhas lembranças de Natal me remetem ao piano de minha mão, posto no meio da sala que, durante o ano todo, ficava cheio de enfeites e adornos, mas que no mês de dezembro davam lugar aos pequenos personagens de louça que representavam os presentes no presépio no dia de Natal. Não sei, exatamente, se eram peças confeccionadas para este fim, mas lembravam José, Maria, o menino Jesus, os Reis Magos, os Pastores, os animais na estrebaria. Além do presépio simples que ela montava, pequenino como era o tamanho destas estatuetas, fazia arranjos com pinhas, fitas vermelhas guardadas de presentes anteriores até de anos passados, arrumados em pratinhos de papelão prateado que eram um luxo naquela época! Muitas vezes, cortava pequenos galhos de pinheiros ou ciprestes do clube aonde íamos (a ACEL – alguém lembra?) e enfeitava estes arranjos! Tínhamos também, arranjos feitos como trabalhos de escola, uma vela feita de papelão enrolado, coladinho de macarrãozinho e pintado com tinta brilhante prateada. Sobre o piano, então, ela ajeitava cuidadosamente a Árvore de Natal! Aquilo, além do presépio, representava algo mágico! Lembro perfeitamente da embalagem de papelão de onde, todo ano, retirávamos a árvore para ser montada e na qual, todo ano a guardávamos para voltar a usar no ano seguinte. E das caixas de papelão com divisórias que todo ano ela retirava de cima do guarda-roupa, onde ficavam guardadas as bolas da árvore de Natal! Eram lindas! Feitas daquele material tão frágil, somente tínhamos autorização de manusear se já fossemos bem cuidadosas para ajudá-la na montagem da árvore de natal! Já naquela época, as bolas eram especiais, pois não se resumiam a forma de bola. Havia bolas com reentrâncias, pontudas, imitando estrelas, com brilhos e de diversas cores. Também havia enfeites de plástico nos quais pendurávamos sininhos coloridos e um enfeite prateado que era ajeitado sobre os galhos da árvore para dar brilho e mais o algodão que imitava a neve sobre estes mesmos galhos! Interessante que todo ano usávamos a mesma árvore, as mesmas bolas e enfeites, o mesmo algodão. Sempre era arrumada sobre o piano! E toda véspera de natal íamos dormir de olho no piano, ansiosas por acordarmos e corrermos para ele na manhã seguinte para ver se nossos presentes haviam sido deixados pelo Papai Noel ali naquela noite, debaixo da árvore, sobre o piano de minha mãe! Acreditávamos em Papai Noel e escrevíamos cartinhas a ele para pedirmos nosso presente! Com o passar do tempo, nós mesmas, as filhas, nos encarregávamos de montar a árvore! E mantínhamos o costume, a tradição, cientes do verdadeiro significado do Natal. E prepararmos a casa para esperar o Natal fazia parte de um ritual de final de ano que nos mantinha unidas para aguardar um dia especial.

Quando saí de casa, mantive o mesmo costume da fantasia em torno do natal e seus personagens. Depois de um tempo, “acordada” quanto ao sentido comercial do Papai Noel, do esquecimento do verdadeiro sentido pelas famílias, acabei deixando de lado estes velhos costumes e minha casa passou a não receber qualquer enfeite natalino. Havia a justificativa religiosa de que todo costume natalino, na verdade, tem a origem pagã. E dentro deste princípio, deixei de falar de Papai Noel, de usar guirlandas na porta de casa e colorir com luzinhas a frente da casa. Foi um tempo exageradamente radical quanto aos costumes. Serviu para delimitar onde entra um personagem e onde deve entrar ou sair o outro! Mas admito, deixar de enfeitar a casa, como minha mãe fazia fez-me perder meu elo com as raízes deste dia em minha vida. E, hoje, parei para relembrar...

O que vejo, então, é uma inversão de valores. Somos devorados pela imposição do “compre-compre-compre” e é óbvio que a figura de Jesus na manjedoura não ajuda vender nada, até atrapalha, pois o Rei dos reis nascido num cenário tão simples como este, desmistifica que riqueza, posses, presentes seja símbolo ou sinônimo de felicidade e que, na simplicidade encontramos a verdade e a paz. E, logicamente, a figura de um “bom velhinho” que confecciona em sua oficina brinquedos para levar às crianças, sem cobrar nada (!!!), seja bem melhor de venda aos pais que se descabelam pra conseguir adquirir o presente pedido por seus pimpolhos ao Papai Noel.

Opiniões à parte, sobre o certo e o errado no Natal, vejo o que acredito ser o principal: somos raiz e fruto! Carregamos o que nossos pais nos ensinaram e passaram por seus modelos de vida e somos fruto que repassa estes mesmos valores aos filhos. Muito mais do que a troca de presentes entre os familiares, é preciso “estar presente”! O tempo que se passa junto resulta em lembranças, histórias a se contar depois. Risadas, sorrisos, a ternura de vivenciar, por palavras, cenas vividas em outros tempos e com pessoas que nem estão mais conosco. Os presentes vão se quebrando, estragando, sendo consumidos, acabam. Deixam de existir... Tempo passado junto, ser presente na vida do outro é algo que é levado sempre dentro do coração. É esta lembrança boa que nos fortalece num momento como este, onde minha filha está a tantos quilômetros de distância, a tantas horas de vôo. Quando gostaríamos muito de estar juntos e não podemos. Pois nos fortalecemos, exatamente como combustível que nos abastece para irmos usando, aos poucos, na hora de termos aquela reserva de energia, quando pensamos que não conseguiremos ir além. Veja bem: não são os presentes materiais que minha filha levou com ela na bagagem para se sentir perto de mim e de sua família. São nossas conversas de madrugada. Ou aquelas costuradas de dia, nas nossas andanças de mãos dadas, nas viagens de janela escancarada, vento, música e sorrisão no rosto, ou de choro repartido.

Natal em família é aquele em que mesmo se estando longe, tem-se a certeza de estar junto! Duas pessoas fundamentais pra mim não estarão presentes comigo neste Natal: minha mãe e minha filha. E, curiosamente, são destas duas que mais me lembro neste natal hoje. Porque em datas assim, que mexem com todos, quando queremos estar com quem mais amamos, ficamos sensíveis! Observadores. Pensativos. Mergulhamos em lembranças. E saímos no dia seguinte fortalecidos. Pois quem imagina o natal de maneira egoísta, comercial apenas, sem dividir nada com ninguém, nunca terá nada além do que vê a sua frente no momento “agora”. Não compartilha, não dá, nem recebe nada. Não fica mais pobre, mas também não enriquece nunca. É tempo, enfim, de dar o que há de melhor em si próprio aos outros. Pode ser o sorriso ao estranho que passa, o bom dia/boa tarde/boa noite, a mão que deseja o “Feliz Natal” ao mendigo, ao pedinte que nunca espera nada de ninguém, uma bolachinhas enfeitadas de glacê em forma de coisinhas de natal, uma comidinha simples (como polenta!) feitinha com carinho pra família, o abraço ao irmão que veio de longe e você nunca vê e conversa, a horinha gasta numa boa conversa com aquele vizinho já mais idoso e carente de companhia, a paciência com seu pai ou mãe, ainda vivos e que já não escutam direito, já não lhes são “úteis”, que implicam com tudo, são teimosos, insistentes, mas que querem apenas estar mais um natal junto...

Quando a única perspectiva que se tem a frente é esperar o trem parar para descer, qualquer atenção ou carinho faz bem. Faça deste natal a concretização de decisões do tipo “vou tratar melhor minha mãe”, “vou ajudar, sem reclamar, meu colega de trabalho”, “vou parar de querer ganhar tanto dinheiro para meu filho usufruir amanhã, para brincar de bola com ele hoje“, ”vou fazer bolinhos de chuva para comer com meus filhos, sem medir as calorias a serem gastas depois”, “vou sorrir mais e resmungar menos”.
Creio eu, que neste natal e em todos os dias do ano estamos precisando mais de atitudes do que de presentes que você dá, já com aquela frase “se não te servir, você pode passar na loja tal pra trocar por algo que você quer!” As pessoas carecem mais de gestos, palavras, atitudes do que qualquer algo material que o dinheiro compre.
Pense nisso! Faça! Não protele. Aja! Sinta, respire fundo, absorva toda energia que existe a sua volta e você nem vê e abasteça-se. Distribua bons-dias, boas-tardes, como-vai-você. Não economize sorrisos. Pense duas vezes antes de falar algo maldoso que só vai fazer uma coisa: derrubar aquele que for ouvir. Toda energia boa – e a má – que você distribui, converte de volta pra você. Não é uma questão de esoterismo. Longe disso! É uma questão física da lei da ação e reação. Do tornar e do retorno. Você é aquilo que você fala (ou vomita!) E crie, incessantemente, uma aura a sua volta. Ela será um campo fértil para que as pessoas acreditem, realmente, naquilo que você fala com suas ações e suas atitudes, muito mais do que com suas palavras e um escudo para te proteger daquilo que não te fará bem!
Tenha um Natal inesquecível, repleto de pontinhos a serem iniciados para um trilhar que o leve na busca de ver, depois, que a vida vale a pena!
Deus no comando, você caminhando e os sonhos fluindo...

domingo, 18 de dezembro de 2011

Novo blog! Cartas para minha filha...

Iniciando, hoje, novo blog para concentrar nele, as cartas do meu Diário de Porto. O porto seguro que somos quando um filho parte em busca de seus sonhos. E lá, ela escreverá seu Diário de Bordo, pra registrar sua viagem tão sonhada. Para que um dia, quando a canseira lhe bater e tudo lhe indicar que não vale a pena acreditar em sonhos, ela possa ter a certeza de ter realizado sonhos. E que eles são possíveis, sim!

Que aqui se inicie o registro do amor que une e compartilha sonhos e realizações. Que seja o nosso registro para seguirmos juntas, ainda que distantes. Pois o amor faz destas coisas.
Quem fica, nunca fica só, de fato e quem parte, nunca segue sozinho!


Para acessar, basta clicar no título deste post!
Ou acessar:

http://www.cartasparaquemeuamo.blogspot.com/

domingo, 11 de dezembro de 2011

Meia hora apenas!

Qual é a medida de meia hora? Quanto vale, quanto nela cabe? Qual a diferença que meia hora pode fazer?

Quando você trava certas lutas com o tempo, qualquer tempo faz diferença. São cinco minutos de bobeira e você perde o trem. Uns segundos de indecisão e você perde o cavalo branco. Alguns minutinhos a mais e a comida queima. Frações de segundos e um acidente acontece com você e a vida evapora-se. Ou com alguém que você nunca quis pensar em ficar sem. O tempo liberta e aprisiona. Adequar-se a ele é uma necessidade de sobrevivência. De manter-se vivo, manter amores existentes, de saber esperar, de saber a hora certa. Não saber respeitar o tempo do outro lança grades em seu entorno e aprisiona o que devia ser espontâneo. Angustia, comprime, pressiona...

Meia hora pra quem corre pode significar uma corridinha rápida de 5km, um pouco mais, um pouco menos. De reabastecimento de energia, contraditoriamente à energia que se gasta. Pois faz minar água pelos poros que lava a alma, ainda que a distância não seja tanta. Mas serve pra dar o gás bom pra se enfrentar o dia de trabalho.

Meia hora significa pra quem nada, uns mil metros. Um pouco mais, um pouco menos. Depende da rapidez, do objetivo, do nado que você usa. Já te traz o benefício da disposição, do sair da inércia. E, acumulado, resulta em muito mais saúde.

Meia hora no trânsito significa filas imensas a frente, trânsito amarrado, atrasos para ir e vir. Estresse, caras feias, acidentes, gente apressada gesticulando e se irritando e a necessidade de se testar a paciência por não ter saído meia hora atrás.

Meia hora por dia dedicada a uma caminhada, ginástica, alongamento significam mais disposição, menos dores, vida mais saudável.

Meia hora pode ser a medida exata de uma conversa decisiva. Para definir o rumo de um amor que se inicia ou para dar fim a uma história que poderia durar muito. Meia hora faz nascer e faz morrer, depende o que se diz, o que se faz nesta meia hora. Mas uma coisa é certa: quando se contraria o coração dizendo aquilo que não se quer, de verdade, é inevitável estragar coisas que não se queria perder.

Meia hora é pouco tempo e é também tempo demais! E nem sempre o tempo volta atrás!